Sunday, July 12, 2020

Uma poesia de Cristina Campo




AMORE OGGI IL TUO NOME

Cristina Campo

Amore, oggi il tuo nome
al mio labbro è sfuggito
come al piede l'ultimo gradino...

Ora è sparsa l'acqua della vita
e tutta la lunga scala
è da ricominciare.

T'ho barattato, amore, con parole.

Buio miele che odori
dentro i diafani vasi
sotto mille e seicento anni di lava -

ti riconoscerò dall'immortale
silenzio.

AMOR HOJE É TEU NOME

Amor, hoje é teu nome
do meu lábio escapando
como ao pé no último passo ...

Agora derramada a água da vida
e toda a longa escadaria
é hora de recomeçar.

Eu te troquei, amor, com palavras.

Mel escuro cujo o odor
dentro dos vasos diáfanos
sob mil e seiscentos anos de lava -

ti reconhecerei do imortal
silêncio.

Ilustração: mensagens10.com.br.

Mario Benedetti, pois...


LA CULPA ES DE UNO                                                 
Mario Benedetti

Quiza fue una hecatombe de esperanzas
un derrumbe de algun modo previsto
ah pero mi tristeza solo tuvo un sentido

todas mis intuiciones se asomaron
para verme sufrir
y por cierto me vieron

hasta aqui habia hecho y rehecho
mis trayectos contigo
hasta aqui habia apostado
a inventar la verdad
pero vos encontraste la manera
una manera tierna
y a la vez implacable
de desahuciar mi amor

con un solo pronostico lo quitaste
de los suburbios de tu vida posible
lo envolviste en nostalgias
lo cargaste por cuadras y cuadras
y despacito
sin que el aire nocturno lo advirtiera
ahi nomas lo dejaste
a solas con su suerte
que no es mucha

creo que tenes razon
la culpa es de uno cuando no enamora
y no de los pretextos
ni del tiempo

hace mucho muchisimo
que yo no me enfrentaba
como anoche al espejo
y fue implacable como vos
mas no fue tierno

ahora estoy solo
francamente
solo

siempre cuesta un poquito
empezar a sentirse desgraciado

antes de regresar
a mis lobregos cuarteles de invierno

con los ojos bien secos
por si acaso

miro como te vas adentrando en la niebla
y empiezo a recordarte.

A CULPA É DE UM

Talvez fosse uma hecatombe de esperanças
um derrame de alguma forma prevista
ah!, porém  minha tristeza só teve um sentido

todas as minhas intuições assomaram
para me ver sofrer
e por certo me viram

até aqui eu tinha feito e refeito
meus trajetos contigo
até aqui tinha apostado
em inventar a verdade
mas você encontrou o caminho
de maneira terna
e, ao mesmo tempo, implacável
de desalojar o meu amor

com um único prognóstico tu o retiraste
dos subúrbios da tua vida possível
o envolveste em nostalgia
o carregaste por quadras e quadras
e, lentamente.
sem aviso do ar noturno
o deixaste lá
sozinho com sua sorte,
que não é muita

Creio que tem razão
a culpa é de um quando não se apaixona
e não de pretextos
nem do tempo

cho que fez muito muitíssimo
há muito, muito tempo atrás
que eu não me enfrentava
como ontem à noite no espelho
e ele foi tão implacável quanto tu
mas não foi mais terno

agora estou só
francamente

sempre custa um pouquinho
comecar a se sentir infeliz

antes de voltar
para meus aposentos escuros de inverno

com os olhos secos
se por acaso

Olho como vás entrando na névoa
e começo a te recordar.

Friday, July 10, 2020

Uma poesia de Vito Moretti



L'AQUILA 6 APRILE 2009

Vito Moretti
ad Anna Ventura

I
Nella tua casa straziata

ho visto ancora i gerani
al balcone e una rinata promessa
di futuro. Il cuore respira tempeste
e schianti, ma per arduo che sia
dà nome di creatura alla tua anima
e metti piede dove tutto sembri vano,
lascia crescere di nuovo la luce
che ti è poesia. Hai una corazza
sui lumi spenti, e tanto amore:
il pegno che pure ti resta
dell'oggi che svela ferite.


L'AQUILA 6 DE ABRIL DE 2009

                                    para Anna Ventura

I
Na tua casa angustiada
ainda  cheguei a ver os gerânios
na varanda e uma promessa renascida
do futuro. O coração respira tempestades
e falha, mas pode ser árduo
dar o nome da criatura à tua alma
e meter os pés onde tudo parece vão,
deixe crescer de novo a luz
que, para ti, é poesia. Há uma armadura
nas luzes apagadas, e tanto amor:
a promessa que ainda te resta
de hoje que revela as feridas.


Thursday, July 09, 2020

E, com vocês, o mestre dos artifícios, Mario Benedetti





TÁCTICA Y ESTRATEGIA

Mario Benedetti

Mi táctica es
mirarte
aprender como sos
quererte como sos

mi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible

mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
pero quedarme en vos

mi táctica es
ser franco
y saber que sos franca
y que no nos vendamos
simulacros
para que entre los dos

no haya telón
ni abismos

mi estrategia es
en cambio
más profunda y más
simple
mi estrategia es
que un día cualquiera
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
por fin me necesites.

TÁTICA E ESTRATÉGIA

Minha tática é
te olhar
aprender como és
te querer como és
minha tática é
te falar
e te escutar
construir com palavras
uma ponte indestrutível
minha tática é
ficar na tua lembrança
não sei como nem sei
com que pretexto
porém, ficar em ti
minha tática é
ser franco
e saber que és franca
e que não nos vendemos
simulacros
para que entre os dois
não haja cortinas
nem abismos
minha estratégia é
em troca
mais profunda e mais
simples
minha estratégia é
que um dia qualquer
não sei como nem sei
com que pretexto
por fim necessites de mim.
Ilustração: Uol.

