Friday, March 24, 2017

Uma poesia de Renée Vivien


Le toucher

Renée Vivien

Les arbres ont gardé du soleil dans leurs branches.
Voilé comme une femme, évoquant l’autrefois,
Le crépuscule passe en pleurant… Et mes doigts
Suivent en frémissant la ligne de tes hanches.

Mes doigts ingénieux s’attardent aux frissons
De ta chair sous la robe aux douceurs de pétale…
L’art du toucher, complexe et curieux, égale
Les rêves des parfums, le miracle des sons.

Je suis avec lenteur le contour de tes hanches,
Tes épaules, ton col, tes seins inapaisés.
Mon désir délicat se refuse aux baisers;
Il effleure et se pâme en des voluptés blanches.


A CARÍCIA

As árvores guardaram alguns raios de sol entre suas ramas
Velados como uma mulher, outros tempos evocam
O crepúsculo que passa chorando. Meus dedos saltam,
Tremendo, provocativos, sobre a linha de tuas cadeiras

Meus dedos engenhosos se demoram nos espasmos
De tua carne sob o vestido, as doçuras de tuas pétalas...
A arte de tocar, complexa e curiosa, se igualha
Aos soporíferos perfumes, ao milagre dos sons

Delineio lentamente o gracioso contorno de tuas nadegas,
Teus ombros, teu colo, teus insatisfeitos seios
Meu delicado desejo se recusa a beijá-los
Brota e se esfuma em tuas brancas voluptuosidades.

Uma poesia de Elicura Chihuailaf

AÚN DESEO SOÑAR EN ESTE VALLE         
Elicura Chihuailaf

Las lluvias tocan las cuerdas 
de su aire
y, arriba, es el coro que lanza 
el sonido de la fertilidad
Muchos animales hubo -va diciendo
montes, lagos, aves buenas palabras
Avanzo con los ojos cerrados:
Veo, en mí, al anciano
que esperando el regreso
de las mariposas
habita los días de su infancia
No me preguntes la edad -me dice
y estaré contento
¿para qué pronunciar lo que
no existe?
En la energía de la memoria
la Tierra vive
y en ella la sangre de los    
Antepasados
¿Comprenderás, comprenderás
por qué -dice
aún deseo soñar en este Valle?

AINDA DESEJO SONHAR NESTE VALE

As chuvas tocam as cordas
do seu ar
e, acima, é o refrão que lança
o som da fertilidade
Muitos animais foram-vá dizendo
montanhas, lagos, pássaros boas palavras
Avanço com os olhos fechados:
Vejo em mim, o ancião
que espera o retorno
das borboletas
que habitam os dias de sua infância
Não me perguntes a idade- me diz
e estarei feliz
para que pronunciar o que
não existe?
Na energia da memória
a terra vive
e nela o sangue dos
antepassados
Compreenderás, compreenderá
por que-diz
ainda desejo sonhar neste vale?

Ilustração: Luso-Poemas. 

Thursday, March 23, 2017

INTUIÇÃO

O teu perfume, minha amada,  
É como o nascer na primavera
Um mundo encantado, quimera
Sutil, surpreendente como espada,

E, no entanto, só perturba, embriaga,
A paixão de todo adormecida
Que se acende na esperança vaga
De captar todo o sumo da vida.

E assim, por te querer, por amar tanto
Surpreso exploro em meu receio
Cada espaço, pele, dobra e canto
Quando o mel, tão bem sei, está no meio.

De "Águas Passadas", Editora Per Se, 2013. 
Ilustração: Administradores Premium. 

Wednesday, March 22, 2017

Uma poesia de Iván Oñate

BANDA DE ROCK         
Iván Oñate

Ah
Loco pasado

Bella juventud
Con sus ansias de vivir
No una
Sino mil veces

Sin sospechar
Que por pura simetría
Por pura paradoja
Por simple equilibrio de las partes

Quien ama más de una vez
También
Morirá muchas veces.

BANDA DE ROCK

Ah!
Louco passado

Bela juventude
com suas ânsias de viver
Não uma
Sim, mil vezes

Sem suspeitar
Que, por pura simetria,
Por puro paradoxo
Por simples equilíbrio das partes

Quem ama mais de uma vez
Também
Morrerá muitas vezes.

Ilustração: Gato com Vertigens.


Tuesday, March 21, 2017

Mais uma poesia de Jorge Montealegre

DIBUJOS ANIMADOS                  
Jorge Montealegre

Me pierdo en las manchas de una vaca sagrada
como los beatles animados se caen
en los hoyos del submarino amarillo
Y qué quieres que me diga, en el espejo: para irte
dibuja tus propias puertas, tu fosa, tus rincones.
Descubre la entrada al subterráneo
que la pantera rosa pinta para escapar del policía
Pesca tus respuestas como el gato Félix: usa de anzuelo
el signo de pregunta.
Dibújate como quieras. No te quedes en blanco, píntate de blanco. Llena el silencio con tu propio silencio.
Borra con migas solamente las rayas que te hicieron en el traje
y atraviesa el planeta por el túnel que nace de tu cárcel
Recuerda
que en nuestro mundo la cigarra toca el violín con un serrucho
y no somos personas ni personajes
Somos dibujitos animados
rayados
caricaturas de un original que nunca conocemos.


