Tuesday, July 04, 2017

Uma poesia de Ana Rossetti



Qué será ser tú

Ana Rossetti
              
Este es el enigma, la atracción sobrecogedora
de conocer, el irresistible afán de echar el ancla
en ti, de poseerte.
Qué será la perplejidad de ser tú.
Qué, el misterio, la dolencia de ser tú y saber.
Qué, el estupor de ser tú, verdaderamente tú y,
con tus ojos, verme.
Qué será percibir que yo te ame.
Qué será, siendo tú, oírmelo decir.
Qué, entonces, sentir lo que sentirías tú.


O que será ser você
               
Este é o enigma, a esmagadora atração
de conhecer, a vontade irresistível de achar a âncora
em ti, de possuir-te.
Qual será a perplexidade de ser você.
Qual, o mistério, a dolência de ser você e saber.
Qual, é o estupor de ser você, verdadeiramente você e,
com os teus olhos, ver-me.
Que será perceber que eu te amo.
Que será, será sendo tu, me ouvir dizer isto.
O que, então, sentir o que sentirias tu.


Ilustração: A mente é maravilhosa. 

Monday, July 03, 2017

Outra poesia de Mauricio Molina



ANIMA MARIS

Mauricio Molina

Los delfines no sabían que te amaba
ni los parques de la Habana
cosagraban vino por nuestros amaneceres.

Disfruté en tu cuerpo,
Lloré camino al malecón
con la presencia salada del Caribe
Bailamos la canción de Compay
y dijimos amarnos los tres:
Vos, yo y la isla.

Es San José:
el  olvido llueve con locura.
Sobre aburridos líquenes
Tiembla el corazón
de los moribundos amantes.


ANIMA MARIS

Os golfinhos não sabiam que eu te amava
nem os parques de Havana
consagravam o vinho por nossos amanheceres.

Desfrutei de teu corpo,
Chorei a caminho do paredão
com a presença salgada do Caribe
Dançamos a canção de Compay
e nós dissemos amarmos a três:
Você, eu e a ilha.

É San Jose:
o esquecimento chove com loucura.
sobre entediados em líquidos
Treme o coração
dos moribundos amantes.

Uma poesia de Liliana Ponce


EN SU BOCA ARDE LA NOCHE...

Liliana Ponce

en su boca arde la noche
descorre un paño azul
lleva al fondo la piedra, tapa el agujero

ni olvido
ni saciedad

todo lo que se ha amado destella
aún, termina

ni viaje
ni amor

en el mar los puentes se desploman con vehemencia
apoyan el fuego donde se abre el tajo
donde babean

NA SUA BOCA ARDE A NOITE ...

Na sua boca arde a noite
descobre um pano azul
leva ao fundo, a pedra, cobre o buraco

não esquece
nem sacia

tudo o que tenho amado estremece
ainda, termina

nem viagem
nem amor

no mar das pontes despencam com veemência
apoiam o fogo onde se abre a cova
onde babam


Ilustração: Planeta Piercing. 

Friday, June 30, 2017

A DOCE BATALHA




Há que se buscar o amor com a paixão possível
E o impossível querer, que faz da espada do guerreiro,
Quando enfim encontra a carne,
O cerne da realidade, sendo sonho inteiro,
E o fim de uma luta de afeto e de ternura
Que une em comunhão duas criaturas.

Há que se fazer do momento
O tecido real do fazimento dos sonhos
E avançar sobre o corpo da amada
Com uma volúpia insuspeitada,
Como se a batalha fosse favas contadas,
Mesmo sabendo que o combate
Será longo, demorado, pontuado
De idas e vindas, de choros e ais.

Há que se passear por seu corpo
Como quem navega por águas mansas
Com a certeza de que se enfrentará tempestades
E com a convicção de que só se colhe a flor
Com um feroz combate e intenso amor
E que, ainda que vitorioso e inebriado
Com a conquista do forte
Nada está garantido, exceto uma sensação
De gozo, cansaço e morte,
De querer muito mais.

