Tuesday, September 30, 2014

Mais uma poesia de Dulce María Loynaz


Dulce María Loynaz

Dulzura de sentirse cada vez más lejano.
Más lejano y más vago. Sin saber si es porque
Las cosas se van yendo o es uno el que se va.
Dulzura del olvido como un rocío leve
Cayendo en la tiniebla. Dulzura de sentirse
Limpio de toda cosa. Dulzura de elevarse
Y ser como la estrella inaccesible y alta,
Alumbrando en silencio.
¡En silencio, Dios mío!

Desprendimento

A doçura de sentir-se cada vez mais distante.
Mais distante e mais vago. Sem saber se é porque
As coisas estão indo ou és um que se vai.
A doçura do esquecimento como uma leve névoa
Caindo na escuridão. A doçura de sentir-se
Limpo de todas as coisas. A doçura de elevar-se
E ser como a estrela tão inacessível e alta
Brilhando no silêncio.  

Em silêncio, Deus meu!


Ilustração: http://www.acolhercomamor.com/2012/12/do-desprendimento.html

Poemas mal comportados





Sonhos I

O teu sorriso
era para outro,
todavia,
tão translúcido
que me fazia feliz
em pensar
como tão bom não seria
te roubar
para realizar a fantasia
de morrer de gozar
ao amanhecer do dia!


Monday, September 29, 2014

Uma poesia de Dulce Maria Loynaz




Dulce María Loynaz

Que la vida no vaya más allá de tus brazos.
Que yo pueda caber con mi verso en tus brazos,
Que tus brazos me ciñan entera y temblorosa
Sin que afuera se queden ni mi sol ni mi sombra.
Que me sean tus brazos horizonte y camino,
Camino breve, y único horizonte de carne;
Que la vida no vaya más allá. ¡Que la muerte
Se parezca a esta muerte caliente de tus brazos!

Desejo

Que a vida não passe longe de teus braços.
Que eu posso caber com meu verso nos teus braços,
Que teus braços me enlacem inteira e me balancem toda
Sem  que lá fora fiquem nem meu sol, nem minha sombra.
Que sejam teus braços horizonte e caminho,
Caminho breve, e único horizonte de carne;
Que a vida não vá mais além. Que a morte
Se pareça a esta morte quente de teus braços!


Felicidade



Há dias em que ser feliz                                           
É apenas saber
Que a vida recomeça a acontecer
Ao olhar o neto na fotografia
E, apesar de todas as dificuldades,
Se esquecer da idade
E, novamente, criança,
Sorrir. 

Ilustração: Li Rayol 

Friday, September 26, 2014

Charles Bukowski retornando

 
Pain

Charles Bukowski 

Pain is strange.
A cat killing a bird, 
a car accident,
a fire....
Pain arrives,
BANG,
and there it is,
 it sits on you.
It's real.
And to anybody watching, you look foolish.
Like you've suddenly become an idiot.
There's no cure for it
unless you know somebody
 who understands how you feel,
and knows how to help.”

A dor

A dor é estranha.
Um gato que mata um pássaro,
um acidente de automóvel,
um incêndio…
A dor aterrisa,
BANG,
e ela cai sobre ti.
É real.
E para quem está olhando aparentas ser um estúpido.
Como se tivesses te tornado, de repente, um idiota.
Não há cura para isto,
a menos que encontres alguém
que compreenda como te sentes
e saiba como te ajudar


Ilustração: socialspirit.com.br

Outra poesia de Luis Palés Matos


La piedra

Luis Palés Matos

En su duro letargo concentrada,
Redonda, como el cráneo de un gigante,
La piedra en la vereda perfumada
Es verruga enigmática y punzante.

Quieta, sintió la alegre carcajada,
Y el temblor de la carne rozagante,
De la muchacha frágil y cansada
Que llegó con el cántaro jadeante.

La piedra suda un ansia negra y blonda.
En lo profundo de su entraña honda
Un sueño se arrebuja perezoso.

