Friday, October 14, 2016

EXPERIMENTAL EU SOU DEMAIS

Eu sou um poeta experimental.            
A minha cara é de pau!
A minha cara é de pau!

Eu sou um poeta moderno.

Nem em lançamento uso terno.
Nem em lançamento uso terno.

Eu sou um guru do passado.

Só tenho um caderno amassado.
Só tenho um caderno amassado.

Eu sou um escritor diferente.

Só escrevo de trás para frente.
Só escrevo de trás para frente.


E luto, inutilmente, por fazer o que ninguém faz. 

Thursday, October 13, 2016

Outra poesia de Clecia

 
FOTOGRAFIA                  
Clecia

La fotografia è un momento magico
Il sogno di un attimo
Un sentimento assoluto
Un’ ilusione momentânea
Che resta impressa
Dall’uro d’argento:
Um sogno di carta.

FOTOGRAFIA

A fotografia é um momento mágico
O sonho de um instante
Um sentimento absoluto
Uma ilusão momentânea
Que resta impressa
Numa transparência de prata:
Um sonho de papel.

Ilustração: http://www.fotografiahd.com.br/



Uma poesia de Clecia

AMORI CHIARI                                          
Clecia

Amori chiari
Parole sottovoce nella sera
Tramonti di sfocata nostalgia
Soli lontani, lumi d’opalino
Rondini attorno al campanile.
Sogni d’infanzia
E tenera poesia....

AMORES TRANSPARENTES

Amores transparentes
Palavras sussurradas na noite
Ocaso de encobertas nostalgias,
Sóis distantes, faróis de opalina,
Pombos rondando em redor das torres.
Sonhos de infância
E terna poesia.....

Ilustração: Kalinka

Tuesday, October 11, 2016

Outra poesia de Linda Mavian

DETTO DIVERSAMENTE                                                       Linda Mavian

La luce tagliente se dissolve rapida in una
Pozzanghera di dolcezza
Senso di pace
Era vuoto fra le parentesi tonde
Quello spazio quel tempo sono confluitui
In margini più ampi
In galassie dai bordi fluorescenti
A cui una sarta forse cuce un vestito spagnolo.  

Dito de uma forma diferente

Uma luz adelgaçada se dissolve rápida em uma
Poça de doçura
Em sentimento de paz
Era um vazio entre parênteses redondos
Aquele espaço qual o tempo vão confluir
Nas margens amplas
Em galáxias de bordas fluorescentes
Na qual uma costureira, talvez, costure um vestido espanhol.


Uma poesia de Linda Mavian




LATITUDINE CHIARA

Linda Mavian

Mi sdraiavo sul muretto basso all’aperto
A guardarei il cielo a dormire
A dormire a guardare il cielo
Non è perfecttto dormire se sopra e’ é il cielo da guardare
Ma poi chiudere gli occhi e sognare
E mescolare il cielo e il sogno
E trascorrere il tempo a cercare la strada del ritorno.

Latitude clara

Me reclinava sobre o muro baixo, ao ar livre,
Para olhar o céu e dormir,
Dormir e olhar o céu.
Não é correto dormir se lá em cima há um céu para olhar,
Mas, logo depois, fechar os olhos e sonhar
E misturar céu e sonho;
E passar o tempo procurando a estrada de retorno.


Ilustração: g1.globo.com 

Monday, October 10, 2016

Uma poesia de Amalia Iglesias Serna


TIERRA DE NADIE

Amalia Iglesias Serna

Después de todo
ni tú ni yo somos de aquí.

Nadie puede medir el espacio
                                               que desaloja nuestros pasos
ni dictar a qué patria pertenecen.

No hay puertas ni fronteras
en la complicidad del aire que te abraza,
el aire que respiras made in tierra
entra y sale de todos los pulmones.

No puedes levantar barricadas en los labios
                                     ni poner alambradas en las voces.

TERRA DE NADA

Depois de tudo
nem tu nem eu somos daqui.

Nada pode medir o espaço
                                   que expulsa nossos passos
nem ditar a que pátria pertencem

Não há portas nem fronteiras
na cumplicidade do ar que te abraça,
o ar que respira feito em terra
entra e sai de todos os pulmões.

Não podes levantar barricadas nos lábios
                                    nem por alambrados nas vozes.


Ilustração: parnossasenhoraftima.blogspot.com

Thursday, October 06, 2016

DISAPPEARED




Eu não terei o que dizer
e o meu silêncio-
mais do que todas as palavras-
há de te esclarecer
que o amor não se acaba,
mas, algumas vezes, some. 

