Sunday, October 25, 2026

Uma poesia de Franco Fortini

 



LE PICCOLE PIANTE…

Franco Fortini

Le piccole piante mi vengo incontro e mi dicono:

“Tu, lo sappiamo, nulla puoi fare per noi.

Ma se vorrai entreremo nella tua stanza,

rami e radici fra le carte avranno scampo”.

 

Ho detto di sì a quella loro domanda

e il gregge di foglie ora è qui che mi guarda.

Con le foreste riposerò e le erbe sfinite,

vinte innumerabili armate che mi difendono.

AS PLANTINHAS…

As plantinhas vêm ao meu encontro e dizem:

"Tu, sabemos não pode fazer nada por nós.

Mas, se quiser, entraremos no seu salão.

Os galhos e raízes entre os papéis terão uma chance."

 

Eu disse sim aquela demanda delas,

e o bando de folhas agora está aqui, me observando.

Com as florestas repousarei e com as ervas exaustas,

derrotados os inumeráveis ​​exércitos que me defendem.

Ilustração: Panorama Móveis. 


Dario Jaramillo Aguedelo, pois

 


                          AMORES IMPOSIBLES, 10

 Dario Jaramillo Aguedelo

Fisuras en la luz de la mañana,
fracturas de lo que veo y oigo,
por ellas se acerca lo lejano,
se paraliza con nsepara lo que transcurre.
Adrede esta curva misteriosa,
adrede,

 

de pensamiento y de deseo adrede
está presente el gesto más presente,
por la grieta que ahora vivo,
por allá­ asoman un amor imposible y otro amor imposible.

AMORES IMPOSSÍVEIS, 10

Fissuras na luz da manhã,

fraturas do que vejo e ouço;

por elas, se acerca o distante,

o que transcorre paralisa-se.

Intencional, esta curva misteriosa,

intencional,

 

de pensamento e de desejo, intencional,

está presente o gesto mais presente;

pela fresta que agora vivo,

por ali assomam um amor impossível e outro amor impossível.

Ilustração: Pinterest.


October de Robert Frost

 


OCTOBER

Robert Frost

O hushed October morning mild,
Thy leaves have ripened to the fall;
To-morrow’s wind, if it be wild, 
Should waste them all. 
The crows above the forest call;
To-morrow they may form and go. 
O hushed October morning mild, 
Begin the hours of this day slow,
Make the day seem to us less brief.
Hearts not averse to being beguiled,
Beguile us in the way you know; 
Release one leaf at break of day;
At noon release another leaf; 
One from our trees, one far away;
Retard the sun with gentle mist;
Enchant the land with amethyst. 
Slow, slow! 
For the grapes’ sake, if they were all, 
Whose leaves already are burnt with frost,
Whose clustered fruit must else be lost-
For the grapes’ sake along the wall.

This poem is in the public domain.

OUTUBRO

Ó manhã de outubro, silenciosa e calma,

Tuas folhas amadureceram para a queda;

O vento de amanhã, se for selvagem,

Pode levar todas elas.

Os corvos grasnam sobre a floresta;

Amanhã, talvez se reúnam e partam.

Ó manhã de outubro, silenciosa e calma,

Faz as horas deste dia passarem devagar,

Torna o dia, para nós, menos breve.

Aos corações que não recusam a se enfeitiçar,

Enfeitiça-os, da maneira que bem sabes;

Solta uma folha ao romper do dia;

Ao meio-dia, solta outra folha;

Uma de nossas árvores, outra de distante;

Retarda o sol com uma névoa suave;

Encanta a terra com tons de ametista.

Devagar, bem devagar!

Pelas uvas-se é que só elas importam-,

Cujas folhas já foram queimadas pela geada,

E cujos cachos, de outro modo, se perderiam-

Pelas uvas que crescem junto ao muro.

Ilustração: Magnific.


