Sunday, August 02, 2026

Uma poesia de Kira Tucker

 


PRECIOUS

Kira Tucker

Copper keeps life from my womb; aluminum 

fills my pores, silver my teeth. My blood won’t hold iron,

so I take it daily. Food brings a sickness I can’t measure

under my tongue, only on my waning waist. Some metal

 

belongs in the body. The day a grate raised my skirt

on the street, I noticed only one rush of air between ore

andwhore. The boy who learns to caress his face with a blade

will grow into a man I’ll pay to slice my skin with steel. Beauty

 

is no alchemy: it merely means making space for more things

that shine. Like the ancient statues men scrapped for daggers.

Like powder packed into bullets, their touch so intimate

it kills. Like any body in this millennium, I’ll survive

 

in silicon chips after death. Until then, lead me

somewhere precious. Guide me with ungloved hands.

PRECIOSO

O cobre guarda a vida do meu ventre; o alumínio

enche meus poros, a prata meus dentes. Meu sangue não segura o ferro,

então o tomo diariamente. A comida traz uma doença que não consigo medir

sob minha língua, somente em minha cintura cada vez menor. Algum metal

 

pertence ao corpo. No dia em que uma grade levantou minha saia

na rua, notei apenas uma lufada de ar entre o minério

e a prostituta. O menino que aprende a acariciar o rosto com uma lâmina

irá crescer será um homem a quem eu pagarei para cortar minha pele com aço. A beleza

 

não é alquimia: meramente significa abrir espaço para mais coisas

que brilham. Como as estátuas antigas que os homens desmontaram para fazer adagas.

 

Como a pólvora compactada em balas, seu toque tão íntimo

que mata. Como qualquer corpo neste milênio, eu sobreviverei

 

em chips de silício após a morte. Até lá, guia-me

a algum lugar precioso. Guia-me com mãos sem luvas.

Ilustração: Bonito Way.

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