Monday, February 23, 2009

CARNAVAL



Carnaval, ilusão da alegria,
Mágica inútil de três dias
De mudar o mundo com a fantasia

Friday, February 20, 2009

CREELEY


The Carnival

Robert Creeley

Whereas the man who hits
the gong dis-
proves it, in all its
simplicity --

Even so the attempt
makes for triumph, in
another man.

Likewise in love I
am not foolish or in-
competent. My method is not a

tenderness, but hope
defined.

O Carnaval

Considerando o homem quem bate
o gongo diz -
prove-o, com toda a sua
simplicidade-

Até mesmo assim para
ver a vitória, em
outro homem.

Igualmente no amor eu
não sou tolo ou in-
competente. Meu método não é uma

ternura, mas uma esperança
definida.

HAI KAI


DA INCOMPREENSÃO

Terrível e impressionante mistério.
Eu que sou palhaço o ano inteiro
No carnaval sinto-me sério.

Ilustração: picasaweb.google.com/.../27FmcTqxvAU6mmSdX4D-Cw

Wednesday, February 18, 2009

PAUL CURTIS


Unique

Paul Curtis

Always remember that you're unique
Unequalled, uncommon, c’est magnifique
One of a kind quite, special and rare
Singular, original, not one of a pair
Special, the exceptional you embody
You're really unique, just like everybody


Único

Sempre lembre que você é único
Inigualável, incomum, c'est magnifique
Um espécie perfeita, especial e rara
Singular, original, um que não tem par
Especial, um tipo excepcional em você se encarna
Você é realmente único, assim como todo mundo.

Ilustração: bruisesandstrawberrygashes.blogspot.com

AINDA CURTIS


Mars Walk

Paul Curtis

After many years of trying
And years of deep space flying
After journeying across the stars
We finally land a man on Mars
He begins his walk at sunrise
And then he finds to his surprise
After exploring near and far
An Irish pub and a burger bar.

Passeio em Marte

Depois de muitos anos de tentativas
E anos de profundos vôos espaciais
Em jornadas em volta das estrelas
Nós finalmente colocamos um homem em Marte
Ele iniciou sua caminhada ao amanhecer
E então encontrou para sua surpresa
Depois de explorar próximo e distante
Um bar irlandês e uma lanchonete de sanduíches.

Ilustração: idealismodebuteco.wordpress.com/.../

O HUMOR DE CURTIS


Is This Art?

Paul Curtis

Martin Creed or Damien Hirst
Collins, Gormley which one's worst
A pickled sheep in formaldehyde
A light goes on and off inside
The truth about salt and paper crumpled
Painting by numbers and things untitled
A pile of bricks, an unmade bed
Is this art or is art dead?

Isto é arte?

Martin Creed ou Damien Hirst
Collins, Gormley ou um pior ainda
Uma ovelha picotada em formol
Uma luz que entra e sai
A verdade sobre o sal e o papel amassado
A pintura por números e as coisas sem título
Uma pilha de tijolos, uma cama desarrumada
É isto arte ou a morte da arte?

Ilustração: www.raninho.com.br

Tuesday, February 17, 2009

DANTE SALGADO


BALANDRA

Dante Salgado
I
Al mar
hay que volver al mar
y ahogarse de verdad
para saber lo que es la vida
________________________________________
En tus ojos hay años de sequía
en tus manos un desierto extenso
por eso te enferma la lluvia
y te duele tanto el agua
________________________________________
He vuelto
en medio del silencio
para no cumplir la promesa
de morir por mi propia boca

Balandra
I
O mar
tem que voltar ao mar
e afogar-se de verdade
para saber o que é a vida
________________________________________
Nos teus olhos há anos de seca
nas tuas mãos um imenso deserto
por isto te adoece a chuva
E te dói tanto a àgua
____________________________________
Estou de volta
em meio ao silêncio
Para não cumprir a promessa
De morrer por minha própria boca.

Mc-Liberty


EL LIBRO BUSCA AL LAPIZ

Meztli Vianey Suarez Mc-Liberty

Cuando la muerte pasa sobre el libro,
la vida guarda en su ataúd
esa vieja escritura…
¿Quién traza letras descompuestas?
¿Quién juega con el alma
que busca la noche en tu cuerpo?
¿Dónde el hombre, la palabra,
Dios en este libro que alguien abre?

O livro busca o lápis

Quando a morte passa sobre o livro,
a vida guarda em seu ataúde
esta velha escritura...
Quem traça as letras descompostas?
Quem joga com sua alma
que busca a noite em teu corpo?
Onde o homem, a palavra,
Deus neste livro que alguém abre?

Monday, February 16, 2009

UM POETA CHILENO


EL PECECITO

Óscar Jara Azócar

Bailando está el pececito
en su salón de cristal;
brilla su traje bordado
con escamas de coral.
Cuenta de estrellas en los ojos
que no cierra en el dormir:
¡pececito, yo te quiero,
porque danzas para mí!


O peixinho

Dançando está o peixinho
no seu salão de cristal;
brilha no seu traje bordado
com escamas de coral.
Conta estrelas nos seus olhos
que não se fecham pra dormir:
peixinho, eu te quero,
porque danças para mim!

MAMÃE..MAMÃEZITA


EN TUS BRAZOS

Germán Verdiales

Mamita, mamaita,
si tú fueses árbol,
tu hijito en tus ramas
quisiera ser pájaro.
Si tú fueses río
que al mar va cantando,
tu hijito en tus aguas
quisiera ser barco.
Mamita, mamita,
si fueses un río
o fuese un árbol,
tú me acunarías
igual en tus brazos.


Nos teus braços

Mamãe, mamãezita,
se tu fosses árvore,
teu filho em teus ramos
quisera ser pássaro.
Se tu fosses rio
que ao mar vai cantando,
teu filhinho em tuas águas
quisera ser barco.
Mamãe, mamãezita
se fosses um rio
ou fosse uma árvore
tu me acolherias
igual em teus braços.

AMADO NERVO


LA ARDILLA

Amado Nervo


La ardilla corre,
la ardilla vuela,
la ardilla salta
como locuela.
Mamá, la ardilla-
¿No va a la escuela?
Ven, ardillita, tengo una jaula
que es muy bonita.
-No, yo prefiero
mi tronco de árbol
y mi agujero.

