Monday, February 02, 2026

Emily Dickinson sempre ela

 


POEM 1.222

Emily Dickinson

The Riddle we can guess

We speedily despise-

Not anything is stale so long

As Yesterday’s surprise-

POEMA 1.222

O enigma que podemos adivinhar

Nós velozmente desprezamos-

Nenhuma coisa é tão obsoleta

Quanto a surpresa de ontem-

Ilustração: Jornal de Brasília.


Sunday, February 01, 2026

Com Vocês Arnaldo Calveyra

 


INSTANTES DE UN CASTILLO DE ARENA

Arnaldo Calveyra

Lo teníamos con una mano. Sin caer superficie apagada por las

orillas tornasoleadas de la lengua. Por hablarnos casi, murallita

entretenida en el sol demasiado. Te abriré una puerta, una ventana,

una bajamar de aldea.

El mar, la carretera nacional. Ni parada ni tiesa. A tocar con

estos ojos.

En vano unos niños se lo han pedido al mar. Entra, se instala.

Napoleón paralítico que destroza. Canta. La sal, el torreón, la

bandera.

Escúchalo.

Nosotros.

Una niñita basta, consigue atravesarlo, encuentra las cocinas.

Cantamos una marsellesa en el desastre. No lo para. Se cae en

pedazos el puente levadizo.

Difícil tiempo.

Encuentro aquel esqueleto del sol extraviado en los años.

No, no volveremos.

El agua vertical de la ola color viento. Lejos, ¿por qué no todo

el mar?

Una escoba siete mares, el mar.

La bandera era lo que más queríamos, lo que más nos gustaba,

la bandera incolor en la luz.

Mañana por la mañana

INSTANTES DE UM CASTELO DE AREIA

Com uma mão o sustentávamos. Sem cair, uma superfície apagada pelas

margens iridescentes da linguagem. Quase falando conosco, uma mureta

entretida pelo sol demasiado. Te abrirei uma porta, uma janela,

uma maré baixa de aldeia.

O mar, a rodovia nacional. Nem parado, nem rígido. A tocar com

estes olhos.

Em vão alguns meninos o hão pedido ao mar. Entra, se instala.

Napoleão paralítico que destroça. Canta. O sal, a torre, a

bandeira.

Escuta-o.

Nós.

Uma menininha basta, consegue atravessá-lo, encontra as cozinhas.

Cantamos uma Marselhesa no desastre. Não o para. Cai  em pedaços a ponte levadiça.

Tempos difíceis.

Encontro aquele esqueleto do sol extraviado nos anos.

Não, não voltaremos.

A água vertical da onda colorida pelo vento. Longe, por que não todo o mar?

Uma escova, sete mares, o mar.

A bandeira era o que mais queríamos, o que mais nos gostava,

a bandeira incolor na luz.

Manhã pela manhã


Saturday, January 31, 2026

Outra poesia de Cécille Collon

 



LES VOLCANS 

 Cécille Collon

Il faut qu´on parle des volcans.
Ce fut sublime de grandir au milieu des géants
aux gueules grandes ouvertes.
Enfant, chaque jour, je m´enfonçais
avec cette vitesse de fille gâtée
dans les profondeurs de la terre.
Il me suffisait de poser une oreille
contre la pierre noire que la forêt avalait
pour sentir le cœur battre ;
ils disent que le feu ne reviendra
probablement jamais.
Ce n´est pas vrai.
C´est une erreur de penser que mille années
suffisent à éteindre
le brasier des géants.
Simplement, ils se taisent ;
de temps en temps ils murmurent,
personne ne les entend.
Leurs paupières sont froissées :
quand l´été les surprend ils se couvrent
d´herbes sèches pour étouffer
le ronronnement de la vallée.
On ne m´a rien dit, rien expliqué.
Je le sais. Dedans ma poitrine
j´ai le même cratère abîmé
d´un volcan endormi dans vingt-six ans
de cendres renversées,
cerclé de prairies sombres, nourri d´une colère
chargée de tempêtes anciennes.
Il faut qu´on parle de mon volcan.
De cette robe légère que ta voix
lui a taillée, pour lui et pour lui seul,
dans la lumière.
de ce geste si simple,
quand tu glisses, en silence, sur son flanc,
quand tu poses ton oreille contre sa peau
d´écorce, de fumée et de sang
et qu´enfin se rejoignent,
dans cette heure si particuliere
où les arbres s´éteignent,
la main de la fureur mise dans celle du volcan.

