Monday, March 14, 2016

Uma poesia de Rogelio Guedea


DEL SILENCIO

Rogelio Guedea

Mientras el cuerpo nos protege
del desastre

y un turbión hace cauce en nuestras venas
y se nos cubren los ojos de raíces agrias

mi alma sabe que allá del otro lado
en la esquina o tienda o consultorio
también tú te sufres en la oscuridad
con los brazos abiertos
para recibirme.
Do silêncio
Ainda que o corpo nos proteja
do desastre

e um turbilhão cresça a correr em nossas veias
e se nos cobrem os olhos de raízes amargas

minha alma sabe que além, do outro lado,
na esquina, loja ou consultório
também tu sofres na escuridão
com os braços abertos
para receber-me.


Ilustração: www.annedevaneios.blogspot.com

De volta Juan Gelman



La secreta dulzura del dolor...

Juan Gelman

La secreta dulzura del dolor
Es transparencia/sale
De la furiosa resignación del sueño/
Suena en la boca del perdido

En su origen/en su
Rumor de existencia que
Le clava la cabeza al gran espanto/
Al doble andar/al doble hilo/a la

No verdad del estar como no estar/
El vuelo torpe que los cría/
Lo que rompe la luz/memoria

Confusa por sus números/
Pecho que dura como huella/
La nada que te ama/

A secreta doçura da dor ...

A secreta doçura da dor
É a transparência / saí
Da furiosa resignação do sono /
Soa na boca do perdido

Originalmente /  no seu
Rumor de existência que
Crava na cabeça um grande espanto /
Ao duplo andar /ao duplo fio / a

Nenhuma verdade do estar como do não-estar /
O desajeitado voo que os cria /
O que rompe a luz / memória

Confuso com seus números /
Peito que dura como trilha /
O nada que te ama /


Ilustração: www.caminhandocomosol.com.br

Outra poesia de Julio Flórez Roa

Madrigal                                                                     
Julio Flórez Roa

¿Me quieres? ¡Que tu acento me lo diga
Ante aquel sol que muere en el ocaso!
Tú, que mitigas mi pesar... ¡mitiga
Esta fiebre voraz en que me abraso!
Tembló su labio y balbució: ¡Lo juro!
Sus tachonadas puertas entreabría
La muda noche en la extensión vacía:
Y en mi espíritu lóbrego y oscuro...
En aquel mismo instante amanecía!

Madrigal

Me amas? Que o teu sotaque me diga
Ante aquele sol que morre no ocaso!
Tu que mitigas meu pesar... mitiga...
Esta febre voraz em que me abraso!
Treme seu lábio e balbucia: eu juro!
Sua cravejada porta entreaberta
A noite silenciosa na extensão vazia:
E no meu espírito sombrio e escuro ...
Naquele mesmo instante amanhecia!

Ilustração: www.greatroadgallery.com

Uma quadra de Vicente Núñez


UNA CARTA                                                                        
Vicente Núñez


Una carta, un poema, una música, un llanto...

¿Cómo te apreso, cómo te amo o me consumo?

¿Nuevas muertes u otras vidas? Restituidme

a los gélidos féretros del verbo y de la carne.


Uma carta

Uma carta, um poema, uma música, um pranto...

Como te apresso, como te amo ou me consumo?

Novas mortes ou outras vidas? Restituí-me

Aos gélidos funerais do verbo e da carne.


Friday, March 11, 2016

Outra poesia de Gabeba Baderoon

I used to live                                                                             
Gabeba Baderoon

I used to live in a small room
with a narrow bed
and a television at my feet.
A mirror hung on the back of the door.
I lived in the order
of its smallness.

I lie here next to you
and feel the distance
from the walls.
If I held you closer
we would fit
onto a narrow bed.

Eu costumava viver

Eu costumava viver num pequeno apartamento
com uma cama estreita
e uma televisão aos meus pés.
Havia um espelho pendurado atrás da porta.
Eu vivia em ordem
No meu mundinho.

Eu me coloco aqui perto de você
e sinto a distância
das paredes.
Se eu segurasse você mais perto
nós caberíamos
numa cama estreita.

Ilustração: revistapiaui.estadao.com.br 

Uma poesia de Gabeba Baderoon

OLD PHOTOGRAPHS                                                      
Gabeba Baderoon

On my desk is a photograph of you
taken by the woman who loved you then.

In some photos her shadow falls
in the foreground. In this one,
her body is not that far from yours.

Did you hold your head that way
because she loved it?

She is not invisible, not
my enemy,
nor even the past.
I think
I love the things she loved.

Of all your old photographs, I wanted
this one for its becoming. I think
you were starting
to turn your head a little,
your eyes looking slightly to the side.

Was this the beginning of leaving?

