Sunday, September 06, 2026

Uma poesia de Leópold Sédar Senghor

 


PRIÈRE AUX MASQUES

Léopold Sédar Senghor

Masques ! Ô Masques !
Masque noir masque rouge, vous masques blanc - et noir -
Masques aux quatre points d'où souffle l'Esprit
Je vous salue dans le silence !
Et pas toi le dernier, Ancêtre à tête de lion.
Vous gardez ce lieu forclos à tout rire de femme, à tout
sourire qui se fane
Vous distillez cet air d'éternité où je respire l'air de mes
Pères.
Masques aux visages sans masque, dépouillés de toute fossette
comme de toute ride
Qui avez composé ce portrait, ce visage mien penché sur
l'autel de papier blanc
A votre image, écoutez-moi !
Voici que meurt l'Afrique des empires — c'est l'agonie
d'une princesse pitoyable
Et aussi l'Europe à qui nous sommes liés par le nombril.
Fixez vos yeux immuables sur vos enfants que l'on commande
Qui donnent leur vie comme le pauvre son dernier vêtement.
Que nous répondions présent à la renaissance du Monde
Ainsi le levain qui est nécessaire à la farine blanche.
Car qui apprendrait le rythme au monde défunt des machines
et des canons ?
Qui pousserait le cri de joie pour réveiller morts et orphe-
lins à l'aurore ?
Dites, qui rendrait la mémoire de vie à l'homme aux espoirs
éventés ?
Ils nous disent les hommes du coton du café de l'huile
Ils nous disent les hommes de la mort.
Nous sommes les hommes de la danse, dont les pieds
reprennent vigueur en frappant le sol dur.

ORAÇÃO ÀS MÁSCARAS

Máscara preta, máscara vermelha, vós, máscaras brancas - e pretas-

Máscaras nos quatro cantos de onde o Espírito respira

Saúdo-vos em silêncio!

E não por último, Ancestral com cabeça de leão.

Vós guardais este lugar fechado a todo riso feminino, a todo

sorriso que se desvanece

Vós destilais este ar da eternidade onde respiro o ar dos meus

Pais.

Máscaras com rostos sem máscaras, despojadas de cada covinha

como de cada ruga

Que compuseram este retrato, este meu rosto curvado sobre

o altar de papel branco

À vossa imagem, escutai-me!

Eis que morre a África dos impérios-é a agonia

de uma princesa lamentável

E também a Europa, à qual estamos ligados pelo umbigo.

Fixa teu olhar inabalável em teus filhos, a quem ordenamos,

que dão suas vidas como o pobre dá sua última roupa.

Que possamos atender ao chamado para o renascimento do Mundo,

como o fermento necessário para a farinha branca.

Pois quem ensinaria ritmo ao mundo morto de máquinas

e canhões?

Quem ergueria o grito de alegria para despertar os mortos e os órfãos ao amanhecer?

Diga-me, quem restauraria a memória da vida ao homem cujas esperanças se desvaneceram?

Dizem-nos, os homens do algodão, do café e do petróleo,

dizem-nos, os homens da morte.

Nós somos os homens da dança, cujos pés

recuperam o vigor ao golpear o chão duro.

Ilustração: ocioarte.es.


No comments: