Friday, July 21, 2017

Outra poesia de Héctor Rosales


TEMPRANO DOLOR                                                        

Héctor Rosales

Precocidad maldita, dijera-bajo el parral
en el patio dominado por lucero- el anciano
interpretando mi tensa vigilia.

Las luces vegetales eran niños
arriba, en redondas durmiendo gravedades negras.

Precocidad maldita, tenía razón.
El otõno ya me estava doliendo.

DOR PRECOCE

Maldita precocidade, disse debaixo da videira
no pátio dominado pela luz das estrelas
interpretando minha tensa vigília.

Luzes vegetais eram crianças
no alto, em redondas gravidades negras dormindo.

Maldita precocidade, tinha razão.
O outono já me estava doendo.

Uma poesia de Yves Bonnefoy


Noli me tangere

Yves Bonnefoy

Hésite le flocon dans le ciel bleu
A nouveau, le dernier flocon de la grande neige.

Et c'est comme entrerait au jardin celle qui
Avait bien dû rêver ce qui pourrait être,
Ce regard, ce dieu simple, sans souvenir
Du tombeau, sans pensée que le bonheur,
Sans avenir
Que sa dissipation dans le bleu du monde.

«Non, ne me touche pas», lui dirait-il,
Mais même dire non serait de la lumière.

NOLI ME TANGERE

Hesita o floco diante da neve no céu azul
A neve, último floco da grande nevada.

E é como se no jardim entrasse a que
Bem  poderia ainda sonhar com o que poderia ser,
Esse olhar, esse deus simples, sem memória
Do sepulcro, sem outro pensamento que a sorte,
Sem outro futuro
Que sua dissolução no azul do mundo.

"Não me toques, não", lhe diria ele,
Porém, até o dizer não seria luminoso. 

Thursday, July 20, 2017

Uma poesia de Saúl Ibargoyen

Para una muchacha en la lluvia                    

Saúl Ibargoyen

Usted tú vos señora señoría
señorita vuesa merced doncella
sacerdotisa actriz astronauta
viuda virgen profesionista amadora
amante sirvienta sibila emperatriz
mendiga moza del partido campesina
cocinera poeta suripanta:
cada día de cada noche
he visto
cómo las lluvias
de esta desplomada ciudad
ensucian también
todo su llanto
suyo de usted
todo tu sollozar
tuyo de ti
todas vuestras
nuestras gotas
y chorros y humedades
y lágrimas.

PARA UMA JOVEM NA CHUVA

Você tu vós senhora senhorinha
senhorita vossa mercê donzela
sacerdotisa atriz astronauta
viúva virgem profissional amadora
amante empregada feiticeira  imperatriz
mendiga moça do partido camponesa
cozinheira poeta periguete :
cada dia de cada noite
te vi
como as chuvas
desta  desastrosa cidade
que suja também
todo o seu pranto
seu de você
todo o seu soluçar
teu de ti
todas vossas
nossas gotas
e jatos e umidades
e lágrimas.


Ilustração: Legalmente Menina - WordPress.com. 

Uma poesia de Héctor Rosales

TANGO                                                                                        
Héctor Rosales

Canto com voz de tez danada
en esta soga de papel, canto
a los puertos impossibles
donde vive lo que tanto
nos falta, y canto
para vos, Hermano timonel
del mismo rumbo inmundo
en que nos tocó perder.

Canto com la rebeldia diezmada

en los versos que la nada
no acabó de roer.  

TANGO

Canto com voz de pele estragada
nesta corda de papel, canto
aos portos impossíveis
onde vive o que tanto
nos falta, e canto
para vós, irmãozinho timoneiro
do mesmo rumo imundo
aos qual nos tocou perder.

Canto com a rebeldia dizimada
com os versos que o nada
não acabou de roer. 

Uma outra poesia de Alfonso Chase


Una gota de sangre

Alfonso Chase

Una gota de sangre, hoy,                           
puede contener                                     
el límite de todo el universo.                     
Una bofetada, en su rumor metálico,                 
no podría nunca domar el dulce abismo de unos ojos 
y el golpe, magistral sobre los tímpanos,           
no nos priva de oír el sonido                       
de esos caballos, recorriendo firmes el desierto   
sobre sus cascos serenos.                           
                                     
La lluvia, anhelada e imposible,                   
dilata cualquier celda,                             
creada para contenernos.                           
                                                                          
Una lágrima expulsada,                             
hacia el adentro del llanto,                       
es más poderosa que las bombas cayendo             
sobre ciudades inertes.                              
                                      
La esperanza está definida en los cuerpos           
saltando en miles de átomos vengadores,             
en ese ser en la muerte                             
que es igual a Ser para la resurrección.    


UMA GOTA DE SANGUE

Uma gota de sangue, hoje,
pode conter
o limite de todo o universo.
Uma bofetada, em seu rumor metálico,
não poderia nunca domar o doce abismo de uns olhos
e o golpe, magistral sobre os tímpanos,
não nos priva de ouvir o som
dos cavalos, galopando firmes no deserto
sobre seus cascos serenos.
                                 
