Saturday, September 23, 2017

OUTRA POESIA DE CINZIA MARULLI


I POETI SONO BRAVA GENTE

 Cinzia Marulli

Non abbiate paura, non c’è pericolo
i poeti sono brava gente:

non se ne vanno nudi per la strada
non hanno volti emaciati
non camminano scalzi sui carboni
ardenti


Hanno fame i poeti – come voi –
attraversano il buio con la paura
sulla pelle, tremano al freddo
e mangiano tutti i giorni
– o almeno vorrebbero farlo –


I poeti si fanno la doccia, vanno al bagno
a fare la spesa. Addirittura si sposano
e hanno figli.
Talora, ma non lo dite ad alcuno
– hanno pure l’amante –


Vi assicuro – i poeti sono brava gente
anche se a volte sono indisponenti
si appropriano
dei sentimenti che vagano nell’aria
li bevono e se ne ubriacano


e poi scagliano parole – le incidono sulla carta –
tagliano ferocemente la luce fredda
del vuoto.


Piangono i poeti – piangono il sangue del mondo –
scavano nelle miniere più profonde
le scoperchiano per inondarle di luce.


E se tutti voi non avrete paura di loro
vi assicuro
i poeti diventeranno veramente brava gente.


OS POETAS SÃO GENTE BOA

Não tenham medo, não é perigoso
os poetas são gente boa:
não andam nus pelas ruas,
não possuem rostos emaciados,
não caminham descalços
sobre as brasas.

Os poetas tem fome-como vocês-
atravessam a escuridão com medo
na pele, tremem de frio
e comem todos os dias
-ou, pelo menos, querem comer-

Os poetas se molham, vão tomar banho,
vão as compras. Se casam inclusive
e tem filhos.
As vezes, porém, não dizem nada a ninguém
-tem também uma amante-


Lhes asseguro-os poetas são gente boa
inclusive se, às vezes, são irritantes
se apropriam
dos sentimentos que vagam no ar
os bebem e se embriagam

E logo jogam palavras- as gravam em papel-
cortam ferozmente a luz fria
do vazio.

Choram os poetas-choram o sangue do mundo-
escavam as minas mais profundas
e as destapam para inundá-las de luz.

E se todos vocês não lhes tem medo
lhes asseguro
os poetas voltarão, realmente, a ser gente boa.


Ilustração: Nighthaws-edward hooper-col.art.instituto de Chicago

UMA POESIA DE CINZIA MARULLI

I PIEDI                                                                                  
Cinzia Marulli

Ci serve un po’ d’inchiostro
per macchiare questo bianco
un pennello di nero per coprire
l’apparenza, potremmo usare
anche il lucido da scarpe
che si secca sempre perché nessuno lo usa mai.
Tanto i piedi sono uguali alla testa
con entrambi si possono fare molti viaggi
solo che i piedi vanno piano, fanno passi lenti
la testa, invece, corre veloce
lì, dove nessuno può arrivare.

OS PÉS

Necessitamos de um pouco de tinta
para manchar este branco
um pincel negro para cobrir
à aparência, poderíamos usar
também um betume para calçado
que se seca sempre porque ninguém o usa.
Tanto os pés são iguais à cabeça
que, com os dois, se pode fazer muitas viagens
só que os pés andam devagar, dão passos lentos,
a cabeça, em troca, corre veloz
ali onde ninguém pode chegar.


Friday, September 22, 2017

Uma poesia de Antonio Garcia Teijeiro

En un trozo de papel                        

Antonio García Teijeiro

En un trozo de papel
con un simple lapicero
yo tracé una escalerita,
tachonada de luceros.

Hermosas estrellas de oro.
De plata no había ninguna.
Yo quería una escalera
para subir a la Luna.

Para a subir a la Luna
y secarle sus ojitos,
no me valen los luceros,
como humildes peldañitos.

¿Será porque son dorados
en un cielo azul añil?
Sólo sé que no me sirven
para llegar hasta allí.