OS VULCÕES

É necessário falar dos vulcões.

Foi sublime crescer meio aos gigantes

Com a boca escancarada.

Quando criança, todos os dias eu mergulhava

com a velocidade de uma menina mimada

nas profundezas da terra.

Bastava encostar um ouvido

na pedra negra que a floresta tragava

para sentir as batidas do coração;

Dizem que o fogo não voltará

provavelmente nunca.

Não é certo.

É um erro pensar que mil anos bastam

para apagar a brasa dos gigantes.

Eles simplesmente se calam,

De tempos em tempos murmuram,

Ninguém os escuta.

Suas pálpebras estão enrugadas:

quando o verão os surpreende se cobrem

de ervas secas para afogar

o ronronar do vale.

Não me disseram nem explicaram nada.

Eu o sei. Dentro de meu peito

tenho o mesmo caráter estropiado

de um vulcão adormecido em vinte e seis anos

de cinzas espalhadas,

cercado de prados obscuros, alimentado

de uma cólera de antigas tempestades.

É necessário falar de meu vulcão.

Sobre este manto leve que a tua voz

talhou para ele, para ele e só para ele,

na luz.

Sobre este gesto simples,

quando deslizas, silenciosamente, pelo seu flanco,

quando encostas o teu ouvido à sua pele

de casca, fumo e de sangue

e quando, até que enfim, nesta hora tão particular

quando as árvores escurecem,

juntando-se a mão da fúria se une à do vulcão.

Ilustração: Freepik. 

Uma Fria no Frio



O dia estava frio. 

Muito frio. 

E sem você,

meu cobertor de orelha, 

nem o palito de fósforo

quis acender

e, de frio, pensei

que fosse morrer. 

 Ilustração: depoisdosquinze.com.

Um poema de Joaquin O. Guannuzzi

 


POÉTICA

Joaquín O. Guannuzzi

La poesía no nace.

Está allí, al alcance

de toda boca

para ser doblada, repetida, citada

total y textualmente.

Usted, al despertarse esta mañana,

vio cosas, aquí y allá,

objetos, por ejemplo.

Sobre su mesa de luz

digamos que vio una lámpara,

una radio portátil una taza azul.

Vio cada cosa solitaria

y vio su conjunto.

Todo eso ya tenía nombre.

Lo hubiera escrito así.

¿Necesitaba otro lenguaje,

otra mano, otro par de ojos, otra flauta?

No agregue. No distorsione.

No cambie

la música de lugar.

Poesía es lo que se está viendo.

POÉTICA

A poesia não nasce.

Está ali, ao alcance

de toda boca

para ser proferida, repetida, citada

total e textualmente.

Você, ao acordar esta manhã,

viu coisas aqui e ali,

objetos, por exemplo.

Sobre sua cabeceira,

digamos que você viu um abajur,

um rádio portátil, uma caneca azul.

Viu cada coisa solitária

e viu seu conjunto.

Tudo isso já tinha nome.

E teria escrito assim.

Necessitava de outra linguagem,

outra mão, outro par de olhos, outra flauta?

Não agregue. Não distorça.

Não mude

a música de lugar.

Poesia é o que se está vendo.

Ilustração: Portal do Polo.


A Pulga, de John Donne

 


THE FLEA

By John Donne

Mark but this flea, and mark in this,  

How little that which thou deniest me is;  

It sucked me first, and now sucks thee,

And in this flea our two bloods mingled be;  

Thou know’st that this cannot be said

A sin, nor shame, nor loss of maidenhead,

    Yet this enjoys before it woo,

    And pampered swells with one blood made of two,

    And this, alas, is more than we would do.

 

Oh stay, three lives in one flea spare,

Where we almost, nay more than married are.  

