Monday, February 27, 2017

Outra poesia de Carlos López Degregori

EL NIÑO CIEGO                                                                                 
Carlos López Degregori

Yo soy el niño ciego
y sigo con mis manos una luz
que vuela
como una mariposa gigante por la casa.

Abro y cierro los dedos.
Golpeo el aire hirviente con los puños.
Rompo los ruidos, las yemas, las paredes
y saltan conmigo los cristales en un torbellino de sangre,
corren los muebles
y todos juntos chillamos en este resplandor.

Afuera la luna ciega ríe.


O MENINO CEGO

Eu sou um menino cego
e sigo com nas minhas mãos uma luz
que voa
como uma borboleta gigante pela casa.

Abro e fecho os dedos.
Golpeio o ar fervente com os punhos.
Rompo os ruídos, as gemas, as paredes
e saltam comigo os cristais de um torvelinho de sangue,
correm os móveis
e todos juntos guinchamos neste resplendor.

Lá fora a lua cega ri.


Ilustração: Lorde Lobo. 

Eluard novamente


Mème quand nous dormons...

Paul Eluard

Mème quand nous dormons nous veillons l’un sur l’autre,
Et cet amour plus lourd que le fruit mûr d’un lac,
Sans rire et sans pleurer dure depuis toujours,
Un jour après un jour une nuit après nous.

MESMO QUANDO NÓS DORMIMOS...

Até quando dormimos cada um de nós
Continua velando sobre o outro
E este amor mais pesado que o fruto maduro de um lago
Sem  rir sem chorar e desde sempre
Dura dia após dia e noite após noite.


Ilustração: Cultura Mix. 

Friday, February 24, 2017

Uma poesia de Eluard

Un seul sourire                
Paul Eluard

Un seul sourire disputait
Chaque étoile à la nuit montante
Un seul sourirepour nous deux.

Et l'azur en tes yeux ravis
Contre la masse de la nuit
Trouvant sa flamme dans mes yeux.

J'ai vu par besoin de savoir
La haute nuit créer le jour
Sans que nous changions d'apparence.

UM SÓ SORRISO

Um só sorriso disputava
Cada estrela à noite ascendente
Um só sorriso para nós, outros dois

E o azul em teus olhos deslumbrados
Contra a massa da noite
Encontrando sua chama em meus olhos

Eu tenho visto pela ânsia de saber
A alta noite criar o dia

Sem que mudemos nós, outros.

Ilustração: acaminhodamudanca.wordpress.com

Outra poesia de Blaise Cendrars


Nuits brisées

Blaise Cendrars

Je passe la plus grande partie de la nuit sur le pont
Les étoiles familières de nos latitudes penchent sur le ciel
L'étoile Polaire descend de plus en plus sur l'horizon nord
Orion - ma constellation - est au zénith
La voie lactée comme une fente lumineuse s'élargit chaque nuit
Le chariot est une petite brume
Le sud est de plus en plus noir devant nous
Et j'attends avec impatience l'apparition de la Croix du Sud à l'Est
Pour me faire patienter Vénus a doublé de grandeur et quintuplé d'éclat
Comme la lune elle fait une traînée sur la mer
Cette nuit j'ai vu tomber un bolide.


Noites estreladas

Eu passei a maior parte da noite sobre a ponte
As estrelas próximas de nossas latitudes se inclinavam sobre o céu
A estrela Polar descendo cada vez mais sobre o horizonte norte
Orión- minha constelação- está no zênite
A Vía Láctea como uma rachadura luminosa se alarga cada noite
A Ursa é uma pequena bruma
O sul é cada vez mais escuro diante de nós
E eu aguardo com impaciência a aparição do Cruzeiro do Sul a este
Para fazer-me paciente Vênus se em dobro grandiosa e em quíntuplo de resplendor
como a lua ela deixa uma estrela sobre o mar
Esta noite eu vi cair um meteorito.

Ilustração: O Buteco da Net - iG



Mais uma poesia de Juan Carlos Galeano


BORRADOR

Juan Carlos Galeano

El hombre que necesita espacio en su mente para cosas de importancia,
todas las noches se pasa un borrador gigante por la frente.

Borra muchos pensamientos de su tierra, y cada día se despierta
con menos kilómetros cuadrados de recuerdos.

Sus padres le dicen que borre con cuidado. Que no se le vaya la mano
y un día termine borrándolos a ellos.

El hombre les asegura que ya tiene mucha práctica, que él sólo borra
las tierras y las cosas que no son importantes.

Les dice que sabe quitarles las hojas a los árboles y dejar intactas las casas y la gente.

O APAGADOR

O homem que necessita de espaço em sua mente para coisas de importância, todas as noites passa um apagador gigante pela frente.