A chuva, sonhada e impossível,
dilata qualquer célula,
criada para nos conter.
                               
Um lágrima expulsa,
até o interior do pranto,
é mais poderosa do que as bombas caindo
sobre as cidades inertes.
                                      
A esperança está definida nos corpos
saltando em milhares de átomos vingadores,
em morrer esta morte
que é igual a ser para a ressurreição.

Ilustração: Portal dos Ranchos. 


Wednesday, July 19, 2017

E, de volta, Ramón de Almagro

Me pregunto                                                        
(Soneto II )

Ramón de Almagro

Que se dirán, amor, esas veredas
Que nos vieron pasar juntos del brazo
Que se dirán, amor, hoy que nos queda
Llevar entre los dos nuestro fracaso.

Que se dirán, amor, aquellos árboles
Que marcamos con tantos juramentos
Que se dirán si oyen nuestras voces
Discutiendo llevadas por el viento.

Que se dirán, amor, esas estrellas
Que se dirán al ver nuestras querellas
Que se dirán, ya sé... no dirán nada.

Amores tan deshechos como el nuestro
Se ven tantos, amor, que por supuesto,
Las estrellas ya están... acostumbradas


Me pergunto
(Sonnet II)

Que se dirão, amor, essas veredas
Que nos viram passar juntos de braços
Que se dirão, amor, hoje que nos queda
Levar entre os dois nosso fracasso.

Que se dirão, amor, aquelas árvores
Que marcamos com tantos juramentos
Que se dirão se ouviram nossas vozes
Discutindo levadas ao sabor do vento.

Que se dirão, amor, essas estrelas
Que se dirão ao ver nossas querelas
Que se dirão, eu sei ...não dirão nada.

Amores com desfechos como o nosso
Se vão tantos, amor, que, por suposto,
As estrelas já estão acostumadas ...

Ilustração: Revista Interlúdio. 



Outro poema de Julio Miranda



AHORA

Julio Miranda

Ahora bebes ron y escribes este poema
un micrófono oculto puede estar captando
el tecleo de la máquina, el crepitar del cigarrillo, los crujidos cada vez que te mueves.
En la camioneta donde graban ruidos tan banales
maldiciendo una misión aparentemente estúpida
los técnicos toman café, fuman, ríen ante algún chiste grosero que quizás tenga que ver con
tu esposa.
No te asomes. Se irán dentro de poco, convencidos de que esta noche nada pasará.
Sigue escribiendo, pues, tu poema
o, mejor, termínalo.
Pero no lo leas en voz alta
por si acaso.

AGORA

Agora bebes rum e escreves este poema
um microfone oculto pode estar captando
o teclar da máquina, o crepitar do  cigarro, os ruídos cada vez que te moves.
Na camionete onde gravam ruídos tão banais
maldizendo uma missão aparentemente estúpida
os técnicos tomam café, fumam, riem de uma piada suja que , talvez, tenha a ver com tua esposa.
Não apareças. Eles vão sair em breve, convencidos de que esta noite não vai acontecer nada.
Segue escrevendo, pois, teu poema
ou melhor, é bom terminá-lo.
Porém, não o leias em voz alta,
por acaso.

Ilustração: Vicio da Poesia. 

E volta Roberto Sosa

La brevedad límite                                                Roberto Sosa

Otro tiempo
Nos contuvo abrazados como dos niños ciegos
A punto de caer en la noche de los objetos.
Mi frente tarde. Duro el azar supuesto.
Blanca y desnuda la selva no existía a tu lado.
Nada
Había en el límite sino la marea en los ojos.
Busqué tu afecto, su música de agua,
 Con la intensidad
Con que suelen hacerlo los sentenciados
 Al sacrificio final,
Flor arriba, dormido.
Entonces, cualquier cosa,
Por ejemplo una pluma nos cubría la memoria
 De pájaros.
La brevedad límite del dolor de vivir
No era más que el instante de la estrella en el piso,
El reflejo del bosque en una hoja, o tal vez la nostalgia
Del carruaje en su estacionamiento.

O LIMITE DA BREVIDADE

Outro tempo
Nos conteve abraçados como duas crianças cegas
A ponto de cair na noite dos objetos.
Na minha frente a tarde. Duro é o acaso suposto.
Branca e nua a selva não existia a teu lado.
Nada
Havia no limite senão a maré nos olhos.
Busquei teu afeto, sua música de água,
  Com a intensidade
Como sói fazê-los os sentenciados
  Ao sacrifício final,
Flor suspensa, adormecida.
Então, qualquer coisa,
Por exemplo, uma pluma nos cobria a memória
  de aves.
O limite da brevidade da dor de viver
Não era mais que o instante da estrela no chão,
O reflexo da floresta numa folha, ou talvez a saudade
De um carro em seu estacionamento.