O esquilo

O esquilo corre,
o esquilo volta,
esquilo salta
como um louco.
Mãe, o esquilo
Não vai à escola?
Venha, esquilinho, tenho uma gaiola
que é muito bonita.
-Não, eu prefiro
meu tronco de árvore
e o meu buraco.

QUASE INFANTIL


ABUELITA

Tomás Allende

Quien subiera tan alto
como la luna
para ver las estrellas
una por una,
y elegir entre todas
la más bonita
para alumbrar el cuarto
de la abuelita.


Avózinha


Quisera subir tão alto
Como a lua
Para ver as estrelas
Uma por uma
E eleger entre todas
A mais bela
Para iluminar pela janela
O quarto de minha
Avózinha.

Saturday, February 14, 2009

GEORGE ELIOT



ROSES

George Eliot

You love the roses - so do I. I wish
They sky would rain down roses, as they rain
From off the shaken bush. Why will it not?
Then all the valley would be pink and white
And soft to tread on. They would fall as light
As feathers, smelling sweet; and it would be
Like sleeping and like waking, all at once!


Rosas

Você ama as rosas – assim como eu. Eu desejo
Que elas caíam do céu como a chuva e como a chuva
Se dissolvam em gotas sobre o arbusto. Porque será que não?
Então todo o vale seria rosa e branco
E suave para trilhar. Elas cairiam em forma de luz
Como penas, perfumadamente doces, e seria
Como dormir e gostar de acordar, todos de uma vez!

UMA POESIA DE RITA DOVE



EXIT

Rita Dove

Just when hope withers, the visa is granted.
The door opens to a street like in the movies,
clean of people, of cats; except it is your street
you are leaving. A visa has been granted,
"provisionally"-a fretful word.
The windows you have closed behind
you are turning pink, doing what they do
every dawn. Here it's gray. The door
to the taxicab waits. This suitcase,
the saddest object in the world.
Well, the world's open. And now through
the windshield the sky begins to blush
as you did when your mother told you
what it took to be a woman in this life.

SAÍDA

Justo quando a esperança chega ao lombo, o visto é concedido.
A porta abre para uma rua, como nos filmes,
limpas de pessoas, de gatos, exceto se é sua rua
que está deixando. O visto foi concedido,
"provisoriamente"-uma palavra aflitiva.
As janelas que você havia fechado atrás
você abre em rosa, fazendo o que fazem
todo amanhecer. Aqui é cinza. A porta
para o táxi espera. Esta mala,
o objeto mais triste do mundo.
Bem, o mundo é aberto. E agora, através do
o pára-brisas o céu começa a corar
como você fez quando sua mãe lhe disse
aquilo que teve de ser como mulher na vida.

Sunday, February 08, 2009

TEMPOS



FLASH

O sentimento de que nada dura
Também, em mim, não permanece.
Nenhuma emoção perdura
E a pressa apressa a prece.

O tempo, a vida, as coisas correm.
O novo, num minuto, envelhece.
Pelos dedos os fatos escorrem
E toda luz, toda cor esmaece.

Não há mais nada de sólido
No passar veloz do bólido
Que se denomina imagem.

No ir e vir sem medo ou espanto
Tudo é igual em todo canto
Só muda o olhar, a paisagem.

(De Imagens da Incerteza, 1988).
Ilustração: NASA

Saturday, February 07, 2009

GUILLÉN



Vaso de agua

Jorge Guillén

No es mi sed, no son mis labios
Quienes se placen en esa
Frescura, ni con resabios
De museo se embelesa
Mi visión de tal aplomo:
Líquido volumen como
Cristal que fuese aun más terso.
Vista y fe son a la vez
Quienes te ven, sencillez
Última del universo.

Copo de água

Não é minha sede, não são meus lábios
Que se comprazem neste
Frescor, nem com ressaibos
De museu se embeleza
Minha visão de tal aprumo:
Líquido volume como
Cristal que fosse e ainda mais terso,
Vista e fé de uma só vez
De quem te vem, sensibilidade
Última do universo.

Ilustração: http://www.dearte.com.br/dearte/acervo/obras/12-Fang-vaso%20na%20janela-133%5B1%5D.180serigrafia-50x70cm.jpg

UNAMUNO


¿Qué es tu vida, alma mía?

Miguel de Unamuno

¿Qué es tu vida, alma mía?, ¿cuál tu pago?,
¡Lluvia en el lago!
¿Qué es tu vida, alma mía, tu costumbre?
¡Viento en la cumbre!

¿Cómo tu vida, mi alma, se renueva?,
¡Sombra en la cueva!,
¡Lluvia en el lago!,
¡Viento en la cumbre!,
¡Sombra en la cueva!

Lágrimas es la lluvia desde el cielo,
y es el viento sollozo sin partida,
pesar, la sombra sin ningún consuelo,
y lluvia y viento y sombra hacen la vida.

Que é tu vida, alma minha?

Que és tu vida, alma minha? Qual o seu valor?
Chuva no lago!
Que é tua vida, alma minha, teu costume?
Vento no caverna!

Como tua vida, minha alma, se renova?
Sombra na caverna!
Chuva no lago!
Vento no alto!
Sombra na caverna!

Lágrimas é a chuva que vem do céu,
E é o vento soluça sem partida,
Pesar, a sombra sem nenhum consolo,
E chuva, vento e sombra fazem a vida.

Ilustração: http://www.textolivre.com.br/joomla/user_images/hand.jpg

Friday, February 06, 2009

NOVAMENTE SCORZA



ROSA ÚNICA


Manuel Scorza


La hierba crece ahora
en todos los crepúsculos donde antes sonreías.

La hierba o el olvido. Es igual.
Entre mi dolor y tu silencio,
hay una calle por donde te marchas lentamente.

Hay cosas que no digo porque ciertas palabras
son como embarcarse en interminables viajes.
Para mi amor siempre tendrás veinte años.
Mientras yo cante en tus ojos habrá agua limpia.
Ya para siempre
mi amor te circunda de cristal.

