ENTRE O SUSPIRO E O
EXCESSO DE VIDA
Silvio Persivo
Se acaso, após o último
suspiro,
Constatarem, frios, que não mais respiro,
E um deus qualquer- ou gênio de lâmpada acesa-
Por caridade me conceda tal gentileza,
Não hesitarei, sem sombra ou maldade:
Pedirei de volta a minha vontade-
Que me ressuscite, ainda incompleto,
Pois há vida em mim que não coube no decreto.
Faltarão aos desejos seus
últimos goles,
As promessas não ditas, os íntimos ardores,
O que ainda me cabe provar neste caminho,
Antes que se esgote o derradeiro vinho.
Quero mais taças erguidas
ao acaso,
Mais risos que transbordem do raso,
Embriagar-me nas tulipas douradas,
Onde as horas se perdem desvairadas.
E que digam, ao ver-me
nesse turbilhão:
-Este viveu sem medo da
exaustão,
Pois fez da vida excesso e intensidade,
E no beijo e no vinho achou a eternidade.
Ilustração: Cultura de
Fato.
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