Thursday, May 21, 2026

O passado é passado...



 SEI NÃO

Silvio Persivo

Um violão escutar,

suavemente dedilhar.

Sem pensar me faz lembrar 

dos tempos bons do passado.


Não de um passado perdido

nas notas de uma canção

como um tempo entristecido

ou uma mera ilusão. 


É um passado bonito,

abstrato e diferente

que, qual poema, recito

para me sentir contente. 


Porque voltar não tem jeito. 

Ir para a frente é o normal

que viver o imperfeito

para nós sempre foi igual. 

Talvez nem seja. Nem sei.

Sei apenas que o tecido

de tudo aquilo que amei

me faz sentir revivido

de uma forma que nem sei. 

Ilustração: Instagram. 


Ainda Gustavo Yuste

 


EPIGRAMA LATINO

                                    Gustavo Yuste

                     En el viaje en colectivo
                     entre tu casa y mi casa
                     caben 100 hojas de un libro de Antonio Cisneros,
                     dos alteraciones sutiles del ánimo,
                     dos alteraciones no sutiles del clima
                     y cuatro nuevas medidas económicas
                     que nos hacen, todavía, más pobres.

EPIGRAMA LATINO

Na viagem do coletivo

entre tua casa e minha casa

cabem 100 folhas de um livro de Antonio Cisneiros,

duas alterações sutis de animo,

duas alterações não sutis de clima,

e quatro novas medidas econômicas

que nos fazem, todavia, mais pobres.

Ilustração: Blog da Editora Unicamp. 




Outra poesia de Ben Clarck

 

PRAYER

Ben Clark

Grant us, O Lord, a heart to pray,

A heart to walk in wisdom's way,

A heart resign'd to Thee;

And while we journey here below,

May streams of peace and comfort flow

As rivers-bold and free.

 

Grant us a heart-true and sincere,

Endued with grace and holy fear,

Resolv'd to love Thee still;-

To follow Thee in all thy ways,

And spend the remnant of our days

Obedient to Thy will.

 

Grant, gracious Lord, whene'er we stray

From Thee, thy Holy Spirit may

Incline us to repent.

Oh! keep us from presumptuous sin,

Let thy good Spirit dwell within,

And give us peace—content.

 

Oh! grant, that we may always act

To others just and right, in fact

As they to us should do;

That, when our time on earth shall end,

With all the good we may ascend

The heavenly land to view.

 

Grant that our parents, children, wife,

May also lead a spotless life,

While here on earth we stay;

And, oh! where'er our lot be cast,

May we remember that, at last

We shall be call'd away.

ORAÇÃO

Concede-nos, ó Senhor, um coração para orar,

Um coração para o caminho da sabedoria trilhar,

Um coração resignado a Ti;

E enquanto caminhamos aqui na terra,

Que fluxos de paz e conforto fluam

Como rios- ousados ​​e livres.

 

Concede-nos um coração- verdadeiro e sincero,

Repleto de graça e sagrado temor,

Resolvido a amar-Te sempre;

Para Te seguir em todos os teus caminhos,

E passar o restante de nossos dias

Obedientes à tua vontade.

 

Concede, Senhor misericordioso, que sempre que nos desviarmos

De Ti, o teu Espírito Santo

Nos incline ao arrependimento.

 

Ó! Livra-nos do pecado presunçoso,

Que o teu bom Espírito habite em nós,

E nos dê paz-contentamento.

 

Ó! Concede-nos que possamos sempre agir

Com os outros com justiça e retidão, de fato,

Como eles devem agir conosco;

Que, quando nosso tempo na Terra terminar,

com todo o bem possamos ascender

à terra celestial para contemplar.

 

Conceda que nossos pais, filhos e esposa,

possam também levar uma vida imaculada,

enquanto aqui na Terra permanecermos;

 

e, oh! onde quer que nosso destino nos leve,

que nos lembremos de que, no fim,

seremos chamados, enfim.

