Monday, March 09, 2026

Los que Llamaron a La Muerte de Miguel Arteche


LOS QUE LLAMARON A LA MUERTE

Miguel Arteche

Los que llamaron a la muerte en la muerte han caído.
Los que cavaron la fosa yacen dentro de la fosa.
Estériles alimentos nos trajeron, pesadumbre de panes:
de culpa fue su palabra, su boca y su mirada.
Sobre las cordilleras se lamentan ahora,
dispersos por el mundo, rodeados por el llanto de las moscas.
Devorados serán los que ejercieron la noche,
ahogadas sus lenguas.
Creyeron que vivirían para mirar mil soles,
y ahora yacen en tinieblas.
...La nieve
brilla bajo la luna.

OS QUE CHAMARAM A MORTE

Os que chamaram a morte na morte caíram.

Os que cavaram a cova jazem dentro da cova.

Estéril alimento nos trouxeram, a tristeza dos pães:

de culpa foram suas palavras, suas bocas e seus olhares.

Sobre as cordilheiras se lamentam agora,

dispersos pelo mundo, rodeados pelo pranto das moscas.

Devorados serão os que empunharam a noite,

afogadas suas línguas.

Acreditavam que viveriam para ver mil sóis,

e agora jazem na escuridão.

...A neve

brilha sob a lua.

Ilustração: Freepik.

Sunday, March 08, 2026

PARABÉNS


Silvio Persivo

Levanta esta bebida, comemora, 

brindemos, pois, a este dia tão feliz, 

este dia do teu aniversário. 

Que as taças que tilintam sejam a música 

que inundem de alegria a caminhada

 onde os tempos maravilhosos se renovem 

como amanheceres brilhantes e formosos. 

Que a chuva, ou a névoa, se algum tempo, 

na tua vida te surpreender 

que seja, se possível, por momentos 

que jamais tirem a beleza do viver. 

Que a luz dos olhos teus iluminados 

afastem a escuridão dos dissabores 

e tua forma de ser, tua bondade

 faça do cotidiano um exercício 

de bem viver, de amar, de ser contente 

para tornar a felicidade, em ti, um vício, 

contra a lógica, quem sabe, eternamente!

Outra poesia de Hugo Padeletti

 

Hugo Padeletti

Me he sentado a la puerta y he mirado pasar

los años como ramas hacia el humo.

Los pesados membrillos fueron humo

también. Y las granadas,

 

alveolada codicia de incendiados

veranos,

se abrieron sin salvarse:

 

amarilla, astringente, con amargo

sabor medicinal,

la cáscara en el clavo.

 

Me sentei junto à porta e olhei passarem

os anos como galhos até à fumaça.

Os pesados marmelos eram fumaça também.

E as romãs,

 

a ganância repleta de favos de mel dos escaldantes

verões,

se abriram sem salvar-se:

 

amarelas, adstringentes, com um amargo

sabor medicinal,

a casca do cravo.

Ilustração: Pharma Scalabis. 


Saturday, March 07, 2026

Seguindo em frente

 

Silvio Persivo 

Muitas vezes

só temos o cansaço, 

que nos faz dormir. 

E não há como rir 

antes de fechar os olhos esperando

que, por magia, tudo desapareça. 

Porém, quando abrimos os olhos de manhã

tudo permanece da mesma maneira. 

A vida não é brincadeira. 

O sol brilhando, no entanto, nos diz:

-Dê seu jeito. Cresça!

Seja feliz. 

Tua esperança e vã. 

E seguimos em frente em busca 

de construir um novo amanhã. 

Ilustração: Veectzy. 

Mais uma vez Martin Prieto

 

EN LA CASA, ESCRIBE 

Martin Prieto

Que descanse de mí, que yo

descanse de mí, materia disuelta

en el aire del prójimo.

 

Para no defraudar, quemé todos los papeles.

El inodoro se quebró, la base se quebró

y hubo que andar cagando por ahí

dos meses hasta que pegamos un trabajo

y baño nuevo.

¿Deberíamos extrañarnos de eso,

llamarlo “nuestra educación”?

Dulce, lovely cae la tarde,

con olor a mandarinas,

pero amargo es estarse aquí,

nadie me corta las uñas de los pies.

EM CASA, ESCREVE

Que descanse de mim, que eu

descanse de mim, matéria dissolvida

no ar do próximo.

 

Para não te fraudar, queimei todos os papéis.

O vaso sanitário quebrou, a base quebrou,

e tivemos que andar cagando por aí,

por dois meses, até conseguirmos um emprego

e um banheiro novo.

Deveríamos nos surpreender com isso,

chamar isso de “nossa educação”?

Doce, lovely, a tarde cai,

com o aroma de tangerinas,

porém é amargo estar aqui,

ninguém me corta as unhas dos pés.

Ilustração: Instagram. 



Friday, March 06, 2026

Uma poesia de Hugo Padeletti

 

                                  Hugo Padeletti

Pocas cosas
y sentido común
y la jarra de loza, grácil,
con el ramo
resplandeciente.

La difícil extracción del sentido
es simple:

el acto claro
en el momento claro
y pocas cosas –
verde
sobre blanco.

 

Poucas coisas

e bom senso

e a jarra de barro, graciosa,

com o buquê.

Resplandecente

 

A difícil extração do sentido

é simples:

 

o ato claro

no momento claro

e poucas coisas-

verde

sobre o branco.

Ilustração: Shopee.



