Monday, August 18, 2008


Paixão

A tua boca que tanto quis
Tinha sabor de anis,
Apesar de todo run com leite
que bebi
E o fogo que sentia
Já nem sabia se vinha
Da bebida ou da tua pele que escaldava.
Não sei se foi ilusão
ou imaginação,
Todavia a recordação daquela noite,
Não pelos fogos de artifícios,
È de que o mundo inteiro queimava
E, mesmo assim, em minha vida
Nunca me senti melhor.

Friday, August 15, 2008

AT THE END

Ed Meek

He was so old his bones seemed to swim in his skin.
And when I took his hand to feel his pulse
I felt myself drawn in. It was as faint
as the steps of a child padding across the floor in slippers,
and yet he was smiling.
I could almost hear a river running beneath his breath.
The water clear and cold and deep.
He was ready and willing to wade on in.

No final

Ele era tão velho que seus ossos pareciam nadar na sua pele.
E quando eu levei a mão para sentir seu pulso
Senti-me mesmo como um rascunho. Foi como desmaiar
como os passos de uma criança
andando ao redor de um chão de almofadas de chinelos,
e ele ainda estava sorrindo.
Eu podia ouvir quase um rio correndo sob a sua respiração.
As águas claras e frias e profundas.
Ele estava pronto e disposto a ir fundo.

Thursday, August 14, 2008

OUTRA VEZ DELFINA ACOSTA

Antes del olvido

Delfina Acosta

Acaso es tarde.
No importa ya
que con favor del diablo
coloque mis jazmines en la acera,
mi zapato de tierra
en la ventana,
y me quede
en cuclillas,
aguardando,
que alguien golpee de una vez mi puerta.
No importa ya
que con las gotas
de un día que en la fiesta fue lluvioso,
yo moje mis cabellos y mejillas,
y me quede sentada,
parpadeando,
sobre el sillón de mimbre, en la penumbra.
Acaso es tarde.
Acaso el tiempo
me llegó de golpe
por andarme de madre,
por andarme de hija,
y este fuego nocturno
que sube por mis huesos,
este aullido feroz
que levanta mi sangre,
ya no son señales
para llamar a nadie.

Antes do esquecimento

Talvez seja tarde.
Não importa já
Que, com o favor do diabo,
Coloquei os jasmins
Na calçada, meus sapatos
De terra na janela,
E me quedei
De cócoras
Aguardando,
Que alguém golpeie de uma vez minha porta.
Não importa já
Que com as gotas
De um dia de festa que foi chuvoso,
Eu molhe meus cabelo e cachinhos,
E permaneça sentada,
Proseando,
Na poltrona de vime, na penumbra.
Talvez seja tarde.
Talvez o momento
Chegou de um golpe
Por andar como mãe,
Por andar como filha,
E este fogo noturno
Que sobe por meus ossos,
Este este gemido feroz
Que levanta meu sangue,
Já não sejam sinais
Para chamar ninguém.

UMA POETISA DO PARAGUAI

Circo

Delfina Acosta


Giovanna Pertile, hada que lleva mi sangre.

Yo fui a nacer y el mundo enloqueció:
atardecer de mares y naufragios.
Las aves antes de alcanzar altura
caían en un bosque embalsamado.
Un elefante triste en rojo circo
brillaba en tantos ojos agrandados
del público contento. ¡Cuánto éxito!
Con sólo tropezarse los enanos
reír hacían a la humanidad.
El tigre, con rugir ¡causaba espanto!
Y fui poetisa y acabé creyendo
locura la razón de los humanos.
Tejí una manta de alegría y luto.
A quien me amó pedí llevarme al circo
y ahí dejarme lejos de este mundo
pues sólo en los payasos vi juicio.

Circo

Eu fui ser nascer e o mundo enlouqueceu:
Entardeceu de mares e naufrágios.
Os pássaros antes de alcançar altura
Caíram num bosque embalsamado.
Um elefante triste no circo vermelho
Brilhava em muitos olhos ampliados
Do público contente. Quanto sucesso!
Como se apenas tropeçando nos anões
Pudesse fazer a humanidade rir.
O tigre só com rugir causava espanto!
E fui poetisa e terminei acreditando
Ser loucura a razão dos seres humanos.
Teci um manto de alegria e luto.
A quem me amou pedi que me levasse ao circo
E lá me deixar longe deste mundo
Pois somente nos palhaços vi juízo.

Ilustração: www.pge.pi.gov.br/materia.php?id=15683

Wednesday, August 13, 2008

ESPERANÇA, MEU AMOR...

Poema breve



Nada sei de ti
apenas está saudade
em mim,
como uma imensa sombra
se alarga,
e me diz:
-Adeus chances de ser feliz!

AS RESPOSTAS SÃO AS POSSÍVEIS

i like my body when it is with your

E. E. Cummings

i like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like,slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric fur, and what-is-it comes
over parting flesh....And eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new


Eu gosto de sentir seu corpo

Eu gosto de meu corpo coladinho ao seu
Corpo. É assim uma coisa completamente nova.
Os músculos melhoram e os nervos ainda mais.
Eu gosto de seu corpo. Eu gosto do que faço,
Eu gosto de seus gritinhos. Eu gosto de sentir o calor
De seu corpo e de seus ossos, e do tremor
Na hora em que lhe aliso devagar e várias vezes,
Repetidas vezes e outra vez e outra
Beijo, eu gosto de beijar isto e aquilo de você,
Eu gosto, lentamente afagando, do curto-circuito chocante
De sua pele elétrica, e do que-dela-vem depois
Como explosão da carne... E das migalhas de amor de seus grandes olhos,

E possivelmente eu gosto da emoção

De me sentir sob você assim completamente novo

Tuesday, August 12, 2008

TUDO IGUAL

Ode ao irmão perdido

Certamente como Alexander Soljenitsin,
Também sou um inadaptado.
Igual a ele
Sou delicado demais para esta época.

Sou mais novo e ainda estou vivo-
O que se me poupa de ser coisa do passado
Infelizmente não de ser ultrapassado.

Olho as estrelas e acredito que Marte existe
E o dia 27 aguardo
Sempre com a esperança de que o amanhã será melhor
Até também virar pó.

