Tuesday, February 16, 2016

Uma poesia de Amarna Miller

Sé perfectamente cómo llegué a este punto               

Amarna Miller

Precavida.

Siempre atenta a que las esquinas no me saquen los ojos.
Siempre pendiente de que mis entrañas no echen a volar.
Con miedo a que mis amigos se olviden del color de mi rostro.
Y a que mi novio me parta la cara con libros de poesía,
con lenguas de cristal,
con pañuelos de calma, no te alteres,
con cuidado que si gritas, la vas a liar.
De carnes rotas, de huesos rotos, de sangre amarga.
De cuerpo que pesa y se funde con el suelo, con el mundo.
Cuerpo que echa raíces en la tierra porque ya no hay nada más.
Mi vida, reducida a una semilla.
Cuidadosa.
Siempre precavida.
Siempre previsora.
Y nunca lo suficiente.

***

Sei, perfeitamente, como cheguei a este ponto

Precavida.

Sempre atenta a que nas esquinas não me arranquem os olhos.
Sempre pendente de que minhas entranhas
Com medo de que meus amigos se esqueçam da cor de meu rosto.
E que meu noivo não me quebre a cara com livros de poesia,
Com línguas de cristal,
Com lenços de calma, não te alteres. 
Com cuidado porque se gritas, irás se enrolar.
De carnes roídas, de ossos roídos, de sangue amargo.
De corpo que pesa e se funde com o solo, com o mundo.
Corpo que lança raízes na terra porque não há mais nada.
Minha vida reduzida a uma semente.
Cuidadosa.
Sempre precavida.
Sempre previsora.

E nunca o suficiente. 

Monday, February 15, 2016

Uma poesia de Miriam Cairo

                                                                                           
 
O SE PIENSA O SE DISUELVE

Miriam Cairo

Ella dice que esta noche el amor se hace de a puñados. Con carbón. Con estopa. Con trigo y maíz. Con rezos. Dice que se hace a borbotones. En una tina de loza de cara a las tormentas. Con agua de pozo. Con molino. Con luciérnagas.

Ella asegura que esta noche el amor se hace de bruces. Con dolor y con furia. Dice que se hace desde el odio. Desde cada una de las penas. Desde el origen de las cosas. Desde el escepticismo.

Ella jura que esta noche el amor se hace a cuatro manos. A mansalva. A sorbos de tequila y cigarros. Sin canción. Sin espanto. Sin sábanas. Dice que se hace sobre un madero.

Jura que se hace a favor de los ahorcados.

Ou se pensa ou se dissolve

Ela diz que esta noite o amor se faz aos punhados. Carvão. Com estopa. Com trigo e milho. Com orações. Diz que se faz aos borbotões. Em uma tina de louça de cara para as tempestades. Com água de poço. Com moinho. Com vaga-lumes.

Ela assegura que esta noite o amor se faz de bruços. Com dor e com fúria. Diz que é feito a partir do ódio. A partir de cada uma das suas penas. A partir da origem das coisas. A partir do ceticismo.

Ela jura que esta noite o amor se faz a quatro mãos. Uma estreita faixa. A goles de tequila e cigarros. Sem canção. Sem espanto. Sem folhas. Diz que se faz sobre uma madeira.

Jura que se faz a favor dos enforcados.

 

Ilustração: flickr.com

Friday, February 12, 2016

Uma poesia de Harryette Mullen

go on sister sing your song                                                          
Harryette Mullen

go on sister sing your song
lady redbone señora rubia
took all day long
shampooing her nubia

she gets to the getting place
without or with him
must I holler when
you’re giving me rhythm

members don’t get weary
add some practice to your theory
she wants to know is it a men thing
or a him thing

wishing him luck
she gave him lemons to suck
told him please dear
improve your embouchure

