Wednesday, June 08, 2011
Poemas mal comportados
Índia
Ela chorava, ela gemia
E reclamava
Que bom mesmo é se doía
E mais pedia
E mais queria
Se descabelava, me mordia,
se mordia,
Queria mais, ela sempre mais queria,
Fosse noite ou fosse dia,
Me procurava e cada vez era uma agonia
E nunca que se contentava.
Me beliscava
E sempre ria
E me dizia:
-Eu sou é índia. Gosto é de selvageria.
Tuesday, June 07, 2011
Sir Walter Raleigh
Life
Sir Walter Raleigh
What is our life? A play of passion,
Our mirth the music of division,
Our mother's wombs the tiring-houses be,
Where we are dressed for this short comedy.
Heaven the judicious sharp spectator is,
That sits and marks still who doth act amiss.
Our graves that hide us from the setting sun
Are like drawn curtains when the play is done.
Thus march we, playing, to our latest rest,
Only we die in earnest, that's no jest.
Vida
O que é a nossa vida? Um jogo de paixão,
Nossa alegria uma divisão da música,
Os ventres das mães são casas de descanso,
Onde estamos vestidos para uma curta comédia.
O céu, um espectador judicioso e sagaz é,
Que se senta e marca ainda ao acaso o ato errado.
Nossas covas, que nos escondem do sol,
São como cortinas fechadas quando o jogo é feito.
Assim caminhamos nós, brincando, para o nosso último descanso,
Sómente que morremos de verdade, isto não é brincadeira.
Sunday, June 05, 2011
Todo amor é dor
Arquiteta moderna
Talvez no mundo lá fora
Outra mulher seja a minha,
Porém, nos meus pensamentos
Será que tu adivinhas
Quem é que me abraça o corpo
No leito me faz carinho?
Quem é que beija meu rosto,
Quem é que morde meu peito?
Quem é que me fala doce
Sobre um mundo já esquecido?
- És tu, dona dos meus olhos,
Senhora dos meus sentidos
Que docemente na cama
Me honra com seus gemidos
E que ao se perder me perde
De uma forma tão concreta
Que enche o mundo de magia
E de poesia, uma reta
Fazendo castelos de sonhos
Onde só há parca areia.
Tu és uma aranha melosa
Que faz um edifício ou uma teia
Com traços e perfume de rosas
E meu coração incendeia
Tornando a vida formosa.
Ilustração: http://www.amordealmas.com/2010/08/o-reconhecimento-medico-da-dor-de-amor.html
Jogos eróticos ou recordações juvenis
Brincar de amor
Embora a dureza da madeira tenha,
suave pode ser e, com jeito, vou
prender-te e te prensar, e todo o meu amor
e desejo, mais forte e teso que amarras em catapultas,
ou as cordas da guitarra em ti, eu vou,
meter até a sétima costela
até que sintas, minha bela,
o prazer enorme de gemer de amor.
Pablo de Rokha
Nocturno muy obscuro
Pablo de Rokha
La noche inmensa no resuena, estalla
como un bramido colosal, retumba
con un tremendo estruendo de batalla
que saliera de adentro de una tumba.
Fué un pedazo de espanto que restalla
o una convicción que se derrumba,
una doncella a quien violó un canalla
y una montura en una catacumba.
Calla con un lenguaje de volcanes,
como si un escuadrón de capitanes
galopara en caballos de basalto.
Porque el silencio es tan infinito
tan espantoso y grande como un grito
que cae degollado desde lo alto.
Noturno muito obscuro
A noite imensa não ressoa, estala
como um rugido colossal, retumba
com um tremendo estrondo de batalha
sair sairá de dentro de uma tumba.
Foi um pedaço de espanto que resvala
ou uma convicção que se derrama,
uma donzela a quem violou um canalha
e um monte sobre uma catacumba.
Cala com uma linguagem de vulcões
como se um esquadrão de capitães
galopando em cavalos de basalto.
Porque o silêncio é tão infinito
tão espantoso e grande como um grito
que cai degolado lá do alto.
Ilustração: http://leonardo-gothic-compositor.blogspot.com/2010/04/poema-goticofalsas-esperancas.html
Saturday, June 04, 2011
Ilumina-nos senhora
Se teus lábios não sabem o que dizer
me dá de teus olhos a alegria,
e enche o vazio das minhas mãos
com a tua pele tão macia.
Faz do que sonhei a água,
de uma realidade em que só (sou) rio.
Não cabe em quem colhe a rosa mágoa.
Usa-me, acende a chama, sou o teu pavio!
Poemas mal comportados
Nem de todo errado
Eu sempre errei mais do que devia..
E sempre tive a fantasia
de que quando o amor chegasse
não poderia errar.