Puedes morir mil veces.
Inmutable en mi canto estás.
Puedo olvidarte.
Mas olvidada, resplandecerás.

¿Qué son las luciérnagas
sino remotas luces
que extintos amadores antaño encendieron?
¿Qué son sino carbones
de hogueras que perduran,
tras que sus caras y sus bocas se rompieron?

Te digo que ni el rocío
con tu rostro se atreverá

No envejecerá la muchacha
que, reclinada en mi sangre,
un día miró una rosa hasta volverla eterna.

Ahora la Rosa eterna está.
Yo la distingo única,
perfecta, en los jardines.
Por las montañas y collados
búscanla gentíos.
Sólo mis ojos que tus ojos vieron,
la pueden mirar.

Rosa Única

As ervas crescem agora
Em todos os crepúsculos onde antes sorrias.

As ervas ou o esquecimento. Tudo igual.
Entre minha dor e teu silêncio
Há uma rua pela qual marchas lentamente.

Há coisas que não digo porque certas palavras
São como embarcar em intermináveis viagens.

Para o meu amor sempre terás vinte anos.
Ainda que eu cante nos teus olhos sempre haverá água limpa.
E, para sempre,
Meu amor te circunda de cristal.

Podes morrer mil vezes.
Imutável em meu canto estais.
Posso esquecer-te,
Mas, esquecida, resplandecerás.

Que são vagalumes
Senão remotas luzes
Que, no passado, amadores incendiaram?
Que são senão carvões
de fogueiras que perduram,
até que suas faces e bocas se rompam?

Te digo que nem o orvalho
com teu rosto se atreverá

No envelhecerá a moça
que, reclinada em meu sangue,
Um dia olhou uma rosa até fazê-la eterna.

Agora a Rosa eterna está.
Eu a distingo como única,
perfeita, nos jardins.
Pelas montanhas e encostas
buscam por elas os índios.
Só meus olhos que teus olhos viram,
Podem ver.

Ilustração: http://www.carol_biav.blogger.com.br/05maratoledo.jpg

Thursday, February 05, 2009

UMA POETISA ESPANHOLA



Es un río interminable el silencio...

María Cinta Montagut

Es un río interminable el silencio
En cuyas aguas sólo la vida,
Sólo los minutos cada día aprendidos
Traducen el destino y lo anuncian
Más allá de la muerte.
También es río el camino del mar
Como la sangre o las palabras.
Pero sólo el silencio es la suma
De todo cuanto el tiempo ofreció
Y negó el tiempo.

É um rio interminável o silêncio

É um rio interminável o silêncio
Em cujas águas só há vida,
Só os minutos cada dia aprendidos
Traduzem o destino e o anunciam
Mais além da morte.
Também é um rio o caminho do mar
Como do sangue ou das palavras.
Porém, só o silêncio é a soma
De tudo quanto o tempo ofereceu
E negou ao tempo.







Ilustração: http://www.globoonliners.com.br/upload/escritofoto/1671_im_grande.jpg

BEDREGAL


RESACA

Yolanda Bedregal

Cuando ya la resaca deje mi alma en la playa,
y del arco agobiado de mi espalda se vaya
el ala cercenada, cual vela desafiante,
en cicatriz y estela prolongará el instante.

Quedarán vigilando, símbolo intrascendente,
dos pobres ojos pródigos y una mendiga frente.
¡Catacumba de agua, amor! ¡No me conoces!
Ni nadie nos conoce. Sólo hay fugaces roces,
desencuentros, en la prieta mudez de encrucijadas.

Expían su demora presencias nunca halladas.
No son cruz ya los brazos ni altar para holocausto
de salvajes ternuras. Con su claror exhausto,
un sol desalentado ahonda los abismos.
Somos polvo y lucero, todo en nosotros mismos.
Para esta elemental ceniza taciturna
sea la inmensa lágrima del Mar celeste urna.


Ressaca

Depois que a ressaca deixou minha alma na praia
e do arco agoniado das minhas costas parte
a asa grampeada, qual desafiante vela,
que cicatriz e a estrela prolonga o momento.

Estarão vigiando, símbolo do insignificante,
dois pobres olhos pródigos e um mendigo rosto.
Catacumba da água, amor! Não me conheces!
Nem ninguém nos conhece. Somente há fugazes gotas,
Desencontros, na preta mudez das encruzilhadas

Espiam sua demora presenças nunca encontradas.
Não são cruzes já os braços nem o altar para o holocausto
De selvagens ternuras. Com seu clarão esgotado,
Um sol desanimado aprofunda os abismos.
Nós somos poeira e luz, tudo em nós mesmos.
Para esta cinza elementar taciturna
Seja esta imensa lágrima do mar celeste urna.

Wednesday, February 04, 2009

BEDRAGAL


CANCIÓN DE LA ESPERANZA

Yolanda Bedregal

Canción de la esperanza
en el camino inútil
de mi vida, tus manos
cruzan como dos alas
cargadas de ternura

Canção da Esperança

Canção da esperança
No caminho inútil
De minha vida, tuas mãos
Cruzam como duas asas
Carregadas de ternura.

Sunday, February 01, 2009

BUSCA



Na luz dos olhos teus

Fui atrás do amor

Conheci o sabor do adeus!


Imagem: Nikolay Okhitin

Saturday, January 31, 2009

OUTRA DE LUIS ROSALES


AUTOBIOGRAFÍA

Luis Rosales

Como el náufrago metódico que contase las olas
que faltan para morir,
y las contase, y las volviese a contar, para evitar
errores, hasta la última,
hasta aquella que tiene la estatura de un niño
y le besa y le cubre la frente,
así he vivido yo con una vaga prudencia de
caballo de cartón en el baño,
sabiendo que jamás me he equivocado en nada,
sino en las cosas que yo más quería.

Autobiografía

Como o naufrago metódico que contasse as ondas
que faltam para morrer,
e as contasse, e retornasse a contar, para evitar
erros, até a última,
até aquela que tem a estatura de um menino
e lhe beija e lhe cobre de frente,
assim eu tenho vivido com uma vaga prudência de
um cavalo do cartão no banho,
sabendo que nunca me equivoquei em nada,
exceto nas coisas que eu mais queria.