Saturday, October 24, 2026

Ulisses de Iván Carvajal

 


ULISES

 Iván Carvajal

Va a soñar entre los picos de las gaviotas
Que vienen a sus pies por las migajas

 

Nadie asome a perturbar su somnolencia

 

A solas rumia el chasquido de las madreperlas
Enhiesto marino que enhebra sus leyendas
De Corsario de puertos lejanos

 

Viejo es su hábito de esconderse con los pájaros
En él nada queda de la ostentosa astucia
Y el olvido jubila sus Calypsos sus Penélopes

 

Ya sólo el sueño saquea sus andrajos.

ULISSES

Vai sonhar entre os bicos das gaivotas

Que vêm aos seus pés em busca de migalha

 

Que ninguém se aproxime para perturbar sua sonolência

 

Sozinho, rumina o estalo das madrepérolas

Marinheiro altivo que tece suas lendas

De corsário de portos distantes

 

É antigo o seu hábito de esconder-se com os pássaros

Nele nada resta da astúcia ostensiva

E o esquecimento aposenta suas Calipsos e Penélopes

 

Agora, apenas o sonho saqueia os seus andrajos.

Ilustração: Ulysses The Movie.


Ainda Tino Di Cicco

 


                                           Tino Di Cicco

la neve non scende più

nelle nostre città.

non ci tratta più da bambini.

 

ormai sappiamo barattare

dolore

con la merce del tempo

 

la verità dove sciogliere i cuori

deve ancora aspettare

 

A neve não cai mais

na nossa cidade.

Não nos trata mais como crianças.

 

Agora sabemos trocar

a dor

pela mercadoria do tempo.

 

A verdade que derrete corações

ainda precisa esperar.

Ilustração: Canção Nova. 


Thursday, October 22, 2026

Uma poesia de Gregory Fraser

 

 

MISCARRIAGE

Gregory Fraser

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They tell me God exists.
I’m not so sure.
They tell me I exist.
I have my doubts.
 
It’s said I raged like a star
after you crossed
out of time
forever. Raged
and then collapsed.
I can’t deny or confirm.

MALOGRO

Eles dizem que Deus existe.

Não tenho tanta certeza.

Eles dizem que eu existo.

Eu tenho minhas dúvidas.

 

Dizem que eu ardi furioso como uma estrela

depois que você cruzou

para fora do tempo

para sempre. Fiquei furioso

e, então, colapsei.

Não posso negar ou confirmar.

Ilustração: Blog Eurekka.


Due de Pierluigui Cappello

 


DUE

Pierluigui Cappello

Lascio la camera com'era quando era nei tuoi occhi,

incontrarti è il sapore che trattengo nel sorso di caffè.

 

Tra il piacere e quel che resta del piacere

il mio corpo sta come un posto dove si piange

perché non c’è nessuno.

 

Un giorno settembre era limpido e ventoso

il silenzio ammutoliva, la terra tornava al cielo.

 

DOIS

Deixo o quarto como estava quando estava em seus olhos,

encontrar você é o sabor que guardo no gole de café.

 

Entre o prazer e o que restou do prazer,

meu corpo é como um lugar onde se chora

porque não há ninguém lá.

 

Num dia de setembro, estava claro e ventoso,

o silêncio silenciou, a terra retornou ao céu.


De volta Lila Calderón

 