Velhas fotografias

Na minha mesa tenho uma fotografia tua
batida pela mulher que, então, te amava

Em outras fotos sua sombra se adivinha
em primeiro plano. Nesta,
seu corpo não está muito longe dela.

Será que inclinou a cabeça
porque ela gostava?

Ela não é invisível, nem
minha inimiga, nem sequer o passado.
Penso que amo as coisas que ela amou.

De todas as velhas fotografias, eu prefiro
esta por gostar de teu gesto. Penso
que estavas a ponto de
girar a cabeça levemente,
E teus olhos olham um pouco de lado.

Foi porque estavas começando a deixá-la?

Ilustração: www.photopixels.com 

Uma poesia de Roberto Bolaño

TU LEJANO CORAZÓN                                              
Roberto Bolaño

No me siento seguro
En ninguna parte
La aventura no termina
Tus ojos brillan en todos los rincones
No me siento seguro
En las palabras
Ni en el dinero
Ni en los espejos
La aventura no termina jamás
Y tus ojos me buscan

Teu distante coração

Não me sinto seguro
Em parte alguma
A aventura não termina
Teus olhos brilham em todos os lugares
Não me sinto seguro
Nas palavras
Nem no dinheiro
Nem nos espelhos
A aventura não termina jamais
E teus olhos me buscam 

Ilustração: www.albumpoeticoeda.com.br

Mais um poema de Jorge Cuesta Porte-Petit

Jorge Cuesta Porte-Petit

Abro de amor a ti mi sangre rota,
Para invadirte sin saberte amada.
El íntimo sollozo es negra espada
Que en la dureza de su luz se embota.

Al borde de mi sombra tu alma brota,
Así mi linde está más amparada.
Y aunque la fuga es más precipitada
Tu ausencia es cada vez menos remota.

Tu luz es lo que más me apesadumbra
Y si enciendes mis ojos con tu vida
El corazón me dobla la penumbra.

Mi soledad tu nombre dilapida
A la sombra del aire que te encumbra
Y apaga el lujo de tu voz vencida.

Amor na sombra

Abro de amor a ti meu sangue derramado,
Para invadir-te sem saber amada.
O soluço íntimo é a negra espada
Que na dureza de sua luz vejo apagado.

O limite de minha sombra de tua alma brota,
Assim, como a fronteira é mais delimitada.
E, ainda que a fuga seja mais precipitada
Tua ausência é cada vez menos remota.

Tua luz é o que mais me cria sombra
E se acendes meus olhos com tua vida
O coração me dobra na penumbra.

Minha solidão teu nome dilapida
Na sombra do ar em que eu te encubra
E apaga o luxo de tua voz vencida.


Ilustração: www.salves.com.br 

Wednesday, March 09, 2016

Uma poesia de Carlos Pérez Casas






UNO DE ESOS DÍAS
                                                  Carlos Pérez Casas
Hoy es uno de esos días
en los que prefiero
no hablar del amor o de la vida.
Puedo estar horas enteras
frente a ella
compartiendo charlas
y alegrías
y, aunque de versos místicos,
se llene mi alma de dicha.
Otras veces, como hoy,
despierto habiendo soñado
con ella
y aunque sea un sueño sin verso,
abro los ojos
cubierto de melancolía.

Um desses dias

Hoje é um desses dias
em que prefiro
                                                  não falar de amor ou da vida.
Posso estar horas inteiras
                                                         em frente a ela
partilhando de conversas
                                                               e alegrias
e, ainda que versos místicos,
encham minha alma de felicidade.
Outras vezes, como hoje,
acordo tendo sonhado
com ela
e até mesmo que seja um sonho sem verso,
abro os olhos
coberto de melancolia.


                                                              Ilustração: f.i.uol.com.br

Nem me lembrava mais desta poesia...


Mas, graças  a Juca Rios Paulina Rios ter postado no Facebook resolvi rememorá-la aqui num momento em que nossa cidade precisa tanto de mais auto-estima: 

Porto Velho 

Esta cidade de quem todos reclamam-
E parece que ninguém ama-
É a minha cidade.
Não sei o que ela tem
Nem o que me ofereceu
Que não seja,
Talvez,
Um pôr de sol
Que distribui cores de Rembrandt,
Minhas maiores alegrias,
Os doces momentos que já esqueci,
Porém, que fizeram a vida valer a pena,
Esta vontade eterna e sempre não pequena
De viver mais,
Uma tristeza vaga e
Este calor aconchegante
Que vem do céu azul,
Que, de repente, se apreteja
E se transforma em vento e chuva
Soando docemente
Como um salmo em igreja.
Sei que ela não é tão bela
Como deveria.
Mas, quem é?
Esta cidade assim
Mesmo parecendo suja, feia,
Mal-acabada, em eterna construção,
Tem o dom de ser
Minha terra amada
E há sempre de ser linda para mim

E viver eternamente no meu coração.

