Wednesday, April 08, 2020

Duas canções de Charles Olson


SONG I                                                                       

Charles Olson

colored pictures
of all things to eat: dirty
postcards
And words, words, words
all over everything
No eyes or ears left
to do their own doings (all 
invaded, appropriated, outraged, all senses

including the mind, that worker on what is
And that other sense
made to give even the most wretched, or any of us, wretched,
that consolation (greased
lulled
even the street-cars

CANÇÃO I

pinturas coloridas
de todas as coisas para comer: sujos
cartões postais
E palavras, palavras, palavras
em tudo
Não há olhos nem ouvidos
para fazer suas próprias ações (todos
invadidos, apropriados, indignados, todos os sentidos

incluindo a mente, aquele trabalhador sobre o que é
E este outro sentido
feito para dar até os mais miseráveis, ou qualquer um de nós, miserável,
aquela consolação (untada
embalada
até os carros de rua

SONG II

Charles Olson

all 
wrong
And I am asked—ask myself (I, too, covered
with the gurry of it) where
shall we go from here, what can we do
when even the public conveyances
sing?
how can we go anywhere,
even cross-town
how get out of anywhere (the bodies
all buried
in shallow graves?

CANÇÃO II

tudo
errado
E eu me pergunto-pergunto a mim mesmo (eu também cobri
com a pressa) onde
devemos ir daqui, o que podemos fazer
quando até os transportes públicos
cantam?
como podemos ir a qualquer lugar,
mesmo cruzando a cidade
como sair de qualquer lugar (os corpos
todos enterrados
em covas rasas?




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