VARIATIONS ON THE WORD
LOVE
Margaret Atwood
This is a word we use to
plug
holes with. It’s the right size for those warm
blanks in speech, for those red heart-
shaped vacancies on the page that look nothing
like real hearts. Add lace
and you can sell
it. We insert it also in the one empty
space on the printed form
that comes with no instructions. There are whole
magazines with not much in them
but the word love, you can
rub it all over your body and you
can cook with it too. How do we know
it isn’t what goes on at the cool
debaucheries of slugs under damp
pieces of cardboard? As for the weed-
seedlings nosing their tough snouts up
among the lettuces, they shout it.
Love! Love!
sing the soldiers, raising
their glittering knives in salute.
Then there’s the two
of us. This word
is far too short for us, it has only
four letters, too sparse
to fill those deep bare
vacuums between the stars
that press on us with their deafness.
It’s not love we don’t wish
to fall into, but that fear.
this word is not enough but it will
have to do. It’s a single
vowel in this metallic
silence, a mouth that says
O again and again in wonder
and pain, a breath, a finger
grip on a cliffside. You can
hold on or let go.
VARIAÇÕES SOBRE A PALAVRA
AMOR
É uma palavra que usamos
para tapar
buracos. Tem o tamanho
certo para aquelas lacunas
quentes na fala, para
aqueles vazios vermelhos
em forma de coração na
página que em nada
lembram corações de
verdade. Acrescente renda
e você pode vendê-la. Nós
a inserimos também no único
espaço vazio do
formulário impresso
que vem sem instruções.
Existem revistas
inteiras que não trazem
quase nada
além da palavra amor;
você pode
esfregá-la pelo corpo
todo e pode
cozinhar com ela também.
Como saber
se não é isso que
acontece nas orgias
frias das lesmas, sob
pedaços úmidos
de papelão? Quanto às
mudas de ervas daninhas
que empurram seus
focinhos resistentes
entre as alfaces, elas
gritam essa palavra.
Amor! Amor! cantam os
soldados, erguendo
suas facas cintilantes em
saudação.
Depois, há nós
dois. Essa palavra
é curta demais para nós;
tem apenas
quatro letras, é escassa
demais
para preencher aqueles
vazios profundos e nus
entre as estrelas
que nos pressionam com
sua surdez.
Não é o amor em que não
queremos
cair, mas aquele medo.
Essa palavra não basta,
mas terá
de servir. É uma única
vogal neste silêncio
metálico, uma boca que
diz
Ó, repetidamente, em
assombro
e dor, um fôlego, um dedo
agarrado à encosta de um
precipício. Você pode
segurar firme ou soltar.
Ilustração: Instagram.
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