Ilustração: Canção Nova.


Tuesday, May 19, 2026

Antonio Machado de volta

 


EN EL ENTIERRO DE UN AMIGO

Antonio Machado

Tierra le dieron una tarde horrible
del mes de julio, bajo el sol de fuego.

A un paso de la abierta sepultura,
había rosas de podridos pétalos,
entre geranios de áspera fragancia
y roja flor. El cielo
puro y azul. Corría
un aire fuerte y seco.

De los gruesos cordeles suspendido,
pesadamente, descender hicieron
el ataúd al fondo de la fosa
los dos sepultureros...

Y al reposar sonó con recio golpe,
solemne, en el silencio.

Un golpe de ataúd en tierra es algo
perfectamente serio.

Sobre la negra caja se rompían
los pesados terrones polvorientos...

El aire se llevaba
de la honda fosa el blanquecino aliento.

-Y tú, sin sombra ya, duerme y reposa,
larga paz a tus huesos...

Definitivamente,
duerme un sueño tranquilo y verdadero.

NO ENTERRO DO AMIGO

Jogaram terra sobre ele numa tarde terrível

de julho, sob o sol de fogo.

 

A um passo da sepultura aberta,

haviam rosas com pétalas apodrecidas

entre gerânios de áspera fragrância

e flores vermelhas. O céu estava

puro e azul. Corria um vento forte e seco.

 

Suspenso por cordas grossas,

pesadamente, os dois coveiros baixaram

o ataúde até o fundo da cova...

 

E ao repousar, soou com um baque pesado e solene

no silêncio.

 

O baque de um ataúde na terra é algo

perfeitamente sério.

 

Sobre a caixa preta, se rompiam os torrões pesados ​ de terra empoeirados...

 

O ar se elevava

da cova profunda  hálito de esbranquiçado hálito.

 

E tu, sem sombra já, dorme e descansa,

longa paz aos seus ossos...

 

Finalmente,

dorme um sono tranquilo e verdadeiro.


Sunday, May 17, 2026

Uma poesia de Ben Clark

 


                                            LOVE

Ben Clark

Oh! gentle sir, calm and secure,
Lone on your pillow wake,
A lady, knocking at your door,
Has brought her heart to break.

That heart is offer'd to you now;
Will you accept the prize,
Or disregard love's open vow,
And hide it from your eyes?

Ah, gentle sir! love's not a dream
Of fancied vision bright;
But rather like a limpid stream
That's running day and night.

'Tis like a precious gem that lay
Within the earth conceal'd,
Until the mighty orb of day
Its beauties hath reveal'd.

AMOR

Oh! gentil senhor, calmo e seguro,

Só em seu travesseiro acordado,

Uma dama, batendo na sua porta,

Tem o seu coração partido.

 

Este coração lhe é oferecido agora;

Irá aceitar como o prêmio,

Ou desprezarás o juramento aberto do amor,

E o esconderás de teus olhos?

 

Ah, gentil senhor! O amor não é um sonho

De visão brilhante e imaginária;

Porém sim como um rio límpido

Que vai correndo dia e noite.

 

É como uma joia preciosa que jazia

Dentro da terra ocultada,

Até que o poderoso orbe do dia

Revelassem suas belezas.

Ilustração: Canção Nova. 


Saturday, May 16, 2026

Miolo de Alcatra com cerveja à la Sued Pinheiro

 


JOIAS DE CARNE NA MESA

Silvio Persivo

Miolo de alcatra com cerveja à Sued Pinheiro,

Um prato que dá água na boca o ano inteiro,

Cinco quilos de carne em cubos cortada,

Com batatas ao meio e cebolas picadas

 

Temperos não podem faltar nesta iguaria,

Alho, calabresa e creme de cebola para dar alegria,

Tomates sem sementes para o sabor ressaltar,

E um caldo de costela para o paladar encantar.

