Tantas coisas nunca tem explicações..
Como as palavras que quis me dizer.
E as desculpas, que não me deram as noções
da imensa falta que sentiria de você.
Não há palavras que anestesiem os sentimentos,
Se, depois de tanto amor, se perde toda a alegria.
E impera a tristeza no cotidiano, no dia a dia,
quando o sofrer nos ensina a dor dos lamentos.
Ilustração: Di Ferreros- Som da Desilusão Lirics.
Viva a Poesia
Friday, April 03, 2026
Desilusão
Um poema de Elaine Vilar Madruga
Elaine Vilar Madruga
la poesía nada me ofrece
salvo el silencio
en el cielo de la boca
en la estría de la boca
nada me quita o me suma.
ANESTESIA
A poesia nada me oferece
salvo o silêncio
no céu da boca
no sulco da boca
nada me apaga ou me soma.
Ilustração: Portal SPR
Notícias.
Outra poesia de Matt Mason
THE START
Matt Mason
It probably started
in a whisper, a murmur,
a low tone hardly caught by the papers,
a sticker, a poster,
a brick wall with slogans in fresh, black paint
because
it probably started with a shove,
some bluster, a gunshot,
crushed fingers, it probably started
with a speech that caught the right ears
on an otherwise happy day,
yellow flowers in a wooden stand on the sidewalk,
red apples, radio
trying hard to smooth out the mood,
kid hurrying past, thinking,
God, he’s shouting
about me,
pulls his hat low,
it probably started
with another man
drunk on swagger,
it probably started
with a small crowd
coaxing exciting lies,
it probably started
with a neighborhood’s head bowed
as the drone grows each day
(though they’ll claim
it came
in a quick, monstrous surprise).
O COMEÇO
É provável que começou
com um sussurro, um
murmúrio,
um tom baixo mal captado
pelos jornais,
um adesivo, um cartaz,
uma parede de tijolos com
novos slogans pintados de preto
porque
é provável que começou
com um empurrão,
alguma fanfarronice, um
tiro,
dedos esmagados, é
provável que começou
com um discurso que
chamou a atenção das pessoas certas
num dia feliz,
flores amarelas num
suporte de madeira na calçada,
maçãs vermelhas, o rádio
tentando amenizar o
clima,
uma criança correndo
apressada, pensando:
Meu Deus, ele está
gritando
sobre mim,
abaixa o chapéu,
é provável que começou
com outro homem
embriagado de arrogância,
provavelmente começou
com uma pequena multidão
incentivando mentiras
empolgantes,
é provável que começou
com um bairro de cabeça
baixa
enquanto o zumbido cresce
a cada dia
(penso que eles aleguem
que veio
com uma veloz e
monstruosa surpresa).
Ilustração: NeoFed.
Thursday, April 02, 2026
Embriagar-se mais ainda
ENTRE O SUSPIRO E O
EXCESSO DE VIDA
Silvio Persivo
Se acaso, após o último
suspiro,
Constatarem, frios, que não mais respiro,
E um deus qualquer- ou gênio de lâmpada acesa-
Por caridade me conceda tal gentileza,
Não hesitarei, sem sombra ou maldade:
Pedirei de volta a minha vontade-
Que me ressuscite, ainda incompleto,
Pois há vida em mim que não coube no decreto.
Faltarão aos desejos seus
últimos goles,
As promessas não ditas, os íntimos ardores,
O que ainda me cabe provar neste caminho,
Antes que se esgote o derradeiro vinho.
Quero mais taças erguidas
ao acaso,
Mais risos que transbordem do raso,
Embriagar-me nas tulipas douradas,
Onde as horas se perdem desvairadas.
E que digam, ao ver-me
nesse turbilhão:
-Este viveu sem medo da
exaustão,
Pois fez da vida excesso e intensidade,
E no beijo e no vinho achou a eternidade.
Ilustração: Cultura de
Fato.
