Monday, September 26, 2016

Uma poesia de Oriah "Moutain Dreamer""




Finding The Beloved

Oriah "Mountain Dreamer"

It’s not about doing anything
Not about earning or accomplishing
Not about trying harder or moving faster
It’s simply a whole-hearted willingness
To walk to the end of the dock
And let the rising sun
Fill me and ignite
The old forgotten hunger
And every time
Every. Single. Time.
When I let the longing guide me
When I turn my face just a little
The Beloved is there

Encontrando o Amado

Não se trata de fazer alguma coisa
Não se trata de ganhar ou realizar
Nada acerca de tentar o mais difícil ou se mover mais rápido
É simplesmente uma vontade de todo o coração
De caminhar até o fim das docas
E deixar o sol nascente
Me cobrir e me alegrar
A velha e esquecida fome
Em cada tempo
Cada. Solteiro. Tempo.
Quando eu deixar o anseio me guiar
Quando eu voltar o meu rosto um pouco
O meu amado estará lá


Ilustração: balletdepalavras.blogspot.com

Saturday, September 24, 2016

Uma poesia de Monje Weongam




"El brazo corto"

 Monje Weongam

Son muy largos los brazos de la gente mundana.
Se extienden sin cesar a oriente y occidente.
Pero son muy cortos los brazos del ermitaño.
Nunca, ni una vez pueden extenderse hasta otros.
La gente mundana no desea comprender
a los amigos de los monjes de brazos cortos.
Aún más, si recién nos llegamos a conocer
¿quién protege al pobre y necesitado del monte?
Mis brazos, por ser muy cortos, no llegan hasta otros.
Los brazos de otros que me llegan no son de amigos.
Ah, ¿cómo puedo alargar mis brazos más y más
para tener amigos en los cuatro mares?

O BRAÇO CURTO

São muito largos os braços da gente mundana.
Se estendem sem cessar ao oriente e ocidente.
Porém, são muito curtos os braços do ermitão.
Nunca, nenhuma vez, podem estender-se até os outros.
A gente mundana não deseja compreender
Aos amigos dos monges de braços curtos.
Ainda mais se recentemente somos conhecidos
Quem protege ao pobre necessitado do monte?
Meus braços, por serem curtos, não chegam até os outros.
Os braços dos outros que me chegam não são de amigos.
Ah! Como posso alargar meus braços, mais e mais,
Para ter amigos nos quatro mares?

Fonte: Original do coreano Monje Weongam en Weongamrok (1920) traduzido para o espanhol por de Antonio Cabezas García.

Ilustração: associacaoaraponguensedekarate.blogspot.com

CHORINHO DO APERTO

Eu não sei se vou pra lá.  
Eu não sei vou pra cá.
Ando tão apertadinho
Que vou pra qualquer lugar
Que me leve este chorinho
Eu não quero é mais chorar.
Eu não quero nem saber
Quando ou onde vou descer
Nem onde irei parar.
Eu quero é sacolejar
Ir de lá pra cá.
Ir de cá pra lá
Até me acomodar
No ritmo deste chorinho
Me resolvo, de mansinho,
Deus há de me encaixar.
Mas, por enquanto,
Vou pra lá
Vou pra cá
E, se cair,
Vou levantar!

Ilustração: aculpaedaju.blogspot.com

Friday, September 23, 2016

Mais uma vez Rubén Darío




Amo, amas


Rubén Darío


Amar, amar, amar, amar siempre, con todo
El ser y con la tierra y con el cielo,
Con lo claro del sol y lo oscuro del lodo;
Amar por toda ciencia y amar por todo anhelo.


Y cuando la montaña de la vida
Nos sea dura y larga y alta y llena de abismos,
Amar la inmensidad que es de amor encendida
¡Y arder en la fusión de nuestros pechos mismos!


AMO, AMAS


Amar, amar, amar, amar sempre, com todo
o ser e com a terra e com o céu,
com o claro do sol e o escuro do lodo;
Amar por toda a ciência e amar por todo desejo.


E quando a montanha da vida
nos seja dura e larga e alta e plena de abismos,
amar a imensidão que é de amor incendiada
e arder na fusão de nossos peitos mesmos!


 

Wednesday, September 21, 2016

MEU AMOR É A POESIA


 

Eu e você, você e eu-
Um mundo tão completo-
Que, em si mesmo, exala poesia.
Não há palavra tão suave
Quanto a sua pele
Nem canção com a melodia
De sua boca
A sussurrar, na paixão,
As coisas mais loucas.
E, quando o amor,
Num mar de satisfação,
De exausto termina
Há algo de mágico e de poético
No corpo calmo que a vista examina,
Que parece, como as melhores poesias,
Uma perfeição de métrica e de rima!
 
