Tuesday, November 14, 2017

Mais uma poesia de Paul Eluard


L'EXTASE

Paul Eluard

Je suis devant ce paysage féminin
Comme un enfant devant le feu
Souriant vaguement et les larmes aux yeux
Devant ce paysage où tout remue en moi
Où des miroirs s'embuent où des miroirs s'éclairent
Reflétant deux corps nus saisons contre saisons

J'ai tant de raison de me perdre
Sur cette terre sans chemins et sous ce ciel sans horizon
Belle raison que j'ignorais hier
Et que je n'oublierai jamais
Belles clés des regards clés filles d'elles-mêmes
Devant ce paysage où la nature est mienne

Devant le feu le premier feu
Bonne raison maîtresse

Etoile identifiée
Et sur la terre et sous le ciel hors de mon coeur et dans mon coeur
Second bourgeon première feuille verte
Que la mer couvre de ses ailes
Et le soleil au bout de tout venant de nous

Je suis devant ce paysage féminin
Comme une branche dans le feu.

O ÊXTASE

Estou ante esta paisagem feminina
Como um menino diante do fogo
Sorrindo vagamente com lágrimas nos olhos
Diante desta paisagem em que tudo me emociona
Onde espelhos se enevoam onde espelhos se esclarecem
Refletindo os corpos desnudos estação a estação

Tenho tantas razões para perder-me
Nesta terra sem caminhos sob este céu sem horizontes
Belas razões que ontem ignorava
E que esquecerei jamais
Belas chaves de olhares de vislumbres sobre si mesmos
Ante esta paisagem onde a natureza é minha

Ante o fogo o primeiro fogo
Boa razão mestra

Estrela identificada
E na terra e sob o céu fora de meu coração e nele
Segundo brote a primeira folha verde
Que o mar cubra com suas asas
E o sol ao fundo de tudo que vem de nós, outros

Estou ante este paisagem feminina

Como um galho no fogo.

Ilustração: poesias/basilina – blogger. 

Monday, November 13, 2017

Outra traição sobre uma traição de Nazim Hikmet



XX

Nazim Hikmet

El más bello de los mares / es aquel que no hemos visto. / La más linda criatura / todavía no ha nacido. / Nuestros días más hermosos / aún no los hemos vivido.

Y lo mejor de todo aquello que tengo que decirte / todavía no lo he dicho.

 (Traducción de Amaro Villanueva y Julio H. Meirama)

XX

O mais belo de todos os mares
é aquele que não temos visto.
A mais linda criatura,
todavia, não há nascido.
Nosso dias mais formosos
ainda não os temos vivido.

E o melhor de tudo aquilo que tenho que dizer-te,
todavia, não lhe disse. 

Mais um poema de Julio Cortázar

Después de las fiestas

Julio Cortázar

Cuando todo el mundo se iba
 y nos quedábamos los dos
entre vasos vacíos y ceniceros sucios
qué hermoso era saber que estabas
ahí como un remanso,
sola conmigo al borde de la noche,
y que durabas, eras más que el tempo
eras la que no se iba
porque una misma almohada
y una misma tibieza
iba a llamarnos otra vez  
a despertar al nuevo día,
juntos riendo, despeinados.

DEPOIS DAS FESTAS

Quando todo mundo ia
e nós ficávamos os dois
entre copos vazios e cinzeiros sujos
que formoso era saber que estavas
ali como um remanso,
só comigo a bordo da noite
e que duravas, eras mais que o tempo
eras a que não ia
porque uma mesma almofada
e uma mesma moleza
ia a nos chamar outra vez
no despertar do novo dia,
juntos rindo, desgrenhados


Ilustração: Pinterest. 

Mais uma poesia de Lila Calderón



EL CORAZÓN ES UN LUGAR COMÚN

Lila Calderón

Yo sólo veo un trance de árboles que van pasando
cargados de anuncios
Un violín en ruinas   un barco fantasma
aves descompaginadas en el truco del rumbo
Espejos que no tienen más historia
que la de los personajes que pasan y se reflejan
Una bandada de estatuas a ras de suelo
El planeta en donde nacerá el futuro
y los milagros que me proponga

Veo al verbo caminando inadvertido por las noches
en diversas fuentes de luz
Veo que amanece a cada vuelta del reloj
LA CIUDAD ES UN LUGAR COMÚN
  
O CORAÇÃO É UM LUGAR COMUM

Eu só vejo um trânsito de árvores que vão passando
carregadas de anúncios
Um violino em ruínas um navio fantasma
aves desalinhadas pássaros no truque de um rumo
Espelhos que não têm mais história
que os personagens que passam e se refletem
Um bando de estátuas no nível do solo
O planeta onde o futuro vai nascer
e os milagres que me proponha

