Sunday, June 21, 2026

Outro poema de Pierluigi Cappello

 

                                         Pierluigi Cappello

Scrivere come sai dimenticare,

scrivere e dimenticare.

 

Tenere un mondo intero sul palmo

e dopo soffiare.


Escreva como sabe esquecer,

escreva e esqueça.


Tenha um mundo inteiro na palma da sua mão

e depois sopre.

 



Saturday, June 20, 2026

Um poema de David Arthur

 

                  UN TIERNO ROBO DE DULZURA

David Arthur

Tentado por sus fragrancias

y sus seductores colores radientes,

la mariposa se posó sobre el tallo

de su flor favorita, permitiendo

el visitante, sin resistencia,

saborear el néctar recóndito,

un tierno robo de dulzura,

que no solamente satisfizo su sed,

sino, en su inconsciencia, embellece

el jardín lleno de futuras flores.

*

Como la mariposa, yo también me sentí tentado,

por tu cautivador aroma y

tus labios predicando promesas,

una fusión fatal para el corazón de un jóven,

pero nuestras sonrisas vacilantes y miradas furtivas

me persuardieron de rozar suavemente

tus labios con los míos,

un tierno  robo de  dulzura.

Mi indiscreción fue recompensada por tu caricia,

y los vinculos entrañables por toda una vida.

UM TERNO ROUBO DE DOCE

Tentado por suas fragrâncias

e suas sedutoras cores radiantes,

a borboleta pousou no caule

de sua flor favorita, permitindo

ao visitante, sem resistência,

saborear o néctar escondido,

um terno roubo de doçura,

que não só saciou sua sede,

senão, em sua inconsciência, embelezou

o jardim repleto de futuras flores.

 

*

Como a borboleta, eu também me senti tentado,

pelo seu aroma cativante e

teus lábios pregando promessas,

uma fusão fatal para o coração de um jovem,

porém nossos sorrisos vacilantes e olhares furtivos

me persuadiram a roçar suavemente

teus lábios nos meus,

um terno roubo de doçura.

Minha indiscrição foi recompensada por teu carinho,

e pelos laços preciosos por toda a vida.

Ilustração: Amazon. 



Um poema de Katherine Mansfield

 


WHY LOVE IS BLIND

Katherine Mansfield
The Cupid child tired of the winter day
Wept and lamented for the skies of blue
Till, foolish child! He cried his eyes away-
And violets grew.

PORQUE O AMOR É CEGO

O filho de Cupido, cansado do dia de inverno,

Chorava e lamentando-se pelos céus tristes.

Até que, tolo menino! Chorou até as lágrimas caírem.

E as violetas desabrocharam.

Ilustração: Flores e Folhagens. 


Tuesday, June 16, 2026

Olhos de Gata



Tento fugir dos teus olhos de gata

que fingem não me ver

(tento também fingir 

não saber

do teu interesse tão claro).

Zombeteira me ignoras

brincando com o celular

até que, cansada, caminhas pelo salão,

como se abrindo espaços pela amplidão,

soberana da tua beleza, 

passas por mim.

Não me viro.

Sei que voltarás para o mesmo lugar

e ficarás quieta, feiticeira,

tecendo uma magia desnecessária 

para me encantar. 

Ilustração: Marie Claire. 


E, de volta, Carlos Pujol

 


                                           Carlos Pujol

La habitación se llena de fantasmas
que guardan un silencio desdeñoso
a causa de no haber
existido jamás.
Veo que entran y salen
de la memoria como
si fuera un territorio conquistado.
El miedo también tiene sus costumbres.
Conviene respetarlas
puesto que forman parte
de un orden misterioso y sin piedad
que uno mismo ha dispuesto.

 

A casa se enche de fantasmas

que guardam um silêncio desdenhoso

por causa de não haver

existido jamais.

Vejo que entram e saem

da memória como

se fosse território conquistado.

O medo também tem seus costumes.

Convém respeitá-los

posto que fazem parte

de uma ordem misteriosa e sem piedade

que cada um estabeleceu para si.

Ilustração: V9vitoriosa. 


Sunday, June 14, 2026

Um poema de Edwin Markham

 


 

 

CIRCLE

Edwin Markham
He drew a circle that shut me out
Heretic, rebel, a thing to flout
But love and I had the wit to win;
We drew a circle that took him in.

CIRCULO

Ele desenhou um círculo que me excluiu

Herético, rebelde, uma coisa a ser desprezada

Porém, o amor e eu tivemos a astúcia para ganhar;

Nós desenhamos um círculo que o prendeu.

Ilustração: Magnific. 


Thursday, June 11, 2026

Um poema de Pierluigi Cappello

 


APPUNTO

Pierluigi Cappello

Dal desiderarti al pensarti mia

sei rimasta tu, mentre entri e siedi.

La luce ti viene alle spalle dalla porta socchiusa,

il pruno lascia il suo bianco al mattino.

Così intonati, il bianco e il pruno

fermi nel sole, noi.

 

In questa maniera gli alberi parlano al cielo

l’ombra degli alberi cresce lungo le iridi

verde più cielo

in questo modo di stare, precipitati.

EXATAMENTE

De desejar te pensar como minha,

permaneces, ao entrar e se sentar.

A luz vem de trás de ti pela porta entreaberta,

a ameixeira deixa suas folhas brancas pela manhã.

Tão em sintonia, o branco e a ameixeira

ainda ao sol, nós.

 

Desta maneira as árvores falam com o céu

a sombra das árvores cresce ao longo das íris

mais verdes que o céu

neste modo de estar, caída.