Thursday, March 05, 2026

Outra poesia de Abdellafit Laâbi

 

 

JE SUIS L’ENFANT DE CE SIÈCLE

Abdellatif Laâbi 

Je suis l’enfant de ce siècle pitoyable

l’enfant qui n’a grandi

Les questions qui me brûlaient

                                                [la langue

ont brûlé mes ailes

J’avais appris à marcher

puis j’ai désappris

Je me suis lassé des oasis

et des chamelles avides de ruines

 Étendu au milieu du chemin

la tête tournée vers l’orient

j’attends la caravane des fous

SOU FILHO DESTE SÉCULO

Sou o filho deste século lamentável

a filho que nunca cresceu

As perguntas que me incendiavam

                                                     [a língua

queimaram minhas asas

Eu aprendi a caminhar

Mas, logo desaprendi

Me enfastiei dos oásis

e dos camelos ávidos por ruínas

Estendido no meio do caminho

minha cabeça se volta para o oriente

eu espero a caravana de tolos

Ilustração: Saúde. 



O Amor (II) por George Herbert

 


LOVE (II)

By George Herbert

Immortal Heat, O let Thy greater flame

Attract the lesser to it; let those fires

Which shall consume the world first make it tame,

And kindle in our hearts such true desires.

As may consume our lusts, and make Thee way:

Then shall our hearts pant Thee, then shall our brain

All her invention on Thine altar lay,

And there in hymns send back Thy fire again.

Our eyes shall see Thee, which before saw dust,

Dust blown by wit, till that they both were blind:

Thou shalt recover all Thy goods in kind,

Who wert disseized by usurping lust:

All knees shall bow to Thee; all wits shall rise,

And praise Him Who did make and mend our eyes.

AMOR (II)

Imortal calor, ó, deixa que tua maior chama

Atraia a menor para si; deixa ​​que esses fogos

Que irão consumir o mundo primeiro o doma,

E acendam em nossos corações tão verdadeiros desejos.

Que consumam nossas paixões e abram caminho para Ti:

Então nossos corações ansiarão por Ti, então nosso cérebro

Toda a sua invenção repousará em Teu altar,

E ali, em hinos, enviará Teu fogo de volta.

Nossos olhos Te verão, que antes viam pó,

Pó soprado pela inteligência, até que ambos ficaram cegos:

Tu recuperarás todos os Teus bens em espécie,

Aqueles que foram despojados pela luxúria usurpadora:

Todos os joelhos se dobrarão a Ti; toda a inteligência se erguerá,

E louvarás Aquele que criou e curou nossos olhos.

Ilustração: MIR.


Wednesday, March 04, 2026

Outros versos de Ramon Dachs

 

Ramon Dachs

Afortunado el día, el mes, el año,
dichoso el sitio justo, el punto exacto
en que nos vislumbramos por ventura
entrelazando frescas las miradas.

Afortunado o dia, o mês, o ano,

ditoso o lugar certo, o ponto exato

em que nos vislumbramos por ventura

entrelaçando frescos os nossos olhares

Ilustração: Cumplice Do Tempo-SAPO.


Tuesday, March 03, 2026

De volta a poesia de Fernando Espejo Mendéz

 


EL AZÚCAR 

Fernando Espejo Mendéz

Hacia tu corazón y a mis colmenas
ansiosas de tu miel, voy y regreso
y me revuelvo y zumbo por tus venas
para libar tus flores en un beso.

Apenas si tú puedes con el peso
del racimo de néctares, apenas…
y entre tus labios voy viviendo, preso
de la miel que atesoras y almacenas…

Porque en tu cuerpo nace la dulzura
y a donde va lo dulce, vas y dejas
un sabor de alfeñique y confitura…

Oh, dulcísima dueña de mis quejas,
se va a morir de azúcar tu cintura
como la flor que sueñan las abejas.

AÇÚCAR

Até teu coração e às minhas colmeias

ansioso pelo teu mel, eu venho e regresso

e giro e zumbido pelas tuas veias

para sorver as tuas flores num beijo.

Mal tu consegues suportar o peso

do cacho de néctares, mal apenas

e entre teus lábios vou vivendo preso

ao mel que tu guardas e armazenas…

Porque de teu corpo nasce a doçura

e onde tu vais o doce, tu vais e deixas

um sabor de marzipã e confeitaria…

Ó, dulcíssima senhora das minhas queixas,

se vai morrer de açúcar tua cintura

como a flor com que sonham as abelhas.

Ilustração: Art By Mandi. 




O Põr do Sol de Blaise Cendrars

 


COUCHERS DE SOLEIL
Blaise Cendrars

Tout le monde parle des couchers de soleil
Tous les voyageurs sont d'accord pour parler des couchers de soleil dans ces parages
Il y a plein de bouquions où l'on ne décrit que les couchers de soleil
Les couchers de soleil des tropiques
Oui c'est vrai c'est splendide
Mais je préfère de beaucoup les levers de soleil
L'aube
Je n'en rate pas une
Je suis toujours sur le pont
A poils
Et je suis toujours seul à les admirer
Mais je ne vais pas les décrire les aubes
Je vais les garder pour moi seul

O PÔR DO SOL

Todo mundo fala sobre o pôr do sol

Todos os viajantes estão de acordo sobre os pores do sol nestas águas

Está cheio de livros que só descrevem o pôr do sol

nos trópicos

Sim, isto é verdade, são esplêndidos

Porém eu prefiro muito mais o nascer do sol

O amanhecer

Eu nunca perco um

Estou sempre no convés

Nu

E estou sempre sozinho admirando-os

Porém não vou descrever os amanheceres

Vou guardá-los para mim

Ilustração: Freepik.