"¡Moisés, Moisés, la turba está sedienta;
Tócame con tu vara, que revienta
El manantial de liquido precioso!"

A pedra

Em sua dura letargia concentrada,
Redonda, como o crânio de um gigante,
A pedra na estrada perfumada
É verruga enigmática e pungente.

Quieta, sentiu a alegre gargalhada,
E o tremor da carne rosada,
Da moça frágil e cansada
Que chegou com o jarro ofegante.

A pedra sua uma ânsia negra de renda.
No profundo de sua entranha funda
Um sonho encoberto preguiçoso.

"Moisés, Moisés, a turba está sedenta;
Toca-me com a tua vara que reinventa
O manancial do líquido precioso! "

Thursday, September 25, 2014

Amanhã...estilo brasileiro


Destino

Se as escolhas que fazemos
Já estão determinadas,
Então, não nos resta nada,
Exceto, fazermos
O que temos de fazer.
Sei que você não vai entender,
Mas, o prazer de não se ter
Nenhum controle sobre nada
É a surpresa do que pode acontecer
Que sempre é uma viagem inesperada
Que pode nos levar ao prazer
Ou mesmo ao vazio.
Porém, não importa
Se o caminho não é perfeito,
Pois, chegaremos lá
De qualquer jeito!


Uma poesia de Luis Palés Matos



Luis Palés Matos

Lector, vas a beber en una fuente,
Donde al bajar el labio y la mirada,
Encontrarás tu imagen retratada
En la seda de su onda transparente;

Vas a beber el agua de un torrente
Hecha de Todo y en resumen Nada,
Que sabe de la estrella inmaculada
Y de la sima negra y atrayente...

Ese es mi verso; profundiza un poco.
No compadezcas mi dolor, si loco
Te lanza entre la sombra su saeta;

Sigue, a tientas quizás: Jasón perdido,
Y toparás al cabo sorprendido,
El vellocino de oro del poeta.

Frontis

Leitor, vais beber em uma fonte,
Aonde ao baixar o lábio e o olhar
Encontrarás a tua imagem retratada
Na seda de sua onda transparente;

Vais beber a água de uma corrente
Feita de tudo e, em resumo, nada,
Quem sabe da estrela imaculada
E do abismo negro e atraente ...

Esse é o meu verso; aprofunda um pouco.
Não se compadeças da minha dor, se louco
Te lanças entre a sombra e a seta;

Segue, a tentar talvez: perdeu Jasão,
E toparás ao cabo surpreendido
O Velocino de Ouro do poeta.


Ilustração: cidmarcus.blogspot.com

Wednesday, September 24, 2014

Alfonso Camín

La partida                                                         
Alfonso Camín

Era yo un niño de alma blanca
Cuando di al viento mi primer cantar,
Y con el alba y el zurrón al hombro,
Baje del monte familiar
Hacia la costa donde me esperaban
La emoción del abismo y el abrazo del mar.
Atrás quedaba el monte abuelo,
La casa blanca como un vetusto palomar,
La higuera madre y el parral caduco,
El olor a resinas del pinar,
La barbechera y el oropel de alondras
Y la copa opulenta del pomar,
Y la sombra del castañedo
Y el corpulento robledal...

A partida

Era eu uma criança de alma branca
Quando ao vento lançei meu primeiro cantar,
E com o amanhecer e a sacola no ombro,
Saí da montanha familiar
Rumo à costa, onde me esperavam
A emoção do abismo e o abraço do mar.
Atrás ficou a montanha antiga
A casa branca como um vetusto pombal,
A figueira mãe e a videira decadente,
O cheiro de resina dos pinheirais,
As imensas árvores e um bando de cotovias
E a copa do pomar frondoso,
E a sombra do castanhal  
E o robusto carvalho ...


