Saturday, June 27, 2026

Um poema de Paul Laurence Dunbar

 


INVITATION TO LOVE

Paul Laurence Dunbar

Come when the nights are bright with stars

Or come when the moon is mellow;

Come when the sun his golden bars

Drops on the hay-field yellow.

Come in the twilight soft and gray,

Come in the night or come in the day,

Come, O love, whene’er you may,

And you are welcome, welcome.

 

You are sweet, O Love, dear Love,

You are soft as the nesting dove.

Come to my heart and bring it to rest

As the bird flies home to its welcome nest.

 

Come when my heart is full of grief

Or when my heart is merry;

Come with the falling of the leaf

Or with the redd’ning cherry.

Come when the year’s first blossom blows,

Come when the summer gleams and glows,

Come with the winter’s drifting snows,

And you are welcome, welcome.

CONVITE PARA O AMOR

Venha quando as estrelas brilharem nas noites

Ou venha quando a lua for suave;

Venha quando o sol com seus raios dourados

Espalhar-se sobre o campo de feno amarelado.

Venha no crepúsculo suave e cinzento,

Venha à noite ou venha de dia,

Venha, ó amor, quando puder,

E será bem-vindo, bem-vindo.

 

Você é doce, ó Amor, querido Amor,

Você é suave como a pomba em seu ninho.

Venha ao meu coração e traga a paz,

Como a ave que voa para o seu ninho acolhedor.

 

Venha quando meu coração está cheio de pesar

Ou quando meu coração está alegre;

Venha com a queda das folhas

Ou com a cereja que avermelha.

Venha quando a primeira flor do ano desabrocha,

Venha quando o verão resplandece e brilha,

Venha com a neve que o inverno traz,

E será bem-vindo, bem-vindo.

Ilustração: Sabrina Arcega Papelaria Fina. 


ME DEIXE EM PAZ

 


Há um momento na vida-

quem é velho sabe-

que não se aguenta mais ninguém. 

E foi num momento assim

em que me senti muito ruim,

em que me senti insuportável,

que minha mulher chegou e disse;

-Se você morrer eu morro junto. 

Tive que mudar de assunto.

Não podia dizer para ela

que até para morrer se precisa de paz!

"Fresco" de César Vallejo

 


FRESCO

César Vallejo

Llegué a confundirme con ella,
tanto...! Por sus recodos
espirituales, yo me iba
jugando entre tiernos fresales,
entre sus griegas manos matinales.

Ella me acomodaba después los lazos negros
y bohemios de la corbata. Y yo
volvía a ver la piedra
absorta, desairados los bancos, y el reloj
que nos iba envolviendo en su carrete,
al dar su inacabable molinete.

Buenas noches aquellas,
que hoy la dan por reír
de mi extraño morir,
de mi modo de andar meditabundo.
Alfeñiques de oro,
joyas de azúcar
que al fin se quiebran en
el mortero de losa de este mundo.

Pero para las lágrimas de amor,
los luceros son lindos pañuelitos
lilas,
naranjos,
verdes,
que empapa el corazón.
Y si hay ya mucha hiel en esas sedas,
hay un cariño que no nace nunca,
que nunca muere,
vuela otro gran pañuelo apocalíptico,
la mano azul, inédita de Dios!

FRESCO

Cheguei a me confundir com ela,
tanto...! Por suas curvas
espirituais, eu ia me
jogando entre tenros pés de morango,
entre suas mãos gregas matinais.

Ela me acomodava depois os laços pretos
e boêmios de gravata. E eu.
voltava a ver a pedra
absorvida, os bancos desprezados e o relógio
que nos ia envolvendo em seu carretel,
ao girar seu incansável molinete.

Boa noite aqueles,
que hoje nos estão fazendo rir
de minha estranha morte,
do meu jeito pensativo de andar.
Caveiras de açúcar douradas,
joias de açúcar
que enfim se infiltram na
laje de argamassa deste mundo.

Porém para as lágrimas de amor,
as estrelas são lindos lencinhos.
lilases,
laranjas,
verde,
que encharca o coração.
E se já existe muito fel nessas sedas,
Existe um amor que nunca nasce,
que nunca morre,
voa outro grande lenço apocalíptico,
a mão azul, inédita de Deus!

Ilustração: Tumblr. 


Wednesday, June 24, 2026

Tanto Amor

 


TANTO AMOR

Silvio Persivo

Que amor é este? –É um amor sem nome.

Por que ele existe? -Ele não se explica.

E como se resume? Numa dor que fica,

Numa sensação insatisfeita de imensa fome.

 

Que caminho busca? -Nem ele mesmo sabe.

Há ilusão ainda? -Enquanto houver vida.

Ela o que lhe diz? Se contenta tão querida

Em sorrir do meu amor que todo lhe cabe.

 

Que faz você que não a deixa? -Morro

Cada segundo numa queixa silenciosa

Sabendo que, por ser-me assim preciosa,

Há de me sugar o sangue sem socorro.

 

Que pensa em fazer? –Pensar resolve?

O que resolve, então? –Morrer, talvez,

De amor, de solidão, saudade, de uma vez

Para ver se tanto amor não me absolve

SO MUCH LOVE

What love is this? -It's a nameless love.

Why does he exist? -He doesn't explain himself.

And how does it sum up? In a pain that remains,

In an unsatisfied feeling of immense hunger.

 

What path are you looking for? - Not even he knows.

