Wednesday, August 24, 2016

Mais uma poesia de Miyó Vestrini


Cuando levanto la cabeza de madrugada

Miyó Vestrini

Cuando levanto la cabeza
         de madrugada
es un corazón palpable
         estruendoso
               asfixiante
ocupando él solo toda la habitación,
trepando hacia la ventana
          como para escapar y cambiar de sitio,
instalándose en el jardín del vecino

Rumor de largas horas
                        cortadas a golpes
cuando creo en la resurrección de los muertos
en los verdugos desahuciados
en hilos, papeles y latas,
en niños que juegan sin gritos
en zuecos de madera que suenan y suenan
en las malas imágenes como para irse a otro sitio
en una flaca espantando ratas
en los tulipanes que nunca terminan de florecer.

Te oigo debajo de mí
           respiras y sueñas
y regresa el corazón palpable
decidido a latir
                      latir
                            latir
y matar.

QUANDO LEVANTO A CABEÇA DE MADRUGADA

Quando levanto a cabeça
          de madrugada
é um coração palpável
                    estrondoso
                         asfixiante
ocupando o solo de toda a residência,
trepando pela janela
         como para escapar e trocar de lugar,
instalando-se no jardim do vizinho

O rumor de longas horas
                        cortadas a golpes
quando creio na ressureição dos mortos
nos carrascos expulsos,
nos fios papéis e latas,
nos meninos jogando sem gritos,
nos tamancos que soam e soam
nas más imagens como a de mudar-se para outro lugar
magro espantando ratos
nas tulipas que nunca terminam de florescer.

Te ouço debaixo de mim
            respiras e sonhas
e regressas ao coração palpável
decidido a pulsar,
                        pulsar,
                               pulsar
e matar.


Ilustração: luaanaemiia.blogspot.com

Tuesday, August 23, 2016

Outra poesia de Juan Guerrero



DE LA MAÑANA

Juan Guerrero

con los ojos cerrados se siente tu presencia en este nuevo día
la claridad poco a poco dibuja contornos conocidos
acaso una puerta los zapatos que esperan salir de paseo
entonces todo habla de ti

tus ojos son amplios cafetales que despiertan mi humedad

la mañana llega con el trinar de pájaros y el revoloteo de palomas
bandadas de loros y guacamayas que esconden su verdor en la copa
de árboles
la mañana también llega con voces de niños y ruido de motores

con los ojos cerrados veo tu sonnoliente rostro
tu adormecido cuerpo fetal que se alarga en la cama y me llama

por la mañana comienza también el cotidiano existir
el sabor del café la ronda al baño el rito del vestirse
el saludo y la rutina de las horas

abro los ojos y te nombro te invoco frente al espejo
mientras busco un libro que señale en algún verso tu silueta
cuando escucho a vivaldi corelli
o albinoni

allí estás exacta y pura

aguardándome


DE MANHÃ

com os olhos fechados sinto a tua presença neste novo dia
a claridade gradativamente desenhando contornos conhecidos
talvez um tênis na porta à espera de sair a passeio,
então, tudo fala de ti

teus olhos são enormes cafezais que despertam minha umidade

a manhã chega com o chilrear dos pássaros e o bater das asas dos pombos
rebanhos de papagaios e araras que se escondem sua cor na copa
das árvores
a manhã também chega com as vozes das crianças e o ruído de motores

com os olhos fechados vejo teu rosto sonolento
teu adormecido corpo fetal que se alarga na cama e me chama

pela manhã começa também o cotidiano existir
o sabor do café  na volta do banho o rito de vestir-se
as saudações e a rotina das horas

Abro os olhos e te nomeio te invoco em frente ao espelho
enquanto procuro um livro que assinale em algum verso tua silhueta
quando escuto Vivaldi Corelli
ou Albinoni

ali estais exata e pura

esperando por mim

Ilustração: www.cifraclub.com.br







Monday, August 22, 2016

Uma poesia de Sergio Arlandis

Sergio Arlandis                                                             
Justo ahora que un ladrón de deseos
no me aturde en la noche con su voz,
y me convierto
en animal libre de culpa,
cuando no tengo más pecados
para llenar con nombres,
ni esta aguja del tiempo
muestra qué muerte
tendrán estos momentos
una vez pasen por mis manos:
podré mirarte
                         con la inocencia
                                                      de las palabras
que no ha bañado todavía el vino,
para luego tomarte por la espalda
con la trama que cada noche
caza uno de mis días.
Y hacerte presa
de mis vacíos cotidianos.
Qué lenta conversión la de tu mármol:
cómo en ti crece el ángel
                                            negro de mis caídas,
la fiera indócil que serás,
al menos hoy, sobre mi vientre.



Justo agora que um ladrão de desejos
não me atordoa na noite com a sua voz,
e me converto
em um animal livre de culpa,
quando não tenho mais pecados
para preencher com nomes,
ou esta agulha do tempo
mostra que morte
terão estes momentos
uma vez que passem pelas minhas mãos:
poder te olhar
                          com a inocência
                                                       das palavras
que ainda não se banharam de vinho,
para logo, te pegar por trás
com a trama que cada noite
caça um dos meus dias.
E fazer-te presa
de meus vazios cotidianos.
Que lenta conversão a tua em mármore:
como em ti cresce o anjo
                                             negro das minhas quedas,
a besta incontrolável que serás,
ao menos hoje, sobre o meu ventre.