This flea is you and I, and this

Our marriage bed, and marriage temple is;  

Though parents grudge, and you, w'are met,  

And cloistered in these living walls of jet.

    Though use make you apt to kill me,

    Let not to that, self-murder added be,

    And sacrilege, three sins in killing three.

 

Cruel and sudden, hast thou since

Purpled thy nail, in blood of innocence?  

Wherein could this flea guilty be,

Except in that drop which it sucked from thee?  

Yet thou triumph’st, and say'st that thou  

Find’st not thy self, nor me the weaker now;

    ’Tis true; then learn how false, fears be:

    Just so much honor, when thou yield’st to me,

    Will waste, as this flea’s death took life from thee.

A PULGA

Observa apenas esta pulga, e observa nela,

Quão pouco é aquilo que me negas;

Ela me sugou primeiro, e agora suga a ti,

E nesta pulga nossos dois sangues se misturam;

Tu sabes que isto não pode ser considerado

Pecado, nem vergonha, nem perda da virgindade,

Contudo, ela desfruta antes de cortejar,

E se aconchega mimada com um sangue feito de dois,

E isto, infelizmente, é mais do que faríamos.

 

Oh, espera, poupa três vidas em uma pulga,

Onde estamos quase, ou melhor, mais do que casados.

Esta pulga somos tu e eu, e isto

Nosso leito nupcial e templo do casamento é;

Embora os pais se ressintam, e tu, estamos reunidos,

E enclausurados nestas paredes vivas de azeviche.

Embora o hábito te torne propenso a me matar,

Que a isso não se acrescente suicídio,

E sacrilégio, três pecados em matar três.

 

Cruel e repentina, desde então

Purificaste tua unha com sangue de inocência?

Em que poderia esta pulga ser culpada,

Senão naquela gota que ela sugou de ti?

Contudo, triunfas e dizes que

Não te consideras, nem a mim, mais fracos agora;

É verdade; então aprende como são falsos os medos:

Tanta honra, quando te renderes a mim,

Irá para o lixo, quanto a morte desta pulga te tirou a vida.

Ilustração: Quizur.


A poesia de Patrizia Cavalli

 

 


Patrizia Cavalli 

E chi potrà più dire

che non ho coraggio, che non vado

fra gli altri e che non mi appassiono?

Ho fatto una fila di quasi

mezz’ora oggi alla posta;

ho percorso tutta la fila passetto

per passetto, ho annusato

gli odori atroci di maschi

di vecchi e anche di donne, ho sentito

mani toccarmi il culo spingermi

il fianco. Ho riconosciuto

la nausea e l’ho lasciata là

dov’era, il mio corpo

si è riempito di sudore, ho sfiorato

una polmonite. Non d’amor di me

si tratta, ma orrore degli altri

dove io mi riconosco.

 

E quem poderá dizer

que eu não tenho coragem, que eu não ando

entre os outros, e que não apaixono?

Esperei na fila por quase

meia hora hoje no correio;

percorri por toda a fila passo a passo

passo a passo, senti

os odores atrozes de machos

velhos, e até mesmo mulheres, senti

mãos tocando minha bunda, empurrando

meu quadril. Reconheci

a náusea e a deixei ali

onde estava; meu corpo

se encheu de suor, quase peguei

pneumonia. Não se trata de amor próprio

mas de horror aos outros

onde me reconheço.

Ilustração: Fábrica de Artes. 




Nada como um Cuscuz Paulista

 


CUSCUZ PAULISTA JOSÉ CARLOS LINO COSTA

Silvo Persivo

Há muito cuscuz por aí

Que se gaba de ser cuscuz paulista.

De paulistas, porém só tem o nome.

Que, hoje em dia, este cuscuz

de massa de milho

pode ser filho

do Centro-Sul ou do Nordeste

e também da Amazônia.

Certamente

o que importa não é ser o original

ou ostentar frango, peixe

ou camarão.

Bom mesmo,

de verdade,

é o Cuscuz Paulista

José Carlos Lino Costa,

que come até

quem de cuscuz não gosta.