VEINTICUATRO VECES POR SEGUNDO

Lila Calderón

No es mi día/ he pensado en ti veinticuatro veces por segundo/ en cámara rápida te he rebobinado/ te he congelado te puse sepia/ He pensado  que entras por la puerta/ por el tragaluz/ el espejo  la ventana/ que atraviesas  paredes/ que brotas desde mi mente/ que estás en la televisión/ en el reflejo  debajo de la cama/ que juegas fútbol y lanzas un gol contra la cortina del baño/ He creído verte llegar diciendo/ que esperabas verme llegar/ corriendo hasta tus brazos dorados/ broncíneos marmóreos pétreos/ aparecer allá y emitir un monólogo/ en plena terraza mientras las olas se levantan/ y las gaviotas se dispersan mar adentro/ montadas en ballenas que huyen de sus cazadores/ disfrazadas de delfines/ Oigo alarmas y no puedo creer en la velocidad/ del pensamiento/ en esta calle todos los autos tienen el mismo sonido/ las llaves en las puertas giran del mismo modo/ y los pasos de los otros dejan tus mismas huellas/ He viajado contigo y he vuelto/ Tu fotografía no me deja en paz/ sonríe todo el tiempo/ como si nada/ me pregunto qué costaría una llamada telefónica/ hay que ser bien cabeza dura/ y olvidarse/ de lo que cuesta interceptar el amor/ experimentar ese estremecimiento/ viajar por los siete mares/ vivir con la misma dignidad el sueño o la vida real/ cocinar lavar planchar cantar/ reconocer/ que nos hemos encontrado/ un poco más allá del cruce de nuestros caminos/ porque sería ambicioso/ e irresponsable/ pensar creer suponer deducir/ a partir de no sé qué premisa/ que este peldaño mohoso/ representa el medio de nuestras vidas/ La longevidad/ no es ningún premio cuando sabemos/ que desde esta mitad comienza el deterioro/ y el olvido se instala/ como una película cortada mientras revisamos la página del obituario/ y decimos sonriendo/ qué bien/ este  no es mi día

VINTE E QUATRO VEZES POR SEGUNDO

Não é o meu dia/ pensei em você vinte e quatro vezes por segundo/ rebobinei você em câmera rápida/ congelei você, coloquei você em sépia/ Imaginei você entrando pela porta/ pela claraboia/ pelo espelho, pela janela/ atravessando paredes/ brotando da minha mente/ aparecendo na televisão/ no reflexo, debaixo da cama/ jogando futebol e marcando um gol na cortina do banheiro/ Acreditei ver você chegando e dizendo/ que esperava me ver chegar/ correndo para os seus braços dourados/ bronzeados, marmóreos, pétreos/ aparecer ali e fazer um monólogo/ no terraço, enquanto as ondas se erguem/ e as gaivotas se dispersam mar adentro/ montadas em baleias que fogem de seus caçadores/ disfarçadas de golfinhos/ Ouço alarmes e não consigo acreditar na velocidade/ do pensamento/ nesta rua, todos os carros têm o mesmo som/ as chaves nas portas giram do mesmo jeito/ e os passos dos outros deixam as mesmas pegadas que as suas/ Viajei com você e voltei/ Sua fotografia não me deixa em paz/ sorri o tempo todo/ como se nada tivesse acontecido/ pergunto-me quanto custaria uma ligação telefônica/ é preciso ser muito cabeça-dura/ e esquecer/ o custo de interceptar o amor/ de experimentar aquele estremecimento/ de viajar pelos sete mares/ de viver com a mesma dignidade o sonho ou a vida real/ cozinhar, lavar, passar, cantar/ reconhecer/ que nos encontramos/ um pouco além do cruzamento dos nossos caminhos/ porque seria ambicioso/ e irresponsável/ pensar, acreditar, supor, deduzir/ a partir de não sei qual premissa/ que este degrau mofado/ representa a metade das nossas vidas/ A longevidade/ não é prêmio nenhum quando sabemos/ que, a partir dessa metade, começa a deterioração/ e o esquecimento se instala/ como um filme interrompido enquanto olhamos a página do obituário/ e dizemos, sorrindo:/ que bom/ este não é o meu dia

 

 

Wednesday, October 21, 2026

Uma Prece por um Brasil Feliz ( A Prayer for a Happy Brazil)

 

Uma Prece por um Brasil Feliz

 Silvio Persivo 

Ó Santa Terezinha do Menino Jesus,

que Dele recebeste a divina graça,

leva embora esta dor que nos abraça,

dissipa as sombras, devolve-nos a luz!

 

Que este mal que assola nosso País,

esta longa e tão pesada cruz,

se desfaça neste domingo, enfim,

e a esperança volte a florir!