Ilustração: http://www.apn.ru/userdata/images/soljenitsin.jpg

VERSOS DE JOSE MARTÍ

¡Dolor! ¡Dolor! Eterna vida mía

José Martí

¡Dolor! ¡Dolor! eterna vida mía,
Ser de mi ser, sin cuyo aliento muero!

* * *

Goce en buen hora espíritu mezquino
Al son del baile animador, y prenda
Su alma en las flores que el flotante lino
De mujeres bellísimas engasta:

Goce en buen hora, y su cerebro encienda
En la rojiza lumbre de la incasta Hoguera del deseo:
Yo, embriagado de mis penas,
me devoro, Y mis miserias lloro,
Y buitre de mí mismo me levanto,
Y me hiero y me curo con mi canto,
Buitre a la vez que altivo Prometeo.
Dor!Dor! Eterna vida minha

Dor! Dor! Eterna vida minha
Ser de meu ser, sem cujo alento morro!

* * *

Goze em boa hora espírito mesquinho
Ao som do baile animador, e prenda
sua alma nas flores do linho flutuando
Que belíssimas mulheres reveste:

Goze em hora boa, e seu cérebro incendeie-se
No fogo avermelhado da impura
Fogueira dos desejos:

Eu, embriagado de minhas dores me devoro,
E minhas misérias choro,
E abutre de mim mesmo me levanto,
E me firo e me curo com meu canto,
Abutre da vez como o arrogante Prometeu.

UMA POESIA DE AMADO NERVO

Autobiografía

Amado Nervo


¿Versos autobiográficos ? Ahí están mis canciones,
allí están mis poemas: yo, como las naciones
venturosas, y a ejemplo de la mujer honrada,
no tengo historia: nunca me ha sucedido nada,
¡oh, noble amiga ignota!, que pudiera contarte.

Allá en mis años mozos adiviné del Arte
la armonía y el ritmo, caros al musageta,
y, pudiendo ser rico, preferí ser poeta.

-¿Y después?

-He sufrido, como todos, y he amado.

¿Mucho?

-Lo suficiente para ser perdonado...

Autobiografia

Versos autobiográficos? Aí estão as minhas canções,
Ali estão meus poemas: eu, como as nações
venturosas, e a exemplo da mulher honrada,
não tenho história: nada nunca aconteceu comigo,
Oh! Nobre amiga desconhecida!, que poderia te contar.

Além de que em minha juventude adivinhei da arte
a harmonia e o ritmo, queridos do maestro,
e, podendo ser rico, preferi ser poeta.

- E depois?

- Eu sofri, como todos, e amei.

Muito?

- O suficiente para ser perdoado....

TUDO PASSA

Canção de agosto

Os ventos de agosto passarão levando tudo.
Com o calor e a secura as folhas se esparramam pelo chão
E, com os ventos, as telhas, os cartazes voam
Junto com ninhos e sonhos, tudo ilusão.

Os ventos de agosto passarão, passarão
E já vão passando arrastando as coisas na passagem
Modificando a paisagem, as formas, as cores
E, como sempre acontece com o que passa, as vidas
Deixando apenas lembranças, memórias, feridas.

Ilustração: blogueforanadaevaodois.blogspot.com/2007_08_0...

O TEMPO NÃO PÁRA

A HORA MUDA

A engrenagem emperrou sem motivo
E a hora que viria ficou parada

O toque esperado do grande relógio
De algo minúsculo ficou cativo.

Apesar de tudo o tempo continuou
E a vida seguindo voou, voou....

Ilustração: http://proavirtualec2.pbwiki.com/f/engrenagem08.gif

Monday, August 11, 2008

EMILY AGAIN


Tulips…

Emily Dickinson

she slept beneath a tree
remembered
but by me.
i touched her cradle mute;
she recognized the foot,
put on her carmine suit, –
and see!

Tulipas

Ela dormia sob uma árvore
relembrada, mas por mim.
Eu toquei seu berço mudo;
ela reconheceu o pé,
pelo seu suave carmim,-
e conferiu!

Friday, August 08, 2008

MONTEJO NOVAMENTE

AMANTES

Eugenio Montejo

Se amaban. No estaban solos en la tierra;
tenían la noche, sus vísperas azules,
sus celajes.
Vivían uno en el otro, se palpaban
como dos pétalos no abiertos en el fondo
de alguna flor del aire.
Se amaban. No estaban solos a la orilla
de su primera noche.
Y era la tierra la que se amaba en ellos,
el oro nocturno de sus vueltas,
la galaxia.
Ya no tendrían dos muertes. No iban separarse.
Desnudos, asombrados, sus cuerpos se tendían
como hileras de luces en un largo aeropuerto
donde algo iba a llegar desde muy lejos,
no demasiado tarde.


Amantes

Se amavam. Não estavam sós na terra;
Tinham a noite, seus céus azuis,
Suas nuvens coloridas.

Viviam um para o outro, se apalpavam
Como duas pétalas não abertas no cálice
De alguma flor do ar.

Se amavam. Não estavam sós nos começos
De sua primeira noite.
E era a terra que se amava neles,
O ouro noturno de suas voltas,
A galáxia.

Já não teriam duas mortes. Não iriam separar-se,
Desnudos, assombrados, seus corpos se estenderam
Como fileiras de luzes num largo aeroporto
Onde algo ia chegar de muito distante,
Não demasiado tarde.

DE NOVO MONTEJO

UN AÑO

Eugenio Montejo


Vuelvo a contarme aquí mi vida
otra tarde de otoño
viejo de treinta y tres vueltas al sol.
Vuelvo a replegarme en esta silla
palpando su inocencia de madera
ahora que el año hace su estruendo
y me sacude fuerte, de raíz.
En la terraza inicio otro descenso
al infierno, al invierno.
Sangran en mí las hojas de los árboles.

Um Ano

Volto a contar aqui minha vida
Outra tarde de outono
Velho de trinta e três voltas do sol.
Volto a reassentar nesta cadeira
Apalpando sua inocência de madeira
Agora que o ano fez seu estrondo
E me sacode forte, na raiz.
No terraço inicio outra descida
Ao inferno, ao inverno.
Sangram em mim as folhas das arvores.