Vejo o verbo caminhar despercebido pelas noites
em diversas fontes de luz
Vejo que amanhece a cada volta do relógio
A cidade é um lugar comum




Friday, November 10, 2017

Mais uma poesia de Giovanna Marmo

L’uomo fantasma      

Giovanna Marmo

Sono in motorino
con l’uomo fantasma
che vuole fare un annuncio
alla radio.
Cado,
rimango appesa
per i capelli.
Rido,
è divertente:
l’uomo fantasma mi tocca i piedi.
L’uomo fantasma se vuole
può prendersi una macchina
parcheggiata.
Lo sportello
semplicemente
si apre.

O homem fantasma

Estou numa moto
com o homem fantasma
que vai fazer um anúncio
no rádio.
Caio,
e continuo pendurada
pelo cabelo.
Rindo,
é divertido:
o homem fantasma toca meus pés.
o homem fantasma se quiser
pode ter um carro
estacionado.
A porta
simplesmente
se abre.


Ilustração: Pixabay. 

Thursday, November 09, 2017

Outra poesia de Ricardo Miguel Costa

Ricardo Miguel Costa                                                              
Mundo terrible la geometría.
Todo lo que resta es un círculo,
una línea volviendo a su orígen.
Una figura creada para sabernos
sobre un espacio seguro.

Todos contemplamos la redondez
de esa línea, pero festejamos el vacío,
no la línea.

Así nosotros: un punto sobre otro.

Imprudente ciencia, dicen, y alguien
olvida la luz; ama la sombra que borra.

Entonces la geometría estalla.


Mundo terrível a geometria.
Tudo o que resta é um círculo,
uma linha de voltando à sua origem.
Uma figura criada para sabermos
sobre um espaço seguro.

Todos contemplamos a redondez
dessa linha, porém, festejamos o vazioo,
não a linha.

Assim nós, outros: um ponto sobre o outro.

Imprudente ciência, dizem, e alguém
esquece a luz; ama a sombra que se apaga.

Então, a geometria estala.




Monday, November 06, 2017

E mais uma poesia de Eduardo Llanos Melussa


ACLARACIÓN PRELIMINAR

Eduardo Llanos Melussa

Si ser poeta significa poner cara de ensueño,
perpetrar recitales a vista y paciencia del público indefenso,
infligirle poemas al crepúsculo y a los ojos de una amiga
de quien deseamos no precisamente sus ojos;
si ser poeta significa allegarse a mecenas de conducta sexual dudosa,
tomar té con galletas junto a señoras relativamente deseables todavía
y pontificar ante ellas sobre el amor y la paz
sin sentir ni el amor ni la paz en la caverna del pecho;
si ser poeta significa arrogarse una misión superior,
mendigar elogios a críticos que en el fondo se aborrece,
coludirse con los jurados en cada concurso,
suplicar la inclusión en revistas y antologías del momento,
entonces, entonces, no quisiera ser poeta.

Pero si ser poeta significa sudar y defecar como todos los mortales,
contradecirse y remorderse, debatirse entre el cielo y la tierra,
escuchar no tanto a los demás poetas como a los transeúntes anónimos,
no tanto a los lingüistas cuanto a los analfabetos de precioso corazón;
si ser poeta obliga a enterarse de que un Juan violó a su madre y a su propio hijo
y que luego lloró terriblemente sobre el Evangelio de San Juan, su remoto tocayo,
entonces, bueno, podría ser poeta
y agregar algún suspiro a esta neblina.

ESCLARECIMENTO PRELIMINAR

Se ser poeta significa por um rosto sonhador,
perpetrar recitais à vista e paciência do público indefeso,
infringir poemas no crepúsculo e aos olhos de um amigo
de quem desejamos não precisamente os olhos dela;
se ser poeta significa tornar-se um mecenas de conduta sexual duvidosa,
bebendo chá com biscoitos ao lado de senhoras relativamente desejáveis, ​​todavia
e pontificar diante delas sobre o amor e a paz
sem sentir amor nem paz na caverna do peito;
se ser poeta significa assumir uma missão superior,
mendigar elogios aos críticos que, no fundo, se aborrecem,
fraudar com os jurados em cada concurso,
suplicar a inclusão em revistas e antologias do momento,
então, então, não gostaria de ser um poeta.