Um poema de Lynne Thompson
CANTICLE AT TWILIGHT
Lynne Thompson
Floating like a feather
like a single grain in the sea
grateful despite being alive
craving grace as I crave evening
cradling rage as I cradle no vicar
I think I might just be a clock
& juju power in a terrible century
a needle & the way to plunge it in
dancing through a meadow away
*
floating like singular rage
unlike twenty sheaves of feathers
like a vicar alive & dancing anyway
craving this terrible century
and every clock cradled in the sea
I think I’ll always be the needle
grateful for my grain & juju power
and all the ways to plunge into it
in this meadow just for an Evening
CÂNTICO AO CREPÚSCULO
Flutuando como uma pena
como um único grão no mar
grato apesar de estar
vivo
ansioso pela graça como
anseio pelo entardecer
acolhendo a raiva como
não acolho nenhum vigário
eu penso que eu posso ser
apenas um relógio
& poder mágico em um
século terrível
uma agulha e o caminho de
mergulhá-la
dançando por uma planície
distante
*
flutuando como uma
singular raiva
diferente de vinte feixes
de penas
como um vigário vivo &
dançando de algum jeito
ansioso por este terrível
século
e cada relógio acolhido
no mar
eu penso que eu sempre
serei a agulha
grato pelo meu grão &
poder mágico
e todas as maneiras de
mergulhá-lo
nesta planície justo por
uma noite
Ilustração: Paixão por
Livros.
Elegía de Raúl Quinto
ELEGÍA
Raúl Quinto
No digas piedra, di ventana
Eugenio
de Andrade
No dirijas tu voz a la
quietud del muro,
en el aire persisten
las vendas en los ojos
del maniatado contra el
musgo,
el vaho de los fusiles
como una enredadera
de nieve estrangulando la
mañana,
el horizonte roto
por la estampida de los
pájaros,
y ningún grito,
ninguna historia sino el
miedo.
Frente a la desnudez del
paredón
no digas piedra, di
ventana
como quien dice herida
y abre los ojos al
sonido,
como quien rompe un
cristal
entre los dedos para ver
la sangre
recorriendo las líneas de
la mano
y encuentra la respuesta
al óxido, el pulso
enfebrecido
de las tinieblas;
di la pólvora
y ciérrale los párpados
a la literatura.
(de La flor de la
tortura, 2008)
ELEGIA
Não diga pedra, diga janela
Eugenio de Andrade
Não dirija sua voz à
quietude do muro,
no ar persistem
as vendas
dos olhos do homem
amarrado contra o musgo,
o vapor dos rifles
como uma trepadeira
de neve estrangulando a
manhã,
o horizonte estilhaçado
pela debandada de
pássaros,
e nenhum grito,
nenhuma história além do
medo.
Diante da nudez da parede
não diga pedra, diga
janela
como quem diz ferida
e abre os olhos ao som,
como quem rompe um cristal
entre os dedos para ver o
sangue
correndo pelas linhas da
mão
e encontra a resposta
para a ferrugem, o pulso
febril
da escuridão;
diz a pólvora
e fecha as pálpebras
da literatura.
(de A Flor da Tortura, 2008)
Ilustração:
Definición.de.
Wednesday, April 01, 2026
Il Infinito de Giacomo Leopardi
IL INFINITO
Giacomo Leopardi
Sempre caro mi fu
quest’ermo colle,
E questa siepe, che da
tanta parte
Dell’ultimo orizzonte il
guardo esclude.
Ma sedendo e mirando,
interminati
Spazi di là da quella, e
sovrumani
Silenzi, e profondissima
quiete
Io nel pensier mi fingo;
ove per poco
Il cor non si spaura. E
come il vento
Odo stormir tra queste
piante, io quello
Infinito silenzio a
questa você
Vo comparando: e mi
sovvien l’eterno,
E le morte stagioni, e la
presente
E viva, e il suon di lei.
Così tra questa
Immensità s’annega il
pensier mio:
E il naufragar m’è dolce
in questo mare.
O INFINITO
Sempre me foi querida esta
colina solitária,
E esta sebe, que de tanta
parte
Do horizonte distante exclui
o olhar.