(De “Jardim Diz Persivo”, Editora Per Se, 2013)
Ilustração: https://www.bing.com/

Tuesday, September 20, 2016

Mais uma poesia de Irene Salvatori


Hai mai visto una pallina

Irene Salvatori

Hai mai visto una pallina di gomma cadere dalle scale?
Rimbalza sugli scalini saltandoli a due a due.
Accelera quel ritmo,
le si moltiplica dentro una gioia
che esplode, scoppia
Si fa sempre più frenetica in quel suo saltare,
schizza sempre più in alto
poi tocca terra
ma solo per prendere uno slancio
ancora
nuovo
più veloce.
Così, più o meno, mi sentivo
quando scendevo le scale sapendo che stavo per incontrarti.


Alguma vez já viu uma bola

Alguma vez já viu uma bola de borracha caindo da escada?
Ela salta sobre os degraus pulando aos pares.
Acelera este ritmo,
e se repete dentro de uma alegria
que explodindo, estoura
e vai ficando cada vez mais frenética à medida que dá o seu salto,
em pulos cada vez mais elevados
em seguida, toca o solo,
mas, apenas para dar um salto
mais
novo
mais veloz.
Então, mais ou menos, eu me sinto
quando desço as escadas, deste modo, para encontrá-lo.



Monday, September 19, 2016

Dois poemas de Rubén Darío




Cuando llegues a amar
Rubén Darío
Cuando llegues a amar, si no has amado,
Sabrás que en este mundo
Es el dolor más grande y más profundo
Ser a un tiempo feliz y desgraciado.
Corolario: el amor es un abismo
De luz y sombra, poesía y prosa,
Y en donde se hace la más cara cosa
Que es reír y llorar a un tiempo mismo.
Lo peor, lo más terrible,
Es que vivir sin él es imposible.
QUANDO CHEGARES A AMAR
Quando chegares a amar, se não hás amado,
Saberás que neste mundo
É a dor maior e mais profunda
Ser a um tempo feliz e desgraçado.
Corolário: o amor é um abismo
De luz e sombra, poesia e prosa,
Onde se faz a mais cara coisa
Que é rir e chorar a um tempo mesmo.
O pior, o mais terrível,
É que viver sem ele é impossível.
¿Cómo decía usted, amigo mío?

 

Rubén Darío

 

¿Cómo decía usted, amigo mío?

¿Qué el amor es un río? No es extraño.

Es ciertamente un río

Que, uniéndose al confluente del desvío,

Va a perderse en el mar del desengano.

 

Como dizia você, amigo meu?

 

Como dizia você, amigo meu?

Que o amor é um rio? Não é estranho.

É, certamente, um rio

Que unindo-se ao confluente do desvio,

Vai a perder-se no mar dos desenganos.

Outra poesia de Marilina Rébora


 
Desencanto                                                          

 

Marilina Rébora

 

Yo quisiera quererte como antes te quería,

Y sentirte, como antes, en todo consecuente,

Yo quisiera decirte: te quiero todavía...

Y recibirte, al fin, con ánimo sonriente.

 

Yo quisiera tomar tu mano con la mía,

Y llevarlas fraternas, como antes, a mi frente,

Guardándote a mi lado, junto a mí todo el día,

Saber que estás conmigo, aunque te halles ausente.

 

Pero ya no es posible que esta dicha suceda,

Desde que el desencanto se apoderó del alma,

Y pienso que vivir así, tampoco pueda...

Porque quiero querer y mi amor se resiste,

Porque quiero esperar, cuando no tengo calma,

Porque quiero reír y por siempre estoy triste.

 

DESENCANTO

 

Eu quisera querer-te como antes te queria,

E sentir-te, como antes, em tudo consequente,

Eu quisera dizer-te: te quero, todavia...

E receber-te, ao fim, com o ânimo sorridente.

 

Eu quisera tomar, na minha, a tua, mão

E levá-las fraternas, como antes, à minha fronte,

Guardando-te a meu lado, em todo dia, na canção

Saber que estás, comigo ainda que te ausentes.

 

Porém, não é possível que tal sorte se suceda,

Desde de que o desencanto se apoderou da alma,

E que viver assim, tampouco, logo não ceda.

 

Porque quero querer e meu amor só resiste,

Porque quero esperar, quando não tenho calma,

Porque quero rir e para sempre estou triste.  

 

Ilustração: http://3.bp.blogspot.com.

Uma poesia de Marilina Rébora


 


 

La ley de la vida

 

Marilina Rébora

 

Quisiera estar de acuerdo con la ley de la vida

—Tal vez, la de la selva, al instinto fiada—,

Según la cual se vive de acuerdo a la comida:

La bestia menos fuerte ha de ser devorada.

 

Y quisiera también aceptar la partida

—Ya que sin consentirlo nos viene la llegada—,

Sufrir sin execrar al que odia u olvida,

Como al rico que abruma a quien no tiene nada.

