PAISAJE
Ángel Gastelu
Ventana, a la luz lanzas
tus brazos, abres tus hojas,
como un pájaro sus alas
y haces la estancia sonora.
Traes las voces de la
calle,
los ruidos de los pasos,
los perfumes vegetales:
ese cotidiano río
de los cabeceantes carros
y los salomónicos gritos
de los pregones frutales.
Te entregas también
ventana
a las verónicas del aire,
con las familiares telas
tendidas en las solanas,
-oh polícromo oleaje-.
Allá, a lo lejos, un
árbol
derrama su alzada copa
sobre los rojos tejados:
flechando su fresca fronda
llegan azorados pájaros.
Allá una aérea espadaña
fija su aguja de piedra,
donde tenue luz morada
quiebra el perfil de la tarde.
Desde la esquila lejana
llueve -sombra y sueño- el ángel.
PAISAGEM
Janela, para a luz lanças
teus braços para a luz,
abre suas folhas,
como um pássaro abre as
asas,
e enche o quarto de som.
Você traz as vozes da
rua,
os sons dos passos,
os aromas das plantas:
Esse cotidiano rio
de carroças balançando
e os gritos de Salomão
dos vendedores de frutas.
Tu também te rendes,
janela
às verônicas do ar,
com os tecidos familiares
estendidos nos terraços
ensolarados,
-oh ondas
policromáticas-.
Lá, ao longe, uma árvore
despeja sua copa altiva
sobre os telhados
vermelhos:
flechando sua folhagem
fresca,
chegam pássaros
assustados.
Lá, uma torre sineira
arejada
fixa sua agulha de pedra,
onde uma tênue luz
púrpura
rompe o perfil da tarde.
Do sino distante,
sombra e sonho-derrama o
anjo.
Ilustração: Reddit.
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