Thursday, August 07, 2008

RECEITA

One Clove

Emily Dickinson

To make a prairie it
takes a clover and a bee.
One clove, and a bee,
And revery.
The revery alone will do,
if bees are few.

Um cravinho

Para fazer um jardim
Pegue um trevo e uma abelha.
Um cravinho e uma abelha,
E trabalhe.
Trabalhe, por si só, para fazer,
e as abelhas serão poucas.

AINDA EMILY

J 303 / F 409

Emily Dickinson

The Soul selects her own Society -
Then - shuts the Door
-To her divine Majority
-Present no more -

Unmoved - she notes the Chariots - pausing -
At her low Gate -
Unmoved - an Emperor be kneeling
Upon her Mat -

I've known her - from an ample nation -
Choose One -
Then - close the Valves of her attention
-Like Stone -

J 303 / F 409

A alma escolhe sua própria sociedade
E depois fecha a porta-
Com sua divina maioridade-
Nada mais importa.

Imóvel vê os veículos parando
Junto ao portão baixo
Imóvel-vê um rei ajoelhado
Sobre seu capacho-

Um apenas ela quer de toda a nação-
Escolhe um – veda,
Então, as válvulas de sua atenção
Como uma pedra.

DE VOLTA EMILY

J 258 / F 320

Emily Dickinson



There's a certain Slant of light,
Winter Afternoons -
That oppresses, like the Heft
Of Cathedral Tunes -

Heavenly Hurt, it gives us -
We can find no scar,
But internal difference,
Where the Meanings, are -

None may teach it - Any
-'Tis the Seal Despair -
An imperial affliction
Sent us of the Air -

When it comes, the Landscape listens -
Shadows - hold their breath -
When it goes, 'tis like the Distance
On the look of Death -

J 258 / F 320
Há um desvio da luz
Nas tardes de inverno-
Que nos oprime como o peso
Dos hinos das catedrais-

Celestemente um golpe nos dá-
Ainda se não se vê a cicatriz,
Porém, dentro de nós a diferença
Aparece no sentido

Nada nos pode ensinar-ninguém-
É um selo do desespero-
Uma aflição imperial
Que sentimos no ar

Quando vem a terra escuta-
As sombras prendem o respirar-
Quando vai é como a distância
Sob o olhar da morte.

Wednesday, August 06, 2008

COISAS DA MODERNIDADE

DESCONSOLO

De repente, hoje, somente
sem motivo nenhum aparente
senti tua falta.
E me arrependi amargamente
escutando os mesmos tristes boleros,
que me faziam,
entre beijos e taças de vinho,
tão feliz antigamente.
Me senti tão sozinho,
tão frágil
que entrei na internet
tentando localizar teu nome
só para dizer que te amo,
mas, preguiçosa do jeito que és,
só tu, meu bem, lá não pões os pés
quanto mais as mãos.
E sem um meio de te mandar um e-mail
este cibernauta infeliz
desesperado,
só teve o recurso
de fazer estes versos
para dizer como está desconsolado.


Tuesday, August 05, 2008

O VELHO MALDITO NO MELHOR ESTILO

Be Kind

Charles Bukowski

we are always asked
to understand the other person's
viewpoint
no matter how
out-dated
foolish or
obnoxious.

one is asked
to view
their total error
their life-waste
with
kindliness,
especially
if they are
aged.

but age is the total of
our doing.
they have aged
badly
because they have
lived
out of focus,
they have refused to
see.

not their fault?
whose fault?
mine?

I am asked to hide
my viewpoint
from them
for fear of their
fear.

age is no crime

but the shame
of a deliberately
wasted
life
among so many
deliberately
wasted
lives

is.

Seja gentil


Nós estamos sempre procurando
compreender
o ponto de vista
das outras pessoas
não importa
o quão retrogrado
insensato
ou óbvio.
Você é convidado a ver
a soma dos erros
de suas vidas- o lixo
com delicadeza,
especialmente
se forem mais velhos.
mas, a idade é o total
do que fazemos.
Então se estão mal
nesta idade
foi porque
viveram fora de foco,
eles se recusaram a ver.
Eles não têm culpa?
Então de quem é a culpa?
minha?
Estão pedindo para esconder
minha opinião sobre eles
por medo
ou medo deles.
idade não é crime
mas a vergonha de uma vida
deliberadamente
jogada no lixo
entre tantas vidas
deliberadamente
desperdiçados
é.

Monday, August 04, 2008

SÓ O SONHO SALVA

Soneto do amor oculto

Todo este amor escondido e calado
Pode ser triste, mas, não amargurado,
Pois, de nada se arrepende ou reclama
Resignado sobrevive porque ama,

E, bem sabe, ainda mais, ser muito amado.
Contente assim até suporta delicado
Os longos dias que se perdem no infinito
Sem o gozo do amor e sem um grito.

Exalta muito mais o ter a certeza
Que tanto amor fortalece à natureza
De seu viver tão frágil e tão humano

Até sonha dias que, talvez, jamais virão
Consciente de que a vida sem a ilusão
É um esforço tão inútil quanto insano.

NUNCA ANTES TANTO...

A roda da insensatez

Os deuses sempre combateram em vão
Contra a loucura dos homens
Ainda que se saiba que, no sono da razão,
Se multiplicam, dos monstros, os gens.

O saber e o conhecimento que dão o alerta
São sufocados sempre pelo aplauso
Dos tolos e espertos que vêem a porta aberta
E da consciência fazem pouco caso.

A insensatez gosta da mediocridade
E, muitas vezes, do ruim faz unanimidade
Entre os preguiçosos que odeiam ter de pensar,

Porém, se os homens pensam como horda,
Como um relógio aos embusteiros dão a corda
Com que um dia voltam sempre a se enforcar.

Ilustração: http://www.efemero.blogger.com.br/Misha%20Gordin12.jpg

HÁ CAMINHOS


Fragmentos

T. S. Eliot

[...]