Mas sentado e
contemplando, intermináveis
Espaços além dela, e
sobre-humanos
Silêncios, e profundíssima
quietude
Eu nele finjo pensar;
onde por pouco
O coração não teme. E como
o vento
Sussurrando entre estas
árvores, eu
Comparo esse Silêncio
infinito a esta voz:
E o eterno me vem à
mente,
E as estações mortas, e o
presente
E o vivo, e seu som.
Assim, nesta
Imensidão, se afoga meu
pensamento:
E, para mim, é doce
naufragar neste mar.
Ilustração: O Espírito
Responde.
Tuesday, March 31, 2026
Há muitas diferenças na igualdade
DIFERENÇAS
Silvio Persivo
Segundo dizem elas- e a experiência comprova- os
homens são todos iguais.
Ela, me confessa, porém que faz oito anos que não sabe
o que é sexo, por não encontrar ninguém interessante.
A conclusão, portanto, é fascinante:
Pelo menos, as mulheres, não são todas iguais!
E o corolário: é preciso saber reconhecer as especiais.
Ilustração: Nano Banana 2.
Mémoire de Pierre Reverdy
MÉMOIRE
Pierre Reverdy
Une minute à peine
Et je suis revenu
De tout ce qui passait je n’ai rien retenu
Un point
Le ciel grandi
Et au dernier moment
La lanterne qui passe
Le pas que l’on entend
Quelqu’un s’arrête entre tout ce qui marche
On laisse aller le monde
Et ce qu’il y a dedans
Les lumières qui dansent
Et l’ombre qui s’étend
Il y a plus d’espace
En regardant devant
Une cage où bondit un animal vivant
La poitrine et les bras faisaient le même geste
Une femme riait
En renversant la tête
Et celui qui venait nous avait confondus
Nous étions tous les trois sans nous connaître
Et nous formions déjà
Un monde plein d’espoir
MEMÓRIAS
Um minuto apenas
E eu irei voltar
De tudo o que passou,
nada me reteve
Um ponto
O céu se expande
E no último instante
A lanterna que passa
O passo que ouvimos
Qualquer um que em meio a
tudo que se mova
Deixamos o mundo ir
E o que há dentro dele
As luzes dançantes
E a sombra que se estende
Há mais espaço
Olhando para frente
Uma jaula de onde salta um
animal vivo
O peito e os braços
fizeram o mesmo gesto
Uma mulher riu
Inclinando a cabeça para
trás
E quem chegou nos
confundiu
Nós três estávamos juntos
sem nos conhecermos
E já tínhamos formado
Um mundo cheio de
esperança.
Ilustração: Fast Company Brasil.
Uma poesia de Silvio Rodriguez
ALA DE COLIBRÍ
Silvio Rodriguez
Hoy me propongo fundar un partido de sueños,
talleres donde reparar alas de colibríes.
Se admiten tarados, enfermos, gordos sin amor,
tullidos, enanos, vampiros y días sin sol.
Hoy voy a patrocinar el candor desahuciado,
esa crítica masa de Dios que no es pos ni moderna.
Se admiten proscritos, rabiosos, pueblos sin hogar,
desaparecidos, deudores del banco mundial.
Por una calle descascarada
por una mano bien apretada.
Hoy voy a hacer asamblea de flores marchitas,
de deshechos de fiesta infantil, de piñatas usadas,
de sombras en pena del reino de lo natural
que otorgan licencia a cualquier artefacto de amar.
Por el levante, por el poniente,
por el deseo, por la simiente.
Por tanta noche, por el sol diario.
En compañía y en solitario.
Ala de colibrí,
liviana y pura.
Ala de colibrí
para la cura.
ASA DE BEIJA-FLOR
Hoje proponho fundar um
partido de sonhos,
oficinas onde reparar asas
de beija-flor.
Se admitem deficientes
mentais, os doentes, os desamparados, os aleijados, os anões, os vampiros e os
dias sem sol.
Hoje patrocinarei a
inocência desesperançosa,
essa massa crítica de
Deus que não é nem pós-moderna nem moderna.
Os marginalizados, os
raivosos, os sem-teto, os desaparecidos e os devedores do Banco Mundial.
