Thursday, March 26, 2026

Quando Aquarius chegar.....

 


QUANDO AQUARIUS ABRE OS CÉUS

Silvio Persivo, com auxílio do Chat GPT. 

Em Aquarius, Peixes pressentem: vão entrar os astros,
e um sopro de infinito nasce do Nada-
Prepare-se! -sussurra o tempo em seus mistérios,
como aurora que explode antes de ser lembrada.

O nove de copas avisa, pleno e luminoso:
nada conterá a maré dos teus desejos,
belo futuro que vejo, vasto e precioso,
bordado em luz, sem medo nem ensejos.

Ó maravilha!- canta o destino em brasa-
sucesso, amor, dinheiro em doce harmonia;
prepare as taças, o vinho que extravasa,
e os fogos de artifício brilhando à noite em poesia.

E o Hierofonte, solene, firma os compromissos,
dá forma ao sonho, ergue pontes no invisível;
enquanto o oito de copas desfaz antigos feitiços
e manda seguir- viver o novo possível.

Porque Aquarius traz mais que liberdade:
traz meios, caminhos, matéria ao que é etéreo,
faz do que é improvável concreta verdade,
e do que era sonho, um real tão sério.

Uau!- exclama a alma em festa e em vida-
é tudo aquilo que um dia você pediu:
o universo responde, porta aberta e erguida,
e o Nada, enfim, em Tudo se expandiu.

Ilustração: Nano Banana 2.

Outra poesia de Edith Sitwell

 


FIREWORK

Edith Sitwell

Pink faces-(worlds or flowers or seas or stars),
You all alike are patterned with hot bars

Of coloured light; and falling where I stand,
The sharp and rainbow splinters from the band

Seem fireworks, splinters of the Infinite-
(Glitter of leaves the echoes). And the night

Will weld this dust of bright Infinity
To forms that we may touch and call and see:-

Pink pyramids of faces: tulip-trees
Spilling night perfumes on the terraces.

The music, blond airs waving like a sea
Draws in its vortex of immensity

The new-awakened flower-strange hair and eyes
Of crowds beneath the floating summer skies.

And, ’gainst the silk pavilions of the sea
I watch the people move incessantly

Vibrating, petals blown from flower-hued stars
Beneath the music-fireworks’ waving bars;

So all seems indivisible, at one:
The flow of hair, the flowers, the seas that run,-

A coloured floating music of the night
Through the pavilions of the Infinite.

FOGOS DE ARTÍFICIO

Rostos rosados ​-(mundos ou flores ou mares ou estrelas),

Todos vocês, iguais, são padronizados com faixas incandescentes

De luz colorida; e caindo onde estou,

Os estilhaços afiados e iridescentes da faixa

Parecem fogos de artifício, estilhaços do Infinito-

(O brilho das folhas, os ecos). E a noite

Unirá essa poeira do Infinito brilhante

Em formas que podemos tocar, chamar e ver:

Pirâmides rosadas de rostos: tulipas

Derramando perfumes noturnos nos terraços.

A música, ares louros ondulando como o mar

Atrai seu vórtice de imensidão

Os cabelos e olhos de flores recém-despertas

Das multidões sob os céus flutuantes de verão.

E, contra os pavilhões de seda do mar,

observando as pessoas se moverem incessantemente

Vibrando, pétalas sopradas de estrelas cor de flores

Sob as barras ondulantes dos fogos de artifício musicais;

Assim, tudo parece indivisível, só um:

O movimento dos cabelos, as flores, os mares que correm,-

Uma música colorida e flutuante da noite

Através dos pavilhões do Infinito.

Ilustração: O Globo.


Wednesday, March 25, 2026

Vocação é vocação! Mas, alguns, dizem que sou mentiroso

 


O PESCADOR

 Silvio Persivo

Desde cedo soube, à beira do rio mar,
Que a pesca em mim nascia como um dom;
Sem esforço algum, sabia encontrar
O ponto exato onde pescar era bom.

Não falo sequer da arte em meu estilo:
Jaús, pacus, dourados reluzentes,
Pirarara, pintados-com sigilo-
Enchiam meus cestos, sempre abundantes.

Houve quem, tomado de despeito,
Dissesse: “Compra tudo no mercado!”
Mas a inveja não apaga o meu feito.

Pois na lida fui mestre consagrado;
E um boto, ao notar meu raro jeito,
Saltou do rio- aplaudiu-me, encantado.

Ilustração: Chat GPT. 

Um poema de Fernando Valverde

 


                                        EL FINAL

Fernando Valverde

Cuando miré hacia el puente me temblaron las manos.
Era un lugar terrible que me causaba espanto.
No era largo ni oscuro.
Lo rodeaban hojas o pájaros o lluvia
según las estaciones.
Por más que procuré forzar la vista
resultaba imposible divisar el final.
Parecía un camino al horizonte.
Has cruzado ese puente y ahora necesito
caminar hacia él.
No tanto por seguirte o por volver a encontrarte,
es más grande la angustia de intuir un abismo.

O FINAL

Quando olhei para a ponte, me tremeram as mãos.

Era um lugar terrível que me causava espanto.

Não era largo nem escuro.

O rodeavam folhas ou pássaros ou chuva,

segundo as estações.

Por mais que procurasse forçar a vista,

resultava impossível divisar o final.

Parecia um caminho até o horizonte.

Havias cruzado essa ponte, e agora necessito

caminhar até ela.

Não tanto para seguir-te ou voltar a te encontrar,

é mais a grande angústia de pressentir um abismo.

Ilustração: 123RF. 


Tuesday, March 24, 2026

Uma homenagem ao grande Américo Casara, o intelectual de Laranjeiras, Rei do Uitotos.

 

SONETO A AMÉRICO CASARA

Silvio Persivo, com o apoio do Chat GPT.

De Turim trouxe o traço e a arquitetura,
De Harvard, o pensar universal;
Mas foi no Sul que achou nova aventura,
No verde intenso e bruto do real.

Rasgou sertões, venceu o desconhecido,
No Vale do Guaporé fez morada;
Do látex fez sustento destemido,
E à selva deu ciência refinada.

Entre os Uitotos, soube ser ponte e guia,
Com arte e verbo abriu novos caminhos;
Fez do saber abrigo e companhia,
Unindo mundos antes tão desunidos.

Em cada chão, plantou futuro e história:
Família, amor- seu verdadeiro triunfo e glória.

A Sensação, Arthur Rimbaud

 


SENSATION

                       Arthur Rimbaud
Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue :
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.

Je ne parlerai pas, je ne penserai rien :
Mais l'amour infini me montera dans l'âme,
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la Nature, - heureux comme avec une femme.

SENSAÇÃO

Pelas noites azuis de verão, irei pelos caminhos,

Recortado pelo trigo, pisando na grama fina:

Sonhando, sentirei sua frescura em meus pés.

 

Deixarei o vento banhe minha cabeça desnuda.

 

Não falarei, não pensarei em nada:

Porém um amor infinito ascenderá em minha alma,

E irei longe, muito longe, como um cigano,

Pela Natureza, - feliz como se junto de uma mulher.

Ilustração: O Estado de Minas. 

Outra poesia de Itzíar López Guil

 


MADREMAR

Itzíar López Guil

Vamos, madre, por todas las tabernas, como
blancas mendigas de la muerte, dejando
entre las mesas la alegría-la alegría del
aire- regalada.

Nuestros pasos son cada vez más cortos, más
turbias las palabras que nos hunden. Ahí
marcha mi hija, el yugo uncido, con este
viento negro que hoy arrasa.

Pero tu mano aferra mi antebrazo y vuelve
muro firme nuestros cuerpos: detrás, avanza
libre la pequeña.

Libre, sobre las mondas del pecado.
Libre, sobre el escombro de la culpa.

No importa cuánta rabia sople, cuánta
metralla:
contigo somos una, madre, hija.

Como son mar la arena y las corrientes.

MÃE DO MAR

Vamos, mãe, por todas as tabernas, como

mendigos brancos da morte, deixando

entre as mesas a alegria- a alegria do

ar-doada.

Nossos passos são cada vez mais curtos, mais

turvas as palavras que nos arrastam afundam. Ali

marcha minha filha, o jugo preso, com este

vento negro que hoje arrasa.

Porém tua mão se aferra ao meu antebraço e volta

a ser muro firme nossos corpos: atrás, avança livre a pequena.

Livre, sobre as cascas do pecado.

Livre, sobre os escombros da culpa.

Não importa quanta raiva sopre, quantos

estilhaços:

contigo somos uma, mãe, filha.

Como a areia e as correntes são o mar.

Ilustração: O Povo Mais. 


Monday, March 23, 2026

Uma poesia de uma leitura pisciana do Tarot

 


                           O INVISÍVEL QUE FLORESCE

(Leitura do Oráculo dos Anjos de Luz)

Silvio Persivo, com o auxílio do Chat GPT.

 Não importa o caminho-

se em vento, em chama, em silêncio-
virá.
Eu sei.

 

Virá como aquilo que surpreende
sem jamais ser estranho,
presente que já morava
no fundo do peito,
esperando seu próprio instante.

 

É a clareza que atravessa o véu,
um sussurro antigo
trazido por mãos invisíveis,
como quem vira a carta do acaso
e revela:
nunca houve desordem,
apenas um desenho ainda não visto.

 

O improvável se ergue
com a firmeza do inevitável,
e a justiça- não a dos homens-
mas a do tempo certo,
se instala como luz
em cada fresta da vida.

 

Então, tudo muda
sem que nada precise gritar.

Uma música começa-
perfeita, exata-
e o mundo aprende, enfim,
a dançar no compasso do que é.

 

Chega o novo tempo:
não como ruptura,
mas como reconhecimento.

 

E a estrela,
antes escondida nos olhos cansados,
arde plena no céu do agora,
com o brilho que sempre teve
- apenas aguardava ser visto.

 

E já não se fala em falta,
nem em espera,
nem em distância.

 

Porque tudo transborda.

 

E o que era promessa
se torna presença.

 

E o que era sonho
se torna chão.

 

E o que era eu
se torna infinito.

 

Não sei como,

mas, estava escrito.

 


Eis de novo Pierre Reverdy

 


FETICHE

                                             Pierre Reverdy
Petite poupée, marionnette porte-bonheur, elle se débat à ma fenêtre, au gré du vent. La pluie a mouillé sa robe, sa figure et ses mains qui déteignent. Elle a même perdu une jambe. Mais sa bague reste, et, avec elle son pouvoir. L'hiver elle frappe à la vitre de son petit pied chaussé de bleu et danse, danse de joie, de froid pour réchauffer son coeur, son coeur de bois porte-bonheur. La nuit, elle lève ses bras suppliants vers les étoiles.

FETICHE

Pequena boneca, marionete da sorte, ela se debate na minha janela, ao capricho do vento. A chuva empapou seu vestido, seu rosto e suas mãos, que agora estão manchadas. Ela até perdeu uma perna. Mas seu anel restou, e com ele, seu poder. No inverno, ela bate no vidro da janela com seu pezinho calçado de azul e dança, uma dança de alegria, de frio, para aquecer seu coração, seu coração de madeira da sorte. À noite, ela ergue seus braços suplicantes em direção às estrelas.

Ilustração: FEET MAG. 

Sunday, March 22, 2026

Outra poesia de Alberto Girri

 



GATO GRIS MUERTO

Alberto Girri

Brujos enseñaron que los gatos
pueden alojar almas humanas.

Figura empapada del asfalto o vuelto hacia las nubes,
eres el muerto más perfecto que yo he visto.
Pero cómo descubrir que la vigilia que te llega,
ya indiferente a cualquier invocación,
tu realidad verdadera de hijo del demonio,
de locatario esbelto de almas,
que estableció para tu antepasado africano
la voluntad miedosa de los clanes familiares
y confirmó la impar justicia de la magia.
Pronto vendrán hasta tu cuerpo abandonado
ladrones de velas,
y robarán las tibias, su recatada médula.
Porque es sabido que cuando tales huesos despierten
despertarán las almas en ellas internadas,
y en un pueblo lejano y caníbal,
hombres que trabajan y tienen amores,
instantáneamente se convierten en
estatuas.
Brujos enseñaron que los gatos
pueden alojar almas humanas,
y arañar, si quieren, el corazón del huésped.