 

Para cozinhar, a panela de pressão é a solução,

Refogue a carne e os temperos com a emoção,

Depois acrescente outros ingredientes,

E espere a panela pegar pressão com amor e cuidado.

 

Com a cerveja preta, o sabor fica divino,

E depois de 35 minutos, é hora de abrir o tino,

Ajustar o sal e a pimenta para o sabor finalizar,

E deixar ferver por mais 5 minutos para saborear

 

Um aroma delicioso há de invadir o ar,

quando o miolo de alcatra, enfim terminar.

Com cebola, alho e calabresa bem douradas,

Se chega a hora de pôr na mesa as joias desejadas.

 

Os cubos de carne são macios e suculentos,

E as batatas ao ponto de se desmancharem na boca.

Com o caldo de carne e a cerveja preta de fermento,

Um sabor único que deixa toda gente louca.

 

A melhor ferramenta, e mais usada, a panela de pressão

Para cozinhar essa delícia de maneira como se ensina.

E depois de apurar todos os sabores no caldeirão,

O miolo de alcatra tá pronto para tornar sua mesa divina.

 

Com uma textura e um sabor irresistíveis,

Este prato é perfeito para uma refeição especial.

E a combinação da cerveja preta dá nuances incríveis,

Com um toque inusitado é um sucesso sem igual.

MEAT JEWELS ON THE TABLE

Rump core with Sued Pinheiro beer,

A dish that makes your mouth water all year round,

Five kilos of meat cut into cubes,

With halved potatoes and chopped onions

 

Seasonings cannot be missing in this delicacy,

Garlic, pepperoni and onion cream to give joy,

Seedless tomatoes for enhanced flavor,

And a rib broth to delight the palate.

 

For cooking, the pressure cooker is the solution,

Sauté meat and spices with emotion,

Add other ingredients,

And wait for the cooker to get pressure with love and care.

 

With black beer, the taste is divine,

And after 35 minutes, it's time to open the tino,

Adjust the salt and pepper for the final taste,

And let it boil for another 5 minutes to taste

 

A delicious aroma will invade the air,

when the rump core is finally finished.

With onion, garlic and pepperoni well golden,

If the time has come to put the desired jewels on the table.

 

The meat cubes are tender and juicy,

And the potatoes to the point of melting in the mouth.

With the meat broth and the sourdough stout,

A unique flavor that drives everyone crazy.

 

The best and most used tool, the pressure cooker

To cook this delight in the way it is taught.

And after purifying all the flavors in the cauldron,

The rump core is ready to make your table divine.

 

With an irresistible texture and flavor,

This dish is perfect for a special meal.

And the combination of dark beer gives incredible nuances,

With an unusual touch, it is an unparalleled success.

(De "Receitas Amazônicas Temperadas com Poesias", Hotmart, 2024). 

 


"Our Book of Delights" de Arielle Hebert

 


OUR BOOK OF DELIGHTS

Arielle Hebert

All our windows open, steady drizzle on the kudzu’s 
broad backs, birds making their music like this isn’t North 
Carolina, but a tropical rainforest, and we’re somewhere 
deep in the palms and vines. But it’s our own ferns and fiddleheads, 
evergreens and sugar maples, trillium blooming, or on the verge, 
for no one in particular, for everyone in particular, as if to say, 
Go on, enjoy it. Rain, flowers, time on earth. The apple I  
hand-picked at the market. Braiding my friend’s hair, silver  
in my fingers, how I tie a tiny bow gently at the end 
just as the sun comes out. I want to believe this is true power, that 
kindness is the only weapon worth wielding, and I wield it, 
land blow after blow to my enemies, without mercy. 
Mercy. Bring the wine. Set the table for surprise guests.  
No matter the plates don’t match and we’ve run out of chairs, 
only that there is bread and laughter, enough to go around. 
Parades, in spite of—Pride, in spite of—Please, someone answer all my 
questions about hummingbirds and the little futures we are 
reaching for, the ones rising above the horizon right before our eyes,  
such intoxicating visions, our truest selves, with nothing to hide. Go on. 
Trust the child standing barefoot in the rain, her face turned 
up to the sky. Trust that crescendo building in your chest is your 
voice, singing what you need to hear, the stone-heavy echo 
welled from darkest springs. Go ahead. Open the door. No one can 
explain how to love the world. It doesn’t happen all at once. But 
you can start here. Tonight, with yourself. Someone near you. Let it go 
zigzagging town to town. Look, there. It’s already coming back around.