Ilustração: Sos Italian.


Outro poema de Luis Martín-Santos

 


ARMONÍA

Luis Martín-Santos

Armonía siempre es razón,
razón y causa:
De los leves efectos de una pausa
desciende el rubor de la emoción.

Armonía siempre es verdad,
verdad y reto:
Tras su ágil vallado, el verde seto
un brinco es, tras el triunfo del audaz.

Armonía siempre es mujer,
mujer fecunda:
su seno portentoso el mundo inunda
de belleza bañando al puro ser.

HARMONIA

A harmonia sempre é razão,

razão e causa:

Dos leves efeitos de uma pausa

descende o rubor da emoção.

A harmonia sempre é verdade,

verdade e desafio:

Por trás de sua cerca veloz, a cobertura verde

um salto é, por trás do triunfo do audaz.

A harmonia sempre é mulher,

mulher fecunda:

seu seio portentoso o mundo inunda

de beleza, banhando o ser puro.

Ilustração: Origem do Conceito. 

Wednesday, June 10, 2026

CONFISSÃO

 


LADRÃO DE CORAÇÃO

Silvio Persivo

Não vou negar que, muitas vezes, 

aproveitando o descuido ou a ocasião,

talvez movido pelo impulso ou a emoção,

roubei algumas coisas. 

A maioria muito insignificante

nos meus momentos morais mais claudicantes,

o que não me absolve não. 

Fui ladrão sim, 

porém de um roubo sinto orgulho

e, se pego, me declararei culpado

sem contestação. 

Fui eu sim. 

Fui eu, sem escrúpulo ou remorso nenhum, 

quem roubou, quem roubou

teu coração! 

L' Adieu de Guillaume Apollinaire

 

L'ADIEU
Guillaume Apollinaire
J'ai cueilli ce brin de bruyère
L'automne est morte souviens-t'en
Nous ne nous verrons plus sur terre
Odeur du temps
Brin de bruyère
Et souviens-toi que je t'attends
                                       O ADEUS

Eu colhi este ramo de urze

O outono está morto, lembre-se disso

Não nos veremos mais sobre a Terra

Aroma do tempo

Ramo de urze

E lembre-se que estou esperando por ti.

Ilustração: Infusões com História. 



Um poema de Jeffrey McDaniel

 


                        THE BIOLOGY OF NUMBERS

Jeffrey McDaniel
Once I dated a woman I only liked 43%.
So I only listened to 43% of what she said.
Only told the truth 43% of the time.
And only kissed with 43% of my lips.

Some say you can't quantify desire,
attaching a number to passion isn't right,
that the human heart doesn't work like that.
But for me it does-I walk down the street

and numbers appear on the foreheads
of the people I look at. In bars, it's worse.
With each drink, the numbers go up
until every woman in the joint has a blurry

eighty something above her eyebrows,
and the next day I can only remember 17%
of what actually happened. That's the problem
with booze-it screws with your math.

A BIOLOGIA DOS NÚMEROS

Uma vez sai com uma mulher que só gostava 43%.

Assim só escutei 43% do que ela disse.

Só lhe disse a verdade 43% do tempo.

E só a beijei com 43% dos meus lábios.

 

Alguns dizem que você não se pode quantificar o desejo,

Que por um número na paixão não é razoável,

Que o coração humano não funciona assim.

Porém, para mim sim. Eu caminho rua abaixo

 

E os números aparecem nas frontes

Das pessoas. Nos bares é pior.

Cada drinque que bebo, os números sobem

Até que toda mulher no local esteja turva.

 

oitenta e alguma coisa acima das sobrancelhas,

e no dia seguinte eu só posso lembrar de 17%

do que realmente se passou. Este é o problema

com a bebida - ela acaba sua matemática.  

Ilustração: Amazon. 



Monday, June 08, 2026

Départ de Arthur Rimbaud

 

DÉPART
Arthur Rimbaud
Assez vu. La vision s'est rencontrée à tous les airs.
Assez eu. Rumeurs des villes, le soir, et au soleil, et toujours.
Assez connu. Les arrêts de la vie.
- Ô Rumeurs et Visions!Départ dans l'affection et le bruit neufs!

PARTIDA

Já se viu bastante. A visão foi reencontrada em todos os ares.

Já se viu bastante. Rumores das vilas, a noite, ao sol, e sempre.

Já se conheceu bastante. As euforias da vida.

-Ó rumores e visões! Partida em meio a afetos e barulhos novos! 


Outro poema de Carlos Pujol

 


Carlos Pujol

En el álbum de cosas del pasado
se ve al niño a la espera, un poco incrédulo
de todo lo que ve. Las condiciones
de la felicidad,
el arte de ser crueles,
la sinrazón y aquel aprendizaje
de extrañas disciplinas
para sobrevivir a los adultos,
es cuanto se le da a modo de herencia.
Atónito, inocente, colegial,
tan violento y sombrío,
contempla todo aquello
y acepta ciegamente la lección
de estar perdiendo todas las batallas.

 

No álbum das coisas do passado,

se vê o menino a espera, um pouco incrédulo

de tudo que vê. As condições

da felicidade,

a arte de ser cruel,

sem razão e aquela aprendizagem

de estranhas disciplinas

para sobreviver aos adultos,

é tudo o que lhe é dado como herança.

Atônito, inocente, colegial,

tão violento e sombrio,

contempla tudo aquilo

e aceita cegamente a lição

de estar perdendo todas as batalhas.