Eu sei, meu bem, que errei de novo
e que, por mais que tente, tornarei a errar.
Não, não vou pedir para me perdoar.
Sei que você já amou homens perfeitos
e maravilhosos.
Pessoas muito mais capazes
de ter dar muito mais do que eu posso dar
e sem esta capacidade assim de errar tanto
e continuar a errar.
Mas, com todos os meus erros,
posso perguntar:
-Será que não é por ser tão errado
que sou tão feliz e apaixonado?
Ilustração: http://carlossimo.arteblog.com.br/15/
Friday, June 03, 2011
Pedro Salinas
Pensarte es tenerte
Pedro Salinas
¡Cómo me dejas que te piense!
Pensar en ti no lo hago solo, yo.
Pensar en ti es tenerte,
como el desnudo cuerpo ante los besos,
toda ante mí, entregada.
Siento cómo te das a mi memoria,
cómo te rindes al pensar ardiente,
tu gran consentimiento en la distancia,
y más que consentir, más que entregarte,
me ayudas, vienes hasta mí, me enseñas
recuerdos en escorzo, me haces señas
con las delicias, vivas, del pasado,
invitándome.
Me dices desde allá
que hagamos lo que quiero
-unirnos- al pensarte,
y entramos por el beso que me abres,
y pensamos en ti, los dos, yo solo.
Pensar em ti é te ter
Como me deixas que te pense!
Pensar em ti não faço sozinho, eu.
Pensar em ti é te ter,
como o corpo nu ante os meus beijos,
tudo para mim, entregue.
Sinto como se tu me dás a minha memória
como te rendes ao pensar ardente
o teu grande consentimento na distância,
e mais do que consentir, do que entregar,
me ajudas, vindo até mim, me ensinar
memórias sem esforço, a me fazer sinais
com as delícias, vivas, do passado,
convidativo.
Me dizes desde lá
que façamos o que eu quero
-unirmo-nos- em pensar-te,
e entramos pelo beijo que me abres,
e pensamos em ti, os dois, eu só.
Ilustração: http://pryibarros.blogspot.com/2011_02_01_archive.html
Antonio Machado
Noite de verano
Antonio Machado
Es una hermosa noche de verano.
Tienen las altas casas
abiertos los balcones
del viejo pueblo a la anchurosa plaza.
En el amplio rectángulo desierto,
bancos de piedra, evónimos y acacias
simétricos dibujan
sus negras sombras en la arena blanca.
En el cénit, la luna, y en la torre,
la esfera del reloj iluminada.
Yo en este viejo pueblo paseando
solo, como un fantasma.
Noite de verão
Numa formosa noite de verão
tinham as casas altas
abertas suas varandas,
do velho povoado a espaçosa praça.
No amplo retângulo deserto,
bancos de pedras, evônimos e acácias
simétricos desenham
suas negras sombras na areia branca.
No zênite, a lua, e na torre,
a esfera do relógio iluminada.
Eu neste velho povoado passeando
só, como um fantasma.
Ilustração: http://www.bhkleinsonhosprojetos.com.br/barinas---m-rida.htm
Pensarte es tenerte
Neruda por te querer...
Soneto LXVI
Pablo Neruda
No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.
Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.
En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.
Soneto LXVI
Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
pula meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque é a ti que quero,
te odeio sem fim e a odiar te rogo,
e a medida de meu amor passageiro
é não te ver e te amar como um cego.
Talvez consumirá a luz de algum janeiro,
com seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só sou eu quem morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.
Ilustração: http://dembiskipoesias.blogspot.com/2010/01/que-fogo-e-este.html
Poemas mal comportados
Homem objeto
Tua delicadeza é feita de unhas afiadas
que me arranham, cortam e me desenham
o corpo com linhas e riscos obscuros
no teu abraço de virgem e de serpente.
Nem tens cuidado com a pele delicada
ou pensas que as forças me acaba;
me sugas com a soberba dos deuses
e a voracidade das piores feras.
Já eras-me dizes- enquanto as mãos
febris querem extrair mais de onde não há
e a língua e os dentes se põem a passear
com um sorriso de quem há de tirar a última gota.
E só tenho como última lembrança antes do sono
o calor do teu desejo apaixonado e raivoso
se satisfazendo como pode sobre meu ser inerte
que adormece feliz de ser teu objeto.
Wednesday, June 01, 2011
Antonio Gala
Voy a hacerte feliz. Sufrirás tanto
Antonio Gala
Voy a hacerte feliz. Sufrirás tanto
que le pondrás mi nombre a la tristeza.
Mal contrastada, en tu balanza empieza
la caricia a valer menos que el llanto.
Cuánto me vas a enriquecer y cuánto
te vas a avergonzar de tu pobreza,
cuando aprendas -a solas- qué belleza
tiene la cara amarga del encanto.
