Friday, August 29, 2008

FIM DE AGOSTO


BUSCA


Sei que há muitas mensagens
Que jamais serão entendidas
Como garrafas ao mar
Que jamais irão chegar.

É tudo assim nesta vida:
O encontro ou o desencontro
Depende apenas da sorte
Menos, é claro, a morte.

Ó querida, não lhe turve
A visão de minha tristeza
Nem à dor nunca se curve.
Procure só da vida, a beleza.

Wednesday, August 27, 2008

TRISTEZA NÃO TEM FIM....

ADEUS
Havia tanto luar
Que nem pensei em olhar
As estrelas que luziam
No brilho dos olhos teus
Volta sempre na lembrança
A vaga beleza da dança
Dos teus pés que iam e vinham
Na hora triste do adeus
E tuas lágrimas caindo
Doem mais com a saudade
E o arrependimento vindo.
Infelizmente é tarde!

Tuesday, August 26, 2008

AINDA ELA


Aqui, reconheço que exagerei muito, mas Emily me perdoaria.


Success

Emily Dickison


Success is counted sweetest
By those who ne'er succeed.
To comprehend a nectar
Requires sorest need.


Not one of all the purple host
Who took the flag to-day
Can tell the definition,
So clear, of victory,


As he, defeated, dying,
On whose forbidden ear
The distant strains of triumph
Break, agonized and clear.

O sucesso

O sucesso é contado docemente
Por aqueles que nunca tiveram êxito.
Para compreender seu néctar
Se requer a amarga necessidade.

Nem se recolher uma rosa roxa
Da bandeira do dia
Posso dar a definição,
Assim, clara, da vitória.

Tal é, o derrotado, morrendo,
Nas proibidas orelhas
Soam os ecos do triunfo distante
Quebrado, agonizante, apagado.

Friday, August 22, 2008

EMILY NOVAMENTE

Presentiment

Emily Dickinson


Presentiment is that long shadow on the lawn
Indicative that suns go down;
The notice to the startled grass
That darkness is about to pass.

O Pressentimento

O pressentimento é como a longa sombra sobre o gramado
Indicativo dos sóis que se põem;
O aviso prévio para a erva crescer
Escuridão que está prestes a passar.

Thursday, August 21, 2008

PANERO

DIARIO DE UN SEDUCTOR

Leopoldo Maria Panero

No es tu sexo
lo que en tu sexo busco
sino ensuciar tu alma:
desflorar
con todo el barro de la vida
lo que aún no ha vivido.

"El que no ve" 1980

Não é teu sexo o que no teu sexo busco
Sim enlamear tua alma:
Deflorar
Com todo barro da vida
O que ainda não vivi.

Wednesday, August 20, 2008

UM POETA PERUANO

MÚSICA LENTA

Manuel Scorza

Para que tú entres,
a veces de tristeza, el corazón se me abre.

Como una puerta tímida,
para que tú entres, el corazón se me abre.

Pero tú no vienes,
no vuelas más sobre los campos.

En vano mi corazón
a la ventana de su dolor se asoma.
Pasas de largo,
como si el viento
soplase sólo para allá.

Pasa la mañana y no viene la tarde.
Y el corazón se me cierra,
como una mano sin nadie, el corazón se me cierra.

Música Lenta

Para que tu entres,
Às vezes de tristeza, meu coração se abre.

Como uma porta tímida,
Para que tu entres, meu coração se abre.

Porém, tu não vens,
Não voas mais pelos campos.

Em vão meu coração
Na janela de sua dor assoma.
Passas distante,
Como se o vento
Soprasse somente para o outro lado.

Passa a manhã e a tarde não vem.
Meu coração se fecha
Como uma mão sem nada, meu coração se fecha.