Vá maninha cante sua canção

Vá lá maninha cante sua canção
dama de casaco vermelho senhora ruiva
passe todo o dia como uma chuva
ensaboando o seu Paquistão

ela atinge o melhor lugar
com ou sem ele, o cimo,
devo me esgoelar
com você me dando ritmo

os membros não se cansam da confraria
ponha prática na sua teoria
ela indaga se é, de homens, uma coisa
ou é apenas dele, uma coisa

desejando a ele sorte pura
dá-lhe os limões para chupar
e diz, por favor, querida, ao falar
e pede: melhore sua embocadura

Ilustração: www.seucorpoperfeito.com.br





Thursday, February 11, 2016

Uma poesia de Cesare Pavese

In the morning you always come back                          

Cesare Pavese

Lo spiraglio dell'alba
respira con la tua bocca
in fondo alle vie vuote.
Luce grigia i tuoi occhi,
dolci gocce dell'alba
sulle colline scure.
Il tuo passo e il tuo fiato
come il vento dell'alba
sommergono le case.
La città abbrividisce,
odorano le pietre
sei la vita, il risveglio.
Stella sperduta
nella luce dell'alba,
cigolio della brezza,
tepore, respiro
è finita la notte.
Sei la luce e il mattino.

De manhã você sempre volta

O espírito do amanhecer
respira com a tua boca
bem lá no fundo das ruas vazias.
A luz cinza claro de teus olhos,
são gotas doces de aurora
sobre as colinas escuras.
O teu passo e o teu hálito
como o vento do amanhecer
submergem as casas.
A cidade palpita,
perfumam-se as pedras
és a vida, o despertar.
Estrela perdida
à luz do amanhecer,
farfalhar da brisa,
tímido tremor, suspiro
finda-se a noite.
És a luz e a manhã.


Ilustração: www.revistavidabrasil.com.br

Poemas malcomportados



DE COMO PERDI MEU VERDADEIRO AMOR

Depois de uma bebedeira infernal
acordei de cabeça pesada.
numa cama larga do Sira Grande Hotel, em Krabi.
Como havia ido parar ali,
em algum momento revivi
que, caído de amor, a loucura me pegou
e, sem figura de semântica,
me enfiei numa viagem romântica.
Num esforço de memória
tive um vislumbre de toda a história:
havia prometido me casar
com alguém que, por toda a vida, iria amar
e que, agora, não conseguia lembrar, nem achar.
Ainda me dei conta que isto só acontece em filmes
e, para não queimar o meu,
mandei encerrar a conta
e tratei de me mandar-
antes que tivesse de me explicar.
De forma que meu verdadeiro amor
se perdeu na Tailândia
quando, como um gato,
fugi no ato,  
saltando de banda.


Ilustração: f3.mb-content.com 

Wednesday, February 10, 2016

A MARCHA DOS SEM ESPERANÇA

O bloco dos Sem Esperança       
dança no carnaval da sorte
E seu samba enredo tem uma
rima de medo
Uma ponta de ironia
rasgando a falta de futuro.
Seu mestre-sala cala
o mundo incontido de tristeza
Que a porta-bandeira faz sambar
porque outro jeito não há.
O tamborim não toca,
O afoxe não chia,
O puxador não puxa
E os pés de Maria não deslizam.
Só as fantasias vermelhas de sangue
tem um brilho são
Que se esparrama pela avenida
na manhã
Num alvorecer tardio, inesperado
Que resulta numa convulsão
de som, de luz, de cor, de vida
Ressuscitando os mortos de cansado
Que, embalados, pela música
que se espalha
Se apegam na fé como uma migalha
Que resgata o sonho,
Mas, a esperança sempre corre em vão,
E quando surge da euforia a sensação
de felicidade
Vem a quarta-feira
Pra acabar com a brincadeira! 

Ilustração: static.hsw.com.br 

Monday, February 08, 2016

SEM CARNAVAL

São dez horas da manhã.
Há uma segunda de carnaval lá fora
Que me pede alegria
Como se fosse obrigatório ter ilusão,
E fingir satisfação.

Mas, na verdade, não estou nem aí para a folia.

