Monday, September 14, 2026

Uma poesia de Stella Sierra

 


PERFECCIÓN DE LA ROSA

Stella Sierra

¡Oh rosa, plenitud de muerte y vida!
Esencia, luz y ser, belleza. ¿Tanto
adoró tu deidad el sol y el llanto
para engarzar tu imagen definida?

Rosa del goce sin dolor, nacida
de la nada a lo breve: dulce canto
del ruiseñor, que enseña en su quebranto
con la novia, vestal entristecida.

¡Perfección de la rosa, gracia nueva
que en la infinita soledad eleva
su seno crespo y puro en ágil vuelo!

¡Oh rosa eterna, frágil, casta, sola!
Tu aliento leve como tu corola.
¡Virgen desnuda, fiel, carne de cielo!

A PERFEIÇÃO DA ROSA

Ó rosa, plenitude de morte e vida!

Essência, luz e ser, beleza. Tanto

Adoro tua divindade o sol e o pranto

para forjar tua imagem tão definida?

 

Rosa de gozo sem dor, nascida

do nada ao breve: doce canto

do rouxinol, que ensina em seu quebranto

com a noiva, uma virgem vestal entristecida.

 

Perfeição da rosa, graça nova

que na infinita solidão eleva,

em ágil voo, seu puro e anelado seio!

 

Ó rosa eterna, frágil, casta, exclusiva!

Teu hálito quanto tua corola tão concisa.

Carne do céu, fiel, Virgem nua sem receio!

Ilustração: Reddit. 


Sunday, September 13, 2026

Questões Insolúveis (Unsolvable Issues)

 


Silvio Persivo

A matéria é invisível.

Ninguém entende muito do espaço, 

do tempo, da onda ou da luz. 

Nenhuma escola ensina

que o saber é provisório, artificial, 

mas todos consideram natural 

ser cheio de certezas. 

O verdadeiro saber vem das crianças

indagando 

respostas sem esperanças

como quem sou eu? 

Quem é você? 

De onde vem o que não se pode ver? 

Enfim o que nunca iremos saber. 


Matter is invisible.

No one understands much about space,

time, waves, or light.

No school teaches

that knowledge is provisional, artificial,

yet everyone considers it natural

to be full of certainties.

True knowledge comes from children

asking

questions without easy answers-

like "Who am I?"

"Who are you?"

"Where does the unseen come from?"

In the end, what we will never know.

Ilustração: IPLA-Instituto de Psicanálise Lacaniana. 

"L'Adieu" de Guillaume Apollinaire

 



L'ADIEU

Guillaume Apollinaire

J'ai cueilli ce brin de bruyère

L'automne est morte souviens-t'en

Nous ne nous verrons plus sur terre

Odeur du temps

Brin de bruyère

Et souviens-toi que je t'attends

O ADEUS

Eu colhi este ramo de urze

O outono morreu, lembre-se.

Não mais nos veremos sobre a Terra

Odor do tempo

Ramo de urze

E lembre-se que estou te esperando.

Ilustração: Medium.  




Um poema de Tino Di Cicco

 


Tino Di Cicco

la prossima volta sarò un’altra cosa

 

uno come la notte

qualcosa come il tempo

 

mi riconoscerai dal fuoco

del vulcano

dal tumulto della primavera

dal pudore della neve

 

la prossima volta non ci sarà vagito

né libro

 

Da próxima vez serei uma outra coisa

 

um como a noite

qualquer coisa como o tempo

 

me reconhecerás pelo fogo

do vulcão

pelo tumulto da primavera

pelo pudor da neve

 

Da próxima vez não haverá lágrimas

nem livro

Ilustração: Prime Vídeo. 

 

Thursday, September 10, 2026

Um poema de Ángel Guinda

 

 


Ángel Guinda

Yo empecé a andar por las nubes
como pájaro sin alas.
Quise la paz, quise el día,
el aire, la tierra, el agua.
Pensé que todo era inútil
y me eché el tiempo a la espalda.
Ahora vivo en el instante
colgado de una esperanza.
Y, a veces, abro la puerta
creyendo que alguien me llama,
y es un profundo deseo
como un murmullo de casa.
Poesía, poesía,
realidad que no me engaña.

Eu começo a caminhar pelas nuvens

como pássaro sem asas.

Quis a paz, quis o dia,

o ar, a terra, a água.

Pensei que tudo era inútil

e carreguei o tempo nas costas.

Agora vivo no instante

pendurado por uma esperança.

E às vezes, abro a porta

crendo que alguém me chama,

e é um profundo desejo

como um sussurro de casa.

Poesia, poesia,

realidade que não me engana.

Ilustração: WordPress Institucional UFPEL. 