Ilustração: www.mulherzinhas.com

Outra vez Maria Luisa Spaziani

I Draghi morenti                                   
Maria Luisa Spaziani

Solitudine mia, ardente, amarga.
Mio vizio assurdo, ostia folgorante,
astro levato sull’empio deserto
del gesto qye disfoglia le parole
com una rosa i petali. Vicino
si profila l’inverno. Tratte in secco
son da tempo la reti. Sopra il Pincio
che i fantasmi disertano, la vedi
questa rotta de sfatti galeoni,
draghi morenti che trasudan l’indaco
sugli angeli barocchi?
L’ombra ne avanza, entrambi ora ci tocca,
complici e sposi, rami bipartiti
di un’unica radice, stelle opposte,
nelle case discoste ricoprendoci
come um tempo il lenzuolo.


OS DRAGÕES ESTÃO MORRENDO

Solidão minha, ardente, amarga.
Meu vício absurdo, hóstia fulgurante,
astro elevado sobre o deserto ímpio
do gesto que desfolha a palavra
como a uma rosa e suas pétalas. Vizinho
se aproxima o inverno. Postas para secar
estão as redes do tempo. Sopra no monte
onde os fantasmas desertam, e se divisa
esta rota de vencidos galeões,
de dragões morrendo que transpiram azul
sobre os anjos barrocos?
A sombra avança, e em nenhum dos dois toca,
cúmplices e esposos, ramos bipartidos
de uma única raiz, estrelas opostas,
em casas separadas cobrindo-nos
como num tempo de florestas.  


Ilustração: www.rederpg.com.br

Uma poesia de Maria Luisa Spaziani




Resta con me per sempre, solitudine

Maria Luisa Spaziani

Resta con me per sempre, solitudine
disteso vento longo le noturne
praterie nel cuore dell’estate.
Resta con me nei secoli, fa’ sciogliere
ogni sigilo col tuo fuoco,
consola nel tuo bacio di rugiada
quest’erba alta che adagio sfioresce
sotto stelle che non rispondono.

FICA COMIGO PARA SEMPRE, SOLIDÃO

Fica comigo para sempre, solidão
suave vento através das noturnas
planícies do meu coração de verão.
Fica comigo nos séculos, derrete
com teu fogo todo sigilo,
consola com o teu beijo de orvalho
esta erva alta que, lentamente, murcha
sob as estrelas que não respondem.


Ilustração: pixabay.com

Wednesday, October 05, 2016

Uma poesia de Margarita Guidacci

Madame X                                                         
Margarita Guidacci

Io non sono mio corpo.
Mi è straniero, nemico.
Ancora peggio è l’anima
e neppure com essa m’identifico.

Osservo da lontano
Le rozze acrobazie di questa coppia
Com distacco, ironia-
Com disgusto talvolta.

E intanto penso che la loro assenza
sarebbe più guadagno che dolore
questa e altre cose....Ma mentre le penso
Io chi sono, e dove.

MADAME X

Eu não sou o meu corpo.
Que me é estrangeiro, inimigo.
Menos ainda minha’lma
e nela não me identifico.

Observo de longe
as irregulares acrobacias desta parelha
com frieza, ironia-
com desgosto, às vezes.

E, no entanto, penso que sua ausência
seria mais vantajosa que a dor
isto e algo mais...Mas, enquanto penso,
quem e de onde sou?


Ilustração: www.gobetago.com.br

INSUFICIÊNCIA

Sou este ser desconcertado                                            
tão sem jeito,
tão sem forças,
que, para amarrar os sapatos,
preciso de alguma ajuda
ou me arranjar, como posso,
com um banquinho ou uma cama.
Porém, ainda alimento o desejo,
vez por outra,
é bem verdade,
de, superando a idade,
talvez, também a covardia,
de te amar com uma maldade
que é a mais pura fantasia
de se ter felicidade!

Ilustração: novodouglas.blogspot.com

Tuesday, October 04, 2016

Uma poesia de Tishani Doshi


LOVE POEM

Tishani Doshi

Ultimately, we will lose each other
to something. I would hope for grand
circumstance —  death or disaster:
But it might not be that way at all.
It might be that you walk out
one morning after making love
to buy cigarettes, and never return,
or I fall in love with another man.
It might be a slow drift into indifference.
Either way, we’ll have to learn
to bear the weight of the eventuality
that we will lose each other to something.
So why not begin now, while your head
rests like a perfect moon in my lap,
and the dogs on the beach are howling?
Why not reach for the seam in this South Indian
night and tear it, just a little, so the falling
can begin? Because later, when we cross
each other on the streets, and are forced
to look away, when we’ve thrown
the disregarded pieces of our togetherness
into bedroom drawers and the smell
of our bodies is disappearing like the sweet
decay of lilies —  what will we call it,
when it’s no longer love?