Porém, se ser poeta significa suar e defecar como todos os mortais,
contradizer-se e remoer-se, debater-se entre o céu e a terra,
escutar não tanto aos poetas quanto aos transeuntes anônimos,
não tanto aos linguistas quanto aos analfabetos de coração precioso;
Se ser um poeta faz você perceber que um João violou sua mãe e seu próprio filho
e depois chorou terrivelmente sobre o Evangelho de São João, seu homônimo remoto,
então, bem, poderia ser um poeta
e agregar um pouco de suspiro a esta neblina.

Ilustração: WordPress.com. 


Mais uma poesia de Margareth Atwood

NIGT POEM                

Margaret Atwood

There is nothing to be afraid of,
it is only the wind
changing to the east, it is only
your father the thunder
your mother the rain

In this country of water
with its beige moon damp as a mushroom,
its drowned stumps and long birds
that swim, where the moss grows
on all sides of the trees
and your shadow is not your shadow
but your reflection,

your true parents disappear
when the curtain covers your door.
We are the others,
the ones from under the lake
who stand silently beside your bed
with our heads of darkness.
We have come to cover you
with red wool,
with our tears and distant whispers.

You rock in the rain's arms,
the chilly ark of your sleep,
while we wait, your night
father and mother,
with our cold hands and dead flashlight,
knowing we are only
the wavering shadows thrown
by one candle, in this echo
you will hear twenty years later.


POEMA NOTURNO

Não há nada a temer,
é apenas o vento
mudando para o leste, é apenas
seu pai, o trovão
sua mãe, a chuva

Neste país de água
com a sua lua bege úmida como um cogumelo,
são tocos afogados e longos pássaros
que nadam, onde o musgo cresce
em todos os lados das árvores
e sua sombra não é sua sombra,
mas, a sua reflexão,

seus verdadeiros pais desaparecem
quando a cortina cobriu sua porta.
Nós somos os outros,
os que estão debaixo do lago
que ficam silenciosamente ao lado da sua cama
com nossas cabeças de escuridão.
Nós viemos te cobrir
com lã vermelha,
com nossas lágrimas e sussurros distantes.

Você balança os braços da chuva,
a arca do seu sono,
enquanto esperamos, sua noite
pai e mãe,
com nossas mãos frias e lanterna morta,
sabendo que somos apenas
as sombras vacilantes jogadas
por uma vela, neste eco
que você ouvirá vinte anos depois.

Ilustração: Peregrino Noturno - blogger




Uma poesia de Pedro López Adorno

AMOROSO AJEDREZ                      
Pedro López Adorno

Aunque muchos piensen que las piezas
no existen, este caprichoso ajedrez
vuelve a sus lechos.

Vuelven las aperturas. Su imán
peligroso. EI magín en que uno
es el peón iluso. Evade
cuanta trampa aparezca. Vence
contrincantes de peso en esa cima
en que todo se pierde.

AlIí la esencia de la combinación
inolvidable. La inusitada escaramuza.
Los cuadros de una noche que no tenga
fin. Esquivar damas de humo
en tránsito al combate.

Como si fuese uno
entregándose a la contienda
al final del camino. Complicidad
de las capturas. Arrebato
cuerpo a cuerpo.

Todo feroz porque siempre es más
sutil el desengaño.

XADREZ AMOROSO

Embora muitos pensem que as peças
não existem, este caprichoso xadrez
volta a seus leitos.

Voltam as aberturas. Seu ímã
perigoso. A magia em que um
é o peão iludido. Evade
quanta armadilha apareça. Vence
oponentes de peso nesse luta
em que tudo se perde.

Ali a essência da combinação
inesquecível. A escaramuça incomum.
Os quadros de uma noite que não tem
fim. Esquivar de damas fumantes
em trânsito no combate.

Como se fosse um
entregando-se a uma contenda
no final do caminho. Cumplicidade
das capturas. Arrebato
corpo a corpo.

Tudo feroz porque é sempre mais
sutil o desengano.

Ilustração: Dreamstime. 

Friday, November 03, 2017

DESPEDAÇADOS

O que era mistério, doçura, desejo       
se revelou, com um beijo,
constante tentação,
porém, o tempo,
cruel carrasco da beleza,
a liberdade do prazer
prendeu na jaula do cotidiano
e a glória dos grandes momentos
se tornou apenas a repetição sistemática
da mesma peça, igual, estática.
E agora o que foi delícia
é só monotonia.
E o que era sublime,
banal;
E o que era sonho,
só desilusão.
E o todo do que fomos
são só partes
de um quebra-cabeças
sem possibilidades
de ser resolvido.

(De "Águas Passadas", Editora Per Se, 2013).