Friday, May 29, 2026

Uma poesia de Yale Saweda Kamara

 

                                TRIM

          Yale Saweda Kamara

At the end

of the story,

we exchanged

hair. Two tiny

Ziploc bags,

little plastic

windows.

 

I sheared off

the tip 

of my braid,

candlewick

twist-tight.

 

Please

use these

dead cells

to make

new words.

 

We never

baked

the blueberry

crumble:

let the

mashed bowl

of indigo

fruit

on the

counter

be your ink.

 

Dip me

whole

into the

sweet

blood &

try to

write

about

cutting

hair &

a scissor’s

song,

its sound

akin to

a memory

holding its

own

breath.

 

I wear

your black

cursive

on my chin,

& imagine

being the

teenaged boy

that you will

raise

with a lover

that looks

like me.

 

I wrap

you around

my wedding

finger, pull

& watch

you snap back

until you yawn.

 

I dress

you in the

foam of

apricot shampoo,

spin you in

my palm

to wash out

time.

 

At midnight,

you lay me

at the nape

of your neck,

guarding

your spine,

in the blue violet                        

of dream’s

intermissions.

 

We are

climbing

strands

to each other’s

roots,

searching

for homes

that we

have

already

passed.

 

Behind

your head

& in my hands,

we are closer

than secret.

CORTE

No final

da história,

trocamos

cabelos.

Dois saquinhos

Ziploc minúsculos,

pequenas janelas

de plástico.

 

Cortei

a ponta

da minha trança,

torcida como um pavio.

 

Por favor,

use essas

células mortas

para criar

novas palavras.

 

Nunca

assamos

a torta de mirtilo:

deixe a tigela

de mirtilos amassados

no balcão

ser sua tinta.

 

Mergulhe-me

inteiramente

no

doce

sangue e

tente

escrever

sobre

cortar

cabelo e

o canto da tesoura,

seu som

como

uma memória

prendendo a própria

respiração.

 

Eu uso

sua caligrafia preta

no queixo,

e imagino

ser o

adolescente

que você criará

com uma namorada

que se parece

comigo.

 

Eu te enrolo

em meu dedo anelar,

puxo

e observo

você voltar

até bocejar.

 

Eu te visto

com a espuma do

xampu de damasco,

giro você na

palma da minha mão

para lavar o tempo.

 

À meia-noite,

você me deita

na nuca,

protegendo

sua espinha,

no azul violeta dos

intervalos dos sonhos.

 

Estamos

escalando

fios

até as raízes um do outro,

buscando

lares que

percorremos.

 

Atrás da sua cabeça

e em minhas mãos,

estamos mais próximos

do que qualquer segredo.

Ilustração: Treat Split Ends Hair/Love Beauty and Planet.



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