Passei batido.
Se, ao menos, estivesse em Nazaré da Mata,
No Maracatu Àz de Paus ou em Porto das Dunas,
Vá lá em Olinda,
Ainda me teria inxerido,
Talvez, de pirata, de sujo ou papangu vestido.

Como na canção não sei o que aconteceu,
Sem nem uma flor cair do jarro,
Porém, fiquei aqui,
Largado no barro,
Sob este céu azul, num dia de sol claro,
envolvido pelo silêncio da Rua Paraguai
sem um grito, um canto, um aí.
Nada me atrai
Como só poderia fazer a voz e o corpo enluarado
De Karina Buhr,
Uma deusa selvagem do carnaval de Recife.

Como se fosse uma nau bati,
Não sei se numa pedra ou pedaço de pau.
Sobrevivi. Mas, flutuando, pareço estar,
Como algo prestes a afundar
Num tempo e num espaço que não é meu.

E o carnaval se perdeu....


Ilustração: f.i.uol.com.br

NATA DE VIDA

Um cheiro bem claro de mulher.       
Um cheiro de corpo de mulher.
Um gosto, um cheiro, um gasto de mulher.
Um suor-perfume de mulher
E a pressa, sempre a pressa.
O mundo ali pequeno, ligeiro.
A língua.... o dorso nu....
As pernas, infindáveis pernas.
As mãos macias, o corpo doce.
O cheiro de mulher a se entranhar em mim,
Por mim, além de mim.
Sem fim, sem fim.
Rápido.
Um mundo gigantesco e diminuto,
em movimento, em movimento, parado.
E não consigo fixar o tempo, no tempo, o instante....
O que foi?
Quando foi?
Por que foi?
Nós dois, braços, pernas, cheiro, corpo, homem, mulher, sonho, ternura, canção, gosto, sacanagem, riso, lágrima e vapor.....
Cato a realidade numa fotografia.
No bar onde nos embriagamos,
Debaixo da jangada onde nos amamos,
sabendo que sonhei.
No entanto, o mar bate na praia,
As estrelas cintilam,
Meu coração bate acelerado,
Como no passado,
E não é mais a mesma coisa.
Confesso que não teria coragem de dizer que te amo,
quando te amo mais.
Há agora, entre nós, vários anos, mulheres, dois filhos,
um casamento oficial e diversos civis.
O gosto de tua carne que não é mais a mesma,
O gosto de teu corpo que o mesmo não é.
A minha maldade de homem,
A tua de mulher.
A conscientização,
Que, talvez, apenas sirva de impasse para a vida,
E tantos valores que aprendemos para viver pior.
Os sonhos...tantos sonhos desfeitos...
A violência que me pede um poema assim,
onde possa registrar que fui radical no amor,
Para que possam entender
o sufixo que sou
da palavra desnatada
em que transformaram a vida.

(De Apocalypse, Editora Per Se, 2013, 2ª Edição)


Ilustração: www.vivaconsalud.es

Sunday, February 07, 2016

SEI QUE NÃO BASTA CANTAR (Há um ex em todos nós )



Todo dia faço tudo sempre igual
Como se nada tivesse mudado
Como se estivesses do meu lado.
Fingindo que não houve nada
Tento me manter ocupada
O bastante para não ter de pensar
Sobre tua ausência, o meu mal,  
E jamais, nunca mesmo, vou dizer
Que até fiquei cansada de chorar
Por não saber onde te procurar.
Ultimamente me pego cantando
Boleros, mambos, tangos, guarânias
Com falsetes operísticos de agonias
Como uma Callas de quinta categoria
Enquanto limpo a casa, a calçada,
Para o pensamento não criar asas,
Bebo taças de conhaque ou vinho
Me embriago com a sensação
De que o dia de tua volta adivinho
Quando nem sei se não morrestes
Ou, sem memória, já me esqueceu.
Sei que é um comportamento imoral
Todo dia fazer tudo sempre igual.