Ilustração: http://notasaocafe.files.wordpress.com/2007/11/autobiography1.jpg

Obs.: Não saiu o crédito, mas, a foto ilustrativa debaixo, da outra poesia de Luis Rosales é de gustavonogueira.files.wordpress.com

LUIS ROSALES


¿EN DÓNDE EMPIEZA NUESTRA SOMBRA?

Luis Rosales

Sabes que llega un día en que el suelo que pisas se
convierte en pared,
ésta es la gran lección
y la medianería que separa los muertos de los vivos;
los extremos se tocan,
no podemos salir de su contigüidad,
más tarde o más temprano
en cada orilla queda un muerto nuestro.


ONDE COMEÇA NOSSA SOMBRA?

Você sabe que chega um dia em o soloc que pisas se
converte em parede,
esta é a grande lição
e a linha que separa os mortos dos vivos;
os extremos se tocam,
nós não podemos sair de sua contigüidade,
mais tarde ou mais cedo
em cada beira do caminho se encontra um dos nossos mortos.

Wednesday, January 28, 2009

OUTRA VEZ SCORZA




MÚSICA LENTA

Manuel Scorza

Para que tú entres,
a veces de tristeza, el corazón se me abre.

Como una puerta tímida,
para que tú entres, el corazón se me abre.

Pero tú no vienes,
no vuelas más sobre los campos.

En vano mi corazón
a la ventana de su dolor se asoma.
Pasas de largo,
como si el viento
soplase sólo para allá.

Pasa la mañana y no viene la tarde.
Y el corazón se me cierra,
como una mano sin nadie, el corazón se me cierra

Música Lenta

Para que tu entres,
Às vezes de tristeza, o coração se abre.

Como uma porta tímida,
Para que tu entres, o coração se abre.

Porém, tu não vens,
Não voltas mais pelos campos.

Em vão meu coração
Na janela de sua dor assoma.
Passas ao largo.
Como se o vento
Soprasse só para lá.

Passa a manhã e não vem a tarde.
E o coração não se fecha
Como um mão sem nada, o coração não se fecha.

UMA POETISA BOLIVIANA


VIAJE INÚTIL

Yolanda Bedregal

Para qué el mar?
Para qué el sol?
Para qué el cielo?
Estoy de viaje hoy día
en viaje de retorno
hacia aquella palabra sin orillas
que es el mar de mi misma
y de tu olvido.
Después de que te he dado mar y cielo
me quedo con la tierra de mi vida
que es dulce como arcilla
mojada en sangre y leche.
Ahora me sobra todo lo que tuve
porque soy como acuario y como roca.
Por mi sangre navegan peces ágiles
y en mi cuerpo se enredan las raíces
de unas plantas violetas y amarillas.
Tengo en la espalda herida
cicatrices de alas inservibles,
y un poquito en mis ojos todavía
hay humedad inútil de recuerdos.
Pero, que importa todo esto ahora?
cuanto estiro los brazos y no hay nada
que no sea yo misma repetida.
Acaso no soy mar y no soy roca?
Misterios de colores en mi vida
suben y bajan en mareas altas
y extraños animales y demonios
se fingen ángeles y helechos en mis grutas.
Están además el mar, el sol, la tierra.
Ahora que he vuelto de un amor inmenso,
tengo ya en la palabra sin orillas
lo que pudo caber entre sus manos.


Viagem inútil

Para que o mar?
Para que o sol?
Para que o céu?
Estou de viagem hoje em dia
Viagem de retorno
Até aquela palavra sem beiras
Que é o mar de mim mesma
E do teu esquecimento.
Depois de ter te dado mar e céu
Acabo com a terra em minha vida
Que é doce como argila
Molhada em sangue e leite.
Agora em sobra tudo que tive
Porque sou como aquário e como rocha.
Por meu sangue navegam peixes ágeis
E no meu corpo se enredam as raízes
De umas plantas violetas e amarelas.
Tenho na espádua ferida
Cicatrizes das asas inservíveis,
E um pouquinho dos meus olhos, todavia,
Tem a umidade inútil das recordações.
Porém, o que importa tudo isto agora?
Quando estendo os braços e não há nada
Que não seja eu mesma repetida.
Acaso não sou mar e não sou rocha?
Mistérios de cores em minha vida
Sobem e descem nas marés altas
E estranhos animais e demônios
Se fingem anjos e eleitos nas minhas grutas.
Estão ademais o céu, o sol e a terra.
Agora que ele voltou de um amor imenso
Tenho já na palavra sem beiras
O que pode caber entre suas mãos.

Ilustração: www.cindyeu.zip.net/

Tuesday, January 27, 2009

A POESIA DE SCORZA


SERENATA

Miguel Scorza


Íbamos a vivir toda la vida juntos.
Íbamos a morir toda la muerte juntos.
Adiós.

No sé si sabes lo que quiere decir adiós.
Adiós quiere decir ya no mirarse nunca,
vivir entre otras gentes,
reírse de otras cosas,
morirse de otras penas.
Adiós es separarse, ¿entiendes?, separarse,
olvidando, como traje inútil, la juventud.

!Íbamos a hacer tantas cosas juntos!
Ahora tenemos otras citas.
Estrellas diferentes nos alumbran en noches diferentes.
La lluvia que te moja me deja seco a mí.
Está bien: adiós.
Contra el viento el poeta nada puede.

A la hora en que parten los adioses,
el poeta sólo puede pedirle a las golondrinas
que vuelen sin cesar sobre tu sueño


Serenata

Íamos viver toda vida juntos.
Ìamos morrer toda morte juntos.
Adeus.

Não sei se sabes o que quer dizer adeus.
Adeus quer dizer já não nos olharmos nunca,
Viver outras pessoas,
Rir-se de outras coisas,
Morrer-se de outras penas.
Adeus é separar-se, entendes?, separar-se,
Esquecendo-se, como roupa inútil, a juventude.

