Sunday, March 08, 2026

PARABÉNS


Silvio Persivo

Levanta esta bebida, comemora, 

brindemos, pois, a este dia tão feliz, 

este dia do teu aniversário. 

Que as taças que tilintam sejam a música 

que inundem de alegria a caminhada

 onde os tempos maravilhosos se renovem 

como amanheceres brilhantes e formosos. 

Que a chuva, ou a névoa, se algum tempo, 

na tua vida te surpreender 

que seja, se possível, por momentos 

que jamais tirem a beleza do viver. 

Que a luz dos olhos teus iluminados 

afastem a escuridão dos dissabores 

e tua forma de ser, tua bondade

 faça do cotidiano um exercício 

de bem viver, de amar, de ser contente 

para tornar a felicidade, em ti, um vício, 

contra a lógica, quem sabe, eternamente!

Outra poesia de Hugo Padeletti

 

Hugo Padeletti

Me he sentado a la puerta y he mirado pasar

los años como ramas hacia el humo.

Los pesados membrillos fueron humo

también. Y las granadas,

 

alveolada codicia de incendiados

veranos,

se abrieron sin salvarse:

 

amarilla, astringente, con amargo

sabor medicinal,

la cáscara en el clavo.

 

Me sentei junto à porta e olhei passarem

os anos como galhos até à fumaça.

Os pesados marmelos eram fumaça também.

E as romãs,

 

a ganância repleta de favos de mel dos escaldantes

verões,

se abriram sem salvar-se:

 

amarelas, adstringentes, com um amargo

sabor medicinal,

a casca do cravo.

Ilustração: Pharma Scalabis. 


Saturday, March 07, 2026

Seguindo em frente

 

Silvio Persivo 

Muitas vezes

só temos o cansaço, 

que nos faz dormir. 

E não há como rir 

antes de fechar os olhos esperando

que, por magia, tudo desapareça. 

Porém, quando abrimos os olhos de manhã

tudo permanece da mesma maneira. 

A vida não é brincadeira. 

O sol brilhando, no entanto, nos diz:

-Dê seu jeito. Cresça!

Seja feliz. 

Tua esperança e vã. 

E seguimos em frente em busca 

de construir um novo amanhã. 

Ilustração: Veectzy. 

Mais uma vez Martin Prieto

 

EN LA CASA, ESCRIBE 

Martin Prieto

Que descanse de mí, que yo

descanse de mí, materia disuelta

en el aire del prójimo.

 

Para no defraudar, quemé todos los papeles.

El inodoro se quebró, la base se quebró

y hubo que andar cagando por ahí

dos meses hasta que pegamos un trabajo

y baño nuevo.

¿Deberíamos extrañarnos de eso,

llamarlo “nuestra educación”?

Dulce, lovely cae la tarde,

con olor a mandarinas,

pero amargo es estarse aquí,

nadie me corta las uñas de los pies.

EM CASA, ESCREVE

Que descanse de mim, que eu

descanse de mim, matéria dissolvida

no ar do próximo.

 

Para não te fraudar, queimei todos os papéis.

O vaso sanitário quebrou, a base quebrou,

e tivemos que andar cagando por aí,

por dois meses, até conseguirmos um emprego

e um banheiro novo.

Deveríamos nos surpreender com isso,

chamar isso de “nossa educação”?

Doce, lovely, a tarde cai,

com o aroma de tangerinas,

porém é amargo estar aqui,

ninguém me corta as unhas dos pés.

Ilustração: Instagram. 



Friday, March 06, 2026

Uma poesia de Hugo Padeletti

 

                                  Hugo Padeletti

Pocas cosas
y sentido común
y la jarra de loza, grácil,
con el ramo
resplandeciente.

La difícil extracción del sentido
es simple:

el acto claro
en el momento claro
y pocas cosas –
verde
sobre blanco.