You say I am repeating
Something I have said before. I shall say it again.
Shall I say it again? In order to arrive there,
To arrive where you are, to get from where you are not,
You must go by a way wherein there is no ecstasy.
In order to arrive at what you do not know
You must go by a way which is the way of ignorance.
In order to possess what you do not possess
You must go by the way of dispossession.
In order to arrive at what you are not
You must go through the way in which you are not.
And what you do not know is the only thing you know
And what you own is what you do not own
And where you are is where you are not.

[…]

Você diz que só repito
O que já disse. Eu vou dizer outra vez.
Como poderia dizer outra vez? Na seqüência para chegar lá,
Para partir para onde você está, para obter o que você não tem,
Eu preciso ir por um caminho que não é o do êxtase.
Na seqüência para alcançar o que você sabe
Eu preciso ir por um caminho que é o da ignorância.
Na seqüência para possuir o que não possuis
Eu preciso ir pelo caminho dos despossuídos.
Na seqüência para chegar até onde você não está
Eu preciso ir através do caminho em que você não está.
E o que você não sabe é a única coisa que você sabe
E o que você possui é o que você não possui
E onde você está é onde você não está.

Saturday, August 02, 2008

WALCOTT, OF COURSE

ENDINGS

Derek Walcott

Things do not explode
they fail, they fade,

as sunlight fades from the flesh,
as the foam drains quick in the sand,

even love’s lightning flash
has no thunderous end,

it dies with the sound
of flowers fading like the flesh

from sweating pumice stone,
everything shape this

till we are left
with the silence the surrounds Beethoven’s head.

Finais

As coisas não explodem
Não, elas desaparecem,

desbotam como a luz solar o brilho da carne,
como a espuma seca rápida na areia,

mesmo o amor não acaba como um raio,
não morre num trovão,

ele morre com o som
de flores desfiando como a polpa

de um suor poroso de pedra-pome,
cada coisa vai se perdendo assim

até que sejam deixadas
com o silêncio que rodeia a cabeça de Beethoven.

Ilustração:
mardeoutubro.blogspot.com/2007_12_01_archive.html

SIMPLESMENTE, NADA MAIS

O rumor do silêncio

Se perdeu no tempo
o momento em que adormecemos.

Não foi de repente
nem ficamos assustados
com a falta de risos, de ecos,
de vozes, luzes e palavras.

Houve só a hora
na qual falar perdeu o sentido
e, como pedras tombadas
no deserto,
permanecemos juntos, perto,
mas, incomunicáveis,
como a sombra e o objeto.

Ilustração: http://img.olhares.com/data/big/149/1492509.jpg

PERDÃO PELA TRAIÇÃO..

GROUND

Douglas Messerli

For Joe and Laura

The World-former star
we inhabited as the content
of remains is also the object
of the game. This is the goal:
to obsess with ourselves
pursuing a key to unlock
the love audacity has awarded
our heats in those great storms
of hate. The three-the murderer’s
black hair,
whoever lifts the stone this very evening
and the great book filled with night-
must fight it out to see who will be
first asleep. To stay together
within the same air is what we call
longing.-To part-is the obvious
reality of daily life. Each evening
prayers appear upon horizon
lifting our spirits into oblivion.
As the cat curls against the barren moon
The night unfolds the map: take the gravel path.

CHÃO

O Mundo- estrela antiga

por nós habitada como o conteúdo

de restos mortais

é também o objeto do jogo.

Esta é a meta: a obsessão de nós mesmos

perseguindo uma chave para abrir

audaciosamente o amor

como recompensa dos nossos corações

em meio a grandes tempestades de ódio.

Os três-o assassino de

cabelos pretos, quem levanta a pedra nesta tarde

e o grande livro de hóspedes preenchido de noite-

devemos combatê-los para ver quem irá

dormir primeiro. Permanecer juntos

respirando o mesmo ar é o que chamamos

de sobrevivência.- Partir é a óbvia

realidade da vida cotidiana. Cada noite

as orações aparecem no horizonte

elevando nossos espíritos até o esquecimento.

Tal como um gato curvado estéril contra a lua

a noite desdobra o mapa: escolha o caminho das pedras.

Friday, August 01, 2008

DE NOVO O VELHO MALDITO

Decline

Charles Bukowski


naked along the side of the house,
8 a.m., spreading sesame seed oil
over my body, Jesus, have I come
to this?
I once battled in dark alleys for a
laugh.
now I'm not laughing.
I splash myself with oil and wonder,
how many years do you want?
how many days?
my blood is soiled and a dark
angel sits in my brain.
things are made of something and
go to nothing.
I understand the fall of cities, of
nations.
a small plane passes overhead.
I look upward as if it made sense to
look upward.
it's true, the sky has rotted:
it won't be long for any ofus.

Declínio
nu, ao longo do lado da casa,
às 8 horas da manhã,
espalho sementes oleosas de gergelim
pelo meu corpo, Jesus, tenho que
fazer isto?
Certa vez lutamos nos becos escuros por uma
risada.
agora eu não estou rindo.
respingo em mim mesmo o óleo e maravilha,
Quantos anos você quer fazer?
quantos dias? o meu sangue é áspero e um anjo
escuro se senta no meu cérebro.
as coisas são feitas de uma coisa
e não de coisa alguma.
Eu compreendo a queda das cidades,
das nações.
um pequeno avião fazendo acrobacias.
Eu olho para cima como se tivesse sentido
olhar para cima.
é verdade, o céu tem apodrecido:
não está muito longe para qualquer um de
nós.

Thursday, July 31, 2008

OUTRO POETA ARGENTINO

Ambiciones de paloma

Fernando Gril

bendito tus huesos porque tienem ambiciones de paloma
bendito es esternón porque no alcanza a arrinconar a tu corazón en su
corcoveo
bendita esa costilla que e has robado y que te dio luz o destino
feliz de tus carpos y metacarpos que me permiten atarte a mi cintura
feliz de tus tarsos e metatarsos que me traen hasta ti
sagrados sean tus húmeros tus cúbitos tus radios tus fémures tus rótulas
degradantes
gloriosos sean tus santos y venerables omóplatos tus clavículas tus
parietales occipital frontal y compañía
a todos tus huesos la glória porque serán polvo algún dia y volarás
com o vento volarás.