 

Já passou da hora, Santa querida,

de devolver ao Brasil a alegria,

a paz, a fé e o amor pela vida.

Intercede por nós, neste santo dia,

e faz do Brasil uma nação feliz!

A Prayer for a Happy Brazil

O Saint Thérèse of the Child Jesus,

you who received divine grace from Him,

take away this pain that holds us in its grip,

dispel the shadows, restore our light!

 

May this evil that plagues our country-

this long and heavy cross-

finally dissolve this Sunday,

and may hope bloom once again!

 

It is high time, dear Saint,

to restore to Brazil its joy,

its peace, its faith, and its love for life.

Intercede for us on this holy day,

and make Brazil a happy nation!

Ilustração: Diocese de Juina. 

Morning Song de Sylvia Plath

 


MORNING SONG
Sylvia Plath
Loves set you going like a fat gold watch.
The midwife slapped your footsoles, and your bald cry
Took its place among the elements.

Our voices echo, magnifying your arrival. New statue
Ina drafty museum, your nakedness
Shadows our safety. We stand round blankly as walls.

I’m no more your mother
Than the cloud that distils a mirror to reflect its own slow
Effacement at the wind’s hand.

All night your moth-breath
Flickers among the flat pink roses. I wake to listen:
A far sea moves in my ear.

One cry, and I stumble from bed, cow-heavy and floral
In my Victorian nightgown.
Your mouth opens clean as a cat’s. the window square

Whitens and swallows its dull stars. And now you try
Your handful of notes;
The clear vowels rise like balloons.

CANÇÃO DA MANHÃ

O amor levou você como um relógio de ouro bojudo.

A parteira bateu na planta dos seus pés, e seu grito nu

Assumiu seu lugar entre os elementos.

 

Nossas vozes ecoam, amplificando sua chegada. Nova estátua

Em um museu cheio de correntes de ar, sua nudez

Faz sombra à nossa segurança. Ficamos em volta, inexpressivos como paredes.

 

Eu não sou mais sua mãe

Do que a nuvem que destila um espelho para refletir seu próprio lento

Apagamento pelas mãos do vento.

 

A noite toda, sua respiração de mariposa

Tremeluz entre as rosas planas e rosadas. Eu acordo para ouvir:

Um mar distante se mover em meu ouvido.

 

Um grito, e tropeço para fora da cama, pesada como uma vaca e florida

Em minha camisola vitoriana.

Sua boca se abre, limpa como a de um gato. O quadrado da janela

 

Branqueia e engole suas estrelas foscas. E agora você experimenta

Seu punhado de notas;

As claras vogais sobem como balões.

Ilustração: Portal Viver Bem Unimed.


Y Sin Embargo Amor de Roque Dalton

 


                            Y SIN EMBARGO AMOR  

Roque Dalton

Y sin embargo, amor, a través de las lágrimas,
yo sabía que al fin iba a quedarme
desnudo en la ribera de la risa.

Aquí,
hoy,
digo:
siempre recordaré tu desnudez en mis manos,
tu olor a disfrutada madera de sándalo
clavada junto al sol de la mañana;
tu risa de muchacha,
o de arroyo,
o de pájaro;
tus manos largas y amantes
como un lirio traidor a sus antiguos colores;
tu voz,
tus ojos,
lo de abarcable en ti que entre mis pasos
pensaba sostener con las palabras.

Pero ya no habrá tiempo de llorar.

Ha terminado
la hora de la ceniza para mi corazón.

Hace frío sin ti,
pero se vive.

E, SEM EMBARGO, AMOR

E, sem embargo, amor, através das lágrimas,

eu sabia que, no fim, iria ficar

nu na margem do riso.

 

Aqui,

hoje,

digo:

sempre lembrarei da tua nudez em minhas mãos,

do teu cheiro de madeira de sândalo desfrutada

cravada junto ao sol da manhã;

do teu riso de moça,

ou de riacho,

ou de pássaro;

das tuas mãos longas e amantes

como um lírio traidor de suas antigas cores;

da tua voz,

dos teus olhos,

do que, em ti, foi possível abarcar e que, entre os meus passos,

eu pensava sustentar com as palavras.