Por uma rua descascada,
Por uma mão bem apertada.
Hoje realizarei uma
assembleia de flores murchas,
de restos de festas
infantis, de pinhatas usadas,
de sombras tristes do
reino natural
que outorgam licença a
qualquer ato de amar.
Pelo leste, pelo oeste,
pelo desejo, pela
semente.
Por tanta noite, pelo sol
diário.
Em companhia e sozinho.
Asa de beija-flor,
leve e pura.
Asa de beija-flor
para cura.
Ilustração: Reddit.
Monday, March 30, 2026
Não Fique em Casa
NÃO FIQUE EM CASA
Silvio Persivo
Se ficar em casa algum
repouso traz,
parece ao corpo um doce e
vão alento;
mas solto o pensamento
corre atrás
dos males que se nutrem
no tormento.
E logo o esforço cede ao
se esquivar,
fugindo ao peso austero
da rotina;
quanto mais se permite ao
tempo andar,
mais frouxa a alma, o
ânimo declina.
Já não se busca o pão na
padaria,
nem se percorre a rua em
caminhada,
nem se cultiva a antiga
companhia.
Assim se esvai a vida,
esvaziada;
Sem se buscar a luz, a
sombra principia,
e ao fim não resta
impulso para nada.
Nocturno de Leopoldo Marechal
Leopoldo Marechal
En el gastado corazón del
Tiempo
se clavan las agujas de todos los cuadrantes.
Hay un pavor de soles que naufragan sin ruido:
la noche se cansó de enterrar a sus mundos.
¡Llora por los relojes que no saben dormir!
Las campanas se niegan a morder el silencio.
Tras un rebaño do horas
gastaron sus colmillos de bronce las campanas...
¡Ahora comprendo el viaje de tus cosas!
El sol ya no quería romperse en tus banderas.
Para mullir tu fuga, en el camino,
se desplumaron todas las águilas del viento.
Tus pasos clavetean
un gran tapiz de lejanía...
Son pájaros furtivos tus recuerdos:
amaban grandes ríos arbolados de muerte.
¡Estuche de palabras
donde guardar el roto muñeco de los años!
Nuestras anclas no muerden el fondo de las horas.
Los péndulos cabeceantes
dibujan negativas en la noche.
¡Tierra que nunca se gastó en mis pasos!
¿Qué historia contaremos a los días?
¿Cómo arriar el velamen
de las mañanas, ávido remero?
¡Todo está bien, ya soy un poco dios
en esta soledad,
con este orgullo de hombre que ha tendido a las cosas
una ballesta de palabras!
NOTURNO
No coração desgastado do
Tempo,
Se cravam os ponteiros de
todos os quadrantes.
Há um pavor de sóis que
naufragam sem fazer ruído:
a noite se cansou de
enterrar seus mundos.
Chora, pelos relógios que
não sabem dormir!
Os sinos se negam a
morder o silêncio.
Por trás uma revoada de
horas,
Os sinos gastaram suas
presas de bronze...
Agora eu compreendo a viagem
de tuas coisas!
O sol não quis mais se rompes
em tuas bandeiras.
Para suavizar teu voo, ao
longo do caminho,
todas as águias do vento
arrancaram suas penas.
Teus passos traçam
uma grande tapeçaria da
distância...
Tuas memórias são
pássaros furtivos:
amavam grandes rios
arborizados com a morte.
Caso de palavras
onde guardar a boneca
quebrada dos anos!
Nossas âncoras não mordem
o fundo das horas.
Os pêndulos oscilantes
desenham negativos na
noite.
Terra que nunca se gastou
com os meus passos!
Que história contaremos
aos dias?
Como baixar as velas
das manhãs, remador
zeloso?
Tudo está bem, já sou um
pouco deus
nesta solidão,
com este orgulho de um
homem que mirou nas coisas
uma besta de palavras!
Ilustração: Dicionário inFormal.