Apaga muitos pensamentos de sua terá, e a cada dia desperta
com menos quilômetros quadrados de recordações.

Seus pais lhe dizem que apague com cuidado. Que não pegue pesado com a mão e um dia termine apagando a eles.

O homem lhes assegura que já tem muita prática, que só apaga as terras e as coisas que não são importantes.


Lhes disse que sabe sacar as folhas e as árvores e deixar intactas as casas e as pessoas. 

Ilustração: Vida em equilíbrio 

Uma poesia de Daniel Calabrese



CORTE

Daniel Calabrese

He buscado la muerte en mis poemas.
No la encontré, pero estaba ahí.
Ahí como las vértebras de los vertebrados,
la noche de los anochecidos,
la sangre de los que sangran.

He buscado la muerte y dicen
que se hunde como la parte ciega de los árboles.
No la encontré.

Leí todos mis poemas sabiendo
que estaba ahí.
Los árboles deben tener algo que se mueve
adentro de la tierra, mis poemas tienen muerte.

Así como los vertebrados vértebras,
los anochecidos noche,
y los sangrados la brutal
escritura del acero.

CORTE

Tenho buscado a morte em meus poemas.
Não a encontrei, porém, estava lá.
Lá como as vértebras nos vertebrados,
a noite nos anoitecidos,
o sangue nos que sangram.

Tenho buscado a morte e dizem
que se afunda como a parte cega das árvores.
Não a encontrei.

Li todos os meus poemas sabendo
que estava lá.
As árvores devem ter algo que se move
para dentro da terra, meus poemas tem morte.

Assim como os vertebrados vértebras,
os anoitecidos noites,
e os sangrados a brutal
escritura do aço.

Ilustração: quincasblog - WordPress.com


Thursday, February 23, 2017

Mais uma poesia de Edgar O'Hara

GESTO PRIVADO         

Edgar O´Hara

1

En tales circunstancias, asiduo a la marea,
palpo en la voz de un sueño esa espuma hecha carne.

Y hacia el hondo mar de tus cabellos
se demora en delicia mi palma.

2

eso no lo inventé eso me inventa me constituye por eso gira el abecedario no sólo las virutas eso en vez de siempre eso pienso agua revivida eso nos piensa nos traspasa en seco y humedece eso lo sabe la garganta bien cerrada eso que el aire no ventila eso dilata permanece en nunca de eso caímos a eso vamos sin reposo se cumple eso condimenta eso tierra perenne eso lomita de fuego eso irresistible estremecer de allá eso el agobio eso mismo la lumbre estoy en eso mi videncia eso respiro eso desbórdame tan ciego eso manantial en brasa


GESTO PRIVADO


Em tais circunstâncias, assíduo à maré,
apalpo na voz de um sonho essa espuma feita carne.

E até o fundo do mar dos teus cabelos
se demora, em delícia a palma da minha mão.

2


Isso não  o inventei isso me inventa me constitui por isso gira o alfabeto não somente as lascas isso em vez de sempre isso penso água revivida isso nos pensa nos trespassa em seco e umedece isso sabe à garganta bem fechada isso que ar não ventila isso dilata permanece sempre que caímos nisso vamos repouso se cumpre isso se temperar essa terra perene esse montículo de fogo que irresistivelmente estremece mais além desse fardo  essa mesmo fogo  isso em minha  vidência que respiro que desborda-me tão cego esse manancial em brasa

Ilustração: Imago Medieval. 

Wednesday, February 22, 2017

Mais uma poesia de Rimbaud

Sensation

Arthur Rimbaud

Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue :
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.

Je ne parlerai pas, je ne penserai rien :
Mais l'amour infini me montera dans l'âme,
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la Nature, - heureux comme avec une femme.

Sensação

Nos entardeceres azuis de verão irei pelos caminhos,
Entremeado pelo trigo, a pisar a erva miúda:
Sonhador, sentirei seu frescor sob minha pele.
Deixarei que o vento banhe minha cabeça desnuda.

Não falarei nem pensarei nada,
Porém, o amor infinito ascenderá em minha alma,
E irei longe, muito longe, igual a um boêmio,
Pela Natureza, feliz como junto a uma mulher.

Ilustração: O Martelo. 

Tuesday, February 21, 2017

Uma poesia de Armando Roa Vial

A LA MANERA DE JOHANNES BOBROWSKY               

Armando Roa Vial

De par en par nos abrieron las palabras.
Las palabras, con sus lívidos desechos,
saltando de boca en boca,
dejándonos a la intemperie,
cambiándonos de soledad.
Nada cede su sitio a este frío,
a esta vasta sombra, a esta noche interminable
de palabras viciando las cosas.

Lo sonoro nos invade por todas partes.

Ahora que las palabras nos han arrebatado
la dicha de enmudecer.