 

Porém já não há tempo para chorar.

 

Está terminada

a hora das cinzas para o meu coração.

Faz frio sem ti,

porém, se vive.  

Ilustração: Tribuna do Sertão.

Tuesday, October 13, 2026

A Inglória Dança da Vida (The Inglorious Dance Of Life).

 

  
                     A INGLÓRIA DANÇA DA VIDA

Silvio Persivo

Se formos pensar

Em tudo que existe nada nos importa

E, no fim, tudo pesa

Como uma folha ao vento.

Mundo passageiro

Como um sonho breve

Ou um jogo ligeiro.

 

Nada levamos desta vida.

Seja a glória, a fama, amor, dinheiro.

É tudo apenas uma memória momentânea

Como a lembrança

De uma partida bem jogada.

O vão contentamento, depois o nada.

 

A glória pesa como um fardo.

A fama, uma febril ilusão.

O amor, no final, uma prisão.

O dinheiro, um logro mascarado

de termos feito um jogo bem jogado.

 

A vida, no entanto, joga xadrez

conosco como uma inteligência artificial:

é impossível ganhar no final.

O xeque mate nos foi dado no nascimento,

no momento da primeira jogada.

Devemos felizes nos sentir pelo jogo,

aproveitar os dias

e mais nada.

 

E é verdade que, alguns,

por meio da ciência, ou pelo vinho,

pensam ter, por breves momentos,

a sensação de vitória.

Porém logo a morte ou a idade

encerra o sentimento de felicidade.

Os sinos dobram,

as sombras chamam por nós:

cala-se a voz.

 

Talvez, por algum tempo,

fique a lembrança.

O sonho, no entanto,

já se foi,

depois se vai, no tempo, a memória

e o jogo se esvai e se destrói,

com as peças retiradas,

para a vala comum do esquecimento

ou desfeitas pelo pó do tempo.

Goza, pois o que te resta é o momento!

THE INGLORIOUS DANCE OF LIFE

If we stop to think

About all that exists, nothing truly matters

And, in the end, everything weighs

No more than a leaf in the wind.

A fleeting world,

Like a brief dream

Or a quick game.

 

We take nothing from this life-

Be it glory, fame, love, or money.

It is all merely a momentary memory,

Like the recollection

Of a well-played match.

 Vain contentment, followed by nothingness.

 

Glory weighs heavy like a burden.

Fame is a feverish illusion.

Love, in the end, a prison.

Money, a deception masked

As having played the game well.

 

Life, however, plays chess

Against us like an artificial intelligence:

It is impossible to win in the end.

Checkmate was dealt to us at birth,

At the moment of the opening move.

We should find happiness in the game,

Savor the days,

And nothing more.

 

And it is true that some,

Through science or through wine,

Think they hold, for brief moments,

The sensation of victory.

Yet soon, death or old age

Brings that feeling of happiness to an end.

The bells toll,

The shadows call to us:

The voice falls silent.

 

Perhaps, for a time,

The memory lingers.

The dream, however,

Is already gone;

Then, in time, the memory fades,

And the game dissolves and falls apart-

The pieces swept away

To the common grave of oblivion

Or undone by the dust of time.

Rejoice, for the moment is all that remains!

 




A poesia de Fosca Massuco

 

                                       Fosca Massucco 

Immersa in una tonale di gioia, io trionfo

incessante negli anditi riverberanti dell’anima

come un crine ebbro di pece sulla corda.

 

Il dolore è silenzio del tono puro

per distratta sottrazione.

 

Imersa numa tonalidade de alegria, eu triunfo

incessante no andamento reverberante da alma

como um fio de cabelo ébrio de breu numa corda.

 

A dor é o silêncio do tom puro

pela distraída subtração.

Ilustração: Violino-Arte e Técnica.