Ambições de pomba

bendito seus ossos porque têm a ambição da pomba
bendito é o esterno porque não alcança para encurralar o teu coração em seu
corcoveio
bendita essa costela que roubastes e que deu luz ou destino
feliz de teus carpos e metacarpos que me permitem te atar à minha cintura
feliz de seus tarsos e metatarsos que me trazem até a ti
sagrados sejam teus úmeros teus cúbitos teus rádios teus fêmures tuas rótulas
degradantes.
gloriosas sejam tuas santas e veneráveis omoplatas tuas clavículas teus
parietais occipital frontal e companhia
a todos teus ossos a gloria porque serão pó algum dia e tu voarás
com vento voarás.

TRES POEMAS DE LANGSTON HUGHES

Justice

Langston Hughes

That Justice is a blind goddess
Is a thing to which we black are wise:
Her bandage hides two festering sores
That once perhaps were eyes.

Justiça

Que a Justiça é uma deusa cega
É uma coisa para a qual nós negros somos sábios:
Sua venda esconde dois buracos feridos
Que talvez quem sabe sejam os olhos.


Problems

2 and 2 are 4.
4 and 4 are 8.
But what would happen
If the last 4 was late?
And how would it be
If one 2 was me?
Or if the first 4 was you
Divided by 2?

Problemas

2 e 2 são 4.
4 e 4 são 8.
Mas o que aconteceria
Se os últimos 4 chegassem tarde?
E como seria
Se um dos 2 fosse eu?
Ou se o primeiro 4 fosse você?
Dividido por 2?

Suicide's Note

The calm,
Cool face of the river
Asked me for a kiss.

Notas de um suicídio

A calma,
A face fria do rio

Wednesday, July 30, 2008

UM POETA ARGENTINO

Arden los besos

Ramón Fanelli

Arden los besos
al calor de sus cuerpos,
voces blancas
inconstantes
desintegrándose.
Vientres bordados
por la pasión de las formas,
un estilo inacabado
de oscuridad blanda,
amándose!
sin poder dormir
sin poder soñar
com ese insomnio
de eternidad.

Ardem os beijos

Ardem os beijos
ao calor de seus corpos
vozes brancas
inconstantes
desintegram-se.
Ventres bordados
pela paixão das formas,
um estilo inacabado
de obscuridade macia,
amando-se!
sem poder dormir
sem poder sonhar
com essa insônia
de eternidade.

Saturday, July 26, 2008

UM GRANDE POETA

EL VIAJE INFINITO

Jorge Carrera Andrade
Todos los seres viajande distinta manera hacia Su Dios:
La raíz baja a pie por peldaños de agua.
Las hojas con suspiros aparejan la nube.
Los pájaros se sirven de sus alas
para alcanzar la zona de las eternas luces.
El lento mineral con invisibles pasos
recorre las etapas de un círculo infinito
que en el polvo comienza y termina en el astro
y al polvo otra vez vuelve
recordando al pasar, más bien soñando
sus vidas sucesivas y sus muertes.
El pez habla a su Dios en la burbuja
que es un trino en el agua,
grito de ángel caído, privado de sus plumas.
El hombre sólo tiene la palabra
para buscar la luz
o viajar al país sin ecos de la nada.

A Viagem ao Infinito

Todos os seres viajam
De distintas maneiras até seu Deus:
A raiz cria degraus por debaixo d’àgua
As folhas com suspiros embelezam as nuvens.
Os pássaros se servem de suas asas
Para alcançar a zona das eternas luzes.

O lento mineral com invisíveis passos
Percorre as etapas de um circulo infinito
Que em pó começa e termina em estrela
E ao pó outra vez torna.
Recordando ao passar, mas ainda sonhando
Suas vidas sucessivas e suas mortes.

O peixe fala com Deus na bolha
Que é o seu gorjeio na água,
Grito de anjo caído, privado de suas plumas.
O homem só tem a palavra
Para buscar a luz
Ou viajar ao país sem ecos do nada.

UMA POESIA DE OTTO RAÚL GONZALEZ

Diez colores nuevos
(fragmento)

Otto Raúl Gonzalez

Anadrio
Quien primero vio una nube de color anadrio
era un joven pastor de diecisiete abriles
que más tarde fue monarca de su reino
y hombre feliz hasta decir ya no,
porque el anadrio es el color de alegría
y de la buena suerte.
Y de la buena suerte!
Y de la buena suerte!
Y de la buena suerte!
En mil quinientos veinte
un español porquerizo de Castilla
vino a América y cuando se internó en la selva
vio un árbol de color anadrio;
ese mismo soldado de fortuna
más tarde coió con Carlos V
y fue virrey;
porque el anadrio es el color de la alegria
y de la buena suerte.
Y de la buena suerte!
Y de la buena suerte!
Y de la buena suerte!
En la época moderna otras personas
han visto objetos de color anadrio
y su suerte ha cambiado en forma radical.
Un pescador vio una sirena cuya cola
era anadria y desde entonces
pescó y pescó y pescó y ahora
es dueño de una flota ballanera;
porque el anadrio es el color de la alegria
y de la buena suerte.
Y de la buena suerte!
Y de la buena suerte!
Y de la buena suerte!
Vendia periódicos un niño,
rapaz sin desayuno,
de pobreza trajeado,
un día en su camino vio una piedra
que era, por supuesto, de color anadrio
Ese niño actualmente es accionista
de una inmensa cadena de periódicos;
porque el anadrio es el color de la alegria
y de la buena suerte.
Pinte usted
las paredes de su casa
de color anadrio
y le irá bien.
Dez Cores Novas
(Fragmentos)