 

Poucas coisas

e bom senso

e a jarra de barro, graciosa,

com o buquê.

Resplandecente

 

A difícil extração do sentido

é simples:

 

o ato claro

no momento claro

e poucas coisas-

verde

sobre o branco.

Ilustração: Shopee.



Thursday, March 05, 2026

Outra poesia de Abdellafit Laâbi

 

 

JE SUIS L’ENFANT DE CE SIÈCLE

Abdellatif Laâbi 

Je suis l’enfant de ce siècle pitoyable

l’enfant qui n’a grandi

Les questions qui me brûlaient

                                                [la langue

ont brûlé mes ailes

J’avais appris à marcher

puis j’ai désappris

Je me suis lassé des oasis

et des chamelles avides de ruines

 Étendu au milieu du chemin

la tête tournée vers l’orient

j’attends la caravane des fous

SOU FILHO DESTE SÉCULO

Sou o filho deste século lamentável

a filho que nunca cresceu

As perguntas que me incendiavam

                                                     [a língua

queimaram minhas asas

Eu aprendi a caminhar

Mas, logo desaprendi

Me enfastiei dos oásis

e dos camelos ávidos por ruínas

Estendido no meio do caminho

minha cabeça se volta para o oriente

eu espero a caravana de tolos

Ilustração: Saúde. 



O Amor (II) por George Herbert

 


LOVE (II)

By George Herbert

Immortal Heat, O let Thy greater flame

Attract the lesser to it; let those fires

Which shall consume the world first make it tame,

And kindle in our hearts such true desires.

As may consume our lusts, and make Thee way:

Then shall our hearts pant Thee, then shall our brain

All her invention on Thine altar lay,

And there in hymns send back Thy fire again.

Our eyes shall see Thee, which before saw dust,

Dust blown by wit, till that they both were blind:

Thou shalt recover all Thy goods in kind,

Who wert disseized by usurping lust:

All knees shall bow to Thee; all wits shall rise,

And praise Him Who did make and mend our eyes.

AMOR (II)

Imortal calor, ó, deixa que tua maior chama

Atraia a menor para si; deixa ​​que esses fogos

Que irão consumir o mundo primeiro o doma,

E acendam em nossos corações tão verdadeiros desejos.

Que consumam nossas paixões e abram caminho para Ti:

Então nossos corações ansiarão por Ti, então nosso cérebro

Toda a sua invenção repousará em Teu altar,

E ali, em hinos, enviará Teu fogo de volta.

Nossos olhos Te verão, que antes viam pó,

Pó soprado pela inteligência, até que ambos ficaram cegos:

Tu recuperarás todos os Teus bens em espécie,

Aqueles que foram despojados pela luxúria usurpadora:

Todos os joelhos se dobrarão a Ti; toda a inteligência se erguerá,

E louvarás Aquele que criou e curou nossos olhos.

Ilustração: MIR.


Wednesday, March 04, 2026

Outros versos de Ramon Dachs

 

Ramon Dachs

Afortunado el día, el mes, el año,
dichoso el sitio justo, el punto exacto
en que nos vislumbramos por ventura
entrelazando frescas las miradas.

Afortunado o dia, o mês, o ano,

ditoso o lugar certo, o ponto exato

em que nos vislumbramos por ventura

entrelaçando frescos os nossos olhares

Ilustração: Cumplice Do Tempo-SAPO.


Tuesday, March 03, 2026

De volta a poesia de Fernando Espejo Mendéz

 


EL AZÚCAR 

Fernando Espejo Mendéz

Hacia tu corazón y a mis colmenas
ansiosas de tu miel, voy y regreso
y me revuelvo y zumbo por tus venas
para libar tus flores en un beso.

Apenas si tú puedes con el peso
del racimo de néctares, apenas…
y entre tus labios voy viviendo, preso
de la miel que atesoras y almacenas…

Porque en tu cuerpo nace la dulzura
y a donde va lo dulce, vas y dejas
un sabor de alfeñique y confitura…

Oh, dulcísima dueña de mis quejas,
se va a morir de azúcar tu cintura
como la flor que sueñan las abejas.