Descoberto o poço do prazer,
A vida parece reviver
Quando tudo volta a se colorir,
O mundo sorrir
E se descobre, surpreso,
Que o amor é esta corrente invisível
Que nos deixa preso
Que nos faz sonhar
E andar, suspenso no ar,
A partir do momento em que se vê
Que sem o outro, sem o bem querer
Nunca mais se terá paz
E se quer sempre mais, e mais e mais...


Ilustração: AMOR X PAIXÃO ♥ uma batalha eterna. 

UMA POESIA DE MAURICIO MOLINA

LOS GATOS                                                               
Mauricio Molina

Seréis como ángeles sin alas
especies y no cuerpos solitarios
Desde dioses persas
hasta siluetas en el fuego
que saltan entre los focos de los autos

Llorando entre toruturas
pagando el pecado de ser hermosos

Habría deseado que volvierais a ser brujas
compartir con vosotras
vino y lecho.

OS GATOS

Sereis como anjos sem asas
espécies e não corpos solitários
Desde deuses persas
até silhuetas em fogo
que saltam entre os faróis dos carros

Chorando entre torturas
pagando o pecado de serem formosos

Havia desejado que voltassem a ser bruxas
para compartilhar com elas
o vinho e o leito.


Ilustração: Aventuras na História. 

UMA POESIA DE DINA POSADA


PLEGARIA AL ORGASMO

Dina Posada

Ajeno a mis pensamientos
huiste a un casto silencio

Hoy
que sedienta mi sangre te busca
ni a golpes ni a ruegos
te insinúas

enajenado prosigues
riguroso y oprimido y largamente oscuro
como pasillo de convento desolado

Tú
ángel de dura delicia
apático orgasmo rebelde
erizado temblor
pólvora vulnerable

regresa a mí
y aniquílame


ORAÇÃO AO ORGASMO

Alheio aos meus pensamentos
fugiste para um casto silêncio

Hoje
que sedento meu sangue te busca
nem a golpes nem a rogos
te insinuas

alienado prossegues
rigoroso e oprimido e profundamente escuro
como um corredor desolado de convento

Tu
anjo de delícia
apático orgasmo rebelde
tremor ouriçado
pólvora vulnerável

volta pra mim
e aniquila-me


Ilustração: Vix. 

Thursday, June 29, 2017

Um poema de Yolanda Pantin



SON TRES LOS ZOPILOTES

Yolanda Pantin

Mira volar los zopilotes son horrendos
Allí están en la cornisa del otro edificio

Mientras sirvo el café las aves negras
se han posado en la antena parabólica diríase atalaya
Cada uno conserva el equilibrio que es suyo y no del Otro
-¿De quién comen?

Ahora vuelan sin moverse no hacen ruido
Son tres los zopilotes ya lo he visto

una madre y dos de sus pequeños
o una pareja de amantes y su sombra


SÃO TRÊS OS URUBUS

Olhe os urubus voando são horríveis
Ali estão na borda de um outro edifício

Enquanto sirvo o café os pássaros pretos
pousaram na antena parabólica parecendo de atalaia
Cada um conservando o equilíbrio que é seu e não do outro
- O que comem?

Agora voam sem mover-se não fazem barulho
São três urubus o que eu vi

uma mãe e dois filhotes

ou um par de amantes e sua sombra

Ilustração: O Globo. 

Uma poesia de Lila Calderón


EL CORAZÓN ES UN LUGAR COMÚN

Lila Calderón

Yo sólo veo un trance de árboles que van pasando
cargados de anuncios
Un violín en ruinas   un barco fantasma
aves descompaginadas en el truco del rumbo
Espejos que no tienen más historia
que la de los personajes que pasan y se reflejan
Una bandada de estatuas a ras de suelo
El planeta en donde nacerá el futuro
y los milagros que me proponga

Veo al verbo caminando inadvertido por las noches
en diversas fuentes de luz
Veo que amanece a cada vuelta del reloj
LA CIUDAD ES UN LUGAR COMÚN