E estamos conversados!!!

Ilustração: Guacira Alimentos. 

Um poema de Cécille Colon

  


Á VENDRE  
Cécille Collon

C´est un morceau de terre noire entre deux vallées
entretenues par des troupeaux de vaches,
de brebis et des orages furieux ;
c´est dans le poing fermé des falaises
un minuscule caillou en forme de maison
que les arbres et la montagne auront
bientôt avalé.
Un endroit comme un visage sans yeux
flanqué d´une pauvre route
où les hommes ont péri,
c´est peut-etre du feu de mon enfance
la dernière braise :
il n´y a plus de lumière blanche au plafond
ni de volets qui grincent aux fenêtres du salon,
c´est un carré d´argile irrégulier qui surplombe
un bras d´eau long comme une tige de coquelicot
vue du ciel.
Il faut marcher longtemps
pour atteindre la fontaine,
apporter à ta bouche séchée la source des rochers
et raviver la flamme
au cœur de ce morceau de terre tenu serré
dans la paume du soleil.
Nous sommes montés si haut pour, enfin, vivre hors du monde,
pour, enfin, s´approcher des oiseaux
et toucher les flocons
qu´il m´est impossible, à présent, de redescendre.
Les herbes ont tout dévoré,
la rambarde chancelante est couverte
de poussière et de toiles d´araignée ;
ils disent qu´il faudrait VENDRE
comme le reste
VENDRE
les bandes dessinées, la ferme, le lait, le terrain
le parc autour du petit manoir où nous enterré
le chien
VENDRE
mon corps, ma voix, la couleur de mes cheveux
tant qu´il est encore temps.
pendant qu´ils prennent de lourdes décisions
j´attends contre le vaisselier avec une cigarette
éteinte à la main
que je n´ose pas allumer
à cause de l´odeur, de la fumée ;
VENDRE
dehors le volcan voisin a mis ses laines d´hiver
il y a des taches noires dessus
et tandis qu´il s´agit, une fois encore,
de VENDRE,
je songe à ce morceau de terre entre deux vallées
où nous n´irons jamais ensemble.

À VENDA

É um pedaço de terra negra entre dois vales

habitado por rebanhos de vacas,

ovelhas e tempestades furiosas;

é no punho cerrado dos penhascos

um pequeno seixo em forma de casa

que as árvores e a montanha

em breve devorarão.

Um lugar como um rosto sem olhos

flanqueado por uma estrada precária

onde homens pereceram,

é, quem sabe, a última brasa do fogo da minha infância:

não há mais luz branca no teto

nem o rangido das venezianas nas janelas da sala de estar,

é um quadrado irregular de barro com vista para

um trecho de água tão comprido quanto o talo de uma papoula

visto do céu.

Tem que se caminhar muito tempo
até alcançar a fonte,
levar à tua boca seca o manancial das rochas
e reavivar a chama
no meu coração desse pedaço de terra sustentado,
apertado na mão do sol.
Subimos tão alto para, ao fim, viver fora do mundo,
para, ao fim, aproximar-se dos pássaros
e tocar os flocos,
que agora me é impossível descer.
A erva já devorou tudo,

a precária balaustrada está coberta
de pó e de teias de aranha.
Dizem que devemos VENDER

como tudo o mais

VENDER

as tirinhas de quadrinhos, a fazenda, o leite, a terra

o parque ao redor da pequena mansão onde enterramos

o cachorro

VENDER

meu corpo, minha voz, a cor do meu cabelo

enquanto ainda há tempo.

enquanto eles tomam decisões difíceis

espero junto ao aparador com um cigarro apagado na mão

que não me atrevo a acender

por causa do cheiro, da fumaça;

VENDER

lá fora o vulcão vizinho vestiu seu manto de inverno

há manchas pretas nele

e enquanto é uma questão, mais uma vez,

de VENDER,

penso naquele pedaço de terra entre dois vales

onde jamais iremos juntos.

Ilustração: A Arca.Com. 

Friday, January 30, 2026

Uma poesia de Juan L. Ortiz

 



TODOS AQUÍ

Juan L. Ortiz

Todos aquí para mirar arder y consumirse ese fuego.
Fuego sólo?