AÇÚCAR

Até teu coração e às minhas colmeias

ansioso pelo teu mel, eu venho e regresso

e giro e zumbido pelas tuas veias

para sorver as tuas flores num beijo.

Mal tu consegues suportar o peso

do cacho de néctares, mal apenas

e entre teus lábios vou vivendo preso

ao mel que tu guardas e armazenas…

Porque de teu corpo nasce a doçura

e onde tu vais o doce, tu vais e deixas

um sabor de marzipã e confeitaria…

Ó, dulcíssima senhora das minhas queixas,

se vai morrer de açúcar tua cintura

como a flor com que sonham as abelhas.

Ilustração: Art By Mandi. 




O Põr do Sol de Blaise Cendrars

 


COUCHERS DE SOLEIL
Blaise Cendrars

Tout le monde parle des couchers de soleil
Tous les voyageurs sont d'accord pour parler des couchers de soleil dans ces parages
Il y a plein de bouquions où l'on ne décrit que les couchers de soleil
Les couchers de soleil des tropiques
Oui c'est vrai c'est splendide
Mais je préfère de beaucoup les levers de soleil
L'aube
Je n'en rate pas une
Je suis toujours sur le pont
A poils
Et je suis toujours seul à les admirer
Mais je ne vais pas les décrire les aubes
Je vais les garder pour moi seul

O PÔR DO SOL

Todo mundo fala sobre o pôr do sol

Todos os viajantes estão de acordo sobre os pores do sol nestas águas

Está cheio de livros que só descrevem o pôr do sol

nos trópicos

Sim, isto é verdade, são esplêndidos

Porém eu prefiro muito mais o nascer do sol

O amanhecer

Eu nunca perco um

Estou sempre no convés

Nu

E estou sempre sozinho admirando-os

Porém não vou descrever os amanheceres

Vou guardá-los para mim

Ilustração: Freepik.


Monday, March 02, 2026

Uma poesia de Giuseppe Rosatto

 


                                                     Giuseppe Rosatto

Da te a me sempre un inverno

sepolto nella neve, si rassegnano

la tua storia e la mia sotto la coltre

ed un barlume di quel bianco vive

di stagione in stagione.

Fino all'ultimo inverno, se lo vedano

estremamente i miei occhi salire

verso la grande nuvola del mare.

 

De ti para mim, sempre um inverno

enterrado na neve, se resignam

tua história e a minha sob o cobertor

e um vislumbre do qual o branco vive

de estação em estação.

Até o último inverno, que eles o vejam

extremamente os meus olhos se elevando

em direção à grande nuvem do mar.

Ilustração: Olhar Oceanográfico.


El Bisonte de Jorge Luís Borges

 

EL BISONTE

Jorge Luis Borges

Montañoso, abrumado, indescifrable,
rojo como la brasa que se apaga,
anda fornido y lento por la vaga
soledad de su páramo incansable.

El armado testuz levanta. En este
antiguo toro de durmiente ira,
veo a los hombres rojos del Oeste
y a los perdidos hombres de Altamira.

Luego pienso que ignora el tiempo humano,
cuyo espejo espectral es la memoria.
El tiempo no lo toca ni la historia

de su decurso, tan variable y vano.
Intemporal, innumerable, cero,
es el postrer bisonte y el primero.

O BISÃO

Montanhoso, oprimido, indecifrável,

vermelho como a brasa que se apaga,

anda fornido e lento pela vaga

solitário em seu deserto incansável.

 

Sua testa blindada levanta. Neste

antigo touro de dormente ira,

vejo aos homens vermelhos do Oeste

e aos homens perdidos de Altamira.


Logo penso que ignora o tempo humano,

cujo espelho espectral é a memória.

