Saturday, December 08, 2012

Outra vez Tito Alvarado




Dialéctica del amor

Tito Alvarado

De tu amanecer al mío

hay un silencio

de nieves en el alma

un dolor

de espina

entre la uña y la carne


Mujer mitad fuego, mitad pájaro

me abraso,

me consumo

entre el delirio de tus piernas

me vuelo

me aviento

al ritmo de tu sexo


Cómo no amarte

si contigo siempre

se nace a la alegría

Dialética do amor

De teu amanhecer ao meu
há um silêncio
de gelos na alma
uma dor
de espinho
entre a unha e a carne

Mulher metade fogo, metade pássaro
me queimo,
me consumo
entre o delírio de tuas pernas
eu voo
e me desmancho
no ritmo de teu sexo

Como não te amar
se contigo sempre
nasce a alegria


Ilustração: Acrílico de Mauro Andreole extraído de www.casadacultura.org

Tito Alvarado




Salto Mortal

Tito Alvarado

La tarde cae
sin que nadie se ampare de ella.

Ya suenan las trompetas del tercer milenio.

Le brillan a la noche unas luces,
como de estrellas en lo alto
y aquí abajo, cada cual busca su farol.

Era una flaca de huesos aflorándole en la piel,
me miró con sus ojos insondables,
sentí el llamado de la tumba,
pero mis pies emprendieron el salto:
que si caigo, me muero
y si me salvo, me matan.

Sin embargo me queda la sonrisa.

Salto mortal

A tarde cai
sem que ninguém se ampare nela.

Já soam as trombetas do terceiro milênio.

E brilham na noite umas luzes,
como as estrelas no alto
e, aqui, embaixo, cada um procura o seu farol.

Com seus ossos magros aflorando na pele,
me olhou com seus olhos insondáveis,
senti o chamado do túmulo,
porém, meus pés empreenderam o salto:
se eu cair, morro
e se me salvo, me matam.

Porém, sem embargo, fico a sorrir.

Friday, December 07, 2012

Novamente Vicente




El olvido

Vicente Aleixandre

No es tu final como una copa vana
que hay que apurar. Arroja el casco, y muere.

Por eso lentamente levantas en tu mano
un brillo o su mención, y arden tus dedos,
como una nieve súbita.
Está y no estuvo, pero estuvo y calla.
El frío quema y en tus ojos nace
su memoria. Recordar es obsceno,
peor: es triste. Olvidar es morir.

Con dignidad murió. Su sombra cruza.


Esquecimento

Não és tu, afinal, como uma bebida vã
que se há de beber. Joga o casco e morre.
Então, lentamente levantas na tua mão
um brilho ou sua  menção, e ardem os teus dedos,
como uma neve súbita.
Está e não esteve, porém, esteve e cala.
O frio queima e nos teus olhos nasce
sua memória. Recordar é obsceno,
pior: é triste. Esquecer é morrer.

Com dignidade morro. Sua sombra passa.

Ilustração: gigicangica.blogger.com.br

Vicente Aleixandre




El poeta se acuerda de su vida

Vicente Aleixandre

Perdonadme: he dormido.
Y dormir no es vivir. Paz a los hombres.
Vivir no es suspirar o presentir palabras que aún nos vivan.
¿Vivir en ellas? Las palabras mueren.
Bellas son al sonar, mas nunca duran.
Así esta noche clara. Ayer cuando la aurora
o cuando el día cumplido estira el rayo
final, ya en tu rostro acaso.
Con tu pincel de luz cierra tus ojos.
Duerme.
La noche es larga, pero ya ha pasado.


O poeta se recorda de sua vida

Perdoe-me: eu dormia.
E dormi não é viver. Paz aos homens.
Viver não é suspirar ou  pressentir palavras que ainda vivem.
Para viver nelas? As palavras morrem.
Belas são ao soar, mas, nunca duram.
Assim esta noite clara. Ontem, quando a aurora
ou quando o dia comprido estendeu seu raio
final, e, talvez, no  teu rosto ao acaso.
Com um pincel de luz fechei teus olhos.
Dorme.
A noite é longa, porém, já passou.

Ilustração: blogs.jovempan.uol.com.br

Thursday, December 06, 2012

Ramón de volta




Del amor de cada día

Ramón de Garcíasol

Es posible que se haya dicho todo
y que hayamos nacido tal vez tarde.
Mas esta gloria que en mis venas arde,
nadie -¡nadie!- la vive de este modo.

Todo es posible. Todo ha sido en nombre:
todo. Pero este beso tuyo y mío,
esta luz, esta flor, este rocío,
son nuestros nada más, mujer y hombre.

Mujer y hombre únicos, primeros,
-tú y yo, yo y tú- con nombres y apellidos
que no se han de dar más en criatura.

Empezamos la Historia, verdaderos
primer hombre y mujer reconocidos,
proclamando el amor y su aventura.


Do amor de cada dia

É possível que se haja dito tudo  
e que tenhamos nascido, talvez, tarde.
Mas, esta glória que, em minhas veias, arde
ninguém- ninguém -! a vive deste modo.  