DESENHOS ANIMADOS

Me perco nas manchas de uma vaca sagrada
Como os Beatles animados caem
nos furos do submarino amarelo
E o que queres que me diga, no espelho: para ir-te
desenha tuas próprias portas, tua cova, teus buracos.
Descobre a entrada do subterrâneo
que a pantera cor de rosa pinta para escapar da polícia
Pesca tuas respostas como o gato Félix: usa um gancho
como sinal de pergunta.
Desenha-te como queiras. Não fiques em branco, pinta-te de branco. Plena
de silêncio em teu próprio silêncio.
Borra com migalhas somente as listras que te fizeram na roupa
e atravessa o planeta pelo túnel que nasce de teu cárcere
Recorda
que, em nosso mundo, a cigarra toca um violino com um serrote
e não somos pessoas nem personagens
Somos desenhos animados
listrados
caricaturas de um original que nunca conhecemos.


Ilustração: Yellow Submarine. 

Monday, March 20, 2017

Mais uma poesia de Federico Hernández Aguillar

SONETO DEL PERDIDO TIEMPO

Federico Hernández Aguilar

Ahí donde el instante es un recado,    
donde muere de prisa una palmera,
el reloj es la duda pasajera
de una caricia que aprendió el pasado.

Vivir y haber vivido: ¿Quién —alado—
sobre las crestas de las horas fuera
visitante de honor en cada esfera,
espacio, tiempo, dimensión o estado?

Pues el minuto, sin querer, devora
las entrañas del tiempo en cada hora
que finge el suave rostro de la espera,

es en los huesos donde el alma, ruda,
penetra los abismos y desnuda
con otra exactitud tu vida entera!


Soneto do Tempo Perdido

Lá onde um instante é um recado,
onde morre depressa uma palmeira,
o relógio é a dúvida passageira
de uma carícia que aprendeu no passado.

Viver e haver vivido: Quem -alado-
sobre as cristas das horas se fora
visitante de honra de cada esfera,
espaço, tempo, dimensão ou estado?

Pois, o minuto sem querer devora
as entranhas do tempo em cada hora
que finge o suave rosto da espera,

É nos ossos onde a alma, ríspida,
penetra nos abismos e desnuda
com outra exatidão toda tua vida! 

Ilustração: Alma de Poeta – blogger.



PRELÚDIO DA PARTIDA


Eu sei que este meu amor por ti é frágil,             
Inconstante, mutável, passageiro
Como a existência, querida.
Tem horas em que não te vejo,
Nem tem chamo
Que nem mesmo sei se te amo
Ou se não sou vítima de um engano.
Mas, me perco quando te toco
E esta estranha química
Me faz despertar a ilusão
Que toma conta do meu coração
E me torna criança novamente
Com uma vontade infinita
De te amar para fazer a vida
Muito mais bonita.
E, curioso, infantil, tolo
Passeio minhas mãos pelo teu corpo
E me embriago com tua pele,
Me santifico com teus beijos
E tento, sem sucesso,
Te matar de carinhos e ais
Dizendo que não te deixo nunca mais
Logo, antes de me despedir
Com a certeza de que nunca vou partir.


Ilustração: Papéis Avulsos

Friday, March 17, 2017

Uma poesia de Ali Al Jalawi

Tratando de entender               
Ali Al Jalawi

¿Qué pasaría
Si fingiendo ser un mago te pusiera
En un sombrero y te sacara convertida
En palomas?
¿Qué pasaría
Si por error me besaras
Y luego para disculparte me
Volvieras a besar?
¿Qué pasaría
Si pusiera mi mano en tu pecho
Buscando una luna que perdí?
¿Qué pasaría
Si mis manos penetraran en tus ojos
Para sacar todas las gaviotas que hay
En ellos?
¿Qué pasaría
Si no hubieras existido?
El universo sería imperfecto
Y los poetas perderían
Su musa.
¿Pasar?
No pasa nada,
cuando tú no estás.

TRATANDO DE ENTENDER

Que se passaria
Se fingindo ser um mago te pusesse
Num chapéu e te sacasse convertida
Em pombas?
Que se passaria
Se por um erro me beijasses
e, logo, para desculpar-se, tu
voltasses a me beijar?
Que se passaria
Se pusesse a minha mão nos teus seios
Buscando uma lua que perdi?
Que se passaria
Se minhas mãos penetrassem nos teus olhos
Para retirar todas as gaivotas que há
Neles?
Que se passaria
Se não houvesses existido?
O universo seria imperfeito
E os poetas perderiam
Sua musa.
Passar?
Não se passa nada,
Quando tu não estás.


Ilustração: Fatos Desconhecidos. 

Uma poesia de Giovanny Gómez

UNA PALABRA COMO CASA                                             
Giovanny Gómez

Señor dame una palabra
que tenga la forma de un barco
un barco de velas inextinguibles
donde pueda ir a conocer el mar.
Dame esta palabra por casa
por vestido por amante
deja que ella sea mi soledad
mi alimento y no pueda sobrevivirla.
Aquí estoy tan vacío de formas
y silencio...
Toda mi inspiración semeja
el ruido de unas manos atadas
necesito un barco por cuerpo
y el amor por mar.
Escúchame por estas alucinaciones
y la vastedad de las cosas que vuelven
a su lugar.

UMA PALAVRA COMO CASA

Senhor, dá-me uma palavra
que tenha a forma de um barco
um barco de velas inextinguíveis
com o qual se possa conhecer o mar.
Dá-me esta palavra por casa
por vestido, por amante
deixa que ela seja minha solidão
meu alimento e que não possa sobrevivê-la.
Aqui estou tão vazio de formas
e silêncio...
Toda minha inspiração se assemelha
ao ruído de umas mãos atadas
necessito um barco por corpo
e o amor por mar.
Escuta-me por estas alucinações
e pela vastidão das coisas que voltam
ao seu lugar. 

Ilustração: Sonho certo. 

Outra poesia de Obediah Michael Smith


EN DIETA

Obediah Michael Smith

ella chupaba con tal determinación
como si estuviera en deuda conmigo

había de pagar hoy o moría, cada centavo
por el contrario me dejaba en deuda con ella

mi hombría entre sus garras
dos manos, dos puños, aferrándola
la chupaba con fuerza, la chupaba dulcemente
qué experta, qué dama

cuando me vine ella tragó
me sentí precioso, me sentí santificado

sosteniéndome con convicción, firmemente
bebió cada gota de aquello, de mí

demasiado preciado para desperdiciar, para cuestionarse
qué otra cosa hacer con el semen
que dejarlo nadar

debe gustarle el sabor de los renacuajos
para habérselos comido vivos, con sus colas latigando,
azotando

NA DIETA

Ela chupava com tal determinação
como se estivesse em dívida comigo

haveria de pagar hoje ou morria, cada centavo,
pois, ao contrário me deixava em dívida com ela

minha virilidade entre suas garras
duas mãos, dois punhos, aferrando-a
a chupava com força, a chupava docemente
que esperta, que senhora

quando me vi ela tragou
me senti precioso, me senti santificado

sustentando-me com convicção, firmemente
bebeu cada gota daquilo, de mim

demasiado precioso para desperdiçar, para questionar-se
que outra coisa fazer com o sêmen
que deixá-lo nadar

deve gostar do sabor dos girinos
para havê-los comido vivos, com suas caudas latejando,
sacolejando

Ilustração: ni entre amigos - blogger



Uma poesia de Louis Calaferte



C'est vrai qu'il pleut à Londres...

Louis Calaferte

C'est vrai qu'il pleut à Londres
et que les ponts s'ennuient

Le ciel mourant et hypocondre
aux nuages noués de suie

A Londres il pleut à Londres
paillettes de la pluie

On voyait la ville se fondre
comme irréelle comme enfuie

Un peuple indécis correspondre
sous les dômes des parapluies

Nos ombres allaient se confondre
dans l'ombre grise de la pluie

C'est vrai qu'il pleut à Londres
et que je t'ai suivie

É certo que chove em Londrina

É certo que chove em Londrina
e que se aborrecem as pontes

O céu agonizante e hipocondríaco
parece atado por nuvens de fuligem

Em Londrina, chove sobre Londrina
que brilha na chuva

Como se a cidade se derretesse
tão irreal quanto fugidia

As pessoas indecisas se comunicam
sob as cúpulas dos guarda-chuvas

Nossas  sombras se juntam
na sombra cinzenta da chuva

É certo que chove em Londres
e que sigo a chuva

Ilustração: Gazeta do Povo- Foto de Daniel Castellano. 


Uma poesia de Obediah Michael Smith

 
NUESTROS OJOS SE ENCUENTRAN   

Obediah Michael Smith

como sus gestos
que son todos tan plenos
y prolongados hasta un punto
casi de estallar
casi de reventar 
como olas
alzadas contra una costa rocosa
la sangre en mi corazón
rompe de forma parecida
cuando la veo
y me quedo tan quieto como es posible
tan quieto como puedo
en la medida en que es posible echarle una mirada
en la medida que se encuentre a la vista
entonces me quedo embelesado
en lo que queda en el ojo de mi mente
en el ojo de mi mente
veo lo que queda proyectado
en la pantalla de mi mente

NOSSOS OLHOS SE ENCONTRAM

Como seus gestos
que são tão plenos
e prolongados até o ponto
quase de estalar
quase de se reiventar
como ondas
avançando sobre uma costa rochosa
o sangue em meu coração
rompe de forma parecida
quando a vejo
e me quedo tão quieto como é possível
tão quieto como posso,
na medida em que é possível te dar um olhar
na medida em que se encontre à vista,
então, me quedo enfeitiçado
no que queda no olho da minha mente
no olho da minha mente
vejo só o que queda projetado
na tela da minha mente.

Ilustração: clicRBS