Friday, August 21, 2026

Luis de Góngora volta por aqui


NO DE FINO DIAMANTE O RUBI ARDIENTE

Luis de Góngora

No de fino diamante o rubí ardiente
(Luces brillando aquel, este centellas)
Crespo volumen vio de plumas bellas
Nacer la gala más vistosamente,

Que obscura el vuelo, y con razón doliente,
De la perla católica que sellas,
A besar te levantas las estrellas,
Melancólica aguja, si luciente.

Pompa eres de dolor, seña no vana
De nuestra vanidad. Dígalo el viento,
Que ya de aromas, ya de luces, tanto

Humo te debe. ¡Ay, ambición humana,
Prudente pavón hoy con ojos ciento,
Si al desengaño se los das y al llanto!

NÃO DE FINO DIAMANTE OU RUBI ARDENTE

Não de fino diamante ou rubi ardente

(Luzes brilhando, aquelas, estas centelhas)

Crespo volume encaracolado serrado de belas penas

Nascer esplendor mais vistosamente,

 

Do que o obscuro voo, e com razão dolente,

Da pérola católica que que selas,

Ao se elevar para beijar as estrelas,

Agulha melancólica, se brilhante.

 

Pompa és de dor, um sinal não em vão

De nossa vaidade. Diga-o o vento,

Já de aromas, já de luzes, tanto

 

A fumaça te deve. Ai, humana ambição,

Prudente pavão hoje com de olhos um cento,

Se aos desenganos se entrega ao pranto!


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