Tuesday, March 31, 2026

Uma poesia de Silvio Rodriguez

 


ALA DE COLIBRÍ
Silvio Rodriguez
Hoy me propongo fundar un partido de sueños,
talleres donde reparar alas de colibríes.
Se admiten tarados, enfermos, gordos sin amor,
tullidos, enanos, vampiros y días sin sol.

Hoy voy a patrocinar el candor desahuciado,
esa crítica masa de Dios que no es pos ni moderna.
Se admiten proscritos, rabiosos, pueblos sin hogar,
desaparecidos, deudores del banco mundial.

Por una calle descascarada
por una mano bien apretada.

Hoy voy a hacer asamblea de flores marchitas,
de deshechos de fiesta infantil, de piñatas usadas,
de sombras en pena del reino de lo natural
que otorgan licencia a cualquier artefacto de amar.

Por el levante, por el poniente,
por el deseo, por la simiente.

Por tanta noche, por el sol diario.
En compañía y en solitario.

Ala de colibrí,
liviana y pura.
Ala de colibrí
para la cura.

 

ASA DE BEIJA-FLOR

Hoje proponho fundar um partido de sonhos,

oficinas onde reparar asas de beija-flor.

Se admitem deficientes mentais, os doentes, os desamparados, os aleijados, os anões, os vampiros e os dias sem sol.

 

Hoje patrocinarei a inocência desesperançosa,

essa massa crítica de Deus que não é nem pós-moderna nem moderna.

Os marginalizados, os raivosos, os sem-teto, os desaparecidos e os devedores do Banco Mundial.  

 

Por uma rua descascada,

Por uma mão bem apertada.

 

Hoje realizarei uma assembleia de flores murchas,

de restos de festas infantis, de pinhatas usadas,

de sombras tristes do reino natural

que outorgam licença a qualquer ato de amar.

 

Pelo leste, pelo oeste,

pelo desejo, pela semente.

 

Por tanta noite, pelo sol diário.

Em companhia e sozinho.

 

Asa de beija-flor,

leve e pura.

Asa de beija-flor

para cura.

Ilustração: Reddit. 


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