Anadrio
Quem viu primeiro uma nuvem de cor anadrio
foi um jovem pastor de dezessete primaveras
que mais tarde foi monarca do seu reino
e homem feliz até dizer que não,
porque anadrio é a cor da alegria
e boa sorte.
E boa sorte!
E boa sorte! E boa sorte!
Em mil quinhentos e vinte
um criador de porcos espanhol de Castilla
veio as Américas e quando se internou na selva
viu uma árvore cor de anadrio
Este mesmo soldado da fortuna
lutou mais tarde com Carlos V
e foi vice-rei;
porque anadrio é a cor da alegria
e boa sorte.
E boa sorte!
E boa sorte!
E boa sorte!
Na época moderna outras pessoas
também viram objetos cor de anadrio
e suas sortes mudaram de forma radical.
Um pescador viu uma sereia
cuja cauda era da cor de anadrio
e, desde então,
pescou e pescou e pescou e agora
é dono de uma frota baleeira;
porque anadrio é a cor da alegria
e boa sorte.
E boa sorte!
E boa sorte!
E boa sorte!
Vendia jornais um menino,
sem meios para o almoço, marcado pela pobreza,
um dia no seu caminho viu uma pedra
que era, claro, cor de anadrio.
Esta criança agora é o maior acionista
de uma imensa cadeia de jornais;
porque o anadrio é a cor da alegria
e boa sorte.
Pinte você
as paredes de sua casa
da cor de anadrio
que vai lhe fazer bem.

Nota: Optei por deixar “anadrio” que é uma cor que só existe nos seus olhos quando brilham e não tem tradução em português, porém, suponho ser uma mistura de felicidade com prazer.

Ilustração: www.contocomverso.zip.net

Friday, July 25, 2008

UMA TRAIÇÃO A CUMMINGS

since feeling is first

e.e. cummings

since feeling is first
who pays any attention
to the syntax of things
will never wholly kiss you;

wholly to be a fool
while Spring is in the world

my blood approves,
and kisses are a far better fate
than wisdom
lady i swear by all flowers. Don't cry-
-the best gesture of my brain is less than
your eyelids' flutter which says
we are for eachother: then
laugh, leaning back in my arms
for life's not a paragraph
And death i think is no parenthesis

Desde que senti pela primeira vez

Desde que senti pela primeira vez
que se paga qualquer atenção
para a sintaxe das coisas
nunca deixei totalmente de pensar em lhe beijar;
certamente de ser um tolo
enquanto a primavera é o mundo
o meu sangue aprovou
e os beijos são uma sorte melhor
do que qualquer sabedoria,
minha linda, juro por todas as flores. Não chores
o melhor gesto do meu cérebro é menor
que um aceno com que suas pálpebras dizem
nós somos um para o outro: então
ria, inclinada para trás nos meus braços
que a vida não é um parágrafo
E eu penso que a morte não é parêntese

Ilustração: http://www.surita-farabotti.blogspot.com/

DOS TEMPOS

Lamento marítimo

Sorte, sorte porque me abandonaste?
E, logo quando, mais de ti preciso
para salvar, talvez, o meu espírito
porque meu corpo como acha arde
extinto sim, de forças, tão covarde
que, para nada mais, já tem vontade
nem mesmo de criar novo sentido.
Não digo que cansei de ter vivido,
nem dos nomes, das coisas e do tempo.
Apenas já não tenho nenhum alento,
nem como desfazer os descaminhos,
nem juntar os pedaços que ainda tento.
Quem sabe se imaginasse um mundo novo
ou desimaginasse tudo já passado
não me sobrasse além do desencanto
mesmo que fosse no canto mais perdido
um caminho de volta pros teus braços
e não me visse assim tão amarrado
num barco que pressinto naufragado.

DOCE CAPITU

BELAS TRAIDORAS

A ilusão! A ilusão! É bem mais importante
Que qualquer parcela de verdade.
Toda verdade é tão tola, ignorante
Da razão que guia nossa felicidade.

Não! Peço que não me contem! Não escuto.
Contra evidências valem mais os beijos
Doces realidades contra as quais não luto
E vem de encontro aos meus reais desejos.

Que importância tem se me apontam: o tolo!
Sou quem prova e aprecia o melhor bolo
Estranho, oblíquo, mágico do amor.

Que se lixem os que nunca saberão
Onde o êxtase e o encanto estão:
Nas meigas traidoras que amo sem temor.

Ilustração: http://www.beautful_angel.blogger.com.br/1161440817_www_glamurno_com_9.jpg

Thursday, July 24, 2008

SENTIMENTOS

BALADA DOS SONHOS PERDIDOS

Os sonhos jazem todos abandonados, secos, esquecidos.
Velhos brinquedos de uma criança adulta.
Os sonhos não mais existem.
Que outros, não eu, digam isto,
Embora saiba que o momento de sonhar passou.
Ó sonhos, por que não vos tornastes verdade?
Por que nos deixas assim, diante da realidade,
arída e insípida?

Os sonhos e os deuses não respondem,
De vez que é próprio do poder, calar.
Enquanto a esperança de novos tempos
Morre espremida na janela do engano
Insisto em desejar ainda um sonho
Mesmo quando este desejo
possa parecer loucura
E semelhante resistência à realidade
Sugira o louco que os insanos dizem são.

Se houvesse, ao menos, uma oportunidade...
Pequenina...um furo de agulha
Exisitira, enfim, uma razão plausível,
Para tão inglória luta,
Porém não há.
Na ausência do haver assim perdidos
Os sonhos permanecem na gaveta,
Adormecidos num sono eterno,
Qual estrelas que brilham na lama
Sem direito à imensidão do céu.

Tuesday, July 22, 2008

NOVAMENTE BLANCA VARELA

LA LECCIÓN

Blanca Varela

Como una moneda te apretaré entre mis manos
y todas las puertas cederán
y lo veré todo
y la sorpresa no quemará mi lengua
y comprenderé entonces el crecimiento de las plantas
y el cambio de pelaje en las pequeñas crías.
Hallaré la señal
y la caída de los astros
me probará la existencia de otros caminos
y que cada movimiento engendra dos criaturas,
una abatida y otra triunfante,
y en cada mirada morirá la apariencia
y desnudo y bello
te arrojará la fábrica entre nosotros.


A LIÇÃO

Como uma moeda te apertarei entre minhas mãos
e todas as portas cederam
e eu verei tudo
e a surpresa
não queimará minha língua
e eu compreenderei então o crescimento das plantas
e a mudança do pelo das pequenas crias.