 

Y tan profunda siento la triste disidencia

Que rechazo reacia tan duras condiciones:

Mas vivir no es posible opuesta a la existencia,

Las manos temblorosas apretando las sienes,

Pese al compás armónico de nuestros corazones

Y al amor que te tengo y que también me tienes.

 

A LEI DA VIDA

 

Quisera estar de acordo com a lei da vida

-Talvez, a da selva, ao instinto confiada-,

Segundo a qual se vive de acordo com a comida:

A fera menos forte há de ser devorada.

 

E quisera também aceitar a partida

-Já que sem consentirmos nos vem à chegada-,

Sofrer sem execrar ao que se odeia ou é esquecida,

Como o rico que esmaga a quem não tem nada.

 

E tão profunda sinto a triste dissidência

Que rechaço relutante tão duras condições:

Mas, viver não é possível se opondo à existência,

As mãos trêmulas apertando as faces,

Pesam ao compasso harmônico de nossos corações

E ao amor que te tenho e que também me tens.

 

Ilustração: http://3.bp.blogspot.com.

Sunday, September 18, 2016

MAIS UM POEMA DE CARLOS GARGALLO




NADA SIN TI
                                  ( para Ángela )
Carlos Gargallo

Llegas amor, cuando la vida nada  me ofrecía,
tu eres rosa, yo, espinas.

Que cada mañana amaneces  de rocío
húmeda tierra azulada
dando al tiempo sus minutos,
sus relojes encendidos,
y me ofreces todos los frutos dorados
de tu piel, la rojez de tus besos, millones de suspiros.

Nada había sin ti,
ni un sueño transformado en vida.

NADA SEM TI

Chegas amor, quando a vida nada me oferecia,
tu és rosa, eu, espinho.

Que a cada manhã amanheces orvalhada
úmida terra azulada
dando ao tempo seus minutos,
seus relógios acesos,
e me ofereces todos os frutos dourados
de tua pele, da vermelhidão de teus beijos, milhões de suspiros.

Nada havia sem ti,
nem um sonho transformado em vida.


Ilustração: tribunadoceara.uol.com.br

Mais um poema de T.S. Eliot


Fragmentos

T. S. Eliot

[...]

You say I am repeating
Something I have said before. I shall say it again.
Shall I say it again? In order to arrive there,
To arrive where you are, to get from where you are not,
You must go by a way wherein there is no ecstasy.
In order to arrive at what you do not know
You must go by a way which is the way of ignorance.
In order to possess what you do not possess
You must go by the way of dispossession.
In order to arrive at what you are not
You must go through the way in which you are not.
And what you do not know is the only thing you know
And what you own is what you do not own
And where you are is where you are not.

FRAGMENTOS

[…]

Você diz que eu estou me repetindo
Alguma coisa eu tenho dito. E irei dizer isto novamente.
Como poderia dizer outra vez? Na seqüência para chegar lá,
Para partir para onde você está, para obter o que você não tem,
Eu preciso ir por um caminho que não é o do êxtase.
Na seqüência para alcançar o que você não sabe
Eu preciso ir por um caminho que é o da ignorância.
Na seqüência para possuir o que não possuis
Eu preciso ir pelo caminho dos despossuídos.
Na seqüência para chegar até onde você não está
Eu preciso ir através do caminho em que você não está.
E o que você não sabe é a única coisa que você sabe
E o que você possui é o que você não possui
E onde você está é onde você não está.

Ilustração: fashionatto.literatortura.com

SENTIMENTOS INCONSCIENTES

Muitas vezes                                       Te amei com um ódio
sem tamanho
que tudo confundia.

Certas vezes te vi anjo
ou demônio
e subi aos céus
e desci ao inferno
violento ou terno.

Muitas vezes
te amei com um amor
tão sem limites
que tudo se embaralhava.

Certas vezes
dormi sem desejo ou cansaço
e gozei como um devasso
ou fui puro como um santo
imerso no pecado.

Muitas vezes
não tive a menor
noção do que fosse o amor
e, para mim, tudo era só sexo.

Certas vezes
tive a sensação
de que amar ou odiar
era só uma ilusão
que nem importava
ser pecador ou santo.

Tantas vezes
te amei
que o amor se tornou um hábito
e, um dia, dormi com uma amante
e acordei com uma irmã.

Ilustração: irresistivel.com.br




Ciranda da Embriagadinha

                                                            Eu sou uma embriagadinha
Muito linda e feiticeira
Ando tonta pelas ruas
Procurando quem me queira.

Eu sou uma embriagadinha
Vivo de cerva e cachaça
Ando solta pelas ruas
E abusei foi da manguaça.

Refrão dos pastores:

Beba menos, minha bebinha,
Caia fora deste bar
Cê não abuse da caninha
Que o negão vai te pegar!


Ilustração: asdigital.tv.br