Friday, February 20, 2026

Outra vez Ángel Gastelu

 


PAISAJE

Ángel Gastelu

Ventana, a la luz lanzas
tus brazos, abres tus hojas,
como un pájaro sus alas
y haces la estancia sonora.

Traes las voces de la calle,
los ruidos de los pasos,
los perfumes vegetales:

 

ese cotidiano río
de los cabeceantes carros
y los salomónicos gritos
de los pregones frutales.

 

Te entregas también ventana
a las verónicas del aire,
con las familiares telas
tendidas en las solanas,
-oh polícromo oleaje-.

 

Allá, a lo lejos, un árbol
derrama su alzada copa
sobre los rojos tejados:
flechando su fresca fronda
llegan azorados pájaros.

 

Allá una aérea espadaña
fija su aguja de piedra,
donde tenue luz morada
quiebra el perfil de la tarde.
Desde la esquila lejana
llueve -sombra y sueño- el ángel.

 

PAISAGEM

Janela, para a luz lanças

teus braços para a luz, abre suas folhas,

como um pássaro abre as asas,

e enche o quarto de som.

 

Você traz as vozes da rua,

os sons dos passos,

os aromas das plantas:

 

Esse cotidiano rio

de carroças balançando

e os gritos de Salomão

dos vendedores de frutas.

 

Tu também te rendes, janela

às verônicas do ar,

com os tecidos familiares

estendidos nos terraços ensolarados,

-oh ondas policromáticas-.

 

Lá, ao longe, uma árvore

despeja sua copa altiva

sobre os telhados vermelhos:

flechando sua folhagem fresca,

chegam pássaros assustados.

 

Lá, uma torre sineira arejada

fixa sua agulha de pedra,

 

onde uma tênue luz púrpura

rompe o perfil da tarde.

Do sino distante,

sombra e sonho-derrama o anjo.

Ilustração: Reddit. 


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