Monday, March 02, 2026

El Bisonte de Jorge Luís Borges

 

EL BISONTE

Jorge Luis Borges

Montañoso, abrumado, indescifrable,
rojo como la brasa que se apaga,
anda fornido y lento por la vaga
soledad de su páramo incansable.

El armado testuz levanta. En este
antiguo toro de durmiente ira,
veo a los hombres rojos del Oeste
y a los perdidos hombres de Altamira.

Luego pienso que ignora el tiempo humano,
cuyo espejo espectral es la memoria.
El tiempo no lo toca ni la historia

de su decurso, tan variable y vano.
Intemporal, innumerable, cero,
es el postrer bisonte y el primero.

O BISÃO

Montanhoso, oprimido, indecifrável,

vermelho como a brasa que se apaga,

anda fornido e lento pela vaga

solitário em seu deserto incansável.

 

Sua testa blindada levanta. Neste

antigo touro de dormente ira,

vejo aos homens vermelhos do Oeste

e aos homens perdidos de Altamira.


Logo penso que ignora o tempo humano,

cujo espelho espectral é a memória.

O tempo não o toca, nem a história

 

tão variável e vã de seu transcurso

Atemporal, inumerável, zero,

ele é o último bisão e o primeiro. 

Ilustração: Portal 6.


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