PRECIOUS
Kira Tucker
Copper keeps life from my
womb; aluminum
fills my pores, silver my
teeth. My blood won’t hold iron,
so I take it daily. Food
brings a sickness I can’t measure
under my tongue, only on
my waning waist. Some metal
belongs in the body. The
day a grate raised my skirt
on the street, I noticed
only one rush of air between ore
andwhore. The boy who
learns to caress his face with a blade
will grow into a man I’ll
pay to slice my skin with steel. Beauty
is no alchemy: it merely
means making space for more things
that shine. Like the
ancient statues men scrapped for daggers.
Like powder packed into
bullets, their touch so intimate
it kills. Like any body
in this millennium, I’ll survive
in silicon chips after
death. Until then, lead me
somewhere precious. Guide
me with ungloved hands.
PRECIOSO
O cobre guarda a vida do
meu ventre; o alumínio
enche meus poros, a prata
meus dentes. Meu sangue não segura o ferro,
então o tomo diariamente.
A comida traz uma doença que não consigo medir
sob minha língua, somente
em minha cintura cada vez menor. Algum metal
pertence ao corpo. No dia
em que uma grade levantou minha saia
na rua, notei apenas uma
lufada de ar entre o minério
e a prostituta. O menino
que aprende a acariciar o rosto com uma lâmina
irá crescer será um homem
a quem eu pagarei para cortar minha pele com aço. A beleza
não é alquimia: meramente
significa abrir espaço para mais coisas
que brilham. Como as
estátuas antigas que os homens desmontaram para fazer adagas.
Como a pólvora compactada
em balas, seu toque tão íntimo
que mata. Como qualquer
corpo neste milênio, eu sobreviverei
em chips de silício após
a morte. Até lá, guia-me
a algum lugar precioso.
Guia-me com mãos sem luvas.
Ilustração: Bonito Way.