Sunday, August 02, 2026

Uma poesia com ajuda da IA

 


UM MENINO DO CEARÁ

Silvio Persivo

Eu era um menino que cabia numa rua. A Rocha Lima, em Fortaleza-o mundo começava depois da esquina e ia até o céu se alongando no mar.

Li Nietzsche antes de saber amarrar os sapatos. Machado me ensinou que as palavras têm espinhos. Os russos me mostraram que a neve também dói. E Balzac

O rádio da naquele tempo era um oráculo de voz. Dentro dele moravam vozes que falavam mais alto que o silêncio do sertão.

O cinema era no domingo. A música de todos os dias. E eu -eu era um menino que colecionava ausências como quem coleciona figurinhas.

Hoje, cinquenta anos depois, pergunto: o que sobrou daquele menino? Respondo: sobrou o Ceará. O resto foi travessia.

 

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