Thursday, May 28, 2020

Uma poesia de Carlos Germán de Amézaga


 
ALQUIMIA                  
Carlos Germán de Amézaga

Desde tiempo inmemorial
Busca el hombre con ardor
La piedra filosofal:
Medio de hacer un metal
Que es el oro corruptor.
Y aunque la ciencia resista,
Que hay tal piedra yo aseguro
Frente de tanto alquimista,
Rico, dichoso, egoísta
Y ante las lágrimas duro.
¿Qué importa el ajeno mal?
Quien bien practica, no medra
O malversa su caudal...
La piedra filosofal
Es el corazón de piedra.

ALQUIMIA

Desde tempo imemorial
Busca o homem com ardor
A pedra filosofal:
Meio de fazer um metal 
Que é de ouro corruptor. 
E ainda que a ciência resista, 
Que há tal pedra eu asseguro
Na frente de tanto alquimista
Rico, feliz, egoísta 
E ante as lágrimas duro. 
Que importa o alheio mal?
Quem bem pratica, não medra
Ou malversa seu caudal...
A pedra filosofal 
é o coração de pedra.

Wednesday, May 27, 2020

Outra poesia de Anna Maria Bonfiglio



L’APPARENZA                                     

Anna Maria Bonfiglio

Non guardare di me l’occhio che ride
la voce fresca
o l’ilare bocca che adesca.
Nell’atlante che sfiori con le dita
non cercare le alture ardimentose
o le pianure erbose.
Esplora invece i fiumi azzurri
sotterranei che adornano
le mani, le logorate valli
i merletti dei tarli.
Quello che non appare
è l’ago che segna la scissione
fra il viaggio dell’andata e l’inversione.

A APARÊNCIA

Não guarde dos meus olhos rindo
a voz fresca
ou a boca hilariante que atrai.
No atlas que tocas com os dedos
não procure as alturas ousadas
ou as planícies gramadas.
Explora, em vez disso, os rios azuis
porões que adornam
mãos, vales desgastados
o laço de minhocas.
Aquilo que não aparece
é a agulha que marca a divisão
entre a jornada externa e a inversão.

Ilustração: pastordbarbosa.blogspot.com.

Outra poesia de Mauricio Bacarisse



Lectura (De El paraíso desdeñado)            

Mauricio Bacarisse

Corazón mío, no te exaltes.
Fija los ojos en el libro;
Mira las gráciles letras, en la celulosa,
Como las momias en los siglos.

Olvida el canto y la medalla.
(El rizo olía a miel de otoño.)
Aún le han de crecer al libro muchas yemas cuando
Estés perdido en el reposo.

Todo será para la cifra.
Han de cifrarse tus latidos,
Y han de ser piedras, como las que descansan
En las meditaciones de los ríos.

LEITURA  (Do paraíso desdenhado) 

Coração meu, não te exaltes, 
fixa teus olhos no livro;
olha as formosas letras, no celulose,
como as múmias nos séculos.

Esqueça o canto e a medalha. 
(O cacho tem aroma de mel de outono.)
Ainda hão de crescer aos livros muitas gemas quando
estiveres perdido em repouso.

Tudo será para o código. 
Hão de ser cifradas tuas batidas. 
E hão de ser pedras, como as que descansam
nas meditações dos rios. 

Ilustração: https://play.google.com/.

Tuesday, May 26, 2020

Uma poesia de Anna Maria Bonfiglio



Anna Maria Bonfiglio                                                           


Per quanto siano accorti ed efficaci
gli artifici  del cuore e della mente
il tempo che scompone i nostri giorni
è un'arida montagna
che non si fa scalare
E tuttavia  tu m'apri come rosa
e mi percorri e mi circondi
di tenera allegria
Mi dici che mi ami
e si rinnova il sangue
nelle mie vene stanche

E viene aprile

Por mais  que sejam perspicazes e eficazes
os artifícios do coração e da mente
o tempo que descompõe os nossos dias
é uma montanha árida
que não pode ser escalada
E todavia me abre como uma rosa
e me percorre e me circula 
de terna alegria
e me diz que me ama
e se renova no sangue 
das minhas veias cansadas

E vem abril

Monday, May 25, 2020

Releitura de uma poesia de Paul Géraldy




POST-SCRIPTUM

Paul Géraldy 

Tu n'as écrit hier que deux petites pages!
C'est donc bien gai là-bas que tu m'oublies?
Tu dois te fatiguer, voir trop de monde. Sois donc sage!
Il faut te reposer. Ecris-moi ! Pense à moi!
Et puis ne mets pas tant cette robe nouvelle.
Elle te va si bien! Je ne suis pas jaloux.
Mais , là-bas, tu n'as pas besoin d'être si belle.
L'air te la fanera. Garde-la donc pour nous.