Ilustração: cheiodeluz.blogspot.com

Saturday, February 06, 2016

AUTO CARNAVALESCO DA FÉ CONTRA A RAZÃO

Este carnaval frio, sem alma,                                 mornamente surpreendente
na sua monótona calma
de falta de lugares para fazer xixi;
de fantasias pobres e sem imaginação,
é inodoro e sem graça, como a canção
que a banda entoa,
com a paixão e o entusiasmo de macacos
que tocam tambor,
como se, a qualidade, fosse boa
e jamais souberam o que é o amor.
Este carnaval,
que brinco como quem vai a um funeral, 
tão diferente e sem sal
me desorienta
como quem abre uma lata de doce de abacaxi
e encontra salsichas;
como um vídeo-tape de um jogo
em que meu time perdeu
e, mesmo assim,
me pego torcendo para que o resultado mude,
quando sei o quanto tem de tolo,
quanto inútil,
como a vida, aliás.

Ilustração: revistaregional.com.br

 . 

Uma poesia de Maria Clara González

TROVADOR                                                                                         
María Clara González

Tu guitarra y tu canto
aceptan su destino

Tu sangre
galopa por el tiempo
en busca de mi vientre

Tu palabra
se aleja
  
TROVADOR

Tua guitarra e teu canto
aceitam seu destino

Teu sangue
galopa pelo tempo
em busca do meu ventre

Tua palavra
se alheia


Ilustração: jameschatto.com

Friday, February 05, 2016

Outro poema de Ho Xuan Huong

 
Confession III                                                                              
Ho Xuan Huong

Her lonely boat fated to float aimlessly
midstream, weary with sadness, drifting.

Her hold overflowing with duty and feeling,
bow rocked by storms, adrift and wandering.

She rows on, not caring who tries to dock,
sails on, not caring who tries the rapids.

Whoever comes on board is pleased
as she plucks her guitar, sad and drifting

Confissão III

Seu barco solitário foi destinado a flutuar sem rumo
pelo meio da correnteza, cansado, tristemente, à deriva.

Seu domínio superava, com o dever e sentimento,
o arco abalado por tempestades à deriva e vagando.

Ela  seguia adiante, não se importando em experimentar  docas,
velas adiante,  sem temor de tenta enfrentar as corredeiras.

Quem quer que fosse a bordo teria o prazer
de ver como como tocava seu violão, triste e à deriva.


Ilustração: www.nuriadevilanova.com

Thursday, February 04, 2016

Mais uma poesia de Karen Valladares


Poema para un beso que debo olvidar                              


Karen Valladares

                                                         "'En el dolor hay flores que caminan con pianos y con tigres"
                                                                          Ramoón M. Ocaranza

Y cómo se olvida la redondez de tu boca
ese sabor áspero que me impregnó hasta en lo más último de mis entrañas.
Pero fue algo que ya pasó.
Y pasó en la oscuridad fría de un vehículo
pero eso no importa.
Tampoco importa recordar tu mano sobre mi mano
y mi temblor por tanto nervio,
seguro ni lo notaste.
Eso tampoco te importa.
Cómo olvido tu boca besando mi boca
con toda la locura del mundo.
Cómo olvido esa noche fugaz
o relámpago?
y recuerdo también tus ojos,
tan profundos
tan sencillos
quizá decir que eran como una rara sonata mayor para piano y violín de esas de las más románticas.
Esa noche despedacé la palabra, la noche misma.
Y sé qué tampoco te importa.

Poema para um beijo que devo esquecer
                                   "Na dor há flores que caminham com pianos e com tigres"
                                                                      Ramoón M. Ocaranza

E como se esquece a redondez da tua boca
Esse sabor áspero que me impregnou até o mais fundo das minhas entranhas.
Porém, foi algo que já passou.
E passou na obscuridade fria de um veículo.,
porém, isto não importa.  
Tampouco importa recordar tua mão na minha mão,
e meu temor de tão nervosa,
que, com certeza, notaste.
Isto tampouco te importa.
Como esquecer tua boca beijando minha boca
com toda a loucura deste mundo.
Como esquecer esta boca fugaz
ou o relâmpago?
E recordo também teus olhos
tão profundos
tão sensíveis
talvez dizer que eram como uma sonata maior para piano e violino dessas das mais
românticas.
Essa noite despedacei a palavra, a noite mesma.
E sei que tampouco te importa.

