Saturday, May 16, 2026

"Our Book of Delights" de Arielle Hebert

 


OUR BOOK OF DELIGHTS

Arielle Hebert

All our windows open, steady drizzle on the kudzu’s 
broad backs, birds making their music like this isn’t North 
Carolina, but a tropical rainforest, and we’re somewhere 
deep in the palms and vines. But it’s our own ferns and fiddleheads, 
evergreens and sugar maples, trillium blooming, or on the verge, 
for no one in particular, for everyone in particular, as if to say, 
Go on, enjoy it. Rain, flowers, time on earth. The apple I  
hand-picked at the market. Braiding my friend’s hair, silver  
in my fingers, how I tie a tiny bow gently at the end 
just as the sun comes out. I want to believe this is true power, that 
kindness is the only weapon worth wielding, and I wield it, 
land blow after blow to my enemies, without mercy. 
Mercy. Bring the wine. Set the table for surprise guests.  
No matter the plates don’t match and we’ve run out of chairs, 
only that there is bread and laughter, enough to go around. 
Parades, in spite of—Pride, in spite of—Please, someone answer all my 
questions about hummingbirds and the little futures we are 
reaching for, the ones rising above the horizon right before our eyes,  
such intoxicating visions, our truest selves, with nothing to hide. Go on. 
Trust the child standing barefoot in the rain, her face turned 
up to the sky. Trust that crescendo building in your chest is your 
voice, singing what you need to hear, the stone-heavy echo 
welled from darkest springs. Go ahead. Open the door. No one can 
explain how to love the world. It doesn’t happen all at once. But 
you can start here. Tonight, with yourself. Someone near you. Let it go 
zigzagging town to town. Look, there. It’s already coming back around.

NOSSO LIVRO DE DELÍCIAS

Todas as nossas janelas abertas, garoa constante nas costas largas do kudzu,

pássaros cantando como se não estivéssemos na Carolina do Norte,

mas em uma floresta tropical, e nós em algum lugar no meio das

palmeiras e trepadeiras. Mas são nossas próprias samambaias e brotos,

coníferas e bordos-açucareiros, trilios florescendo, ou prestes a florescer,

para ninguém em particular, para todos em particular, como se dissessem:

Vá em frente, aproveite. Chuva, flores, tempo na Terra. A maçã que

colhi à mão no mercado. Trançando o cabelo da minha amiga, prata

nos meus dedos, como amarro um pequeno laço delicadamente na ponta,

bem na hora em que o sol aparece. Quero acreditar que este é o verdadeiro poder, que

a bondade é a única arma que vale a pena empunhar, e eu a empunho,

desferindo golpe após golpe nos meus inimigos, sem piedade.

 

Piedade. Traga o vinho. Prepare a mesa para convidados surpresa.

 

Não importa se os pratos não combinam e se faltam cadeiras,

contanto que haja pão e risos, o suficiente para todos.

 

Desfiles, apesar de-Orgulho, apesar de-Por favor, alguém responda a todas as minhas

perguntas sobre beija-flores e os pequenos futuros que

alcançamos, aqueles que se elevam acima do horizonte bem diante dos nossos olhos,

visões tão inebriantes, nosso eu mais verdadeiro, sem nada a esconder. Continue.

 

Confie na criança descalça na chuva, com o rosto

voltado para o céu. Confie que esse crescendo que se forma em seu peito é a sua

voz, cantando o que você precisa ouvir, o eco pesado como pedra

que brota das fontes mais escuras. Vá em frente. Abra a porta. Ninguém pode

explicar como amar o mundo. Não acontece de uma vez. Mas

você pode começar aqui. Esta noite, consigo mesmo. Com alguém perto de você. Deixe fluir

ziguezagueando de cidade em cidade. Olhe, ali. Já está voltando à moda.

Ilustração: Flying Trilium. 


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