POST-SCRIPTUM

Me escrevestes ontem duas pequenas páginas somente!
Estás  tão feliz aí que me esqueças
assim?

Sem dúvidas se cansas, e vês muita gente. Então
sejas sábia!

Repousa. E me escrevas! E Pensa sempre em mim!
E teu tão novo vestido não o ponhas tanto.
Que fica tão bem em ti! Ciumento não sou nem fui.
Mas, vá lá, tu não precisas tanto encanto.
O ar vai sumir. Portanto, guarde para nós.

Saturday, May 23, 2020

Outra poesia de Julio Flórez Roa


MADRIGAL                                                            
Julio Flórez Roa

¿Me quieres? ¡Que tu acento me lo diga
Ante aquel sol que muere en el ocaso!
Tú, que mitigas mi pesar... ¡mitiga
Esta fiebre voraz en que me abraso!
Tembló su labio y balbució: ¡Lo juro!
Sus tachonadas puertas entreabría
La muda noche en la extensión vacía:
Y en mi espíritu lóbrego y oscuro...
En aquel mismo instante amanecía!

MADRIGAL 

Me queres? Que tua pronúncia me diga
ante aquele sol que morre no ocaso!
Tu, que mitigas meu pesar ... mitigas
Esta febre voraz em que me abraso!
Tremem seus lábios e balbucio: o juro!
Suas adornadas portas entreabrias
à muda noite na extensão vazia:
e no meu espírito lúgubre e sombrio ...

Ilustração: https://sv.wikipedia.org/.










Uma poesia de Juan Zorrilha de San Martin


FRAGMENTOS X                          
Juan Zorrilla de San Martín

¡Cayó la flor al rí
Los temblorosos círculos concéntricos
Balancearon los verdes camalotes,
Y, entre los brazos del juncal, murieron.
Las grietas del sepulcro
Engendraron un lirio amarillento.
Tuvo el perfume de la flor caída,
Su misma extrema palidez... ¡Han muerto!
Así el himno cantaban
Los desmayados ecos;
Así lloraba el uruti en las ceibas,
Y se quejaba en el sauzal el viento.



FRAGMENTOS X 

Caiu a flor no rio!
Os trêmulos círculos concêntricos 
balançaram as ilhas de ervas verdes,
E, nos braços do junco, morreram.
As rachaduras no túmulo
engendraram um lírio amarelado.
Tinha o perfume da flor caída,
sua mesma extrema palidez ... Estavam mortos!
Assim um hino cantavam 
os desmaiados ecos;
assim chorava o uruti nas árvores de ceiba,
e se queixava o vento nos salgueiros.



Uma poesia de Julio Flórez Roa


GUARDO EN MI PECHO UN TRONO                    

(LVIII de Gotas de Ajenjo)


Julio Flórez Roa

Guardo en mi pecho un trono
Para la madre mía:
Que aunque ella me dio el ser, yo la perdono
Porque no supo el daño que me hacía.


GUARDO EM MEU PEITO UM TRONO

(LVIII de Gotas de Absinto)

Guardo em meu peito um trono
para minha mãe:
Que ainda que tenha me concebido, eu a perdoo
porque não sabia o dano me fazia.

Friday, May 22, 2020

Poema da contramão


Até neste momento,
quando o mundo está louco, inútil, incompreensível,
só tenho o pensamento 
de que o amor é possível
quando me encontro nos teus braços,
improváveis, como as máscaras nos rostos, 
distâncias, desencontros e desgostos 
que, na contramão, esquecer tento. 
Sei que a força dos nossos laços
vem 
do tempo em que te quero bem,
de que sempre te quero mais
e de que, do teu lado, 
me encontro no melhor estado:
feliz de ter amor, paixão e paz!

Ilustração: https://saasx.com. 

Wednesday, May 20, 2020

Outra poesia de Sylviane Dupuis



LECTURE DU JARDIN                               

Sylviane Dupuis

Au sein de ce condensé d’univers,
garde-toi d’aller au hasard
Que d’abord, négligeant
l’art et la nature, ton oeil
s’empare du milieu
– où se tient, noir fragment
du temps, le poème de pierre.

(A cette clé silencieusement                                                                              
tout est subordonné,
comme l’est au cœur la pulsation du sang
ou la circulation des souffles.)


LEITURA DE JARDIM

No seio deste universo condensado,
cuidado para não ser aleatório!
Quem primeiro, negligenciar
a arte e a natureza, seu olho
se agarra no meio
- onde fica,  num fragmento preto
de tempo, o poema de pedra.

(Para esta chave silenciosamente
tudo é subordinado,
como é no coração a pulsação do sangue
ou na circulação das respirações.)