Saturday, August 29, 2026

Uma poesia de Margaret Atwood

 


VARIATIONS ON THE WORD LOVE

 Margaret Atwood

This is a word we use to plug
holes with. It’s the right size for those warm
blanks in speech, for those red heart-
shaped vacancies on the page that look nothing
like real hearts. Add lace
and you can sell
it. We insert it also in the one empty
space on the printed form
that comes with no instructions. There are whole
magazines with not much in them
but the word love, you can
rub it all over your body and you
can cook with it too. How do we know
it isn’t what goes on at the cool
debaucheries of slugs under damp
pieces of cardboard? As for the weed-
seedlings nosing their tough snouts up
among the lettuces, they shout it.
Love! Love! sing the soldiers, raising
their glittering knives in salute.

Then there’s the two
of us. This word
is far too short for us, it has only
four letters, too sparse
to fill those deep bare
vacuums between the stars
that press on us with their deafness.
It’s not love we don’t wish
to fall into, but that fear.
this word is not enough but it will
have to do. It’s a single
vowel in this metallic
silence, a mouth that says
O again and again in wonder
and pain, a breath, a finger
grip on a cliffside. You can
hold on or let go.

VARIAÇÕES SOBRE A PALAVRA AMOR

É uma palavra que usamos para tapar

buracos. Tem o tamanho certo para aquelas lacunas

quentes na fala, para aqueles vazios vermelhos

em forma de coração na página que em nada

lembram corações de verdade. Acrescente renda

e você pode vendê-la. Nós a inserimos também no único

espaço vazio do formulário impresso

que vem sem instruções. Existem revistas

inteiras que não trazem quase nada

além da palavra amor; você pode

esfregá-la pelo corpo todo e pode

cozinhar com ela também. Como saber

se não é isso que acontece nas orgias

frias das lesmas, sob pedaços úmidos

de papelão? Quanto às mudas de ervas daninhas

que empurram seus focinhos resistentes

entre as alfaces, elas gritam essa palavra.

Amor! Amor! cantam os soldados, erguendo

suas facas cintilantes em saudação.

 

Depois, há nós

dois. Essa palavra

é curta demais para nós; tem apenas

quatro letras, é escassa demais

para preencher aqueles vazios profundos e nus

entre as estrelas

que nos pressionam com sua surdez.

Não é o amor em que não queremos

cair, mas aquele medo.

Essa palavra não basta, mas terá

de servir. É uma única

vogal neste silêncio

metálico, uma boca que diz

Ó, repetidamente, em assombro

e dor, um fôlego, um dedo

agarrado à encosta de um precipício. Você pode

segurar firme ou soltar.

Ilustração: Instagram.

 


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