PASOLINI VIA ESPANHOL

MUERTE

Pier Paolo Pasolini

Vuelvo a ti, como vuelve
un emigrado a su país y lo redescubre:
he hecho fortuna (en el intelecto)
y soy feliz, tanto
como hace tiempo lo era, destituido por norma.
Una rabia negra de poesía en el pecho.
Una loca vejez de jovencito.
Antes tu alegría se confundía
con el terror, es verdad, y ahora
casi con otra alegría
lívida, árida: mi pasión decepcionada.
Ahora me das miedo de verdad,
porque estás de verdad cerca, incluida
en mi estado de rabia, de oscura
hambre, de ansia casi de criatura nueva.

De "La religione del mio tempo" 1961Versión de Delfina Muschietti

Morte

Volto a ti como volta
Um emigrado ao seu país e o redescubre:
Fiz fortuna (no intelecto)
E sou feliz, tanto
Como faz tempo era, destituido por norma.
Uma raiva negra de poesia no peito.
Uma louca velhice de rapaz novo.
Antes tua alegria se confundia
Com o terror, é verdade, e agora
Quase com outra alegria
Lívida, árida: minha paixão decepcionada.
Agora me dá medo de verdade,
Porque está de verdade cercada, incluida
Em meu estado de raiva, de escura
Fome, de ansia quase de criatura nova.

Tuesday, August 19, 2008

SARA TEASDALE

The Crystal Gazer

Sara Teasdale


I shall gather myself into my self again,
I shall take my scattered selves and make them one.
I shall fuse them into a polished crystal ball
Where I can see the moon and the flashing sun.
I Shall sit like a sibyl, hour after hour intent.
Watching the future come and the present go -
And the little shifting pictures of people rushing
In tiny self-importance to and fro.

O Cristal Gazer
Eu vou me reunir em mim novamente,
Eu vou pegar meus pedaços espalhados e torná-los um.
Eu vou fundí-los numa brilhante bola de cristal
Onde poderei ver a lua e o sol piscando.
Eu vou sentar como uma Sibila, hora após hora, determinada.
Assistindo o futuro vir como o presente chegou-
E aos poucos mudar as imagens de pessoas apressadas
Pela pequena auto-importância do vaivém.

WU MEN

The Great Way

Wu Men

The Great Way has no gate;
there are a thousand paths to it.
If you pass through the barrier,
you walk the universe alone.
O Grande Caminho
O Grande Caminho não tem portão;
há um milhar de veredas para ele.
Se você passar através da barreira,
você caminhará sozinho no universo

OCTAVIO PAZ

Palpar

Octavio Paz


Mis manos abren
las cortinas de tu ser
te visten con otra desnudez
descubren los cuerpos de tu cuerpo
Mis manos inventan
otro cuerpo a tu cuerpo
Apalpar

Minhas mãos
Abrem a cortina do teu ser
E te vestem com outra nudez
Descobrindo corpos no teu corpo
Minhas mãos
Inventam outro corpo no teu corpo.

Monday, August 18, 2008


Paixão

A tua boca que tanto quis
Tinha sabor de anis,
Apesar de todo run com leite
que bebi
E o fogo que sentia
Já nem sabia se vinha
Da bebida ou da tua pele que escaldava.
Não sei se foi ilusão
ou imaginação,
Todavia a recordação daquela noite,
Não pelos fogos de artifícios,
È de que o mundo inteiro queimava
E, mesmo assim, em minha vida
Nunca me senti melhor.

Friday, August 15, 2008

AT THE END

Ed Meek

He was so old his bones seemed to swim in his skin.
And when I took his hand to feel his pulse
I felt myself drawn in. It was as faint
as the steps of a child padding across the floor in slippers,
and yet he was smiling.
I could almost hear a river running beneath his breath.
The water clear and cold and deep.
He was ready and willing to wade on in.

No final

Ele era tão velho que seus ossos pareciam nadar na sua pele.
E quando eu levei a mão para sentir seu pulso
Senti-me mesmo como um rascunho. Foi como desmaiar
como os passos de uma criança
andando ao redor de um chão de almofadas de chinelos,
e ele ainda estava sorrindo.
Eu podia ouvir quase um rio correndo sob a sua respiração.
As águas claras e frias e profundas.
Ele estava pronto e disposto a ir fundo.

