Leopoldo Marechal
En el gastado corazón del
Tiempo
se clavan las agujas de todos los cuadrantes.
Hay un pavor de soles que naufragan sin ruido:
la noche se cansó de enterrar a sus mundos.
¡Llora por los relojes que no saben dormir!
Las campanas se niegan a morder el silencio.
Tras un rebaño do horas
gastaron sus colmillos de bronce las campanas...
¡Ahora comprendo el viaje de tus cosas!
El sol ya no quería romperse en tus banderas.
Para mullir tu fuga, en el camino,
se desplumaron todas las águilas del viento.
Tus pasos clavetean
un gran tapiz de lejanía...
Son pájaros furtivos tus recuerdos:
amaban grandes ríos arbolados de muerte.
¡Estuche de palabras
donde guardar el roto muñeco de los años!
Nuestras anclas no muerden el fondo de las horas.
Los péndulos cabeceantes
dibujan negativas en la noche.
¡Tierra que nunca se gastó en mis pasos!
¿Qué historia contaremos a los días?
¿Cómo arriar el velamen
de las mañanas, ávido remero?
¡Todo está bien, ya soy un poco dios
en esta soledad,
con este orgullo de hombre que ha tendido a las cosas
una ballesta de palabras!
NOTURNO
No coração desgastado do
Tempo,
Se cravam os ponteiros de
todos os quadrantes.
Há um pavor de sóis que
naufragam sem fazer ruído:
a noite se cansou de
enterrar seus mundos.
Chora, pelos relógios que
não sabem dormir!
Os sinos se negam a
morder o silêncio.
Por trás uma revoada de
horas,
Os sinos gastaram suas
presas de bronze...
Agora eu compreendo a viagem
de tuas coisas!
O sol não quis mais se rompes
em tuas bandeiras.
Para suavizar teu voo, ao
longo do caminho,
todas as águias do vento
arrancaram suas penas.
Teus passos traçam
uma grande tapeçaria da
distância...
Tuas memórias são
pássaros furtivos:
amavam grandes rios
arborizados com a morte.
Caso de palavras
onde guardar a boneca
quebrada dos anos!
Nossas âncoras não mordem
o fundo das horas.
Os pêndulos oscilantes
desenham negativos na
noite.
Terra que nunca se gastou
com os meus passos!
Que história contaremos
aos dias?
Como baixar as velas
das manhãs, remador
zeloso?
Tudo está bem, já sou um
pouco deus
nesta solidão,
com este orgulho de um
homem que mirou nas coisas
uma besta de palavras!
Ilustração: Dicionário inFormal.
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