Iríamos fazer tantas coisas juntos!
Agora temos outras canções.
Estrelas diferentes nos iluminam em noites diferentes.
A chuva que te molha deixa-me seco.
Está bem: adeus.
Contra o vento o poeta nada pode.

Na hora em que partem os adeuses
O poeta só pode pedir as andorinhas
Que voem sem cessar sobre teu sono.












Ilustração: www.platanos.coloridos.zip.net

O WILLIAM



138

William Shakespeare

When my love swears that she is made of truth
I do believe her, though I know she lies,
That she might think me some untutor'd youth,
Unlearned in the world's false subtleties.
Thus vainly thinking that she thinks me young,
Although she knows my days are past the best,
Simply I credit her false speaking tongue:
But wherefore says she not she is unjust?
And wherefore say not I that I am old?
O, love's best habit is in seeming trust,
And age in love loves not to have years told:
Therefore I lie with her and she with me,
And in our faults by lies we flatter'd be.

138

Quando meu amor jura dizer a verdade
Creio nela, ainda quando sei que mente,
Prendendo-a na crença da minha juventude,
E de que não aprendi a falsidade reinante.
Assim é inútil que ela me pense imaturo,
Ainda se sabe que já passaram meus melhores dias.
Somente crédito à língua sua fala falsa, juro,
Mas, sabemos que suas intenções são pias.
Porém, por que não me diz que envelheci?
E por que não lhe digo que velho estou?
Oh! O amor melhor vive na confiança em si,
E o tempo e o amor não tem mesmo idade:
Portanto ela mente e eu mentindo vou,
E nossas mentiras se tornam verdades.

Monday, January 26, 2009

MARÍA SANZ OUTRA VEZ



LA MEMORIA


Si quieres olvidar, si no te basta
con ahuyentar heridas y desprecios,
acuérdate del día en que un poema
te liberó del mundo y sus engaños.

A MEMÓRIA

Se quiseres esquecer, se não te basta
Afugentar as feridas e os desprezos,
Lembra-te do dia em que um poema
te liberou do mundo e de seus enganos.

Ilustração: http://populo.weblog.com.pt/arquivo/memoria.jpg

UMA POETISA ESPANHOLA



ARGONAUTA

Intrépido muchacho
aquél... Buscó mi templo
entre cientos de islas
para verme de cerca,

por saber si era cierto que yo estaba
desnuda entre unas míticas columnas
cuyo blancor se alzaba sobre el índigo
sereno de las olas.

Bello muchacho aquél... Rozó mis piernas
que ardían con el sol, tentó mi talle
ceñido por la brisa, y en mis manos
sus dorados cabellos se prendieron.

Dulce muchacho aquél... Llegó a dormirse
junto a mi pedestal, mas con el alba
-siempre hay un alba-, regresó a su nave.

Nunca se han explicado los arqueólogos
estas huellas extrañas
en mi cuerpo de mármol.

Argonauta

Intrépido moço
aquele...Buscou meu templo
entre centenas dos ilhas
para me ver de perto,

para saber se era certo que eu estava
despida entre míticas colunas
cuja brancura se levantava sobre o anil
sereno das ondas.

Belo rapaz aquele...Roçou minha pele
que ardia com o sol, tocou minha figura
acinzentada pela brisa, e em minhas mãos
seus dourados cabelos se prenderam.

Doce rapaz aquele... Chegou a cair adormecido
junto meu pedestal, mas com o alvorecer
- sempre há um alvorecer, regressou ao seu navio.

Nunca explicaram, porém, os arqueólogos
estas marcas estranhas
No meu corpo de mármore.

Ilustração: www.templodeapolo.net

Sunday, January 25, 2009

RESQUÍCIOS....



HAVERES

De todas as coisas que passam
São poucos os sonhos que ficam:
O viver que ainda apetece
E o querer que não se esquece.

De todas as coisas que vão
São poucos, parcos, os proveitos.
Um sabor da vida antiga,
Um amor, uma flor, uma cantiga.

De todas as coisas que foram
São pouco os prazeres vivos.
Só a doçura do teu olhar fita
Toda paixão já finita.

(Alquimia da Vida,1999).

Ilustração: http://blogsntes.blogspot.com

Saturday, January 24, 2009

PAUL CELAN


Lob der Ferne

Paul Celan

Im Quell deiner Augen
leben die Garne der Fischer der Irrsee.
Im Quell deiner Augen
hält das Meer sein Versprechen.

Hier werf ich,
ein Herz, das geweilt unter Menschen,
die Kleider von mir und den Glanz eines Schwures:

Schwärzer im Schwarz, bin ich nackter.
Abtrünnig erst bin ich treu.
Ich bin du, wenn ich ich bin.

Im Quell deiner Augen
treib ich und träume von Raub.

Ein Garn fing ein Garn ein:
wir scheiden umschlungen.

Im Quell deiner Augen
erwürgt ein Gehenkter den Strang.


Elogio da distância


Na luz dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na luz dos teus olhos
Cumpre sua promessa o mar.

Aqui, um coração
que andou entre os homens, arranca
as vestes e o brilho de uma jura:

Mais negro no negro, estou nu.
Só quando sou falso sou fiel.
Sou tu se for eu.

Na luz dos teus olhos
flutuam meus sonhos de rapto.

Um fio apanhou um fio:
separados e enlaçados.

Na fonte dos teus olhos
um enforcado estrangula o laço.

Friday, January 23, 2009

ESTE VAZIO QUE NÃO SE EXPLICA...




Metade

Sei que percebi a solidão
como percebi a vida
sem clareza
como uma imagem
difusa e distante-
míope que sou.

A vida,
só sinto,
como a busca sem fim
de algo que não há,
mas, sinto se você
não está
uma imensa falta de mim.

SEXTAS



Opacidade

Talvez o desejo
de ser transparente
me torne, muitas vezes,
tão claro
que nada se ilumina.

Deve ser minha sina
explicar tanto e tão bem
coisas infinitas e difíceis,
nas sextas-feiras,
quando meu desejo é tão simples
e direto
que dispensa palavras.

E, no entanto, não há amor concreto
nem paixão sem palavras.

Ilustração: http://hiranpinel.blogspot.com

Thursday, January 22, 2009

FIZ O QUE PUDE


Absoluta

César Vallejo.

