Viva a Poesia
Saturday, September 19, 2026
Thursday, September 17, 2026
Um poema de Fosca Massucco
Fosca Massucco
Se non fossi stata io,
nulla sarei stata-
né caso mi avrebbe
cercata
(o necessità richiesta).
Un miserevole frattale
ricomposto,
vano quanto bruma bassa.
Quando non sarò più io,
nulla sarà –
sorte e necessità in
equilibrio.
Se não tivesse sido eu,
eu não teria sido nada-
nem o acaso teria me acercado
(ou a necessidade exigido).
Um miserável fractal
recomposto,
tão vão quanto uma bruma escassa.
Quando eu não for mais
eu, nada serei-
a sorte e a necessidade
em equilíbrio.
Ilustração: Reddit.
Outra vez Daniel Fernández
EL VIEJO TEMA DE LA ROSA
Amago de la humana arquitectura.
Sor Juana Inés de la Cruz
Daniel Fernández
Describir, por ejemplo,
ciertas cosas:
que el ruboroso rojo del ocaso
sabe a un verano azul cuando olorosa
me llevas tras tus pasos.
Pero cómo escribir sobre ti, rosa
que yo no tengo entre las manos,
sin acordarme de esas otras,
símbolo apenas del pasado.
Así también tú al cabo:
no más que temblorosas
sílabas sobre el blanco
de una hoja.
O VELHO TEMA DA ROSA
Um
toque de arquitetura humana.
Sor Juana Inés de la Cruz
Descrever, por exemplo,
certas coisas:
que o vermelho rubor do
pôr do sol
sabe a um verão azul
quando, perfumada,
me levas atrás de teus
passos.
Porém, como escrever
sobre ti, rosa
que eu não tenho entre as
mãos,
sem me lembrar daquelas
outras,
símbolos apenas do
passado.
Assim também tu ao cabo:
não mais que sílabas
trêmulas
no branco
de uma página.
Ilustração: Taquari
Flores.
Monday, September 14, 2026
Uma poesia de Stella Sierra
PERFECCIÓN DE LA ROSA
Stella Sierra
¡Oh rosa, plenitud de muerte y vida!
Esencia, luz y ser, belleza. ¿Tanto
adoró tu deidad el sol y el llanto
para engarzar tu imagen definida?
Rosa del goce sin dolor, nacida
de la nada a lo breve: dulce canto
del ruiseñor, que enseña en su quebranto
con la novia, vestal entristecida.
¡Perfección de la rosa, gracia nueva
que en la infinita soledad eleva
su seno crespo y puro en ágil vuelo!
¡Oh rosa eterna, frágil, casta, sola!
Tu aliento leve como tu corola.
¡Virgen desnuda, fiel, carne de cielo!
A PERFEIÇÃO DA ROSA
Ó rosa, plenitude de morte e vida!
Essência, luz e ser, beleza. Tanto
Adoro tua divindade o sol e o pranto
para forjar tua imagem tão definida?
Rosa de gozo sem dor, nascida
do nada ao breve: doce canto
do rouxinol, que ensina em seu quebranto
com a noiva, uma virgem vestal entristecida.
Perfeição da rosa, graça nova
que na infinita solidão eleva,
em ágil voo, seu puro e anelado seio!
Ó rosa eterna, frágil, casta, exclusiva!
Teu hálito quanto tua corola tão concisa.
Carne do céu, fiel, Virgem nua sem receio!
Ilustração: Reddit.
Sunday, September 13, 2026
Questões Insolúveis (Unsolvable Issues)
Silvio Persivo
A matéria é invisível.
Ninguém entende muito do espaço,
do tempo, da onda ou da luz.
Nenhuma escola ensina
que o saber é provisório, artificial,
mas todos consideram natural
ser cheio de certezas.
O verdadeiro saber vem das crianças
indagando
respostas sem esperanças
como quem sou eu?
Quem é você?
De onde vem o que não se pode ver?
Enfim o que nunca iremos saber.
Matter is invisible.
No one understands much about space,
time, waves, or light.
No school teaches
that knowledge is provisional, artificial,
yet everyone considers it natural
to be full of certainties.
True knowledge comes from children
asking
questions without easy answers-
like "Who am I?"
"Who are you?"
"Where does the unseen come from?"
In the end, what we will never know.
Ilustração: IPLA-Instituto de Psicanálise Lacaniana.
"L'Adieu" de Guillaume Apollinaire
Guillaume Apollinaire
J'ai cueilli ce brin de
bruyère
L'automne est morte
souviens-t'en
Nous ne nous verrons plus
sur terre
Odeur du temps
Brin de bruyère
Et souviens-toi que je
t'attends
O ADEUS
Eu colhi este ramo de
urze
O outono morreu, lembre-se.
Não mais nos veremos sobre
a Terra
Odor do tempo
Ramo de urze
E lembre-se que estou te esperando.
Ilustração: Medium.