Estrellitas y luceros,
pintados con mucho amor,
¡quiero subir a la Luna
y llenarla de color!

Num pedaço de papel

Num pedaço de papel
com uma simples caneta
Eu desenhei uma escadinha,
salpicada de estrelas.

Formosas estrelas douradas.
De prata, não havia nenhuma.
Eu queria uma escadinha
Para subir até a lua.

Para subir até a lua
e limpar os teus olhinhos,
Não me valem as estrelas
degrauzinhos tão humildes.

Será por serem dourados
num céu azul de anil?
Eu só sei que não me servem
para chegar até lá.

Estrelas e estrelinhas,
pintadas com muito amor,
Eu quero chegar à lua
para preenchê-la de cor!


Ilustração: Pinterest. 

Uma poesia de Angel Yzquierdo Duclós

ALBATROS                                                                                   Angel Yzquierdo Duclós

El poeta es como ese príncipe del nublado,
que puede huis las flechas y el rayo frecuentar;
en el suelo, entre ataques y mofas desterrado,
sus alas de gigante le impiden caminar
Charles Baudelaire

I
Hay aves
que cubren de múltiples colores su plumaje
imitando a Garrick para sobrevivir
millones pululando la tierra

¿No habréis contemplado
el desprendimiento de sus riquezas
el desdoblamiento de su ser
al ofrecer sonrisa a tu semblante
mientras el ocaso
cubre de sombras su plumaje?

II
Aves hay
que van riéndose de melancolía
pintando de alegría la tristeza del mundo
que van
-sin que nos demos cuenta-
a refugiarse en nuestra sonrisa

Sonrisa
cargada
de
un
conglomerado
de
ironías
-para bien o para mal-
a
refugiarse
en el extremo sensible de nuestra tristeza.

ALBATROZ
O poeta é como o príncipe do nublado,
que pode fugir das flechas e o raio frequentar;
no solo, entre ataques e mofas, exilado,
suas asas de gigante o impedem de caminhar
Charles Baudelaire

I
Há aves
que cobrem de múltiplas cores sua plumagem
imitando a um ator para sobreviver
milhões pululando a terra

Não haveis contemplado
o desprendimento de suas riquezas
o desdobramento do seu ser
ao oferecer o sorriso a teu semblante
enquanto o ocaso
cobre de sombras tua plumagem?

II
Aves há
que vão rindo de sua melancolia
pintando de alegria a tristeza do mundo
que vão-
sem que nos demos conta-
refugiar-se em nosso sorriso

Sorriso
carregado
de
um
conglomerado
de
ironias-
para o bem ou para o mal-
a
refugiar-se

no extremo sensível de nossa tristeza.

Thursday, September 21, 2017

Uma poesia de Enzia Verduchi

SEÑORA LEXOTAN                            
 Enzia Verduchi

Qué son seis miligramos
tres veces al día si con ello
se pueden anestesiar los sentimientos,
si controla la ansiedad del todo.
No ríes, no lloras, no percibes
ni el principio ni el fin del mundo.
Basta con abrir la boca:
el ama de casa no es indecisa
ante la gama del supermercado;
los adúlteros no discuten
la orfandad en el tálamo;
nada agrede al taxista
sólo el alto que obliga el rojo.
Señora Lexotan, con usted
no hay cabeza qué perder.

SENHORA LEXOTAN

O que são seis miligramas
três vezes ao dia, se com isto
se pode anestesiar os sentimentos,
se controlar a ansiedade de tudo.
Não ria, não chores, não percebes
nem o princípio nem o fim do mundo.
Basta abrir a boca:
a dona de casa não é indecisa
ante a gama do supermercado;
os adúlteros não discutem
a orfandade não é tálamo;
nada agride o taxista
só o alto que força o vermelho.
Senhora Lexotan, com você
não há cabeça para perder.

Ilustração: Celgmed.  