À MANEIRA DE JOHANNES BOBROWSKY

De par em par nos abriram as palavras.
As palavras, com seus pálidos resíduos,
saltando de boca em boca,
deixando-nos à intempérie,
transformando-nos em solidão.
Nada dá lugar a este frio,
a esta vasta sombra, esta noite interminável
de palavra viciando as coisas.

O som nos invade por todas as partes.

Agora que as palavras no foram arrebatadas
a felicidade está em emudecer.

Ilustração: eBay


Uma poesia de Juan Carlos Galeano

NUBES                                                    
Juan Carlos Galeano

Mi padre se vino a vivir al Amazonas para enseñarles a los indios
a armar rompecabezas con las nubes.

Para ayudarle,  todas las tardes mi hermano y yo
corremos tras las nubes desocupadas que pasan allá arriba.

Las nubes aparecen y desaparecen como si fueran pensamientos.

Cerca de nuestra casa muchos indios hacen cola
para armar rompecabezas con las nubes que les son más familiares.

Aquí unas nubes se parecen a los árboles,  y otras les recuerdan los pirarucús.

Por allá los indios buscan una nube para completarle la cabeza a un armadillo.

"Con el agua de los ríos y los juegos de ciudad",  les escribe mi padre
a sus amigos, "nuestros indios se divierten y aprenden a pensar".

A mi hermano y a mí nos gustaría mejor que las nubes se volvieran merengues
para comérnoslas con leche a la hora de la cena.

NUVENS

Meu pai foi viver na Amazônia para ensinar os índios
a armar quebra-cabeças com nuvens.

Para ajudá-lo todas as noites eu e meu irmão
Corremos atrás das nuvens desocupadas que passavam lá em cima.

As nuvens aparecem e desaparecem como se fossem pensamentos.

Perto de nossa casa muitos índios fazem fila
Para armar quebra-cabeças com as nuvens que lhes são mais familiares.

Aqui algumas nuvens se parecem com as árvores, e outras lembram os pirarucus.

Lá os índios procuram uma nuvem para completar a cabeça de um tatu.

"Com a água dos rios e jogos da cidade", escreve meu pai
para seus amigos, "nossos índios se divertem e aprendem a pensar".

A meu irmão e a mim gostaríamos mais que as nuvens fossem suspiros para comê-los com leite na hora do jantar.


Ilustração: Blog Graciliano On-line

Friday, February 17, 2017

Uma poesia de Musset

CHANSON                                                                     
Alfred de Musset

Lorsque la coquette Espérance
Nous pousse le coude en passant,
Puis à tire-d’aile s’élance,
Et se retourne en souriant;

Où va l’homme ? Où son coeur l’appelle.
L’hirondelle suit le zéphyr,
Et moins légère est l’hirondelle
Que l’homme qui suit son désir.

Ah ! fugitive enchanteresse,
Sais-tu seulement ton chemin?
Faut-il donc que le vieux Destin
Ait une si jeune maîtresse!

CANÇÃO

Quando a sedutora esperança
Nos acotovela de passagem, indo
Depois, rápido, com a asa se lança,
E se volta, sorrindo

Onde vai o homem? Onde seu coração o encaminha.
A andorinha segue o vento em seu bafejo,
E é menos ligeira a andorinha
Que o homem que segue o seu desejo.

Ah! Fugitiva feiticeira,
Sabes mesmo para onde vais?
Ou precisa que o velho destino queira
Ter uma jovem amante, ou mais!


Thursday, February 16, 2017

Mais uma poesia de Elizabeth Barret Browning


How Do I Love Thee?

Elizabeth Barrett Browning

How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of Being and ideal Grace.
I love thee to the level of every day's
Most quiet need, by sun and candlelight.
I love thee freely, as men strive for Right;
I love thee purely, as they turn from Praise.
I love with a passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose
With my lost saints, I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life! and, if God choose,
I shall but love thee better after death.

Como eu te amo?

Como eu te amo? Deixa-me falar os caminhos.
Eu te amo com profundidade, largura e altura
Que a alma pode alcançar, ao te sentir, do olhar, fora,  
Como a finalidade de ser e a graça ideal.
Eu te amo com o mérito de todos os dias
Com necessidade, à luz sol e das velas, quieto
Eu te amo livremente, como um homem tenta ser direito;
Eu te amo puramente, como se fosse uma prece.
Eu te amo com toda paixão que se pode ter sentido
Com minhas velhas doenças, e,de uma criança, a fé imensa.
Eu te amo com um amor que parecia ter perdido
Sorrisos, lágrimas e toda a minha vida! E, se Deus quiser,
Com meus santos soltos, eu te amo como respiro a brisa,
Eu te amarei melhor depois da morte até.

Ilustração: Recados.