Um poema de Tino Di Cicco
Tino Di Cicco
la prossima volta sarò
un’altra cosa
uno come la notte
qualcosa come il tempo
mi riconoscerai dal fuoco
del vulcano
dal tumulto della
primavera
dal pudore della neve
la prossima volta non ci
sarà vagito
né libro
Da próxima vez serei uma
outra coisa
um como a noite
qualquer coisa como o
tempo
me reconhecerás pelo fogo
do vulcão
pelo tumulto da primavera
pelo pudor da neve
Da próxima vez não haverá
lágrimas
nem livro
Ilustração: Prime Vídeo.
Thursday, September 10, 2026
Um poema de Ángel Guinda
Yo empecé a andar por las nubes
como pájaro sin alas.
Quise la paz, quise el día,
el aire, la tierra, el agua.
Pensé que todo era inútil
y me eché el tiempo a la espalda.
Ahora vivo en el instante
colgado de una esperanza.
Y, a veces, abro la puerta
creyendo que alguien me llama,
y es un profundo deseo
como un murmullo de casa.
Poesía, poesía,
realidad que no me engaña.
Eu começo a caminhar pelas
nuvens
como pássaro sem asas.
Quis a paz, quis o dia,
o ar, a terra, a água.
Pensei que tudo era
inútil
e carreguei o tempo nas
costas.
Agora vivo no instante
pendurado por uma
esperança.
E às vezes, abro a porta
crendo que alguém me
chama,
e é um profundo desejo
como um sussurro de casa.
Poesia, poesia,
realidade que não me
engana.
Ilustração: WordPress Institucional UFPEL.
Wednesday, September 09, 2026
Um poema, mais um de Michael Palmer
Sun (fragmento)
Michael Palmer
Write this. We have burned all their villages
Write this. We have burned all the villages and the people in them
Write this. We have adopted their customs and their manner of dress
Write this. A word may be shaped like a bed, a basket of tears or an X
In the notebook it says, It is the time of mutations, laughter at jokes,
secrets beyond the boundaries of speech
SUN (fragmento)
Escreve isto. Nós
queimamos toda as suas vilas
Escreve isto. Nós
queimamos todas as vilas e os habitantes delas
Escreve isto. Nós
adotamos seus costumes e suas maneiras de vestir.
Escreve isto. Uma palavra
pode tomar a forma de uma cama, de uma cesta de lágrimas ou de um X
No caderno de notas
escreve, é o tempo das mudanças,
rir das piadas, segredos
mais além das fronteiras do discurso
Ilustração: eCycle.
Tuesday, September 08, 2026
Um poema de Jennifer Jean
INSPIRATION POINT
Jennifer Jean
Pacific Palisades
We’d stare at horses at Will
Rogers Park, then hike
the Loop Trail to Inspiration
Point, &
I’d lag back
to be a kid. Alone. & under
that aloofness-hid
vengeance. A rusty burr or two
in my left sneaker. & under
that-anxiety. The salt
dripping through chaparral
brows, into my brown lashes.
&
under that-rage. A perfectly
purple
shell some kid favored &
lost.
& under that-hope. The
pounded
ground. & under that-a vast
clearing on the cosmos, also
called Inspiration
Point. A gorgeous, inner hilltop
with a curious figure
taking in the Pacific view.
Breathing chicory & chamise.
Naming
every wind-boarder near Catalina
Island. That high-noon,
far-sighted figure—seemed
a bit burnt, but warm. A bit
divine.
But-sometimes-I didn’t find that
figure
wow-ing at a thing
no one had ever seen-at a new
bird
better than a phoenix. (There’s
something better than
a phoenix!) Sometimes, my hand
stretched towards some nether new
creation & I was the figure
who named it.
PONTO DE INSPIRAÇÃO
Pacific Palisades
Olhávamos para cavalos no Will
Rogers Park, então caminhávamos
pela trilha do ciclo para o ponto
de inspiração, &
eu estava atrasado
para ser criança. Sozinho. &
sob aquele distanciamento - oculta
a vingança. Uma ou duas saliências
desgastadas
no meu tênis esquerdo. & sob aquela-
a ansiedade. O sal
escorrendo pelas sobrancelhas
nos arbustos, em meus cílios
castanhos. &
debaixo essa raiva. Um roxo
perfeitamente
concha algum garoto favorecido e
perdido.
& sob ela-a esperança. O
batido
chão. & sob isso - uma vasta
limpeza no cosmos, também chamada
de inspiração
Ponto. Um lindo topo de colina
interior
com uma figura curiosa
contemplando a vista do Pacífico.
Respirando chicória e camisa.
Nomeação
de todos os praticantes de
windboard perto de Catalina
Ilha. Aquela figura perspicaz do
meio-dia - parecia
um pouco queimado, mas quente. Um
pouco divino.
Mas - às vezes - eu não encontrei
essa figura
surpreendendo em uma coisa
ninguém nunca tinha visto - em um
novo pássaro
melhor que uma fênix. (Há algo
melhor do que
uma fênix!) Às vezes, minha mão
esticada em direção a algum novo
inferior
criação & eu era a figura
quem o nomeou.
Ilustração: Facebook.