No es un corazón apasionado que se ilumina en los cielos?

La pasión de la luz antigua abriéndose en flores encendidas
para mirarse en el espejo humano.

El corazón dice: criaturas terrestres, la vida es gloriosa,
alzaos hasta el fuego armonioso como hasta la sangre
del éxtasis para que todos seáis como simientes ardiendo
para las cosechas sucesivas de la luz común que encenderá hasta la sombra
y la estrellará como un jardín.

TODOS AQUI

Todos aqui para olhar arder e consumir-se esse fogo.

Fogo só?

Não é um coração apaixonado que se ilumina nos céus?

A paixão da luz antiga abrindo-se em flores

acesas

para se olhar no espelho humano.

O coração disse: criaturas terrestres, a vida é gloriosa,

Alça-os até o fogo harmonioso como até o sangue

do êxtase para que todos sejais como sementes ardendo

para as colheitas sucessivas da luz comum que acenderá

até a sombra

e se estampará como um jardim.

Ilustração: Folha BV.

Thursday, January 29, 2026

O Cozidão Perfeito

COZIDÃO PERFEITO

Silvio Persivo

Ossobuco, oh! Que carne tão preciosa

Chambaril, iguaria mais saborosa

Equilíbrio perfeito de maciez e sabor

Impossível não se apreciar seu valor

 

Temperado com sal e pimenta do reino

Descansando no vinho, um toque divino

Para o tutano não se desgrudar

Sal dos dois lados, o truque a lembrar

 

Azeite na panela, fogo alto para aquecer

Cebola refogada, alho para dar mais prazer

Deve se mexer com colher de pau e

Temperos adicionados, para o sabor se perpetuar

 

Cebolinha, tomate, louro e extrato de tomate

Cozinhando nos próprios temperos para arremate

Acompanhar, ficar atento, sem tirar o olho

E adicionar, para ficar no ponto, água se secar o molho

 

Uns 30 minutos leva para a carne cozinhar

Veja se está macia, se precisa sal para temperar

E quando estiver, tenha certeza, no ponto certo

Sirva com um bom pirão, o prato perfeito.

(De "Receitas da Amazônia Temperadas com Poesia", E-book da Hotmart) 

Ilustração: Espetinho de Sucesso. 

Outra poesia de George Herbert

 


                                         LOVE (III)

By George Herbert

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Love bade me welcome. Yet my soul drew back

                              Guilty of dust and sin.

But quick-eyed Love, observing me grow slack

                             From my first entrance in,

Drew nearer to me, sweetly questioning,

                             If I lacked any thing.

 

A guest, I answered, worthy to be here:

                             Love said, You shall be he.

I the unkind, ungrateful? Ah my dear,

                             I cannot look on thee.

Love took my hand, and smiling did reply,

                             Who made the eyes but I?

 

Truth Lord, but I have marred them: let my shame

                             Go where it doth deserve.

And know you not, says Love, who bore the blame?

                             My dear, then I will serve.

You must sit down, says Love, and taste my meat:

                             So I did sit and eat.

AMOR (III)

Alternar anotações

O Amor me deu as boas-vindas. e minha alma recuou

Culpada de sujeira e pecado.

Mas o Amor, de olhar perspicaz, observando-me hesitar

Desde minha primeira entrada,

Aproximou-se de mim, questionando docemente,

Se me faltava alguma coisa.

 

Um convidado, respondi, digno de estar aqui:

Disse o Amor: Você será ele.

Eu, o ingrato, o descortês? Ah, meu querido,

Não consigo olhar para você.

O Amor tomou minha mão e, sorrindo, respondeu:

Quem fez os olhos senão eu?

 

Verdade, Senhor, mas eu os estraguei: que minha vergonha

Vá para onde merece.

E você não sabe, diz o Amor, quem carregou a culpa?

Meu querido, então eu servirei.

Você deve se sentar, diz o Amor, e provar minha comida:

Então eu me sentei e comi.

Ilustração: A Mente é Maravilhosa.