Mais uma poesia de Andrea Zanzotto



ESISTERE PSICHICAMENTE

Andrea Zanzotto

Da questa artificiosa terra-carne
esili acuminati sensi
e sussulti e silenzi,
da questa bava di vicende
- soli che urtarono fili di ciglia
ariste appena sfrangiate pei colli -
da questo lungo attimo
inghiottito da nevi, inghiottito dal vento,
da tutto questo che non fu
primavera non luglio non autunno
ma solo egro spiraglio
ma solo psiche,
da tutto questo che non è nulla
ed è tutto ciò ch'io sono:
tale la verità geme a se stessa,
si vuole pomo che gonfia ed infradicia.
Chiarore acido che tessi
i bruciori d'inferno
degli atomi e il conato
torbido d'alghe e vermi,
chiarore-uovo
che nel morente muco fai parole
e amori.

EXISTINDO PSIQUICAMENTE

A partir desta artificial terra-carne
os sentidos afiados delgados
e suspiros e silêncios,
desta baba de eventos
- sóis que atingiram cílios
existe apenas desgastado pelas colinas -
a partir deste longo átimo
engolido pela neve, engolido pelo vento,
de tudo o que não foi
primavera não julho não outono
mas apenas doente vislumbre
mas só psique,
de toda questão que não é nula
e é tudo o que sou:
tal a verdade geme para si mesma,
se volta como a maçã que incha e enche.
ardor ácido que tece
a queima do inferno
de átomos e vomitar
turvas algas e vermes,
ovo claro
que no muco moribundo faz palavras
e amores.


Wednesday, July 08, 2020

Outra poesia de Jorge Manrique


CANCIÓN                                                     


Jorge Manrique

Con dolorido cuidado,
desgrado, pena y dolor,
parto yo, triste amador
d'amores desamparado,
d'amores, que no d'amor.

Y el corazón enemigo
de lo que mi vida quiere,
ni halla vida, ni muere,
ni queda, ni va conmigo:
sin ventura, desdichado,
sin consuelo, sin favor,
parto yo triste amador,
d'amores desamparado,
d'amores, que no d'amor.

CANÇÃO

Com dolorido cuidado,
sofrimento, pena e dor,
parto eu, triste amador
d'amores desamparado,
d'amores, não d'amor.

E o coração inimigo
do que minha vida quer,
nem acha vida, nem morre,
nem fica nem vai comigo:
sem ventura, infeliz,
sem consolo, sem favor,
parto eu, triste amador,
d'amores desamparado,
d'amores, não d'amor.


COMO SE MANRIQUE FOSSE

Oh mundo, que assim nos mata,                                           
vivendo a vida que existe,
vida dura, toda vida!
Mas, dizem que assim nos trata,
para tornar suave e menos triste
a hora final da partida,
de vez que se tua vida coberta
de tristezas e de dores,
de amores despovoada,
e de bens sempre tão deserta,
sem prazeres e doçuras
não dói, se de ti retirada.

E, se teu começo é choroso,
tua saída sempre amarga
com a vida ruim se amena;
se no meio, foi trabalhoso,
quem a triste vida larga
dá menos pena.
Assim quando está morrendo
não há bens, não te procuram
e de herança nada dás;
e teus males saem correndo,
depois de ti não duram
muito mais.

Ilustração: https://elcastillodekafka.wordpress.com/

CANÇÃO DE AMOR


O amor, meu bem, é minha profissão.                        

O amor é pedir, é implorar,
mendigo, que sou, dos teus carinhos.
Tu bem sabes, que se é real o amor
é uma flor de verão,
é uma dor eterna,
algo para não perdurar.
Ainda mais quando não se pode tocar,
sentir, alcançar
a pele, o pelo, o corpo desejado.
Ah! Amor, tu e eu,
somos os amantes
que se perderam e se encontraram
por acaso,
e, infelizmente, não te alcanço.
Então, faço
esta canção de amor
que toco e danço
tão suave quanto teu palpitar,
tão doce quanto teus carinhos,
para dizer que a teu lado
me sinto tão sozinho
como alguém
que sabe que o amor é esperar,
é viver
feliz e apaixonado
como quem o amor espera
em um navio que nunca vai chegar.


Tuesday, July 07, 2020

ESTAMOS JUNTOS



Ontem não dormi bem.
Chamei os carneirinhos
e, nestas horas, nenhum vem 
e o que veio 
foi o aperreio de não conseguir dormir. 
Fiquei pensando no filme que não fiz,
no vídeo que desejo fazer,
que ficar distante de você
não me faz feliz.
E sempre fico em dúvida,
uma dúvida cruel,  
se Porto Velho é o fim
ou o começo do mundo
ou se há mundo nesta torre de babel.
Todavia, meu componente emocional
em relação ao passado é profundo
e em relação ao presente irreal.
Tem horas que me sinto
um japonês louco,  cheio de saquê,
em Tóquio, num salão de jogos,
dançando tango
ou um chinês de Tibet a fazer rogos
e crer que o Dalai Lama 
reencarna uma vez por semana,  
e, em outra horas, sou um indiano
mergulhando nas águas sujas do Gangues
por crer que é possível se purificar
-por encanto-
no entanto, a vida é uma magia
que, persiste, na sobrevivência,  a cada dia,
tanto que, hoje, pensei tantas vezes
em dizer que te amo
só para, como sempre,
você pensar que é brincadeira
e mudar de assunto,
pensando só que seja meu jeito de nunca brigar.
De fato, não falo do meu desejo de te amar. 
Não importa: estamos juntos!

Ilustração: Wordpress,com.