Ilustração: Filosofia blogger. 

Tuesday, July 18, 2017

AUTO-RETRATO ESCRITO (Como se pudesse ser um Manoel de Barros)


Venho de Fortaleza cidade de praias e de ruas pedregosas.
Meu pai teve um supermercado e vendeu caixas registradoras até na Visconde do Rio Branco, onde nasci.
Me criei na Rocha Lima entre cachorros, gatos, sanhaçus, canários belgas, pau brasil, pés de graviola, ciriguelas, pessoas humildes, e o rio Pajéu onde molhava os pés.
Aprecio viver em lugares distantes, como Rondônia, por gosto de estar
entre árvores, águas, pedras e bichos.
Já publiquei alguns livros de poesia: ao publicá-los me sinto
quase feliz e fujo para qualquer canto onde sou
capaz de pensar que alguma coisa fiz.
Nunca me procurei durante a vida inteira, pois, sabia que não me acharia- e não gosto de perder tempo sem motivo nenhum.
Não estou numa pocilga porque nunca criei porcos, galinhas, nem patos nem bois.
Nem qualquer tipo de planta ou animal. 
Agora eu sou tão antigo quanto antes!
Não costumo sofrer de nenhum tipo de sofrimento moral porque sempre fiz  coisas inúteis.
O meu morrer tem uma certa dor de repetição, de chuva fina
é um morrer de garoa, de neblina;
de quem vai embora sem querer. 
E vou morrer incompleto 
Como meu auto-retrato. 

Ilustração: VÍRUS DA ARTE & CIA.

E, de novo, José Luis Vega

MUJER CON LLUVIA                            
José Luis Vega

Todo es lluvia y de pronto
una mujer avanza entre la lluvia.

Sortea cada bache
con breve pie de pájaro aterido.
Peinados contra el frío los cabellos.
La falda entre sus muslos
amparándose.

Avanza contra un fondo
lluvioso de paredes.
El fuego del relámpago,
el trueno la apresuran.

Camina ajena al signo interrogante
que orla su traje al viento,
ajena a los misterios que salpica
su paso por la lluvia.

¿Qué la trae, qué la lleva, de qué rayo
procede su energía?
¿Su nombre,
en qué aguacero?
¿Su rostro,
en qué llovizna?
¿Qué amada voz, qué urgencia,
hacia qué oído
los golpes de sus tacos se deslizan?

Amparada en la flor de la sombrilla
cruza:
es lo único vivo
en la muerte interina de la lluvia.

MULHER NA CHUVA
  
Tudo é chuva
uma mulher avança em meio à chuva.

Contorna cada obstáculo
com um suave pé de pássaro.
Cabelos penteados contra o frio.
Saia entre as coxas
protegendo-se.

Avanços contra um fundo
de pingos nas paredes.
O fogo do relâmpago,
o estrondo do trovão.

Caminha alheia ao ponto de interrogação
que orna seu traje de vento,
alheia aos mistérios
que salpicam seus passos pela chuva.

O que a traz, o que a leva, de que raio
provém sua energia?
Seu nome,
em que aguaceiro?
Seu rosto,
em que garoa?
Que amada voz, que urgência,
a qual orelha
os golpes de seus sapatos deslizam?

Coberta de um guarda-chuva de flores
atravessa:
é a única vida
na morte interina da chuva.


De volta César Vallejo



EL POETA A SUA AMADA

César Vallejo

Amada, en esta noche tú te has crucificado
sobre los dos maderos curvados de mi beso;
y tu pena me ha dicho que Jesús ha llorado,
y que hay un viernes santo más dulce que ese beso.

En esta noche clara que tanto me has mirado,
la Muerte ha estado alegre y ha cantado en su hueso.
En esta noche de setiembre se ha oficiado
mi segunda caída y el más humano beso.

Amada, moriremos los dos juntos, muy juntos;
se irá secando a pausas nuestra excelsa amargura;
y habrán tocado a sombra nuestros labios difuntos.

Y ya no habrá reproches en tus ojos benditos;
ni volveré a ofenderte. Y en una sepultura
los dos nos dormiremos, como dos hermanitos.

O POETA E SUA AMADA

Amada, nesta noite tu te hás crucificado
sobre as duas madeira curvadas de meu beijo;
e tua dor me há dito que Jesus havia chorado,
e que há uma  sexta-feira santa mais doce que este beijo   

Nesta noite clara que tanto me tens olhado,
a morte tem sido alegre e tem cantado no seu osso.
Nesta noite de setembro se há oficiado
minha segunda queda e o mais humano beijo.

Amada, vamos morrer os dois juntos, juntos;
se irá secando em pausas a nossa excelsa amargura;
e haverão de tocar a sombra os nossos lábios defuntos.

E não haverá censuras em teus olhos benditos;
nem voltarei a ofender-te. E em uma sepultura
os dois dormiremos, como dois irmãos, hirtos.


Ilustração: frases,mensagens e poesias.