Wednesday, September 20, 2017

Outra poesia de Deborah Ager

ALONE                            
Deborah Ager

Over the fence, the dead settle in
for a journey. Nine o'clock.
You are alone for the first time
today. Boys asleep. Husband out.

A beer bottle sweats in your hand,
and sea lavender clogs the air
with perfume. Think of yourself.
Your arms rest with nothing to do

after weeks spent attending to others.
Your thoughts turn to whether
butter will last the week, how much
longer the car can run on its partial tank of gas.

SOZINHA

Sobre a cerca, a morte se instala
para uma viagem. Nove horas.
Você está sozinha pela primeira vez
hoje. Os meninos dormem. O marido está fora.

Uma garrafa de cerveja suando na mão,
e o cheiro marítimo da lavanda obstrui o ar
com seu perfume. Pensa em si mesmo.
Seus braços descansam sem nada para fazer

depois de semanas dispendidas atendendo aos outros.
Seus pensamentos se voltam para o tempo
que manteiga vai durar na semana, quanto
mais o carro pode correr com o que resta no tanque de gás.

Ilustração: Sem Formol Não Alisa - WordPress.com. 




Tuesday, September 19, 2017

CARIMBÓ DA FLOR DESALMADA

Não sei o que é                          O que é não sei
Só sei que vou
Na onda que peguei.
Não sei se banzeiro.
Não sei se pororoca.
Só sigo o ritmo
E vou nesta pipoca!

Aí! Aí! Aí!
Flor desalmada!
Quero teu amor
Só de madrugada.

Quando acabar,
Se acabar,
Nada mais importa.
Mas, o amor,
Meu amor,
Tudo comporta.
Solta as pernas,
Fecha a porta.
E vamos lá!
E vamos lá!
Uma hora a dança acaba.
Tudo tem que se acabar!

Aí! Aí! Aí!
Flor desalmada!
Quero teu amor
Só de madrugada.

Ilustração: Radio Ascubem FM – Webnode. 

Monday, September 18, 2017

POEMINHA DOS TEUS OLHOS

Que é frágil a vida,  
Bem sei, pois, temo tudo. 
Mas, cheia de beleza,
quanto mais te estudo, 
ó minha amiga, de olhos de mar, 
de olhos que são dois céus, 
que, nas carícias são, oceanos de veludo,
mais percebo que te amar é tudo-
e tudo quero e quero tudo 
até nos teus olhos me afogar
e renascer 
como um Cristo que de amor ressurge 
e no paraíso do teu olhar se ilude
de que se possa pelo amor jamais morrer. 

Uma poesia de Roger Casalino Castro


CONTEMPLACION

Roger Casalino Castro

Hay un mar a tus pies que te acaricia,
hay un cielo de amor que te contempla,
un mar de ilusión que te murmura
volviendo acariciarte con ternura,
recorriendo tu cuerpo que ya tiembla
al sentir de sus aguas la delicia.

En las rocas que guardan tus espaldas,
como pétreos guardianes inflexibles,
se dibuja la sombra de tu estampa
que al desnudo se convierte en una trampa,
atrayendo mi conciencia corruptible;
me extasío... Y viéndote me faltas.

Contemplação

Há um mar a teus pés que te acaricia,
há um céu de amor que te contempla,
um mar de ilusão que te murmura
voltando a acariciar-te com ternura,
recorrendo ao teu corpo que já treme
ao sentir de suas águas a delicia.

Nas rochas que guardam tuas costas,
como pétreos guardiões inflexíveis,
se desenha a sombra de tua estampa
que na nudez se converte numa cilada,
atraindo minha consciência enamorada;
e me extasio...E vendo-te me faltas. 

(O certo seria "Há um a rio a teus pés que te acaricia,..."

Saturday, September 16, 2017

E, de volta, Gonzalo Rojas

 
OSCURIDAD HERMOSA

Gonzalo Rojas

Anoche te he tocado y te he sentido
sin que mi mano huyera más allá de mi mano,
sin que mi cuerpo huyera, ni mi oído:
de un modo casi humano
te he sentido.