Color de ropa antigua. Un julio a sombra,
y un agosto recién segado. Y una
mano de agua que injertó en el pino
resinoso de un tedio malas frutas.

Ahora que has anclado, oscura ropa,
tornas rociada de un suntuoso olor
a tiempo, a abreviación... Y he cantado
el proclive festín que se volcó.

Mas ¿no puedes, Señor, contra la muerte,
contra el límite, contra lo que acaba?
¡Ay, la llaga en color de ropa antigua,
cómo se entreabre y huele a miel quemada!

Oh unidad excelsa! Oh lo que es uno
por todos!
¡Amor contra el espacio y contra el tiempo!
Un latido único de corazón;
un solo ritmo: ¡Dios!

Y al encogerse de hombros los linderos
en un bronco desdén irreductible,
hay un riego de sierpes
en la doncella plenitud del 1.
¡Una arruga, una sombra!

Absoluta

Cor de roupa antiga. Julho a uma sombra
e um agosto recém-chegado. E uma
Mão de água se enxertou no tronco
Resinoso de um tédio de fruto ruins.

Agora que estais ancorado, escura roupa,
Esparges em gotas um suntuoso odor
de tempo, para abreviar ... E eu tenho cantado
O decadente festim que virou.

Mas não, Senhor, contra a morte,
contra o limite, contra o que acaba?
Ah, a chaga em cor da roupa antiga
Como se entreabre e cheira a mel queimado!

Oh! Excelsa unidade! Oh! O que é um
por todos!
Amor contra o contra o tempo e o espaço!
A batida única de um coração;
um só ritmo: Deus!

E ao encolher os ombros nas fronteiras
Num grosseiro desprezo irredutível,
Existe um risco de serpentes
na plenitude da garota nº 1.
Uma ruga, uma sombra!

Ilustração: http://www.avendanova.com.br/reisol.JPG

Wednesday, January 21, 2009

ADRIANA GRAZIOLI


BACANAL

Adriana Grazioli

Tiende la mesa.
Prepara las mejores copas,
mientras yo
amaso en la cocina
un placer nuevo,
y te sirvo el deseo
sin derramar una gota en el mantel.
Siéntate. Brindemos.
Disfruta cada forma,
el aroma, los sabores;
lámete los labios:
no desperdicies nada.
Y después,
déjame beberte de a poquito,
mientras trepo a sostener esa cereza,
mezcla de postre y de pirueta,
que reclama desde el hueco de tu boca.

Bacanal

Estende a mesa
Prepara os melhores talheres,
enquanto
preparo na cozinha
um prazer novo,
e te sirvo o desejo
sem derramar uma gota no pano da mesa.
Senta-te. Brindemos.
Desfruta de cada prato,
o aroma, os sabores;
molha os lábios:
não desperdices nada.
E depois,
Deixa-me beber-te aos pouquinhos.
enquanto procuro esta mistura de cereja,
sobremessa e pirueta,
deliciosa na cavidade de tua boca.

Ilustração: Michelangelo Caravaggio

MARTA LÓPEZ LUACES


Memoria de un vacío

Marta López Luaces


...porque no existo
me instalo en cada una
de las grietas del recuerdo
más allá del vacío
su forma:
la caligrafía de la nada
y sus tendencias
ópticas
Vislumbro entonces
el margen que me nutre
y que me expulsa
de mí
tengo memorias
que la palabra borra...

Memória de um vazio

…porque não existo
me instalo em cada uma
das fendas da recordação
mais além do vazio
em sua forma:
a caligrafia do nada
e suas tendências
óticas
Vislumbro então
a margem do que me nutre
e expulsa
de mim
tenho memórias
que a palavra borra....

TRAIÇÃO FLORAL



Petals

by Amy Lowell Life is a stream

On which we strew
Petal by petal the flower of our heart;
The end lost in dream,
They float past our view,
We only watch their glad, early start.

Freighted with hope,
Crimsoned with joy,
We scatter the leaves of our opening rose;
Their widening scope,
Their distant employ,
We never shall know. And the stream as it flows
Sweeps them away,
Each one is gone
Ever beyond into infinite ways.
We alone stay
While years hurry on,
The flower fared forth, though its fragrance still stays.

Pétalas

A vida é um rio
Sobre o qual estamos deslizando
Pétala por pétala a flor do nosso coração;
No fim perdido num sonho,
Eles flutuam no passado à nossa vista,
Nós somente assistimos satisfeitos, a partida antecipada.

Carregados de esperança,
Vermelhos de alegria,
Vamos espalhar as folhas das rosas abertas;
Ampliando seu escopo,
Aumentando seu emprego,
Nós nunca devemos saber. E como um rio ela passa
Levando-os para fora,
Varrendo-os sempre.
Cada vez mais além de infinitas maneiras.
Vamos ficar sozinha
Enquanto os anos passam,
A flor se esfarela adiante, embora a sua fragrância ainda permaneça.


Ilustração: http://onossocasamento.pt/files/galeria/caminho_de_petalas.jpg

ASHBERY


Fear of Death

John Ashbery

What is it now with me
And is it as I have become?
Is there no state free from the boundary lines
Of before and after? The window is open today

And the air pours in with piano notes
In its skirts, as though to say, "Look, John,
I've brought these and these”:-that is,
A few Beethovens, some Brahmses,

A few choice Poulenc notes. . .Yes,
It is being free again, the air, it has to keep coming back
Because that's all it's good for.
I want to stay with it out of fear.

That keep me from walking up certain steps,
Knocking at certain doors, fear of growing old
Alone, and of finding no one at the evening end
Of the path except another myself

Nodding a curt greeting: "Well, you've been awhile
But now we're back together, which is what counts.
"Air in my path, you could shorten this,
But the breeze has dropped, and silence is the last word

Medo da Morte

O que há agora comigo
E como me tornei assim?
Não há ninguém livre dos limites
Do antes e depois? Hoje a janela está aberta

E o ar derrama as notas do piano
Nas suas saias, como se para dizer: "Olhe, John,
Eu trouxe isto e aquilo”:-Isto é,
Um pouco de Beethoven, uns Brahms,

Umas notas escolhidas de Poulenc . . . Sim,
É ser livre de novo, o ar, tem de manter a voltar
Porque é o que é bom para todos.
Eu quero ficar com ele sem medo.