Tuesday, September 23, 2014

Outra poesia de Meira Delmar



Meira Delmar

Vuelvo a tenerte, amor,
Como si nunca
Te me hubieras ido.
Tus manos me recorren
El rostro suavemente,
Y te oigo la voz en un
Susurro
Que me roza el oído.
Vuelvo a tenerte
Y pienso en el perfume
Que de nuevo me hiere
Aunque el jazmín no exista.

Perfume

Volto a te ter, amor,
Como se nunca
Te houvesses ido.

Tuas mãos me percorrem
O rosto suavemente,
E te ouço a voz num
Sussurro
Que me roça a orelha.

Volto a te ter, amor,  
E penso no perfume
Que de novo me fere  
Ainda que o jasmin não mais exista.


Ilustração: www.polyvore.com

Uma poesia de Meira Delmar



Meira Delmar
Un breve instante se cruzaron
Tu mirada y la mía.
Y supe de repente
-No sé si tú también-
Que en un tiempo
Sin años ni relojes,
Otro tiempo,
Tus ojos y mis ojos
Se habían encontrado,
Y esto de ahora
No era más que un eco,
La ola que regresa,
Atravesando mares,
Hasta la antigua orilla.

Reminiscência

Um breve instante se cruzaram
Teus olhos e os meus.
E soube, de repente,
- Não sei se tu também-
Que num tempo
Sem anos nem relógios,
Outro tempo,
Teus olhos e os meus olhos
Se haviam encontrado,  
E isto agora
Não foi mais que um eco,
A onda que regressa,
Atravessando os mares,
Até a antiga praia.


Monday, September 22, 2014

Luis Fernando Moran


Epilogo del monologo (lealo solo en una noche fria y con una 
veladora frente al espejo )

      
Luis Fernando Moran

Quien se quedara en la penumbra de tu vida ? 
cuando decida largarme por la puerta de servicio de 
tu alma  quien sera la llamada inconfesable ? 
cuando se pierda para siempre tu numeracion 
quien te quitara el temor de los monstruos bajo tu 
     cama ? 
cuando no este para que veamos despacio que no son 
monstruos sino dragones 
pero no puedo seguir jugando a ser nosotros sin ser 
        yo 

Epílogo do monólogo (lê-lo sozinho numa noite fria e com uma
vela frente ao espelho)

Quem permanecerá na penumbra de tua vida?
quando decidires largar-me pela porta de serviço de
tua alma, quem será a chamada inconfessável?

quando se perder para sempre tua numeração
quem irá remover o medo dos monstros sob tua
      cama?

quando não estiver para que vejamos devagar que não são
monstros nem dragões,

porém, não posso seguir julgando sermos nós sem ser
         eu.


Thursday, September 18, 2014

Fria no frio


O dia estava frio.
Muito frio.
E, sem você, nem
o palito de fósforo
quis acender

Ilustração: pitorescas.blogspot.com

Monday, September 15, 2014

Silvia Favaretto

Nocturno 2-3                                            


Silvia Favaretto

El sueño
nada es salvo una prueba general
de la muerte.
Pasamos buena parte de la vida
perfeccionando la escena,
hasta que,
en un momento dado,
nos sale bien.
Tras el negro cielo
hay un dios aburrido
que nos espía a través
de esos agujeros
que creemos estrellas.

De La carne del tiempo, Editorial Artificios, Bogotá, 2002

Noturno 2-3

O sonho
nada é salvo uma prova geral
da morte.
Passamos uma boa parte da vida
aperfeiçoando a cena,
até que,
em um momento dado,
nos saímos bem.
Por trás do negro céu
há um deus aborrecido
que nos espia através
destes buracos
que acreditamos serem estrelas.

De “A carne do tempo”, Editorial Artifícios, Bogotá 2002.


Silvia Tomasa Rivera



Fin de fiesta

Silvia Tomasa Rivera
Porque no tengo necesidad de hablar
estoy callada.
Suena triste pero es más verdad que el silencio.
Anoche hablé hasta que me dolió la comisura
de los labios.
Pero anoche era un tigre.
Ahora soy aquella, la hija del hombre:
sin mañana
sin semilla
sin voz.
solo una idea perdida
entre la ropa sucia.

