OUR BOOK OF DELIGHTS
Arielle Hebert
All our windows open,
steady drizzle on the kudzu’s
broad backs, birds making their music like this isn’t North
Carolina, but a tropical rainforest, and we’re somewhere
deep in the palms and vines. But it’s our own ferns and fiddleheads,
evergreens and sugar maples, trillium blooming, or on the verge,
for no one in particular, for everyone in particular, as if to say,
Go on, enjoy it. Rain, flowers, time on earth. The apple I
hand-picked at the market. Braiding my friend’s hair, silver
in my fingers, how I tie a tiny bow gently at the end
just as the sun comes out. I want to believe this is true power, that
kindness is the only weapon worth wielding, and I wield it,
land blow after blow to my enemies, without mercy.
Mercy. Bring the wine. Set the table for surprise guests.
No matter the plates don’t match and we’ve run out of chairs,
only that there is bread and laughter, enough to go around.
Parades, in spite of—Pride, in spite of—Please, someone answer all my
questions about hummingbirds and the little futures we are
reaching for, the ones rising above the horizon right before our
eyes,
such intoxicating visions, our truest selves, with nothing to hide. Go
on.
Trust the child standing barefoot in the rain, her face turned
up to the sky. Trust that crescendo building in your chest is your
voice, singing what you need to hear, the stone-heavy echo
welled from darkest springs. Go ahead. Open the door. No one can
explain how to love the world. It doesn’t happen all at once. But
you can start here. Tonight, with yourself. Someone near you. Let it go
zigzagging town to town. Look, there. It’s already coming back around.
NOSSO LIVRO DE DELÍCIAS
Todas as nossas janelas
abertas, garoa constante nas costas largas do kudzu,
pássaros cantando como se
não estivéssemos na Carolina do Norte,
mas em uma floresta
tropical, e nós em algum lugar no meio das
palmeiras e trepadeiras.
Mas são nossas próprias samambaias e brotos,
coníferas e
bordos-açucareiros, trilios florescendo, ou prestes a florescer,
para ninguém em
particular, para todos em particular, como se dissessem:
Vá em frente, aproveite.
Chuva, flores, tempo na Terra. A maçã que
colhi à mão no mercado.
Trançando o cabelo da minha amiga, prata
nos meus dedos, como
amarro um pequeno laço delicadamente na ponta,
bem na hora em que o sol
aparece. Quero acreditar que este é o verdadeiro poder, que
a bondade é a única arma
que vale a pena empunhar, e eu a empunho,
desferindo golpe após
golpe nos meus inimigos, sem piedade.
Piedade. Traga o vinho.
Prepare a mesa para convidados surpresa.
Não importa se os pratos
não combinam e se faltam cadeiras,
contanto que haja pão e
risos, o suficiente para todos.
Desfiles, apesar de-Orgulho,
apesar de-Por favor, alguém responda a todas as minhas
perguntas sobre
beija-flores e os pequenos futuros que
alcançamos, aqueles que
se elevam acima do horizonte bem diante dos nossos olhos,
visões tão inebriantes,
nosso eu mais verdadeiro, sem nada a esconder. Continue.
Confie na criança
descalça na chuva, com o rosto
voltado para o céu.
Confie que esse crescendo que se forma em seu peito é a sua
voz, cantando o que você
precisa ouvir, o eco pesado como pedra
que brota das fontes mais
escuras. Vá em frente. Abra a porta. Ninguém pode
explicar como amar o
mundo. Não acontece de uma vez. Mas
você pode começar aqui.
Esta noite, consigo mesmo. Com alguém perto de você. Deixe fluir
ziguezagueando de cidade
em cidade. Olhe, ali. Já está voltando à moda.
Ilustração: Flying
Trilium.
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