Isto é o que me impede de subir certos degraus,
Bater em algumas portas, o medo de envelhecer
Sozinho, e de não encontrar ninguém no final da tarde,
No caminho, exceto outro igual a mim mesmo

Saudando brusco: "Bem, você andou por aí,
Mas agora estamos juntos, que é o que conta".
Ar no meu caminho, você pode encurtar isto,
Mas o vento caiu, e o silêncio é a última palavra.

Ilustração: http://angel_gothic.blogs.sapo.pt/2008/09/

Tuesday, January 20, 2009

GINSBERG




Some Love

Allen Ginsberg

After 53 anos
I still cry tears
I still fall in love
I still improve

My art with a kiss
My heart with bliss
My hands massage
Kids from garage

Kids from the grave
Kids who slave
At study or labor
Still show me favor

How can I complain
When love like rain
Falls alt over the land
On my head on my heart.


Algum Amor

Após 53 anos
Eu ainda choro lágrimas
Eu ainda me apaixono
Eu ainda melhoro

A minha arte é feita com um beijo
Meu coração com êxtase
Minhas mãos fazem massagem
Em rapazes na garagem

Rapazes de ares graves
Rapazes que são escravos
Do estudo ou do trabalho
Ainda me fazem favor

Como posso me queixar
Quando o amor como a chuva
Cai do céu sobre a terra
Na minha cabeça e no meu coração.

Ilustração: http://www.clubeceu.com.br/album/fotos_voo_abencoado_g.jpg

PAZ NOVAMENTE



Acabar con todo

Octavio Paz

Dame, llama invisible, espada fría,
tu persistente cólera,
para acabar con todo,
oh mundo seco,
oh mundo desangrado,
para acabar con todo.

Arde, sombrío, arde sin llamas,
apagado y ardiente,
ceniza y piedra viva,
desierto sin orillas.

Arde en el vasto cielo, laja y nube,
bajo la ciega luz que se desploma
entre estériles peñas.

Arde en la soledad que nos deshace,
tierra de piedra ardiente,
de raíces heladas y sedientas.

Arde, furor oculto,
ceniza que enloquece,
arde invisible, arde
como el mar impotente engendra nubes,
olas como el rencor y espumas pétreas.
Entre mis huesos delirantes, arde;
arde dentro del aire hueco,
horno invisible y puro;
arde como arde el tiempo,
como camina el tiempo entre la muerte,
con sus mismas pisadas y su aliento;
arde como la soledad que te devora,
arde en ti mismo, ardor sin llama,
soledad sin imagen, sed sin labios.
Para acabar con todo,
oh mundo seco,
para acabar con todo.

Para acabar com tudo

Dá-me chama invisível, espada fria,
E sua raiva persistente,
para acabar com tudo.
Oh!Mundo seco,
Oh! Mundo dessangrado.
Para acabar com tudo.

Arde sombrio, arde sem chamas,
Apagado e ardente,
Cinzas e pedra viva,
Deserto sem fronteiras.

Arde no vasto céu, laje e nuvem,
Sob a luz cega que desmorona
Entre rochas estéreis.

Arde na solidão que nos desfaz,
Na terra de pedra ardente,
De raízes geladas e sedentas.

Arde, furor oculto,
Cinza que enlouquece,
Arde invisível arde
Como o mar que impotente gera nuvens,
Ondas como o rancor e a espuma pétreas.
Entre meus ossos delirante, arde;
Arde dentro do buraco do ar,
Forno invisível e puro;
Arde como arde o tempo,
Como caminha o tempo entre a morte,
Com a mesma pisada e o mesmo alento;
Arde como a solidão que te devora,
Arde em ti mesmo, ardor sem chama,
Solidão sem imagem, sede sem lábios.
Para acabar com tudo,
Oh! Mundo seco,
Para acabar com tudo.

Friday, January 16, 2009

VIAS TRANSVERSAIS...CRIS MORENO


De amor

Pedro Salinas

Para vivir no quiero
Islas, palacios, torres.
¡Qué alegría más alta:
vivir en los pronombres!

Quítate ya los trajes,
Las señas, los retratos;
Yo no te quiero así,
Disfrazada de otra,
Hija siempre de algo.

Te quiero pura, libre,
Irreductible : tú.

Sé que cuando te llame
Entre todas las gentes
Del mundo,
Sólo tú serás tú.

Y cuando me preguntes
Quién es el que te llama,
"El que te quiere suya",
Enterraré los nombres,
Los rótulos, la historia.
Iré rompiendo todo
Lo que encima me echaron
Desde antes de nacer.
Y vuelto ya al anónimo
Eterno del desnudo,
De la piedra, del mundo,
Te diré : "Yo te quiero, soy yo."


De Amor


Para viver não quero
Ilhas, palácios, torres.
Que alegria mais alta:
Viver nos pronomes!

Tire já as roupas
Os signos, os retratos;
Eu não te quero assim
Disfarçada de outra
Filha sempre de algo.

Te quero pura, livre,
Irredutível: tu.

Sei que quando te chamo
Entre todas as pessoas
do mundo
Só tu serás tu.

E quando me perguntares
Quem é que te chama,
"É o que tu queres seu".
Enterrarei os nomes,
Os rótulos, a história.
Irei rompendo tudo
O que antes me jogaram
Mesmo antes de nascer.
E novamente já anônimo
Eternamente nu,
da pedra, do mundo,
Te direi: "Eu te quero, sou eu."

UMA POETISA BOLIVIANA



La saga

Adriana Lanza

Si tu así lo deseas puedo ser tu hechicera
estar cuando me busques
desaparecer cuando ya no me quieras.

Puedo trocar este cuerpo
hacerlo más largo, más angosto, más ligero
y ponerme un vestido violeta.
Soplar el humo que me rodea
ungirme de lavanda o jazmín
si me prefieres más sensual pachoulí.

Si mis manos te molestan
fabricaré guantes de seda.