Fim de Festa

Porque não tenho necessidade de falar
estou calada.
Pareço triste, mas, é verdade que o silêncio.
vem de que, na noite passada , falei até doer o canto
dos lábios.
Porém, na noite passada, era um tigre.
Agora que sou aquela, a filha do homem:
sem amanhã
sem semente
sem voz.
somente uma ideia perdida  

entre a roupa suja.

Saturday, September 13, 2014

Aparências nada mais


Minha vida vive tão vazia
se debatendo numa amargura,
que, de dor, nunca se esvazia.
Se dela fujo, ela me procura.

Minha vida, um palco triste
onde a infelicidade trama
e, um ator só, ainda resiste
a encenar o seu próprio drama.

Minha vida, um rio calmo
apenas, amiga, aparentemente,
pois, se minha voz é um salmo;
é um caos, a minha mente.


Ilustração: www.playtac.com

Autópsia pessoal


O resto de toda esta vida que me invade
É a morte. Solidão e silêncio sistemático
Que aprecio, e deprecio, no frio do jade
Modelado e sinistro num estilo ático.
O fim da incerteza e da esperança se aproxima
Me apontando esta certeza pétrea, vítrea,
Que ora apalpo, vejo e examino de cima
Fazendo com rigor, precisão e calma
A autópsia de minha própria alma.


Ilustração: literatortura.com

Friday, September 12, 2014

Novamente Renata Durán


AQUÍ EN MI CUERPO 

Renata Durán

Aquí en mi cuerpo
acabó de pasar el mediodía
y por mi piel respira un agua
atardecida.
Los labios están secos,
guardo en la lengua
los aromas.
Si acaso pusieras
tu mano
entre mis muslos
sabrías que estás vivo.
Saborearías mi sal.
Haríamos un pozo
en el tiempo,
y dejaríamos que el sol
nos madurara.

Aqui no meu corpo

Aqui no meu corpo
acabou de passar o meio-dia  
e por minha pele respira uma água
entardecida.
Os lábios estão secos,
guardo na língua
os aromas.
Se acaso puseres
tuas mãos
entre as minhas coxas
saberias que estais vivo.
Saborearias o meu sal.
Faríamos um poço
no tempo,
e deixaríamos o sol
nos amadurecer.


Thursday, September 11, 2014

Andy Hughes


You Are My Life

Andy Hughes

You are the stars in my night time,
You are the blue sky in my day,
You are the water in my ocean,
You are the light showing me the way,
You are the sunshine in my eyes,
You are the wind blowing through my hair,
You are the beating in my heart,
You are my life - you're always there.

Tu és minha vida

Tu és a estrela da minha noite,
Tu és o céu azul do meu dia,
Tu és a água no meu oceano,
Tu és a luz me mostrando o caminho,
Tu és a luz do sol dos meus olhos,
Tu és o vento soprando no meu cabelo,
Tu és a batida do meu coração,
Tu és minha vida – tu estais sempre aqui.

Wednesday, September 10, 2014

Um poema de Walter Cruz

Te dejo...                                                                 


Walter Cruz

una larga caricia de mi alma a tu cuerpo,
una suave presencia de manos por tu espalda...
un calido contacto de encendida belleza,
como tu piel de rocio...
como tus ojos de agua...
No detengas su marcha,
ni te niegues al signo de su ritmo constante...
son mis manos que buscan tus lugares mas dulces,
son mis manos, mi boca...
...mi explosion y tu calma.

Te deixo

Uma larga carícia de minha alma no teu corpo,
Uma suave presença das mãos por tuas costas...
Um cálido contato de acendida beleza
Como tua pele de orvalho...
Como os teus olhos de água...
Não detenhas sua marcha,
Não te negues ao signo do seu ritmo constante...
São minhas mãos que buscam teus lugares mais doces,
São minhas mãos, minha boca...

...minha explosão e tua calma.