GATO CINZA MORTO

Os feiticeiros ensinavam que os gatos

podem abrigar almas humanas.

Figura encharcada de asfalto ou voltada para as nuvens,

você é o morto mais perfeito que já vi.

Mas como descobrir que a vigília que vem até você,

agora indiferente a qualquer invocação,

sua verdadeira realidade como filho do diabo,

um frágil inquilino de almas,

que estabeleceu para seu ancestral africano

a vontade temível dos clãs familiares

e confirmou a justiça desigual da magia.

Em breve, ladrões de velas virão ao seu corpo abandonado,

e roubarão as tíbias, sua modesta medula.

Pois sabe-se que quando tais ossos despertam,

as almas neles sepultadas também despertam,

e em uma aldeia canibal distante,

homens que trabalham e amam,

instantaneamente se tornam

estátuas.

Os feiticeiros ensinavam que os gatos

podem abrigar almas humanas,

e arranhar, se quiserem, o coração de seu hospedeiro.

Ilustração: Revista Oeste.

Uma poesia de Edith Sitwell

 


                                     INTERLUDE

Edith Sitwell

Amid this hot green glowing gloom     

A word falls with a raindrop’s boom ...

 

Like baskets of ripe fruit in air     

The bird-songs seem, suspended where

 

Those goldfinches-the ripe warm lights         

Peck slyly at them-take quick flights.  

 

My feet are feathered like a bird  

Among the shadows scarcely heard;    

 

I bring you branches green with dew   

And fruits that you may crown anew     

 

Your whirring waspish-gilded hair

Amid this cornucópia-

 

Until your warm lips bear the stains     

And bird-blood leap within your veins.

INTERLUDIO

Em meio a esta verde e quente penumbra

Uma palavra cai com o barulho de uma gota de chuva...

 

Como cestas de maduras frutas no ar

Os cantos dos pássaros parecem suspensos onde

 

Aqueles pintassilgos- as luzes quentes e maduras l

Bicam astutamente eles- alçam rápidos voos.

 

.

 

Meus pés são emplumados como os de um pássaro

Entre as sombras quase inaudíveis;

 

Trago-te ramos verdes de orvalho

E frutos para que possas coroar novamente

 

Teus cabelos dourados como vespas

Em meio a essa cornucópia-

 

Até que teus lábios quentes carreguem as manchas

E o sangue de pássaro pulse em tuas veias.

Ilustração: Dreamstime. 


Saturday, March 21, 2026

E a nave, como o tempo, vai....

 

A HORA DO AMOR DOCE

Silvio Persivo

O teu amor é doce,

como a cana-de-açúcar espremida.

Erro meu:

é mel, minha doce querida!

 

E, ainda assim, arde:

tem o calor dos vulcões,

mas me traz paz na tarde,

afastando as aflições.

 

Dá-me a estranha sensação

de que o tempo se suspende

quando voa sem direção

e, contigo, desaprende.

 

Meu doce, não sei dizer

como, em mim, consegues ser

o alfa e o ômega,

o início e o fim e a hora;

 

és o número oculto

que resolve minhas equações,

e me deixas na vida

como quem perde as noções…

- porém, de felicidade chora.

 

E que tudo na vida vai embora

até a doçura do agora.

Uma poesia de Itzíar López Guil

 

QUÉ DULCE ERES, AMOR

Itzíar López Guil

Cómo reaviva tu voz el muerto manantial de
la justicia, ese rincón que ayer fue nuestro
sin saberlo.

Como si nada hubiese sido este rodar los días
y las noches por una brizna de luz.

Por este almíbar tuyo que hoy se filtra y
vuelve a alimentar la vieja tierra.

QUE DOCE ÉS, AMOR

Como reaviva a tua voz o morto manancial da

justiça, esse recanto que ontem foi nosso,

sem sabê-lo.