Palpitante,
no sé si como sangre o como nube
errante,
por mi casa, en puntillas, oscuridad que sube,
oscuridad que baja, corriste, centelleante.

Corriste por mi casa de madera
sus ventanas abriste
y te sentí latir la noche entera,
hija de los abismos, silenciosa,
guerrera, tan terrible, tan hermosa
que todo cuanto existe,
para mí, sin tu llama, no existiera.

FORMOSA ESCURIDÃO

Ontem à noite te toquei e te senti
sem que minha mão fugisse além da minha mão,
sem meu corpo fugir nem meu ouvido:
de forma quase humana
te ter sentido.

Palpitante
não sei se como sangue ou como nuvem
errante
por minha casa, na ponta dos pés, escuridão que sobe,
escuridão que baixa, correstes, cintilante.

Correstes por minha casa de madeira.
suas janelas abristes
e te senti bater a noite inteira,
filha dos abismos silenciosa
guerreira, tão terrível, tão formosa
que tudo o que existe,
Para mim, sem tua chama, não existiria.


Ilustração: rebloggy.com. 

Thursday, September 14, 2017

Uma poesia de Victor-Marie Hugo

Canción II                                                           
Victor-Marie Hugo

Si nada de mí queréis,
¿Por qué os acercáis a mí?
Y si así me enloquecéis,
¿Por qué me miráis así?
Si nada de mí queréis,
¿Por qué os acercáis a mí?

Si nada intentáis decir,
¿Por qué mi mano apretáis?
Del hermoso porvenir,
De la dicha en que soñáis,
Si nada intentáis decir,
¿Por qué mi mano apretáis?

Si queréis que aquí no esté,
¿Por qué pasáis por aquí?
Sois mi afán y sois mi fe;
Tiemblo al veros ¡ay de mí!
Si queréis que aquí no esté,
¿Por qué pasáis por aquí?

CANÇÃO II

Se nada de mim quereis,
Por que se acercais a mim?
E se, assim, me enlouqueceis,
Por que me olhais assim?
Se nada de mim quereis,
Por que se acercais a mim?

Se nada tentais dizer
Por que minha mão apertais?
Do formoso futuro
Da sorte com que sonhais
Se nada tentais dizer
Por que minha mão apertais?

Se quereis que aqui não esteja
Por que passais por aqui?
Sois meu desejo e minha fé;
Tremo ao te ver. Aí de mim!
Se quereis que aqui não esteja
Por que passais por aqui?

Ilustração: Lorenzo Costa. 

Wednesday, September 13, 2017

Ainda Julio Cortazar

EL BREVE AMOR                                                                   
Julio Cortazar

Con qué tersa dulzura
me levanta del lecho en que soñaba
profundas plantaciones perfumadas,
me pasea los dedos por la piel y me dibuja
en le espacio, en vilo, hasta que el beso
se posa curvo y recurrente
para que a fuego lento empiece
la danza cadenciosa de la hoguera
tejiédose en ráfagas, en hélices,
ir y venir de un huracán de humo-
(¿Por qué, después,
lo que queda de mí
es sólo un anegarse entre las cenizas
sin un adiós, sin nada más que el gesto
de liberar las manos ?)

UM BREVE AMOR

Com que terna doçura
me levanto do leito em que sonhava
com profundas plantações perfumadas
me passeando pelos dedos pela pele e me desenha
no espaço, nos limites, até o beijo
pousar em curvas e recorrente
para que o fogo lento inicie
a dança cadenciada da fogueira
tecendo em rajadas, em hélices,
indo e vindo de um furacão de fumaça -
(Por que, depois,
o que sobra de mim
é apenas um afogamento nas cinzas
sem um adeus, sem nada além do gesto
de libertar as mãos?)

Ilustração: Toques de Carinho – blogger.