Monday, March 30, 2026

Nocturno de Leopoldo Marechal

 



NOCTURNO

Leopoldo Marechal

En el gastado corazón del Tiempo
se clavan las agujas de todos los cuadrantes.

Hay un pavor de soles que naufragan sin ruido:
la noche se cansó de enterrar a sus mundos.

¡Llora por los relojes que no saben dormir!
Las campanas se niegan a morder el silencio.
Tras un rebaño do horas
gastaron sus colmillos de bronce las campanas...

¡Ahora comprendo el viaje de tus cosas!
El sol ya no quería romperse en tus banderas.
Para mullir tu fuga, en el camino,
se desplumaron todas las águilas del viento.
Tus pasos clavetean
un gran tapiz de lejanía...
Son pájaros furtivos tus recuerdos:
amaban grandes ríos arbolados de muerte.

¡Estuche de palabras
donde guardar el roto muñeco de los años!
Nuestras anclas no muerden el fondo de las horas.
Los péndulos cabeceantes
dibujan negativas en la noche.

¡Tierra que nunca se gastó en mis pasos!
¿Qué historia contaremos a los días?
¿Cómo arriar el velamen
de las mañanas, ávido remero?

¡Todo está bien, ya soy un poco dios
en esta soledad,
con este orgullo de hombre que ha tendido a las cosas
una ballesta de palabras!

NOTURNO

No coração desgastado do Tempo,

Se cravam os ponteiros de todos os quadrantes.

 

Há um pavor de sóis que naufragam sem fazer ruído:

a noite se cansou de enterrar seus mundos.

 

Chora, pelos relógios que não sabem dormir!

Os sinos se negam a morder o silêncio.

Por trás uma revoada de horas,

Os sinos gastaram suas presas de bronze...

 

Agora eu compreendo a viagem de tuas coisas!

O sol não quis mais se rompes em tuas bandeiras.

Para suavizar teu voo, ao longo do caminho,

todas as águias do vento arrancaram suas penas.

Teus passos traçam

uma grande tapeçaria da distância...

Tuas memórias são pássaros furtivos:

amavam grandes rios arborizados com a morte.

 

Caso de palavras

onde guardar a boneca quebrada dos anos!

Nossas âncoras não mordem o fundo das horas.

 

Os pêndulos oscilantes

desenham negativos na noite.

 

Terra que nunca se gastou com os meus passos!

Que história contaremos aos dias?

Como baixar as velas

das manhãs, remador zeloso?

 

Tudo está bem, já sou um pouco deus

nesta solidão,

com este orgulho de um homem que mirou nas coisas

uma besta de palavras!

Ilustração: Dicionário inFormal. 




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