Como se nada houvesse sido, este rodar dos dias

e das noites por um fio de luz.

Por esta doçura tua que hoje se filtra e

volve a alimentar a velha terra.

Ilustração: Prime Vídeo. 


Minha versão de Verrà La Morte de Cesare Pavese

 


VERRÀ LA MORTE

Cesare Pavese

Verra la morte e avrà i tuoi occhi
Questa morte che ci accompagna
Dal mattino alla sera, insonne,
Sorda, come un vecchio remorso
O un vizio assurdo. I tuoi occhi
Saranno una vana parola,
Un grido taciuto, un silenzio.
Così li vedi ogni mattina
Quando su te sola ti pieghi
Nello specchio. O cara speranza,
Quel giorno sapremo anche noi
Che sei la vita e sei il nulla.

Per tutti la morte ha uno sguardo.
Verrà la morte, e avrà i tuoi occhi.
Sarà come smettere un vizio,
Come vedere nello specchio
 Riemergere un viso morto.
Come ascoltare un labbro chiuso,

Scenderemo nel gorgo muti.

VIRÁ A MORTE

A morte virá e terá os teus olhos

Esta morte que nos acompanha

Da manhã à noite, insone,

Surda, como um velho remorso

Ou um vício absurdo. Os teus olhos

Serão uma palavra vã,

Um grito silencioso, um silêncio.

 

É assim que os vê todas as manhãs

Quando se inclina sozinho sobre si mesmo

No espelho. Ó querida esperança,

Naquele dia também saberemos

Que és vida e és nada.

 

A morte tem um olhar para todos.

A morte virá e terá os teus olhos.

Será como abandonar um vício,

Como ver no espelho

Ressurgir um rosto morto.

Como ouvir um lábio fechado,

Desceremos ao redemoinho silenciosos.

Ilustração: ND Mais.

Friday, March 20, 2026

Um poema de Fernando Valverde

 

 

EL LLANTO

Fernando Valverde

Debajo de las piedras lloran niños,
han despertado a tiempo para saber del día,
quieren volver al vientre que ya no los refugia.

Nada pueden decir, apenas tocan
el sabor del pasado y el brillo de las sombras.

Son mudas sus palabras
igual que un arañazo sobre el vidrio.

Pero ellos,
exhaustos tras el llanto,
se resignan al sueño debajo de las piedras,
las mismas piedras sordas que guardan el olvido.

O PRANTO

Debaixo das pedras, choram as crianças,

despertaram a tempo para saber do dia,

querem voltar ao ventre que já não os refugia.


Nada podem dizer apenas tocam

o sabor do passado e o brilho das sombras.


São mudas suas palavras,

como um arranhão no vidro.


Porém elas,

exaustas de tanto pranto,

se resignam ao sono debaixo das pedras,

as mesmas pedras surdas que guardam o esquecimento.

Ilustração: Prime Vídeo. 



A Realeza, um poema de Arthur Rimbaud

 


ROYAUTÉ

Arthur Rimbaud
Un beau matin, chez un peuple fort doux, un homme et une femme superbes criaient sur la place publique: "Mes amis, je veux qu'elle soit reine!" "Je veux être reine!" Elle riait et tremblait. Il parlait aux amis de révélation, d'épreuve terminée. Ils se pâmaient l'un contre l'autre.


En effet ils furent rois toute une matinée, où les tentures carminées se relevèrent sur les maisons, et tout l'après-midi, où ils s'avancèrent du côté des jardins de palmes.

REALEZA

Uma bela manhã, em meio a um povo muito gentil, um homem e uma mulher magníficos exclamaram na praça pública: "Meus amigos, eu quero que ela seja rainha!" "Eu quero ser rainha!" Ela riu e tremeu. Ele falou aos seus amigos sobre uma revelação, sobre uma provação concluída. Eles se derreteram um pelo outro.

De fato, foram reis por toda a manhã, enquanto as cortinas carmesim se erguiam sobre as casas, e por toda a tarde, enquanto caminhavam em direção aos jardins de palmeiras.

Ilustração: Adoro Cinema.