Poema de amor

Ultimamente, nos perdemos um ao outro
por alguma coisa. Talvez esperando uma grande
ocasião- a morte ou o um desastre:
Mas, pode ser que nada no caminho ocorra.
E uma manhã, depois de fazer amor,
ou comprar cigarros, e nunca mais voltar,
ou se enamorar de outro homem.
Pode ser um lento deslizar até a indiferença.
De qualquer modo, teremos que aprender
a suportar o peso da eventual
perda um do outro por alguma coisa.
Por que não começar agora que tua cabeça repousa
como uma perfeita lua sobre meu regaço
e os cachorros uivam na praia.
Por que não ir direto nos unir,
nesta noite no Sul da Índia,
e chorar, só um pouco,
pela queda do que poderia começar?
Depois, quando nos cruzarmos
na rua, e formos obrigados a desviar o olhar para diante,
quando tenhamos deixado os momentos esquecidos de nossa união
nas estantes do quarto e o aroma
de nossos corpos estiver desaparecendo como o lento
esmagamento dos lírios - como chamaremos a isto
quando já não for amor?

Ilustração: sitedobareta.com.br


Uma poesia de Analía Giordanino

DESPIERTA                                                                         
Analía Giordanino

Este insomnio
es como la planta de apio
que compré hoy y se ramifica,
lo abro rama por rama,
desnudo su cabellera
y arde su cresta verde.

Otro día tendrá distinta apariencia
y lo despuntaré
como al lápiz que rompe su grafito.
Escribiré con él
con los dedos acurrucados
alrededor de la madera pretenciosa.

Pero hoy tengo este tallo jugoso y descosido.

Nunca tuve un insomnio así,
tan naturista.

DESPERTA

Esta insônia
é como um  pé de aipo
que comprei hoje e que se ramifica,
o abro ramo por ramo,
desnudando suas folhas
e cortando sua crista verde.

Outro dia terá uma aparência diferente
e o desbastarei
como ao lápis que se quebra seu grafite.
Escreverei com ele
com os dedos curvados
em redor da pretenciosa madeira.

Mas, hoje tenho este talo suculento e desconexo.

Nunca tive uma insônia assim,
tão natural.


Ilustração: www.abicol.org

ESTACIONADO NO TEMPO

Você pode não acreditar  
No que vou lhe dizer,
Mas, a verdade é que acordei hoje
Como se fosse ontem
E, desde então, aconteceu algo,
No meu coração,
Que me faz repetir agora,
O que fiz, ontem, na mesma hora.
Confesso que não sei explicar
Como isto vai terminar
Na medida em que sei
Que hoje não é ontem.
E me preocupa:
E se acordo amanhã do mesmo jeito?
Ou, pior ainda, com  a sensação
De que estou vivendo dois dias atrás?
E, nem quero pensar, se continuar assim
Dia após dia me repetindo em feroz monotonia?
Tento fazer as coisas de outra forma,
Mas, até parece que o universo se conforma
Em se repetir
Como se a vida pudesse ser em outro momento
Da mesma maneira.
Será que algum deus torto está, comigo, de brincadeira?
Será que não é uma ilusão?
Ou me encontro, no momento, preso num universo paralelo?
Numa bolha de eterno retorno?
Não. Reflito e escrevo sobre o que se passa,
O que não fiz ontem.
No entanto, há, hoje, esta estranha fumaça
Que a realidade embaça
E me faz pensar
Que tudo se repete sem cessar.
Para que não pensem
Que estou louco
Registro que hoje não é ontem,
Mas, volto a fazer a mesma coisa
E, pelo jeito, será mais um dia
Em que não verei você.


Thursday, September 29, 2016

MANDACARU POÉTICO

Eu não sou mais capaz   
De fazer poemas para você.
É que o meu amor se entranhou tanto
Que, somente, todo dia, canto
E, como não sei cantar,
Sai este canto quase pranto
Despido, nu, sem poesia,
Descarnado.  
Tão estranho
Que possui este encanto
De sendo profundamente meu
(Porquê de alguma forma se perdeu)
Parece que nem saí de mim
Como se tivesse sido sempre teu.


Ilustração: ruralcentro.uol.com.br