Para ser tan feliz como yo he sido,
besa la espina, tiembla ante la rosa,
bendice con el labio malherido,
juégate entero contra cualquier cosa.
Yo entero me jugué. Ya me he perdido.
Mira si mi venganza es generosa.
Eu vou te fazer feliz. Sofrerás tanto
Eu vou te fazer feliz. Sofrerás tanto
que colocarás meu nome na tristeza.
Na tua balança mal ajustada começa
a carícia a valer menos que o pranto.
Quanto me vais enriquecer e quanto
tu vais te envergonhar de tua pobreza,
quando aprenderes- a sós- que a beleza
tem o rosto amargo do encanto.
Para ser feliz como tenho sido,
beijo o espinho, e tremo ante a rosa,
abençoado com o lábio ferido,
Joga-te inteiro contra qualquer coisa.
Eu inteiro me joguei. E já estou perdido.
Veja como minha vingança é generosa.
Ilustração: http://danielleosantos.blogspot.com/
Sara Huber
Nunca
Sara Huber
Nunca, nunca otros labios te besarán así;
ni unos ojos habrá que lloren de amor,
como he llorado, ni manos que, temblando,
se acerquen hasta ti con la ternura inmensa
con que yo me he acercado.
Ni corazón más claro ni dolor más fecundo
hallará la arrogancia de tu frente cansada,
ni un decir más sencillo ni un sentir más profundo
encontrarás de nuevo en la larga jornada.
Y cuando yo haya muerto y camines doliente,
evocando un nombre ante cada mujer,
como yo te llamaba, me llamarás, ferviente.
¡Y ya no podrá ser!
Nunca
Nunca, nunca outros lábios te beijaram assim;
nem olhos terão que chorem de amor
como chorei, nem mãos que tremendo,
se aproximem de ti com a ternura imensa
com as quais tenho te cercado.
Nem coração mais claro nem dor mais fecunda
encontrará a arrogância de teu rosto cansado
nem um dizer mais sensível nem um sentir mais profundo
encontraras novamente na longa jornada.
E quando estiver morto e caminhes chorosa ,
evocando um nome ante cada mulher,
como eu te chamava, hás de me chamar com fervor.
E já não poderá ser!
Ilustração: do blog "Confissões Insanas"
Sunday, May 29, 2011
Leopoldo Alas
Razón de amor
Leopoldo Alas
No es sólo la pasión de los abrazos,
la saliva, el aroma, el vértigo, los besos
o el plácido desvelo de la ausencia.
Mi amor es la fábula y la trama,
el relato interior que sigue a cada encuentro,
la glosa que acompaña los adioses,
el minucioso examen de las frases
y el eco que tu voz le pone a mi silencio.
Mi amor es ser feliz y no engañarme
anticipando el daño del negro desengaño,
cuando el sexo se esfume en el recuerdo
remoto y resentido de un orgasmo.
El consentir la calma en las mareas
y atesorar las horas y los días
de la fiesta de luz que celebramos,
del banquete voraz de los sentidos.
Y abolir la frontera de los cuerpos,
detenernos, subiendo la escalera,
a besarnos en todos los peldaños .
Razão do amor
Não é só a paixão dos abraços,
A saliva, o perfume, a vertigem, os beijos
ou a plácida vigília da ausência.
Meu amor é a fábula e a trama
o relato interior que se segue a cada encontro,
o brilho que acompanha os adeuses,
o minucioso exame das frases
e o eco que tua voz põe no silêncio.
Meu amor é ser feliz e não enganar-me
antecipando o dano do negro desengano,
quando o sexo se esvai na recordação
remota e ressentida de um orgasmo.
É consentir a calma nas marés
e entesourar as horas e os dias
da festa de luz que celebramos,
do voraz banquete dos sentidos.
E abolir as fronteiras dos corpos
nos detendo, subindo na escada,
a nos beijar em todos os degraus.
Ilustração: http://lucesysombras-sofia.blogspot.com/2010_07_01_archive.html
Arturo Camacho R.
Nada es mayor que tú: sólo la rosa...
Arturo Camacho R.
Nada es mayor que tú: sólo la rosa
tiene tu edad suspensa, ilimitada:
eres la primavera deseada,
sin ser la primavera ni la rosa.
Vago espejo de amor donde la rosa
inaugura su forma deseada,
absorta, inmensa, pura, ilimitada,
imagen, sí, pero sin ser la rosa.
Bajo tu piel de nube marinera,
luz girante tu sangre silenciosa
despliega su escarlata arborecida.
Nada es mayor que tú, rosa y no rosa,
primavera sin ser la primavera:
arpegio en la garganta de la vida.
