Friday, February 06, 2026

Outra poesia de Juan L. Ortiz

 


PARA QUE LOS HOMBRES 

Juan L. Ortiz

Para que los hombres no tengan vergüenza

de la belleza de las flores,

para que las cosas sean ellas mismas: formas sensibles

o profundas de la unidad o espejos de nuestro esfuerzo

por penetrar el mundo,

con el semblante emocionado y pasajero de nuestros sueños,

o la armonía de nuestra paz en la soledad de nuestro pensamiento,

para que podamos mirar y tocar sin pudor

las flores, sí, todas las flores

y seamos iguales a nosotros mismos en la hermandad delicada,

para que las cosas no sean mercancías,

y se abra como una flor toda la nobleza del hombre:

iremos todos hasta nuestro extremo límite,

nos perderemos en la hora del don con la sonrisa

anónima y segura de una simiente en la noche de la tierra.

PARA QUE OS HOMENS

Para que os homens não se envergonhem

da beleza das flores,

para que as coisas sejam elas mesmas: formas sensíveis

ou profundas de unidade, ou espelhos do nosso esforço

por penetrar o mundo,

com o semblante emocionado e passageiro dos nossos sonhos,

ou a harmonia da nossa paz na solidão do nosso pensamento,

para que possamos olhar e tocar sem pudor

as flores, sim, todas as flores,

e sermos iguais a nós mesmos em fraternidade

delicada,

para que as coisas não sejam mercadorias,

e se abra como uma flor toda a nobreza do homem:

iremos todos até o nosso extremo limite,

nos perderemos na hora da dádiva com o sorriso anônimo e seguro

de uma semente na noite da terra.

Ilustração: Blog Syngenta Digital. 


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