Thursday, October 02, 2025

Um poema de Francine J. Harris

 


   THERE ARE INANIMATE THINGS OUT

   THERE LOVING EACH OTHER          

     Francine J. Harris

the way that soap loves an airborne virus.

Wants nothing more than to whisk it all away. Half fragile

as water, half hydrophobic wildchild. Doing it daily

 

as thirst trap. Posing in the fat of fruit. in the lipid

of a milking cow. It’s unfair to say

 

it’s afraid of anything. Hunting virus by riding hydro.

Mobbing the scene in micelle. Trailing pond for a bond.

Shooting its shot near the nearest swarm of greasy tail. How

good it is at pulling every germ. Every dirty little frag.

Every bacterial bevvy.

                                         Loving it all

to its silky death. to its silty bottom. to its graywater demise.

How it hungers the virus until neither function. Melting its thick

heart and ripping it all away.

 

Little soap bar playa. Little Dionysian pump of cupidity.

 

                           Oh, to desire virus

                           to death. To take it dizzy

and broken down through the falls.

Slow soaping the sick

 

from our living,

wet hands.

EXISTEM COISAS INANIMADAS LÁ FORA

SE AMANDO

como o sabão ama um vírus transportado pelo ar.

Não quer nada mais do que levar tudo embora. Meio frágil

como água, meio criança selvagem hidrofóbica. Fazendo isso diariamente

 

como uma armadilha para sede. Posando na gordura da fruta. No lipídio

de uma vaca leiteira. É injusto dizer

 

que tem medo de alguma coisa. Caçando vírus em hidroavião.

Aglomerando-se pela cena em micelas. Arrastando um lago em busca de um vínculo.

Disparando seu tiro perto do enxame de cauda gordurosa mais próximo. Como

ele é bom em puxar cada germe. Cada fragmento sujo.

Cada grupo bacteriano.

Amando tudo

até sua morte sedosa. até seu fundo lodoso. até seu fim em águas cinzas.

Como ele se alimenta do vírus até que nenhum dos dois funcione. Derretendo seu grosso

coração e arrancando tudo.

 

Pequena saboneteira de praia. Pequena bomba dionisíaca de cupidez.

 

Ah, desejar o vírus

até a morte. Tomá-lo tonto

e quebrado pelas quedas d'água.

Ensaboando lentamente as doenças

 

das nossas mãos vivas e

molhadas.

Ilustração: Acontece Botocatu.


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