Eu encontrarei o sinal
e a queda das estrelas
me provará a existência de outros caminhos
e que cada movimento gera duas criaturas,
uma abatida e outra triunfante,
e em cada olhar morrerá a aparência
e despido e bonito
te jogarei a fábrica entre nós.

SEJA LÁ COMO FOR...

Vou dizer...um dia

Não vou dizer teu nome.
Teu nome não vou dizer.
Só porque, aí, me consome
Esta ausência de querer.

Teu nome nunca digo.
Eu nunca dito teu nome.
Apenas com ele brigo
Se tua imagem me some.

Um dia direi teu nome
Com o doce som da alegria
De quem matou sua fome.
Sem ter esta nostalgia.

Ilustração: picasaweb.google.com/.../ej346wOfhZGTBPj4VH6ktQ

Monday, July 21, 2008

UMA POESIA DE T.S. ELIOT

Toilets

by T.S. Eliot

Let us go then, to the john,
Where the toilet seat waits to be sat upon
Like a lover's lap perched upon ceramic;
Let us go, through doors that do not always lock,
Which means you ought to knock
Lest opening one reveal a soul within
Who'll shout, "Stay out! Did you not see my shin,
Framed within the gap twixt floor and stall?
"No, I did not see that at all.
That is not what I saw, at all.

To the stall the people come to go,
Reading an obscene graffito.

We have lingered in the chamber labeled "Men"
Till attendants proffer aftershave and mints
As we lather up our hands with soap, and rinse.

Banheiros

Vamos, então, para o João,
Onde o assento da privada nos espera para sentar
Tal como uma amante com o colo sobre cerâmica;
Vamos, por portas que nem sempre tem fechaduras,
O que significa que você deve bater antes
Sob pena de abrir uma e revelar mais do que uma alma interna
Que vai gritar, "Parado aí! Você não consegue ver minha perna,
Enquadrada entre a fresta do chão e a porta do sanitário? "
Não, eu não vi em todos.
Não é isto que eu vi, em tudo.

Para os sanitários as pessoas vêm,
Para ler algum obsceno grafite.
Temos placas pregadas nas portas "Homens"
E atendentes oferecendo loção após barba e balas de hortelã
Como nós com as mãos lavadas com sabonete e enxaguadas.

Ilustração: www.usp.br/agen/rede478.htm

COISAS DO PASSADO

Drama

Derramar lágrimas de amor
Por um amor
Que não há.
Ameaçar morrer ou matar
Pelo amor de um melodrama,
Pelo prazer de ver
No rosto que se ama
A sombra de um remorso.
Beber...dois dias, três dias, uma semana
Escandalizando o mundo e as damas
Pelo conhecimento profundo do palavrão.
Depois curado
Achar tudo muito engraçado
Que, por tão pouco,
Se tenha feito tanto sem razão.

Ilustração: http://www.smuc.ac.uk/nick_photos/Drama-Phy-Th-index.jpg

Saturday, July 19, 2008

MAIS UM POEMA DA PERUANA BLANCA

ASÍ SEA

Blanca Varela

El día queda atrás,
apenas consumido y ya inútil.
Comienza la gran luz,
todas las puertas ceden ante un hombre
dormido,
el tiempo es un árbol que no cesa de crecer.
El tiempo,
la gran puerta entreabierta,
el astro que ciega.
No es con los ojos que se ve nacer
esa gota de luz que será,
que fue un día.
Canta abeja, sin prisa,
recorre el laberinto iluminado,
de fiesta.
Respira y canta.
Donde todo se termina abre las alas.
Eres el sol,
el aguijón del alba,
el mar que besa las montañas,
la claridad total,
el sueño.

Assim Seja

O dia de ontem
Apenas consumido e já inútil.
Começa a grande luz,
todas as portas cedem diante de um homem
adormecido,
o tempo é uma árvore que não cessa de crescer.
O tempo,
A grande porta entreaberta
O astro que os cega.
Não é com os olhos que se vê nascer
Esta gota de luz que será
que foi um dia.
Canta a abelha, sem pressa,
atravessa o labirinto iluminado,
em festa.
Respira e canta
Quando tudo termina abre as asas.
És o sol,
O aguilhão da madrugada,
a mar beija a montanha,
a claridade total,
o sono.

TRÊS POEMAS DE BLANCA VARELA

CURRICULUM VITAE

Blanca Varela

digamos que ganaste la carrera
y que el premio
era otra carrera
que no bebiste el vino de la victoria
sino tu propia sal
que jamás escuchaste vítores
sino ladridos de perros
y que tu sombra
tu propia sombra
fue tu única
y desleal competidora.

Curriculum Vitae

digamos que vencestes a corrida
e que o prêmio foi outra corrida
que não bebestes o vinho da vitória
mas o seu próprio sal
Jamais escutastes os hinos ao vencedor
mas sim o ladrar dos cães
e tua sombra
a tua própria sombra
foi tua única e desleal competidora.


HISTORIA

puedes contarme cualquier cosa
creer no es importante
lo que importa es que al aire mueva tus labios
o que tus labios muevan el aire
que fabules tu historia tu cuerpo
a toda hora sin tregua
como una llama que a nada se parece
sino a una llama

História

Podes me contar qualquer coisa
crer não é importante
o que importa é que o ar move teus lábios
ou que teus lábios movem o ar
que contes a tua história,
o teu corpo a toda hora
sem tréguas como
uma chama a que nada se parece
senão a uma chama


TODA LA PALIDEZ INEXPLICABLE ES EL RECUERDO

VII

Toda la palidez inexplicable es el recuerdo.

Travesía de muralla a muralla,
el abismo es el párpado,
allí naufraga el mundo
arrasado por una lágrima.

Toda a palidez inexplicável é a memória

VII

Toda palidez inexplicável é a memória.

Travessia de parede à parede,
O abismo é a pálpebra,
Ali naufraga o mundo
Destruído por uma lágrima.

Friday, July 18, 2008

HISTÓRIA COMUM






Flor da Ruína

Que de tudo necessitava para destruir
Era uma realidade que não sabia explicar
E explicava que, se as coisas não quebrassem,
Os comerciantes não venderiam nada.