Nada é maior que você: só a rosa
Nada é maior que você: só a rosa
tem sua idade suspensa, ilimitada:
és a primavera desejada,
sem sem ser a primavera nem a rosa.
Vago espelho de amor onde a rosa
inaugura a sua forma desejada
absorta, imensa, pura, ilimitada,
imagem, sim, porém, sem ser a rosa.
Sob sua pele de marinheira
luz circular teu sangue silenciosamente
desprega seu ramos vermelhos.
Nada é maior que você, rosa ou não rosa,
primavera sem ser primavera:
arpejo na garganta da vida.
Ilustração: http://poesiadelia.blogspot.com/2010/09/um-coracao-ferido.html
De volta Carlos Bousoño
Eres feliz
Carlos Bousoño
Eres feliz. Saber no quieras
lo que brilla en los ojos humanos.
Sonríe tú como mañana fresca,
como tarde colmada en su ocaso.
Porque eres eso, sí: la tarde pura
en que a veces yo mojo mis manos,
en que a veces yo hundo mi rostro.
¡La tarde pura en su placer dorado!
La savia dulce de la primavera,
toda la luz de la tarde en un cántico,
sube entonces feliz y presurosa
desde tu corazón hasta mis labios.
És feliz
És feliz. Saber não queiras
o que brilha nos olhos humanos.
sorria tu como a manhã refrescante,
como a tarde gloriosa em seu ocaso.
Porque és isto sim, a tarde pura
em que às vezes molhei minha mão,
em que às vezes afundo meu rosto.
A tarde pura em seu prazer dourado!
A doce seiva da primavera,
toda a luz da tarde num cântico,
sobe então feliz e pressurosa
, em seguida, corre
do teu coração para os meus lábios.
Ilustração: http://danielpolcaro.files.wordpress.com/2010/05/angelina-jolie-2817.gif
Carlos Bousoño
El amante viejo
Carlos Bousoño
¡Amabas tanto...! Acaso
con amargura, acaso con tristeza
lo dijiste. ¡Amabas tanto! En el espejo
viste tu faz que se iba haciendo vieja,
y tomaste a decir: «...amor...» Soñabas,
y en la alta noche silenciosa y queda,
lejos se oía lento el rumor manso
de un agua que pasaba mansa y lenta.
O velho amante
Amavas tanto ...! Talvez
com amargura, talvez com tristeza
o dissestes. Amavas tanto! No espelho
vi teu rosto, que estava se fazendo velho,
e tornaste a dizer: “... amor ..." sonhavas,
e na alta noite silenciosa e calma,
longe se ouvia lento o rumor manso
de uma água que passava mansa e lenta.
Ilustração: http://porentremontesevales.blogspot.com/2008/10/o-velho-da-horta.html
Tuesday, May 24, 2011
É claro que não preciso de ti...
Sobre o supérfluo
Eu não preciso de ti
Ainda que teu amor
Seja como a lava de um vulcão ou a água mansa
E me faça parecer que o mundo dança
Em êxtase uma canção de vida.
Eu não preciso de ti.
Repito desfolhando a margarida,
Um trevo em que procuro sorte,
Um livro em que procuro histórias
Que sejam assim tão grandes como a nossa.
Eu não preciso de ti
Mesmo que de meu pensamento
Tua imagem não se desloque um só momento
E mesmo quando durmo ainda sonho
Com o teu semblante tão risonho
Chegando para me amar.
Eu não preciso de ti
Reclamo ao vento que sorrateiro
Me traz teu perfume, a saudade,
Esta dor doce que ligeiro
Me enche da única verdade
De que és um supérfluo
Tremendamente essencial.
Ilustração: http://antondiego.blogspot.es/img/Superfluo.jpg
É preciso esta dor...
Antecipação
Não se precisa muito mais
que umas conversas, alguns risos, um beijo,
uns gestos de carinho, a ternura no olhar
para se gostar.
Mas, para se viver um grande amor,
é preciso esta dor
de mesmo na amarga distância
considerar que a vida é doce
somente porque existes
e, por mais que os dias longes sejam tristes,
a beleza persiste em saber
que há alguém com tanto amor
em algum lugar esperando para amar
e que a vida ainda será uma festa
quando nos teus braços me encontrar....
Ilustração: Arthur Cruzeiro Seixas
Outro mal comportadozinho
I wanna be a cockroach!
A verdade, meu amor, é uma só:
Desde que te vi virei barata.
Dizem que elas vivem
Nove dias sem cabeça
E, não se aborreça,
Porém, já fazem anos
Que vivo sem pensar.
E meu sangue,
Se sangue em mim há,
Só pode ser de barata
Porque não mais me maltrata
Nem a saudade
Nem o longo tempo
Sem te amar.
Ilustração: http://bioloblogmais.blogspot.com/2010_06_01_archive.html
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