PARA VIVIR
Jordi Doce
La mano escribe para no
morir.
O cuenta el mundo en sílabas contadas
para decir: aquí termina el mundo,
fuera impera la noche
y el frío de la noche,
el lento gotear de las estrellas
y su terco silencio impenetrable.
La mano escribe para no morir.
Semeja su hermana, la lengua,
envuelta en un temblor que no comprende,
ajena a la raíz que la redime.
La mano escribe para no morir.
O dice el mundo en sílabas contadas
para decir: aquí termina el mundo,
fuera impera la noche
y el frío de la noche,
quietud de lo que nunca vive o muere
pues nunca tuvo nombre.
PARA VIVER
A mão escreve para não
morrer.
Ou conta o mundo em
sílabas contadas
Para dizer: aqui termina
o mundo,
fora impera a noite
e o frio da noite,
o lento gotejar das
estrelas
e seu teimoso silêncio
impenetrável.
A mão escreve para não
morrer.
Assemelha-se a sua irmã,
a língua,
envolta em um temor que
não compreende,
alheia a raiz que a
redime.
A mão escreve para não
morrer.
Ou diz o mundo em sílabas
contadas
para dizer: aqui termina
o mundo,
fora impera a noite
e o frio da noite,
quietude do que nunca
vive ou morre
pois nunca teve nome.
Ilustração: Nexo Jornal.

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