Wednesday, September 09, 2026

Um poema, mais um de Michael Palmer

 


Sun (fragmento)
Michael Palmer 


Write this. We have burned all their villages
Write this. We have burned all the villages and the people in them
Write this. We have adopted their customs and their manner of dress
Write this. A word may be shaped like a bed, a basket of tears or an X
In the notebook it says, It is the time of mutations, laughter at jokes, secrets beyond the boundaries of speech

SUN (fragmento)

Escreve isto. Nós queimamos toda as suas vilas

Escreve isto. Nós queimamos todas as vilas e os habitantes delas

Escreve isto. Nós adotamos seus costumes e suas maneiras de vestir.

Escreve isto. Uma palavra pode tomar a forma de uma cama, de uma cesta de lágrimas ou de um X

No caderno de notas escreve, é o tempo das mudanças,

rir das piadas, segredos mais além das fronteiras do discurso

Ilustração: eCycle. 


Tuesday, September 08, 2026

Um poema de Jennifer Jean

 

                             INSPIRATION POINT

Jennifer Jean

Pacific Palisades

We’d stare at horses at Will Rogers Park, then hike

the Loop Trail to Inspiration Point, &

I’d lag back

to be a kid. Alone. & under that aloofness-hid

vengeance. A rusty burr or two

in my left sneaker. & under that-anxiety. The salt

dripping through chaparral

brows, into my brown lashes. &

under that-rage. A perfectly purple

shell some kid favored & lost.

& under that-hope. The pounded

ground. & under that-a vast

clearing on the cosmos, also called Inspiration

Point. A gorgeous, inner hilltop

with a curious figure

taking in the Pacific view.

Breathing chicory & chamise. Naming

every wind-boarder near Catalina

Island. That high-noon, far-sighted figure—seemed

a bit burnt, but warm. A bit divine.

But-sometimes-I didn’t find that figure

wow-ing at a thing

no one had ever seen-at a new bird

better than a phoenix. (There’s something better than

a phoenix!) Sometimes, my hand

stretched towards some nether new

creation & I was the figure

who named it.

PONTO DE INSPIRAÇÃO

Pacific Palisades

Olhávamos para cavalos no Will Rogers Park, então caminhávamos

pela trilha do ciclo para o ponto de inspiração, &

eu estava atrasado

para ser criança. Sozinho. & sob aquele distanciamento - oculta

a vingança. Uma ou duas saliências desgastadas

no meu tênis esquerdo. & sob aquela- a ansiedade. O sal

escorrendo pelas sobrancelhas

nos arbustos, em meus cílios castanhos. &

debaixo essa raiva. Um roxo perfeitamente

concha algum garoto favorecido e perdido.

& sob ela-a esperança. O batido

chão. & sob isso - uma vasta

limpeza no cosmos, também chamada de inspiração

Ponto. Um lindo topo de colina interior

com uma figura curiosa

contemplando a vista do Pacífico.

Respirando chicória e camisa. Nomeação

de todos os praticantes de windboard perto de Catalina

Ilha. Aquela figura perspicaz do meio-dia - parecia

um pouco queimado, mas quente. Um pouco divino.

Mas - às vezes - eu não encontrei essa figura

surpreendendo em uma coisa

ninguém nunca tinha visto - em um novo pássaro

melhor que uma fênix. (Há algo melhor do que

uma fênix!) Às vezes, minha mão

esticada em direção a algum novo inferior

criação & eu era a figura

quem o nomeou.

Ilustração: Facebook. 



Monday, September 07, 2026

Daniel Fernández naturalmente

 



CÁRCEL DE AMOR EN TIEMPOS DE POSTDOC

(De vita philologica)

Daniel Fernández

Tus cosas, derramadas por la casa:
las botas de los viernes, la ironía,
el pijama de Minnie, la Odisea
con tus ilustraciones favoritas.
Tú, en un avión de nuevo rumbo a Roma,
dispuesta a dedicar todos tus días
(mira que darme celos con don Pedro…)
a Clarín, Segismundo y compañía.
Y yo: «Vuelve, corsaria, y echa el cierre
a esta horrible novela bizantina,
que-a ver si dicho así por fin te enteras-
te me llevas cautiva el alma mía».

PRISÃO DE AMOR EM TEMPO DE PÓS-DOUTORADO

(De Uma Vida Filológica)

Tuas coisas, espalhadas pela casa:

As botas de sexta-feira, ironia,

o pijama da Minnie, a Odisseia

com tuas ilustrações favoritas.

Tu, em um avião de novo rumo a Roma,

disposta a dedicar todos os seus dias

(imagine tentar me dar com ciúmes com Dom Pedro…)

a Clarín, Segismundo e companhia.

E eu: “Volte, corsária, e dê um fim

a esta horrível novela bizantina,

porque-para ver se tu, por fim, entendes quando digo assim-

tu levas cativa a minha alma.”

Ilustração: Gotika Tatoo.


POEMA ANTI MÍDIAS SOCIAIS (ANTI0SOCIAL MEDIA POEM)


 

Você não leu os versos que te fiz

dizendo que o que importa é ser feliz.

Não o cabelo, o espelho, o pão,

mas o riso, o vinho, a ilusão. 

Até parece que escrevi em vão,

que falo para as paredes. 

Não, nem sou contra as redes.

Apenas desejo um viver são,

que esqueça o celular, os posts e os reels, 

nuvens verdadeiras são as do céu, 

pois a vida não se faz no Facebook

nem no Instagram fica melhor o look,

nem de milhares de seguidores e acessos

garantem, em algum momento, o sucesso. 

As mídias são o altar da solidão

E sem carinhos, beijos e amor real

não há pessoa feliz nem natural

ANTI-SOCIAL MEDIA POEM

You didn’t read the verses I wrote for you

saying that what matters is being happy.

Not the hair, the mirror, the bread,

but the laughter, the wine, the dream.

It seems as though I wrote in vain,

as if I were talking to the walls.

No, I am not against social networks.

I simply wish for a sane way of living,

one that forgets the phone, the posts, and the reels-

true clouds are the ones in the sky,

for life isn't made on Facebook,

nor does your look improve on Instagram,

and neither thousands of followers nor hits

guarantee success at any point.

Social media is the altar of loneliness,

and without affection, kisses, and real love,

no one is truly happy or authentic.

Ilustração: Herald.

Sunday, September 06, 2026

Uma poesia de Leópold Sédar Senghor

 


PRIÈRE AUX MASQUES

Léopold Sédar Senghor

Masques ! Ô Masques !
Masque noir masque rouge, vous masques blanc - et noir -
Masques aux quatre points d'où souffle l'Esprit
Je vous salue dans le silence !
Et pas toi le dernier, Ancêtre à tête de lion.
Vous gardez ce lieu forclos à tout rire de femme, à tout
sourire qui se fane
Vous distillez cet air d'éternité où je respire l'air de mes
Pères.
Masques aux visages sans masque, dépouillés de toute fossette
comme de toute ride
Qui avez composé ce portrait, ce visage mien penché sur
l'autel de papier blanc
A votre image, écoutez-moi !
Voici que meurt l'Afrique des empires — c'est l'agonie
d'une princesse pitoyable
Et aussi l'Europe à qui nous sommes liés par le nombril.
Fixez vos yeux immuables sur vos enfants que l'on commande
Qui donnent leur vie comme le pauvre son dernier vêtement.
Que nous répondions présent à la renaissance du Monde
Ainsi le levain qui est nécessaire à la farine blanche.
Car qui apprendrait le rythme au monde défunt des machines
et des canons ?
Qui pousserait le cri de joie pour réveiller morts et orphe-
lins à l'aurore ?
Dites, qui rendrait la mémoire de vie à l'homme aux espoirs
éventés ?
Ils nous disent les hommes du coton du café de l'huile
Ils nous disent les hommes de la mort.
Nous sommes les hommes de la danse, dont les pieds
reprennent vigueur en frappant le sol dur.

ORAÇÃO ÀS MÁSCARAS

Máscara preta, máscara vermelha, vós, máscaras brancas - e pretas-

Máscaras nos quatro cantos de onde o Espírito respira

Saúdo-vos em silêncio!

E não por último, Ancestral com cabeça de leão.

Vós guardais este lugar fechado a todo riso feminino, a todo

sorriso que se desvanece

Vós destilais este ar da eternidade onde respiro o ar dos meus

Pais.

Máscaras com rostos sem máscaras, despojadas de cada covinha

como de cada ruga

Que compuseram este retrato, este meu rosto curvado sobre

o altar de papel branco

À vossa imagem, escutai-me!

Eis que morre a África dos impérios-é a agonia

de uma princesa lamentável

E também a Europa, à qual estamos ligados pelo umbigo.

Fixa teu olhar inabalável em teus filhos, a quem ordenamos,

que dão suas vidas como o pobre dá sua última roupa.

Que possamos atender ao chamado para o renascimento do Mundo,

como o fermento necessário para a farinha branca.

Pois quem ensinaria ritmo ao mundo morto de máquinas

e canhões?

Quem ergueria o grito de alegria para despertar os mortos e os órfãos ao amanhecer?

Diga-me, quem restauraria a memória da vida ao homem cujas esperanças se desvaneceram?

Dizem-nos, os homens do algodão, do café e do petróleo,

dizem-nos, os homens da morte.

Nós somos os homens da dança, cujos pés

recuperam o vigor ao golpear o chão duro.

Ilustração: ocioarte.es.