O tempo não o toca, nem a história

 

tão variável e vã de seu transcurso

Atemporal, inumerável, zero,

ele é o último bisão e o primeiro. 

Ilustração: Portal 6.


Meu Caos

 


MEU CAOS

Silvio Persivo

Que faz tempo

que não sei o que não há em mim,

sei que é assim.

O que não me traz felicidade

nem melhora a temperatura da cidade,

a sensação térmica de calor

ou a necessidade de amor.

Muitas vezes, penso-

com um medo imenso-

que se trata de loucura

até porque se for talento

ninguém reconhece

e, no meu pensamento,

nem o socorro da prece

pode tornar a noite menos escura.

É, meu mundo é uma confusão-

eis minha confissão-

e nele não há nada igual,

de modo, que para entendimento,

o chamo, carinhosamente,

de meu caos.

Ilustração: Jornalismo de Boteco.


Sunday, March 01, 2026

Outra poesia de Fernando Espejo Mendéz

 


LA LLUVIA 

Fernando Espejo Mendéz

Por el postigo, hacia el jardín de enfrente
te estoy mirando, hermano limonero.
Unos cuantos limones en tu frente
beben el agua azul del aguacero.

Desploma el cielo gris su monedero
sobre el tinglado, dispendiosamente
y escandaliza un árbol pajarero
que se ha vuelto una jaula de repente.

Y mientras salgo de mis vestiduras
y me visto de lluvia, con un traje
que me desviste el alma y las honduras,

giro y bailo de amor, vuelto ramaje
y a pie y desnudo, ya sin ataduras,
me voy, me doy, me soy… puro paisaje.

A CHUVA

Pela persiana até ao jardim em frente,

estou te olhando, irmão limoeiro.

Alguns limões em tua frente

bebem a água azul do aguaceiro.

Derrama o céu cinzento sua mochila

sobre o galpão dispendiosamente,

e uma árvore de pássaro escandaliza

que se faz uma jaula de repente.

E enquanto me despojo das minhas roupas

e me visto de chuva, com um traje

que desnuda minha alma e profundezas,

giro e danço com amor, feito em ramagem,

e a pé e nu, agora livre de todos os laços,

vou, me entrego, sou… pura paisagem.

Ilustração: Dreamstime.

De Emily Dickinson o 328

 


A BIRD CAME DOWN THE WALK (328)

Emily Dickinson

A Bird came down the Walk-
He did not know I saw-
He bit an Angleworm in halves
And ate the fellow, raw,

And then he drank a Dew
From a convenient Grass-
And then hopped sidewise to the Wall
To let a Beetle pass-

He glanced with rapid eyes
That hurried all Around-
They looked like frightened Beads, I thought-
He stirred his Velvet Head

Like one in danger, Cautious,
I offered him a Crumb
And he unrolled his feathers
And rowed him softer home-

Than Oars divide the Ocean,
Too silver for a seam-
Or Butterflies, off Banks of Noon
Leap, plashless as they swim.

UM PÁSSARO POUSOU NA CALÇADA (328)

Um pássaro pousou na calçada-

Ele não sabia que eu o via -

Ele mordeu uma minhoca ao meio

E a comeu crua,

E então bebeu um pouco de orvalho

De uma grama próxima -

E então pulou de lado até o muro

Para deixar um besouro passar -

Ele olhou com olhos rápidos

Que se moviam apressadamente ao redor -

Pareciam contas assustadas, pensei -

Ele mexeu sua cabeça aveludada

Como em perigo, cauteloso,

Eu lhe ofereci uma migalha

E ele desenrolou suas penas

E remou suavemente para casa -

Como remos que dividem o oceano,

Prateados demais para uma costura -

Ou borboletas, nas margens do meio-dia,

Saltam, sem respingos enquanto nadam.

Ilustração: Diário do Litoral.