Thursday, August 14, 2008

OUTRA VEZ DELFINA ACOSTA

Antes del olvido

Delfina Acosta

Acaso es tarde.
No importa ya
que con favor del diablo
coloque mis jazmines en la acera,
mi zapato de tierra
en la ventana,
y me quede
en cuclillas,
aguardando,
que alguien golpee de una vez mi puerta.
No importa ya
que con las gotas
de un día que en la fiesta fue lluvioso,
yo moje mis cabellos y mejillas,
y me quede sentada,
parpadeando,
sobre el sillón de mimbre, en la penumbra.
Acaso es tarde.
Acaso el tiempo
me llegó de golpe
por andarme de madre,
por andarme de hija,
y este fuego nocturno
que sube por mis huesos,
este aullido feroz
que levanta mi sangre,
ya no son señales
para llamar a nadie.

Antes do esquecimento

Talvez seja tarde.
Não importa já
Que, com o favor do diabo,
Coloquei os jasmins
Na calçada, meus sapatos
De terra na janela,
E me quedei
De cócoras
Aguardando,
Que alguém golpeie de uma vez minha porta.
Não importa já
Que com as gotas
De um dia de festa que foi chuvoso,
Eu molhe meus cabelo e cachinhos,
E permaneça sentada,
Proseando,
Na poltrona de vime, na penumbra.
Talvez seja tarde.
Talvez o momento
Chegou de um golpe
Por andar como mãe,
Por andar como filha,
E este fogo noturno
Que sobe por meus ossos,
Este este gemido feroz
Que levanta meu sangue,
Já não sejam sinais
Para chamar ninguém.

UMA POETISA DO PARAGUAI

Circo

Delfina Acosta


Giovanna Pertile, hada que lleva mi sangre.

Yo fui a nacer y el mundo enloqueció:
atardecer de mares y naufragios.
Las aves antes de alcanzar altura
caían en un bosque embalsamado.
Un elefante triste en rojo circo
brillaba en tantos ojos agrandados
del público contento. ¡Cuánto éxito!
Con sólo tropezarse los enanos
reír hacían a la humanidad.
El tigre, con rugir ¡causaba espanto!
Y fui poetisa y acabé creyendo
locura la razón de los humanos.
Tejí una manta de alegría y luto.
A quien me amó pedí llevarme al circo
y ahí dejarme lejos de este mundo
pues sólo en los payasos vi juicio.

Circo

Eu fui ser nascer e o mundo enlouqueceu:
Entardeceu de mares e naufrágios.
Os pássaros antes de alcançar altura
Caíram num bosque embalsamado.
Um elefante triste no circo vermelho
Brilhava em muitos olhos ampliados
Do público contente. Quanto sucesso!
Como se apenas tropeçando nos anões
Pudesse fazer a humanidade rir.
O tigre só com rugir causava espanto!
E fui poetisa e terminei acreditando
Ser loucura a razão dos seres humanos.
Teci um manto de alegria e luto.
A quem me amou pedi que me levasse ao circo
E lá me deixar longe deste mundo
Pois somente nos palhaços vi juízo.

Ilustração: www.pge.pi.gov.br/materia.php?id=15683

Wednesday, August 13, 2008

ESPERANÇA, MEU AMOR...

Poema breve



Nada sei de ti
apenas está saudade
em mim,
como uma imensa sombra
se alarga,
e me diz:
-Adeus chances de ser feliz!

AS RESPOSTAS SÃO AS POSSÍVEIS

i like my body when it is with your

E. E. Cummings

i like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like,slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric fur, and what-is-it comes
over parting flesh....And eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new


Eu gosto de sentir seu corpo

Eu gosto de meu corpo coladinho ao seu
Corpo. É assim uma coisa completamente nova.
Os músculos melhoram e os nervos ainda mais.
Eu gosto de seu corpo. Eu gosto do que faço,
Eu gosto de seus gritinhos. Eu gosto de sentir o calor
De seu corpo e de seus ossos, e do tremor
Na hora em que lhe aliso devagar e várias vezes,
Repetidas vezes e outra vez e outra
Beijo, eu gosto de beijar isto e aquilo de você,
Eu gosto, lentamente afagando, do curto-circuito chocante
De sua pele elétrica, e do que-dela-vem depois
Como explosão da carne... E das migalhas de amor de seus grandes olhos,

E possivelmente eu gosto da emoção

De me sentir sob você assim completamente novo

Tuesday, August 12, 2008

TUDO IGUAL

Ode ao irmão perdido

Certamente como Alexander Soljenitsin,
Também sou um inadaptado.
Igual a ele
Sou delicado demais para esta época.