NOSSO LIVRO DE DELÍCIAS

Todas as nossas janelas abertas, garoa constante nas costas largas do kudzu,

pássaros cantando como se não estivéssemos na Carolina do Norte,

mas em uma floresta tropical, e nós em algum lugar no meio das

palmeiras e trepadeiras. Mas são nossas próprias samambaias e brotos,

coníferas e bordos-açucareiros, trilios florescendo, ou prestes a florescer,

para ninguém em particular, para todos em particular, como se dissessem:

Vá em frente, aproveite. Chuva, flores, tempo na Terra. A maçã que

colhi à mão no mercado. Trançando o cabelo da minha amiga, prata

nos meus dedos, como amarro um pequeno laço delicadamente na ponta,

bem na hora em que o sol aparece. Quero acreditar que este é o verdadeiro poder, que

a bondade é a única arma que vale a pena empunhar, e eu a empunho,

desferindo golpe após golpe nos meus inimigos, sem piedade.

 

Piedade. Traga o vinho. Prepare a mesa para convidados surpresa.

 

Não importa se os pratos não combinam e se faltam cadeiras,

contanto que haja pão e risos, o suficiente para todos.

 

Desfiles, apesar de-Orgulho, apesar de-Por favor, alguém responda a todas as minhas

perguntas sobre beija-flores e os pequenos futuros que

alcançamos, aqueles que se elevam acima do horizonte bem diante dos nossos olhos,

visões tão inebriantes, nosso eu mais verdadeiro, sem nada a esconder. Continue.

 

Confie na criança descalça na chuva, com o rosto

voltado para o céu. Confie que esse crescendo que se forma em seu peito é a sua

voz, cantando o que você precisa ouvir, o eco pesado como pedra

que brota das fontes mais escuras. Vá em frente. Abra a porta. Ninguém pode

explicar como amar o mundo. Não acontece de uma vez. Mas

você pode começar aqui. Esta noite, consigo mesmo. Com alguém perto de você. Deixe fluir

ziguezagueando de cidade em cidade. Olhe, ali. Já está voltando à moda.

Ilustração: Flying Trilium. 


Outra de Gustavo Yuste

 


UNA IDEA MILLONARIA

Gustavo Yuste

Algunos fantaseamos con conservar libre
una simple porción de tierra
para poder hacer nada
aunque sea un rato.
Otros fantasean con privatizarla
para después pagar precios irrisorios
para poder hacer nada
aunque sea un rato.
Unos muy pocos
ya compraron la mayoría
sin hacer absolutamente nada
para que no podamos descansar
aunque sea un rato.

Aún así, todavía creo
que la mejor idea de negocio
es la nuestra.

UMA IDEIA MILIONÁRIA

Alguns de nós fantasiamos em conservar uma simples porção de terra livre

para que possamos não fazer absolutamente nada

nem que seja por um tempo.

Outros fantasiam em privatizá-la

para que possamos pagar preços ridiculamente baixos

para não fazer absolutamente nada

nem que seja por um tempo.

Uns muito poucos

já compraram a maioria

sem fazer absolutamente nada

para não possamos descansar

nem que seja por um tempo.

Ainda assim, todavia creio

que a melhor ideia de negócio

é nossa.

Ilustração: universaljp.org. 