O CORAÇÃO É UM LUGAR COMUM

Eu só vejo um trânsito de árvores que vão passando
carregadas de anúncios
Um violino em ruínas um navio fantasma
aves descompaginadas pássaros no truque de um rumo
Espelhos que não têm mais histórico
que os personagens que passam e se refletem
Um bando de estátuas no nível do solo
O planeta onde o futuro vai nascer
E os milagres que me proponha

Vejo o verbo caminhar despercebido pelas noites
em diversas fontes de luz
Vejo que amanhece a cada volta do relógio

A cidade é um lugar comum

Um poema de Antonio José Ponte

CANCIÓN                                                                                   Antonio José Ponte

Pasé un verano entero escuchando ese disco.
Para que la emoción no se le fuera
lo escuchaba una vez cada día.
Si me quedaba hambriento salía a caminar.

A su manera la luz cantaba esa canción,
la cantó el mar, la dijo
un pájaro.
Lo pensé en un momento:
todo me está pasando para que me enamore.

Luego se fue el verano.
El pájaro
más seco que la rama
no volvió a abrir el pico.

CANÇÃO

Passei um verão inteiro escutando este disco.
Para que a emoção não se fosse
o escutava uma vez por dia.
Se me encontrava faminto saía caminhando.

À sua maneira a luz cantava esta canção,
a cantou o mar, a disse
um passarinho.
Até pensei em um momento:
tudo está acontecendo para que me apaixone.

Logo se foi o verão.
O passarinho
mais seco que um galho

não voltou a abrir o bico. 

Ilustração: Blog do Tanlup.

Wednesday, June 28, 2017

Um poema de Armando Roa Vial



A LA MANERA DE JOHANNES BOBROWSKY

Armando Roa Vial

De par en par nos abrieron las palabras.
Las palabras, con sus lívidos desechos,
saltando de boca en boca,
dejándonos a la intemperie,
cambiándonos de soledad.
Nada cede su sitio a este frío,
a esta vasta sombra, a esta noche interminable
de palabras viciando las cosas.

Lo sonoro nos invade por todas partes.

Ahora que las palabras nos han arrebatado
la dicha de enmudecer.

À MANEIRA DE JOHANNES BOBROWSKY

De par em par se abriram as palavras.
As palavras com seus lívidos detritos,
saltando de boca em boca,
deixando-nos sob a intempérie,
trocando-nos de solidão.
Nada cede lugar a este frio,
à esta vasta sombra, esta noite interminável
de palavras viciando as coisas.

A sonoridade nos invade por todas as partes.

Agora que as palavras nos hão arrebatado
a sorte de emudecer.

Ilustração: Elegia do Amor. 


Dois poeminhas de Jorge Boccanera



ENSAYO BREVE SOBRE LA HONESTIDAD POÉTICA

Jorge Boccanera

No es que los poetas mientan.
Es que los mentirosos
quieren hacer poesia

ENSAIO BREVE SOBRE A HONESTIDADE POÉTICA

Não é que os poetas mintam.
É que os mentirosos
querem fazer poesia.

CARTA DEL SUICIDA

Jorge Boccanera

Lo poco que he vivido,
me ha hecho perder
demasiado tiempo

CARTA DO SUICIDA

O pouco que hei vivido,
me há feito perder

demasiado tempo

Tuesday, June 27, 2017

POEMAS MAL COMPORTADOS

CÉTICA II                                                   
Ora, meu querido amigo,
Há coisas inexplicáveis
Ou que estão além do entendimento.
Muitas nem comento.
Veja, por exemplo,
Está na Bíblia
Que Adão e Eva só tiveram
Caim e Abel
Como explicar, ò céus!,
Que tenham tido filhos?
Nem te falo,
De verdade,
Que é incompreensível
A Santíssima Trindade,
Mas, menos ainda,
Por mais que seja grande o amor,
Hei de entender
Porque devemos comer
A carne e o sangue
Do nosso salvador!