Ilustração: www.pgnet.com.br

Uma poesia de Torcuato Luca de Tena

                                             


Viento de ayer

Torcuato Luca de Tena

¿Es tu hija, verdad? La he conocido
por la estrella fugaz que hay en sus ojos,
la cabeza inclinada y la manera,
tan tuya, de mirar llena de asombro.

¿Es tu hija, verdad? lo han presentido
-¡desde tan hondo!-
unos vientos callados que dormían
bajo las aguas quietas, en el pozo
de los tiempos perdidos, donde guardo
las hojas que cayeron
de los sauces remotos.

Tiene luz en la frente
-tu misma luz-. Y el gesto melancólico.
Tiene el cuello tan frágil como tú lo tenías
y en el pelo los mismos
pájaros locos.
Tiene un viento de ayer entre los dedos,
y en el rostro...
tu firma escrita
con otra sangre
que no conozco.

Vento do passado

És tu filha, verdade? A tenho conhecido
pela estrela fugaz que há em seus olhos,
a cabeça inclinada e a maneira
tua, de olhar repleta de assombro.

És tu, filha, verdade? O tenho pressentido-
desde tão profundo!-
uns ventos perdidos que dormiam
sob as águas quietas, no poço
dos tempos perdidos, onde guardo
as folhas que caíram
dos salgueiros distantes.

Tem a luz em frente-
tua mesma luz-. E o gesto melancólico.
Tens o pescoço frágil como tu terías
e, nos cabelos, os mesmos
pássaros loucos.
Tem um vento de ontem entre os dedos,
e, no rosto,
uma marca escrita
com outro sangue
que não conheço.


Ilustração: blogs.jovempan.uol.com.br 

Wednesday, February 03, 2016

SOBRE UM ADEUS


Nos teus olhos azuis havia lendas,
Antigos contos de fados e de fadas,
Magia, luzes, danças, contendas,
Cristais de copos mal quebrados
Que insinuavam as paixões mais plenas.
Na noite, então se cheia estava a lua
Um seresteiro vagava pela rua
Encantando os corações apaixonados
Que suspiravam pelo seu amor
Quando o violão soava encantador
Por sob as copas frondosas das mangueiras.
Ainda quis dizer, sem muito alarde,
Espera mais um pouco...vai mais tarde,
Mas, era tarde mesmo e a vida te levou!


(Do livro "Águas Passadas", Editora Per Se) 

Tuesday, February 02, 2016

Outra poesia de María Cristina Ramos

Solar del amor escondido             
María Cristina Ramos

Escribo en papel de luz
una canción seminublada,
una canción para encontrar
la luna nueva en su mirada.
Escribo en papel de azar
una canción que no lo nombra;
y toma sed mi corazón
en los charquitos de su sombra.
Colgarse un sol entre los dedos,
abrir un bosque en cada esquina,
sembrar un faro en la razón
que cada miedo se imagina.
Por no saber cómo decir
la te del tú de estar contigo,
escribo en papel de sol
este solar para mi amigo.

Solar do amor escondido

Escrevo em papel de luz
uma canção seminublada
uma canção para encontrar
a lua nova no seu olhar.
Escrevo em papel ao acaso
uma  canção que não nomeio;
e sente sede o meu coração
nas poçinhas de sua sombra.
Pendura-se um sol entre os dedos,
Abre-se uma floresta em cada esquina,
semeia um farol na razão
que cada medo se imagina.
Por não saber como dizer
o prazer de estar contigo,
escrevo em papel de sol
este enredo para meu amigo.


Ilustração: noctulachannel.com