Tudo é possível. Tudo tem sido em nome:
tudo. Porém, este beijo teu e meu,
esta luz, esta flor, este orvalho,
são nossos, nada mais, mulher e homem.

Mulher e homem únicos, primeiros,
-tu e eu, eu e tu, com nomes e apelidos
que não se hão de dar mais em criaturas.

Começamos a História, verdadeiros
primeiro homem e mulher reconhecidos,
proclamando o amor e sua aventura.




Ramón de Garcísol




Y debemos andar de otra manera...

Ramón de Garcíasol

Y debemos andar de otra manera
por los caminos de la Mancha, hermano,
por si, fecunda tierra de secano,
diese trigo su augusta calavera.

Ay, huesos, donde ardió la sed más pura,
sustentando con más viril coraje
el ¡no! en pie y de cara al oleaje
que rompe contra el hombre y su figura.

Comed el pan despacio, andad a besos
por los lagares y por los molinos,
que ya todo es Quevedo derramado.

Polvo de humano polvo son sus huesos,
mas aunque sean polvo en los caminos,
polvo serán de España enamorado.


E devemos andar de outra maneira...

E devemos andar de outra maneira
pelos caminhos de La Mancha, irmão,
por si, fecunda a terra de sequeiro,
Desse trigo o seu augusto crânio.

Oh, ossos, onde ardeu a sede mais pura,
sustentando com a mais viril coragem
o não! em pé e de frente para as ondas
que rompe contra o homem e sua figura.

Comer o pão lentamente, andar aos beijos
por prensas e moinhos,
Que já tudo é Quevedo derramado.

Pó de humano pó são seus ossos,
mas, ainda que sejam pó pelos caminhos,
pó que será da Espanha enamorado.

Wednesday, December 05, 2012

José Emilio Pacheco



Mar eterno

José Emilio Pacheco

Digamos que no tiene comienzo el mar
Empieza donde lo hallas por vez primera
y te sale al encuentro por todas partes

Mar eterno

Digamos que o não tem início o mar
Comeca onde o encontras a primeira vez
e vai ao teu encontro por todas as partes.

Ilustração: jorgebichuetti.blogspot.com
















Monday, December 03, 2012

José Juan Tablada



Tierno Saúz 

José Juan Tablada

Un ejemplo de haikai

Tierno saúz,
Casi otro, casi ámbar,
Casi luz...

Por nada los gansos
Tocan alarma
En sus trompetas de barro.

Pavo real, largo fulgor,
Por el gallinero demócrata
Pasas como una procesión...

Aunque jamás se muda,
A tumbos, como carro de mudanza,
Va por la senda la tortuga.

—¡Devuelve a la desnuda rama,
Nocturna mariposa,
Las hojas secas de tus alas!

- Recorriendo su tela
Esta luna clarísima
Tiene a la araña en vela.

Un día.., 1919


Terno Salgueiro

Um exemplo de haikai

Terno Salgueiro
Quase outro, quase âmbar,
Quase luz ...

Por nada gansos
tocam o alarme
Nas suas trombetas de barro.

Pavão, brilho largo,
Pelo democrata galinheiro
Passas como uma procissão ...


Ainda que jamais mude,
Aos tropeços, como carro de mudança,
Vai pelo caminho a tartaruga.

- Devolve ao ramo nu
Noturna borboleta
As folhas secas de suas asas!

- Recorrendo à sua tela atrav
Esta clara lua
Tem a aranha na vela.

Um dia .., 1919

Ilustração:  sedyherida.blogspot.com

Sunday, December 02, 2012

Aldo Pellegrini




La certidumbre de existir

Aldo Pellegrini

Si
lo he visto todo
todo lo que no existe destruir lo que existe
la espera arrasa la tierra como un nuevo diluvio
el día sangra
unos ojos azules recogen el viento para mirar
y olas enloquecidas llegan hasta la orilla del país silencioso
donde los hombres sin memoria
se afanan por perderlo todo

En una calle de apretado silencio transcurre el asombro
todo retrocede hasta un limite inalcanzable para el deseo

pero tu y yo existimos

tu cuerpo y el mío se adelantan y aproximan
y aunque nunca se toquen aunque un inmenso vacío los
separe
tu y yo existimos

A certeza de existir

Se
Já vi tudo
tudo o que há de destruir o que existe
a espera arrasa a terra como um novo dilúvio
o dia sangra
uns olhos azuis recolhe vento para olhar  
e as ondas enlouquecidas alcançam as praias de um país silencioso
onde os homens sem memória
se esforçam para perder tudo.

Em uma rua de negro silêncio percorre o assombro
tudo volta até um limite inatingível para o desejo

porém, tu e eu existimos

teu corpo e o meu avançam e se aproximam
e ainda que nunca se toquem ainda que um imenso vazio
nos separe
tu e eu existimos. 

Ilustração:  cajuina.tumblr.com

Canção do navegante


Se nunca fui marinheiro
Se não aprendi a navegar
Não importa
Nada importa
Eu quero é morrer no mar.
Eu quero é morrer no mar.
É que a vida não importa
A quem não sabe navegar
A quem perdido no rumo
Não pode mais nem amar.
Eu quero é morrer no mar.
Eu quero é morrer no mar.