Ilustração: O Observador 

Saturday, March 05, 2016

Um poema de Fabrizio Ara


Antichi sipari                                                            


 


Fabrizio Ara


 


Scorgo


fra i vapori della nebbia


una dolce musa marmorea


erta in un'antica corte.


…E lievi segni del tempo


nel suo glorioso abito di festa


dipingono il grande mito


di un tempo che fu.


 


Scorta la musa


la mia arte lumeggia.


 

 

Cortinas velhas

Vejo
entre os vapores da névoa
uma doce musa de mármore

estranha em um tribunal antigo.
......E ligeiros sinais da idade ...
no seu glorioso vestido de festa
retratam o grande mito
de um tempo que foi.
 
Repõe a musa
minha arte de iluminar.

 



 Ilustração:
www.mlahanas.de


Uma poesia de Maricruz Patiño


 
Vivir así                                                  

 

Maricruz Patiño

 

Quiero vivir
arrancando palabras al silencio
y que el amor crezca como una enredadera sin amo
quiero escuchar la música hasta encontrar mi nombre
quiero vivir con un rayo de luz en el corazón
en fin, saberme despierta y ardiendo…

 

Viver assim

 

Quero viver

arrancando palavras ao silêncio

e que o amor cresça como uma trepadeira sem limites

quero escutar a música até encontrar o meu nome

quero viver com um raio de luz no coração

enfim, saber-me desperta e ardendo....

 

Ilustração: torange.es.com

Wednesday, March 02, 2016

Mais uma poesia de Karen Valladares


 Escribo

 Karen Valladares

 

Escribo sobre la ceniza del olvido.

Sobre la desnudez de nuestros cuerpos

Sobre el temblor de mi corazón al verte.

Escribo.

 

Escribo en la hora vacía de la sombra

De la espera acumulada

del insomnio

de la luz que me cobija

pero nada puedo decir

pero nada debo de decir.

Rompo en llanto

Me desmorono

Escribo sobre la frialdad de la soledad

Sobre el vacío de mis ojos cuando no te veo.

 

Pertenezco al viento..

Al silbido de la noche,

a la lluvia que no llega.

 

 

Escribo

escribo sobre vos.

Sobre mí

sobre el ruido acumulado en una pared

sobre tu nombre carcomiéndome la garganta

y no puedo hacer nada.

vuelvo a llorar.

 

Escribo sobre la palidez de cualquier silencio.

 
Escrevo

 

Escrevo sobre a cinza do esquecimento.

Sobre a nudez de nossos corpos

Sobre o tremor do meu coração ao ver-te.

Escrevo.

 

Escrevo na hora vazia da sombra

Da espera acumulada

De insônia

Da luz que me cobiça,

Porém, nada posso dizer

Porém, nada devo dizer.

Desato em pranto,

Me desmorono.

Escrevo sobre a frieza da solidão

Sobre o vazio de meus olhos quando não te vejo.

 

Pertenço ao vento...

Ao uivo da noite,

À chuva que não chega.

 

Escrevo.

Escrevo sobre ti.

Sobre mim

Sobre o ruído acumulado de uma parede

Sobre teu nome corroendo-me a garganta

E não posso fazer nada.

Volto a chorar.

 

Escrevo sobre a palidez de qualquer silêncio.

 

Ilustração: algumascoisasqueescrevo.blogspot.com

Tuesday, March 01, 2016

Uma poesia de Miguel Hernández

Como el toro, he nacido para el luto                                 

Miguel Hernández

Como el toro, he nacido para el luto
Y el dolor, como el toro estoy marcado
Por un hierro infernal en el costado
Y por varón en la ingle con un fruto.

Como el toro lo encuentra diminuto
Todo mi corazón desmesurado,
Y del rostro del beso enamorado,
Como el toro a tu amor se lo disputo.

Como el toro me crezco en el castigo,
La lengua en corazón tengo bañada
Y llevo al cuello un vendaval sonoro.

Como el toro te sigo y te persigo,
Y dejas mi deseo en una espada,
Como el toro burlado, como el toro.

Como o touro eu nasci para a luta

Como o touro eu nasci para a luta
E pela dor, como o touro, estou marcado
Por um ferro infernal no costado
E por um homem na virilha com uma fruta.

Como o touro o encontro diminuto
Todo o meu coração desmesurado,
E ,ao rosto, beijo enamorado,
Como o touro o teu amor disputo.

Como o touro cresço no castigo,
A língua no coração tenho banhada
E levo no pescoço um vendaval sonoro.

Como o touro te sigo e te persigo,
E deixas meu desejo numa espada,
Como o touro enganado, como o touro.


Ilustração: S2.glbimg.com