Is there still illusion?-As long as there is life.

What does she tell you? so happy dear

In smiling at my love that all fits you.

 

What are you doing that doesn't leave her?-I die

Every second in a silent complaint

Knowing that, because you are so precious to me,

It will suck my blood without help.

 

What are you thinking of doing? – Thinking solves?

What solves it then? – Die, perhaps.

Of love, of loneliness, longing, all at once

To see if so much love doesn't absolve me. 

Ilustração: Filmaffinit. 

 

Tuesday, June 23, 2026

Um poema de Carlos Baldelomar

 

                                          CONDICIONES

Carlos Baldelomar

Lo sé,
vos sos un pájaro.
Y yo,
solo un perro sin casa
ladrándole a la luna.

CONDIÇÕES

Eu sei,

vos sois um pássaro.

E eu,

só sou um cachorro sem casa

latindo para a lua.

 



Sunday, June 21, 2026

Outro poema de Pierluigi Cappello

 

                                         Pierluigi Cappello

Scrivere come sai dimenticare,

scrivere e dimenticare.

 

Tenere un mondo intero sul palmo

e dopo soffiare.


Escreva como sabe esquecer,

escreva e esqueça.


Tenha um mundo inteiro na palma da sua mão

e depois sopre.

 



Saturday, June 20, 2026

Um poema de David Arthur

 

                  UN TIERNO ROBO DE DULZURA

David Arthur

Tentado por sus fragrancias

y sus seductores colores radientes,

la mariposa se posó sobre el tallo

de su flor favorita, permitiendo

el visitante, sin resistencia,

saborear el néctar recóndito,

un tierno robo de dulzura,

que no solamente satisfizo su sed,

sino, en su inconsciencia, embellece

el jardín lleno de futuras flores.

*

Como la mariposa, yo también me sentí tentado,

por tu cautivador aroma y

tus labios predicando promesas,

una fusión fatal para el corazón de un jóven,

pero nuestras sonrisas vacilantes y miradas furtivas

me persuardieron de rozar suavemente

tus labios con los míos,

un tierno  robo de  dulzura.

Mi indiscreción fue recompensada por tu caricia,

y los vinculos entrañables por toda una vida.

UM TERNO ROUBO DE DOCE

Tentado por suas fragrâncias

e suas sedutoras cores radiantes,

a borboleta pousou no caule

de sua flor favorita, permitindo

ao visitante, sem resistência,

saborear o néctar escondido,

um terno roubo de doçura,

que não só saciou sua sede,

senão, em sua inconsciência, embelezou

o jardim repleto de futuras flores.

 

*

Como a borboleta, eu também me senti tentado,

pelo seu aroma cativante e

teus lábios pregando promessas,

uma fusão fatal para o coração de um jovem,

porém nossos sorrisos vacilantes e olhares furtivos

me persuadiram a roçar suavemente

teus lábios nos meus,

um terno roubo de doçura.

Minha indiscrição foi recompensada por teu carinho,

e pelos laços preciosos por toda a vida.

Ilustração: Amazon. 



Um poema de Katherine Mansfield

 


WHY LOVE IS BLIND

Katherine Mansfield
The Cupid child tired of the winter day
Wept and lamented for the skies of blue
Till, foolish child! He cried his eyes away-
And violets grew.

PORQUE O AMOR É CEGO

O filho de Cupido, cansado do dia de inverno,

Chorava e lamentando-se pelos céus tristes.

Até que, tolo menino! Chorou até as lágrimas caírem.

E as violetas desabrocharam.

Ilustração: Flores e Folhagens. 


Tuesday, June 16, 2026

Olhos de Gata



Tento fugir dos teus olhos de gata

que fingem não me ver

(tento também fingir 

não saber

do teu interesse tão claro).

Zombeteira me ignoras

brincando com o celular

até que, cansada, caminhas pelo salão,

como se abrindo espaços pela amplidão,

soberana da tua beleza, 

passas por mim.

Não me viro.

Sei que voltarás para o mesmo lugar

e ficarás quieta, feiticeira,

tecendo uma magia desnecessária 

para me encantar. 

Ilustração: Marie Claire. 


E, de volta, Carlos Pujol

 


                                           Carlos Pujol

La habitación se llena de fantasmas
que guardan un silencio desdeñoso
a causa de no haber
existido jamás.
Veo que entran y salen
de la memoria como
si fuera un territorio conquistado.
El miedo también tiene sus costumbres.
Conviene respetarlas
puesto que forman parte
de un orden misterioso y sin piedad
que uno mismo ha dispuesto.

 

A casa se enche de fantasmas

que guardam um silêncio desdenhoso

por causa de não haver

existido jamais.

Vejo que entram e saem

da memória como

se fosse território conquistado.

O medo também tem seus costumes.

Convém respeitá-los

posto que fazem parte

de uma ordem misteriosa e sem piedade

que cada um estabeleceu para si.

Ilustração: V9vitoriosa. 


Sunday, June 14, 2026

Um poema de Edwin Markham

 


 

 

CIRCLE

Edwin Markham
He drew a circle that shut me out
Heretic, rebel, a thing to flout
But love and I had the wit to win;
We drew a circle that took him in.

CIRCULO

Ele desenhou um círculo que me excluiu

Herético, rebelde, uma coisa a ser desprezada

Porém, o amor e eu tivemos a astúcia para ganhar;

Nós desenhamos um círculo que o prendeu.

Ilustração: Magnific.