Um poema de Heinrich Heine
DIE SCHLESISCHEN WEBER
Heinrich Heine
Im düstern Auge keine Träne,
Sie sitzen am Webstuhl und fletschen die Zähne:
»Deutschland, wir weben dein Leichentuch,
Wir weben hinein den dreifachen Fluch
-Wir weben, wir weben!
OS TECELÕES DA SILÉSIA
Nos seus olhos sombrios nenhuma lágrima,
Sentam-se ao tear e rangem os dentes
“Alemanha, nós tecemos seu sudário,
Nós tecemos nele a tríplice maldição
-Nós tecemos, nós tecemos!
Ilustração: Wikipédia.
Sunday, March 29, 2026
Outra poesia de Fernando Valverde
MADRE ESCRIBE EN MIS
LABIOS UN POEMA
Fernando Valverde
Si te presto la boca
me rozan las palabras
me acarician
no han perdido la fe
vuelven a convertirse en el poema
que una vez escribí
desde la boca
como se prueba el pan
como se canta el mundo
sin el mundo.
MÃE, ESCREVA NOS MEUS
LÁBIOS UM POEMA
Se te empresto a boca,
me roçam as palavras,
me acariciam,
não hão perdido a fé,
voltam a se converter no
poema
que um dia escrevi
desde a boca,
como se prova o pão,
como se canta o mundo
sem o mundo.
Uma poesia de Salvatore Quasimodo
ED È SUBITO SERA
Salvatore Quasimodo
Ognuno sta solo sul cuor della terra,
trafitto da un raggio di sole:
ed è subito sera.
DE SÚBITO É NOITE
Todos estão só no coração da terra
atravessados por um raio de sol:
de súbito é noite.
Ilustração: Dephositos.
Saturday, March 28, 2026
Terras Raras ? Vai aprender...
RASAS PERCEPÇÕES SOBRE
TERRAS RARAS
Silvio Persivo
Nas frias pedreiras
suecas, ao tempo rendidas,
Foi Carl Axel Arrhenius quem viu, entre as pedras, a luz:
O ítrio surgia, em silêncio, das terras escondidas,
Primeiro sopro raro que a ciência conduz.
Dezessete são- discretos,
porém fundamentais-
Neodímio, praseodímio, disprósio em vigília,
Térbio e lantânio, guardiões minerais,
Ocultos na monazita, na xenotímio em família.
Mas não se entregam
fáceis ao labor do homem:
De uma tonelada de terra, um quilo apenas vem,
Como se a natureza impusesse o nome
Do esforço preciso a quem busca além.
E eu, que pouco sei, te
digo com singeleza, filho:
Que ali reside o pulso oculto do engenho humano-
Nos superímãs, no futuro, no brilho do trilho...
Quer saber mais? Vai- desvenda o arcano.
Uma poesia de Holly Karapetkov
SONG OF THE EXILES
Holly Karapetkov
There never was a garden,
only a leaving:
miles and miles
of footprints in the dirt.
In the beginning-
the shattered sun, the wind,
and nothing left but our shadows
sifting through the dust behind us.
When we turned
we did not turn to salt.
When we turned
there was nothing behind us to burn
nothing to return to
though who could blame us for turning,
with only the long days ahead
tongues tripping in the dirt.
They said we didn’t
belong.
They blamed us
for leaving the garden
which never was or would be.
Where could we go,
we who had come from nowhere
and hence could not
return?
CANÇÃO DOS EXILADOS
Nunca houve um jardim,
só uma partida:
milhas e milhas
de pegadas na terra.
No princípio-
o sol destroçado, o
vento,
e nada restou além de
nossas sombras
peneirando a poeira atrás
de nós.
Quando nos viramos,
não nos transformamos em
sal.
Quando nos viramos,
não havia nada atrás de
nós para queimar,
nada para onde retornar,
embora quem pudesse nos
culpar por nos virarmos,
só com os longos dias
pela frente,
as línguas tropeçando na lama.
Eles disseram que não
pertencíamos.
Eles nos culparam
por deixar o jardim
que nunca existiu nem
existiria.
Para onde poderíamos ir,
nós que viemos do nada,
e, portanto, não podíamos
retornar?
Ilustração: Top Leituras.