Thursday, February 26, 2026

Um Soneto de Ángel Gastela

 



SONETO

Ángel Gastelu

Campo claro de luna gobernado
gana y extiende mi secreto empeño,
gozo de nieve ya por siempre amado,
nadando la honda agua de mi sueño.

Que dichoso así el cielo convocado,
dulce emigrando por su dócil ceño,
por donde va mi río abandonado,
de tanta claridad, seguro dueño.

Oh fuente, flor de luna, sensitiva
hija del alba y su estelar sosiego
guíame por tu cielo a la deriva,

Mientras el labio te suspira y nombra,
por tu clara provincia y flor de fuego
suéñame al amor de tu eterna sombra.

SONETO

Campo claro de lua iluminado

conquista e estende meu secreto empenho,

prazer da neve para sempre amado,

nadando nas águas fundas do meu sonho.

Quão abençoado é o céu assim convocado,

doce por sua suave crista migrando,

onde meu rio flui abandonado,

de tanta claridade seguro dono.

Ó fonte, flor da lua, sensítiva

filha da aurora e seu estelar sossego.

guia-me por teu céu à deriva,

Enquanto meus lábios te suspiram e nomeiam,

por tua clara província e flor de fogo,

sonha-me o amor de tua eterna sombra.

Ilustração: Freepik. 

Monday, February 23, 2026

A Carpa por Guillaume Appolinaire

 



LA CARPE

Guillaume Apollinaire

Dans vos viviers, dans vos étangs,
Carpes, que vous vivez longtemps!
Est-ce que la mort vous oublie,
Poissons de la mélancolie.

A CARPA

 Nos seus viveiros, em suas lagoas,

 Carpas, que viveis por muito tempo

 Será que a morte te esquece,

 Ó Peixes da melancolia.

Ilustração: Blog Sansuy. 

Sunday, February 22, 2026

Uma poesia de Fernando Espejo Mendéz

 



LA TARDE 

Fernando Espejo Mendéz

Caminas por la playa.
Te va peinando el viento
como una ola que en el mar se peina.
Cae tu pelo
y la noche va cayendo por tu espalda.

Miro al cielo,
casi lo toco de tan encendido
y un regazo
de estrellas es tu falda.

Sólo queda
un pedazo
de sol
se va, se ha ido…
se puede oír el respirar del alma
y todo se quedó como dormido.

Fuera de mi ansiedad
todo está en calma.

A TARDE

Caminhas pela praia.

Te vai penteando os cabelos o vento

como uma onda que penteia o mar.

Caem teus cabelos

e a noite vai caindo por tuas costas.

Olho para o céu,

quase o toco de tão brilhante que é

e um colo

de estrelas é sua saia.

Só resta um pedaço

do sol

que vai indo, indo…

se consegue ouvir o respirar da alma

e tudo fica como se dormindo.

Fora da minha ansiedade

tudo está calmo.

Ilustração: Anota Bahia. 

Outra poesia de Abdellatif Laâbi

 

LE PAYS S’ÉLOIGNE MAINTENANT

Abdellatif Laâbi 

Le pays s’éloigne maintenant

avec ses mouettes orphelines

et sa lourde porte

Il y a

en guise d’aube

une ombre et son sarcasme

L’homme sans tête

court dans le labyrinthe

avec ce qui lui reste de cœur

Dans sa main

il tient l’inutile

une clé souillée

par la guerre et ses mensonges

L’œil exilé

de sa lumière

s’épanche sur le sable

O PAÍS ESTÁ SUMINDO AGORA

O país está sumindo agora

com suas gaivotas órfãs

e seu portão pesado

em lugar do amanhecer

uma sombra e seu sarcasmo

O homem sem cabeça

corre pelo labirinto

com o que resta de seu coração

Na sua mão

ele segura o inútil

uma chave suja

pela guerra e suas

mentiras

O olho exilado

de sua luz

espalha sobre a areia