Friday, May 15, 2026

The Plot Against The Giant de Wallace Stevens

 


THE PLOT AGAINST THE GIANT

Wallace Stevens

                First Girl 
When this yokel comes maundering, 
Whetting his hacker, 
I shall run before him, 
Diffusing the civilest odors 
Out of geraniums and unsmelled flowers. 
It will check him.

                Second Girl 
I shall run before him, 
Arching cloths besprinkled with colors 
As small as fish-eggs. 
The threads 
Will abash him.

                Third Girl 
Oh, la … le pauvre! 
I shall run before him, 
With a curious puffing. 
He will bend his ear then. 
I shall whisper 
Heavenly labials in a world of gutturals. 
It will undo him.

A CONSPIRAÇÃO CONTRA O GIGANTE

A Primeira Moça

Quando este caipira vier vagando,

Afiando seu facão,

Correrei diante dele,

Exalando os aromas mais refinados

De gerânios e flores sem perfume.

Isso o deterá.

A Segunda Moça

Correrei diante dele,

Arqueando panos salpicados de cores

Tão pequenos quanto ovas de peixe.

Os fios

O envergonharão.

A Terceira Moça

Oh, la… Coitado!

Correrei diante dele,

Com um sopro curioso.

Ele então inclinará a orelha.

Sussurrarei

Lábios celestiais em um mundo de guturais.

Isto o desmascarará.

Ilustração: Reddit.

Outra poesia de Gustavo Yuste

 

UNA NOCHE LARGA

Gustavo Yuste

La tristeza colectiva y compartida
es otra forma que toma la felicidad
antes de volver a aparecer.
Lo aprendimos hace miles de años
con la luna nueva y el sol,
este desvelo no es nuevo
aunque se sienta así.
Todo se reduce a lo más básico:
hay que pasar la noche,
hay que reorganizarse al amanecer.

UMA NOITE LONGA

A tristeza coletiva e compartida

é outra forma que toma a felicidade

antes de voltar a aparecer.

Nós aprendemos faz milhões de anos

com a lua nova e o sol,

que este desvelo não é novo

ainda que se sinta assim.

Tudo se reduz ao mais básico:

há que se passar a noite,

há que se reorganizar ao amanhecer.

Ilustração: Renascer aos 40-SAPO. 




Monday, May 11, 2026

O Sabor do Pato no Tucupi

 


O PATO NO TUCUPI DE URSULA MALONEY

 Silvio Persivo

O pato no tucupi de Ursula Maloney,

Nos agrada por seu sabor azedo e picante,

ardência na boca, quietude no coração.

A moleza que vem depois, como uma oração.

 

O mundo parece um lugar de paz,

com a ilusão que seremos felizes demais.

Um prato tão singular, de sabor tão refinado,

Que nos deixa sempre maravilhados.


É da cozinha regional nossa vaidade,

E não há outro igual-isto é verdade.

O pato cozido, no tucupi perfeito,

conquista a vista e deixa o paladar satisfeito.


Um prato que nos leva às alturas,

a melhor das amazônicas gostosuras.

Uma experiência única para se repetir.

Depois da primeira vez o bis vai se pedir! 


O PATO NO TUCUPI BY URSULA MALONEY

The Duck in the Tucupi by Ursula Maloney,

We like it for its sour and spicy flavor,

burning in the mouth, stillness in the heart.

The softness that comes afterwards, like a prayer.

 

The world seems a peaceful place,

with the illusion that we will be too happy.

Such a unique dish, with such a refined flavor,

That always leaves us amazed.

 

Our vanity is regional cuisine,

And there's no other like it - that's true.

Boiled duck, in the perfect tucupi,

conquers the eye and leaves the palate satisfied.

 

A dish that takes us to heights,

the best of Amazonian delicacies.

A unique experience to repeat.

After the first time the encore will be asked!

Ilustração: Receitas Naturais. 

Fonte: E-book "Receitas Amazônicas Temperadas com Poesia" disponível na Hotmart.