Cambiaré estas rotas sandalias
por zapatos abiertos de tacos negros
para que goces el cuidado de los dedos.
Reposaré los pies en agua tibiamente salada
un masaje de menta
convertirá lo tosco en marea
y las uñas en caramelo.

Pero supongo que no eres tan tonto
para creer todo esto.
Ni por tu amor domado
movería yo un pelo.

A Saga

Se tu assim o desejas posso ser o que quiseres
E estar quando me busques
E desaparecer quando já não me queiras.

Posso trocar este corpo
Fazê-lo mais largo, mais estreito, mais ligeiro,
E colocar um vestido violeta.
Para afastar a poeira que me cerca
Ungir-me de lavanda ou de jasmim
Ou se me preferires mais sensual patchoulí.

Se minhas mãos te incomodarem
Fabricarei luvas de seda.

Trocarei estas rotas sandálias
Por sapatos abertos de saltos altos
Para que aprecies o zelo com os dedos.
Repousarei os pés na água salgada e morna
Numa massagem de menta
Que converterá o rude em delicado
E as unhas em caramelo.

Mas suponho que você não é assim tão idiota
Para acreditar em tudo isto.
Nem por teu amor bem amansado
Eu moveria um cabelo moveria.






Ilustração: http://img166.imageshack.us/img166/2876/cdz4bv.png

UM POETA BOLIVIANO



Mapa

JUAN CRISTÓBAL MACLEAN

Todo yo limito con el aire.

El aire me dibuja, como si yo no fuera más que

un hueco, un vacío dibujable, un tripiezo del

viento o, porqué no, nada más que una

responsabilidad del aure.


A este paso

mi piel no es más que la fugaz ilustración de un recorrido

entre la geografía del Diluvio,

Y vuelve Alejandría.


Mapa


Tudo eu limito com o ar.

O ar me desenha, como se eu não fosse mais do que

um buraco, um vazio desenhável, uma estripulia

do vento ou, porque não, nada mais que

uma responsabilidade do vento.


Neste passo

minha pele não é mais do que fugaz ilustração de uma rota

entre a geografia do Dilúvio,

e o retorno à Alexandria.


Ilustração: http://www.joaoleitao.com/viagens/imagens/mapas/finlandia/mapa-helsinquia-finlandia.GIF

Wednesday, January 14, 2009

UMA POESIA DO MÉXICO


LOS SOMBREROS DEL SOL

Miguel Moreno Monroy

Dos sombreros tiene el cielo
Que, muy elegante, pasa
Luciendo entre finas nubes
Sus copas altas y claras.

Todo el año se los pone,
Todo el año se los cambia.

Dos sombreros tiene el cielo
Que, muy elegante, pasa:
De día, con el de oro,
De noche, con el de plata.


O SOL TEM DOIS CHAPÉUS

Dois chapéus tem o céu
Que muito elegante passa
Brilhando entre finas nuvens
Suas copas altas e claras.

Todo ano ele os põe,
Todo ano ele os troca.

Dois chapéus tem o céu
Que tão elegante passa:
De dia com o de ouro,
De noite, com o de prata.

Ilustração: http://jeguiando.com/wp-content/uploads/2008/07/sombrero.jpg

UMA POETISA ARGENTINA



NADA MÁS

Maria Elena Walsh

Con esta moneda
me voy a comprar
un ramo de cielo
y un metro de mar.

Una punta de estrella,
un sol de verdad,
un hilo de viento,
y nada más.

NADA MAIS

Com esta moeda
Eu vou comprar
Uma ramo do céu
E um metro do mar.

Uma ponta de estrela,
Um sol de verdade,
Um fio de vento
E nada mais.

Tuesday, January 13, 2009

UMA POETISA DE PUERTO RICO


BÁLSAMO

Carmen Alicia Cadilla

La tarde se hizo más honda.
Se hizo el silencio más largo.
Se hizo mi sentir más noble
y fuiste en mi pensamiento
como la primera estrella.
Un poema diáfano
que cayó gota a gota
en mi alma.

BÁLSAMO

A tarde se fez mais profunda.
Se fez o silêncio mais longo.
Se fez meu sentir mais nobre
e fostes em meu pensamento
como a primeira estrela.
Um poema cristalino
que caiu gota a gota
na minh´alma.

UM POETA EQUATORIANO



EL AMOR

Euler Granda

Las cosas
son otra cosa debajo del pellejo.
Así la sed es agua amordazada;
el olvido
es el recuerdo con candado;
la música es flor con alas;
los que nacen ahora
son los muertos mañana;
el hoy es ayer;
la verdad
es la mentira más cerdosa;
el amor
no es más que el desamor con piel de oveja.

O AMOR

As coisas
são outra coisa debaixo da pele.
Assim
a sede é água amordaçada;
o esquecimento
é a lembrança com cadeado;
a música é a flor com asas;
os que nascem agora
são os mortos de amanhã;
o hoje é o ontem;
a verdade
é a mentira mais peluda;
o amor
não é mais que o desamor vestido com pele de ovelha.

Ilustração: http://www.textolivre.com.br/joomla/user_images/borbulhas_de_amor(1).jpg

FROST


Nothing Gold Can Stay

by Robert Frost

Nature's first green is gold,
Her hardest hue to hold.
Her early leaf's a flower;
But only so an hour.
Then leaf subsides to leaf.
So Eden sank to grief,
So dawn goes down to day.
Nothing gold can stay.


Nenhum ouro pode permanecer

O primeiro verde da natureza é ouro,
Sua mais difícil matiz para pegar.
Suas primeiras folhas deixam uma flor;
Mas tão somente por uma hora.
Então se tornam subsídios da folha.
Então Eden naufragou no luto,
Então madrugada cai no dia.
E nada pode ficar dourado.

Ilustração: http://farm1.static.flickr.com/19/109666974_bbce6c5a7e.jpg

Sunday, January 11, 2009

NOSTALGIA


BUCÓLICA I

Era um ceúzinho azul,
um marzinho qualquer,
uma praia sem acidentes.
Éramos nos somente
dispostos a amar
como a lonjura do mar
swm fim,sem fim...