Sou mais novo e ainda estou vivo-
O que se me poupa de ser coisa do passado
Infelizmente não de ser ultrapassado.

Olho as estrelas e acredito que Marte existe
E o dia 27 aguardo
Sempre com a esperança de que o amanhã será melhor
Até também virar pó.

Ilustração: http://www.apn.ru/userdata/images/soljenitsin.jpg

VERSOS DE JOSE MARTÍ

¡Dolor! ¡Dolor! Eterna vida mía

José Martí

¡Dolor! ¡Dolor! eterna vida mía,
Ser de mi ser, sin cuyo aliento muero!

* * *

Goce en buen hora espíritu mezquino
Al son del baile animador, y prenda
Su alma en las flores que el flotante lino
De mujeres bellísimas engasta:

Goce en buen hora, y su cerebro encienda
En la rojiza lumbre de la incasta Hoguera del deseo:
Yo, embriagado de mis penas,
me devoro, Y mis miserias lloro,
Y buitre de mí mismo me levanto,
Y me hiero y me curo con mi canto,
Buitre a la vez que altivo Prometeo.
Dor!Dor! Eterna vida minha

Dor! Dor! Eterna vida minha
Ser de meu ser, sem cujo alento morro!

* * *

Goze em boa hora espírito mesquinho
Ao som do baile animador, e prenda
sua alma nas flores do linho flutuando
Que belíssimas mulheres reveste:

Goze em hora boa, e seu cérebro incendeie-se
No fogo avermelhado da impura
Fogueira dos desejos:

Eu, embriagado de minhas dores me devoro,
E minhas misérias choro,
E abutre de mim mesmo me levanto,
E me firo e me curo com meu canto,
Abutre da vez como o arrogante Prometeu.

UMA POESIA DE AMADO NERVO

Autobiografía

Amado Nervo


¿Versos autobiográficos ? Ahí están mis canciones,
allí están mis poemas: yo, como las naciones
venturosas, y a ejemplo de la mujer honrada,
no tengo historia: nunca me ha sucedido nada,
¡oh, noble amiga ignota!, que pudiera contarte.

Allá en mis años mozos adiviné del Arte
la armonía y el ritmo, caros al musageta,
y, pudiendo ser rico, preferí ser poeta.

-¿Y después?

-He sufrido, como todos, y he amado.

¿Mucho?

-Lo suficiente para ser perdonado...

Autobiografia

Versos autobiográficos? Aí estão as minhas canções,
Ali estão meus poemas: eu, como as nações
venturosas, e a exemplo da mulher honrada,
não tenho história: nada nunca aconteceu comigo,
Oh! Nobre amiga desconhecida!, que poderia te contar.

Além de que em minha juventude adivinhei da arte
a harmonia e o ritmo, queridos do maestro,
e, podendo ser rico, preferi ser poeta.

- E depois?

- Eu sofri, como todos, e amei.

Muito?

- O suficiente para ser perdoado....

TUDO PASSA

Canção de agosto

Os ventos de agosto passarão levando tudo.
Com o calor e a secura as folhas se esparramam pelo chão
E, com os ventos, as telhas, os cartazes voam
Junto com ninhos e sonhos, tudo ilusão.

Os ventos de agosto passarão, passarão
E já vão passando arrastando as coisas na passagem
Modificando a paisagem, as formas, as cores
E, como sempre acontece com o que passa, as vidas
Deixando apenas lembranças, memórias, feridas.

Ilustração: blogueforanadaevaodois.blogspot.com/2007_08_0...