Ilustração: m.mdemulher.abril.com.br

DESPERTAR



Ela me disse:-Meu bem, estou morta!-

Mas, nos olhos, havia uma expressão de prazer.

E saiu correndo para abrir a porta

Saudando um novo dia amanhecer.


Ilustração: primeiracoluna.blogspot.com

Sunday, August 21, 2016

MORIBUNDA







Ela, desesperada, repetia:
-Não quero morrer! Não quero morrer!
Inútil lamento. Ela já sabia
Que, em poucos momentos, deixaria de ser.


Ilustração: www.pinterest.com

Saturday, August 20, 2016

Uma poesia de Gabriella Sica

IL FUOCO                                                                   
Gabriella Sica

Bruciasse almeno la mia vita
Accesa da faville di passione
O da un rossore appena…

In silenzio senza brividi di fuoco
Lenta mi consumo e ancora viva

O FOGO

Se, pelo menos, a minha vida
Estivesse acesa com as brasas da paixão
Ou por um foguinho tênue ainda que fosse...

No silêncio sem o crepitar do fogo

Lentamente me consumiria e, todavia, viva.

Ilustração: forum.mundofotografico.com.br

Friday, August 19, 2016

DIVAGAÇÕES ACERCA DO CENTRO DA ALEGRIA DO MUNDO


Eu sei que devemos usar o que temos
Para inventar o que desejamos.
É um caminho quase trivial,
Quase uma via óbvia da vida,
Mas, você, sabe muito bem, querida,
Que minha preguiça é antinatural.
Sou um grande carnavalesco
Que não brinca carnaval
E um esportista que só levanta copo.
Não vai ser, agora,
Quando somente penso em morder teus mamilos,
Que farei ginástica para perder uns quilos.  
E não acordarei mais cedo
Quando a única coisa de que tenho medo
É de beber tanto
Que nas besteiras que digo
Já não encontres encanto
E, no fim da noite,
Não me dê mais abrigo. 
Que o mundo inteiro,
Creia, sou festeiro,
Só tem alegria
Nas imediações do teu umbigo.


Ilustração: carpinejar.blogspot.com752

Outra poesia de Miyó Vestrini




Nadie parece estar ya triste

Miyó Vestrini

Nadie parece estar ya triste.
El rumor lento y grave del agua,
trata de abrirse paso
y llegar hasta aquí.
Impunemente,
        se enumeran bienes y quejas y languideces.
Algo habrá de ocurrir
        si persiste este canto asonantado.

Ninguém parece estar mais triste

Ninguém parece estar mais triste.
O rumor lento e grave da água,
continua a escorrer
e chegar até aqui.
Impunemente,
          se enumeram bens e queixas e languidezes.
Algo há de ocorrer
        se persiste este canto assonante.

Ilustração: minhaprincesameusonho.wordpress.com



Thursday, August 18, 2016

Uma poesia de Sandra Fowler


A Call For August

Sandra Fowler

There is a blue fragrance, essence of dusk.
The smoke of last things lingers on old clothes.
Sun has become as rare as goldenrod.
I call for August, but no answer comes.

Autumn awaits across a worn doorsill.
I need you to make sense of falling leaves,
When death paints a rich picture ot itself,
And shadows measure out the long way home.

Eu chamo por agosto

Há uma fragrância de azul, essência do entardecer.
A fumaça das últimas coisas persiste nas velhas roupas.
O sol derramou-se em dourados raios a se perder.
Eu chamo por agosto, mas, sem ter respostas.

Outono, pelo peitoril gasto da porta, a esperar.
Eu preciso de ti para que o cair das folhas crie sentido,
Quando a morte faz, de si mesma, um retrato enriquecido,
E as sombras medem o longo caminho de volta ao lar.


Ilustração: delator.tumblr.com5

Outra poesia de Benialgo



VIAJE

Alfredo Benialgo

Emprenderé ese viaje
que tanto juramos realizar.
No lo haré solo.
El resplandor ámbar de tus ojos me acompañará.
Me detendré en cada uno de los puntos que soñaste mirar.
Te preguntaré en voz muy baja, para no asustar a los presentes,
si ese sitio es tan así como lo imaginaste.
Entonces algo ocurrirá:
de la montaña rodará una piedra,
en la rama más próxima aleteará un zorzal
o una ola más estruendosa que las otras romperá en los acantilados.
De ese modo me responderás.
Y yo te escucharé.

Viagem

Empreenderei essa viagem
que tanto juramos realizar.
Não a farei só.
O resplendor translúcido de teus olhos me acompanhará.
Me deterei em cada um dos pontos que sonhastes olhar.
Te perguntarei em voz baixa, para não assustar aos presentes,
se esse local é tão assim como o imaginaste.
Então, algo ocorrerá:
da montanha rolará uma pedra,
e nos ramos mais próximos  assustará um tordo
ou uma onda mais forte que as outras romperá  as rochas.
Desse modo me responderás.
E eu te escutarei. 

Ilustração: companhiadeviagem.blogosfera.uol.com.br