Mas, no íntimo, sofria com tal mistério.
Ainda mais por ter as coisas e as pessoas
Como um complemento do prazer de viver
No qual, sem saber, se incluía o destruir

E funcionava como uma espécie de magia
Porque, no fundo, os que queriam afundar
Descobriam, num olhar, o seu destino-
Que não se negava como não costuma.

E logo, numa onda, em espuma morria
Toda vontade e o naufrago a se arrastar
Consentia em ir, ao léu, pelo mar de sua agonia
Mole, fraco, frágil e , ao fim, masoquista.

Ela nem sentia nas conquistas prazer
Tanto que mudava de par e de sexo
Na busca infrutífera de mudar seu ser
Que rosa do lôdo vicejava no esgoto.

Assim, pouco a pouco, sua grandeza
Em realeza convertida ganhou os salões
E a mulher da vida virou grande dama,
Mas, seus feitos na cama não a satisfaziam.

De forma que arranjou formas de ruir
Quem a elevou e muitos, muitos mais,
Numa fúria de destruição tão cruel
Que a si mesmo envenenou e matou

Sem precisar mais do que palavras,
Seu sexo ardente, sua naturalidade
Em se dar e dspertar fortes paixões
Que seu instinto não negava em satisfazer.

E eram muitos a procura-lá como um farol
De luxúria, gozos e gastos exagerados
E eles eram mais culpados por se apegar
Ao que sabiam ser sua fatal ruína.

Ela era só uma menina que se queixava
De que mal gostava de seu brinquedo
Este acabava destruído por um mundo
Que nunca lhe satisfez os sentidos.

UM POEMA DE ALDINGTON

Daisy

Richard Aldington


You were my playmate by the sea.
We swam together.
Your girl's body had no breasts.

Today I pass through the streets.
She who touches my arm and talks with me
Is who knows? Helen of Sparta,
Dryope, Laodamia.

And there you are
A whore in Oxford Street.


Daisy

Você foi minha companheira pelo mar.
Nós nadamos juntos. Seu corpo de menina não tinha seios.
Hoje eu passo pelas ruas.
Ela quem toca meu braço e fala comigo
Você sabe quem sou? Helena de Esparta,
Dryope, Laodâmia.
E aí está você

SIMPLESMENTE BORGES

A LUIS DE CAMOENS

Jorge Luis Borges

Sin lástima y sin ira el tiempo mella
Las heroicas espadas. Pobre y triste
A tua pátria nostálgica volviste,
Oh Capitán, para morir en ella
Y con ella. En el mágico disierto
La flor de Portugal se habia perdido
Y el áspero espanhol antes vencido
Amenazaba sua costado abierto.
Quiero saber si aquen de la ribera
Última comprendiste humildemente
Que todo lo perdido, el Occidente
Y el Oriente, el acero e la bandera
Perduraria (ajeno a toda humana
Mutación) en tu Eneida lusitana.


A LUIS DE CAMÕES

Sem lástima nem ira o tempo há enferrujado
As heróicas espadas. Pobre e triste
A tua pátria saudoso voltaste
Oh! Capitaão, para ser nela enterrado
E com ela. No mágico deserto
A flor de Portugal se havia perdido
E o áspero espanhol antes vencido
Ameaçava o seu costado aberto.
Quero saber, se aquém da ribanceira
Ùltima, compreendeste humildemente
Que tudo que se perdeu, o Ocidente,
E o Oriente, as armas e a bandeira,
Perdurará (alheio a toda humana
Mudança) na tua Eneida lusitana.

Ilustração: http://www.arquimedeslivros.com/loja/images/camoes.jpg

Thursday, July 17, 2008

AMOR EM TEMPOS DE INDIFERENÇA

OS VELHOS CASAIS

Vivemos na mesma casa. O quarto é comum,
Comum a cama, a insatisfação do fim de semana,
A imensa solidão que nos afasta e irmana
Nossos corpos que, de dois, não faz nenhum.

Vivemos a mesma vida. Mas que vida?
Um arrastar de espectros medíocres
Incapazes de gritar contra a medida
Social que nos torna mortos, biltres.

Vivemos o mesmo pesadelo. No espelho
As marcas do tempo, olhos vermelhos,
Sem chorar nos sentimos até fortes.

Vivemos o mesmo tédio. A coragem,
Que nos falta, nos serve de pajem
E nem precisamos esperar por nossas mortes.

É UM CICLO

TENTAÇÃO




E quando na noite o amor acontece
Selvagem, sempre cego de paixão,
Acredito que o amor é uma ilusão,
No entanto o existir permanece.

E quando a manhã tudo esclarece
Sob o brilho do sol e da floresta
A vida toda até parece uma festa
E me junto aos mais fíeis em uma prece

E mal a tarde morre lentamente
De volta toda dúvida me assalta
Por ter tanto desejo tão latente

E bem embriagado logo almejo
Parar o coração que já me salta
Na sensação deliciosa de outro beijo.


Ilustração: http://www.blackheath-gallery.co.uk/imag-sp2005/gorg.jpg

Wednesday, July 16, 2008

WILLIAM BLAKE

Likable Wilma

by William Blake


Wilma, Wilma, in thy blouse,
Red-haired prehistoric spouse,
What immortal animator
Was thy slender waist's creator?
When the Rubble clan moved in,
Was Betty jealous of thy skin,
Thy noble nose, thy dimpled knee?
Did he who penciled Fred draw thee?
Wilma, Wilma, burning bright, ye
Cartoon goddess Aphrodite,
Was it Hanna or Barbera
Made thee hot as some caldera?


Adorável Wilma
Wilma, Wilma, na tua blusa,
Cabelos vermelhos pré-históricos do marido,
Que imortal animador
Foi o criador da tua esbelta cintura?
Quando a clã movia-se nos escombros,
Betty teve inveja de tua pele,
Do teu nobre nariz, da covinha de teu joelho?
Foram eles por Fred desenhados?
Wilma, Wilma, queimando brilhante, vós
Deusa dos quadrinhos, Afrodite,
Foi Hanna ou Barbera
Quem te fez tão quente como uma caldeira?