Friday, July 13, 2018

Um Hai Kai de Juan José Tablada


Hojas secas                     
Juan José Tablada

El jardín está lleno de hojas secas;
nunca vi tantas hojas en sus árboles
verdes, en primavera.

FOLHAS SECAS

O jardim está cheio de folhas secas;
nunca vi tantas folhas em suas árvores
verdes, na primavera.



Ilustração: Rubens Sakay.

Thursday, July 12, 2018

Uma poesia dos irmãos Persivo


Nem me lembrava desta poesia mais. O meu mano Roberto atribuiu somente a mim a autoria, mas, é nossa. Ele, com a sensibilidade de poeta que é, fez algumas alterações que a deixaram muito mais bonita. 



"Quando te vi em frente a mim, deliciosamente linda,
A minh’alma, de êxtase, ficou morta
E desta morte não despertou ainda!
Também pudera, em teus olhos escuros tanta beleza havia,
Que os vendo, infinitamente puros,
Julguei-os, por instantes, obras de magia!
Por Deus, o são!
E juro, se preciso tanto!
Pois, em olhos semelhantes
Por certo hão de ter nascido o pranto
E a inspiração dos vates!
Fiquei olhando-te, pálido e absorto,
Contemplei os teus cabelos lindos,
Esvoaçando ao vento,
E se me dado fora um pedido, antes de morto,
Eu os queria ver,
Nem que só por um momento!
Olhaste-me um tanto ao quanto embaraçada
Sem compreender, decerto, a razão do meu silêncio!
Debalde, tentei falar-te
E num arroubo de paixão dizer-te tudo!
Mas, meu amor falar não pode:
Um tímido, um tolo, um mudo!". 

Ilustração: Um Mar de Emoções-Sapo. 

Outra poesia de Manuel Alcantára


Nostalgia del primer amor                           

Manuel Alcantára

Tu soledad de nieve reclinada,
virginal y sencilla, en mi memoria,
como agua fiel de fatigada noria
viene a regar mi voz enamorada.

¡Cómo recrea el alma sosegada
la penumbra y dulzor de aquella historia
con resplandores de tardía gloria
entre abejas y frutos constelada!

¡Oh, delicada llama, ardor primero
velado en llanto y celestial mirada,
par del trino, la fuente y la azucena!

Mírame combatido y prisionero
volver a tu ilusión breve y tronchada
como un temblor en la desierta arena.

NOSTALGIA DO PRIMEIRO AMOR

Tua solidão de neve reclinada,
virginal e sensível, na minha memória,
como a água fiel de fatigada roda
vem regar minha voz enamorada.

Como recria a alma sossegada
a penumbra e doçura daquela história
com resplendores de tardia glória
entre abelhas e frutos constelada!

Oh, delicada  chama, ardor primeiro
velado em pranto e celestial olhada,
par do trinado, a fonte e o lírio!

Olha-me combatido e prisioneiro
voltar para sua ilusão breve e truncada
como um tremor na areia deserta.        

Ilustração: Mensagens com Amor.

Wednesday, July 11, 2018

Uma poesia de Manuel Alcantára


Soneto para acabar un amor        

Manuel Alcantára

He quemado el pañuelo por si acaso
se pudiera tejer de nuevo el lino.
Le sobra la mitad del vaso al vino
y más de media noche al cielo raso.

Tenía que pasar esto. Y el caso
es que estando yo siempre de camino
y estando tú parada, no te vi y no
me ha cogido el amor nunca de paso.

Puede que salga a relucir la historia
porque nunca se acaba lo que acaba,
que se queda a vivir en la memoria.

Echa a andar el amor que te he tenido
y se va no sé dónde. Donde estaba.
De donde no debiera haber salido.

SONETO PARA ACABAR UM AMOR

Eu queimaria o lenço apenas no caso
de poder tecer, de  novo, o linho.
Se  sobra a metade do copo ao vinho
e mais de meia-noite ao céu raso.

Tinha que passar por isto. E o caso
é que estando eu sempre no caminho
e estando tu parada, não te vi e não
colhi o amor nunca no passo.

Pode ser que volte a reluzir a história
porque nunca se acaba o que acaba,
que fica para viver na memória.

Comece o amor que havia tido
e se vai não sei onde. Onde estava.
De onde não deveria haver saído.


Ilustração: Mundo Do Amor - WordPress.com.



Tuesday, July 10, 2018

Uma poesia de Laure Limongi



Le bleu de l’inflexion

Laure Limongi

Le genou est fléchi afin de disposer le corps à la verticale de la serrure.
Le corps porte la clef mais ne veut pas ouvrir, encore.
La main tient la clef en la caressant tandis que l’ceil ne broie que du noir. Tandis que l’œil clair perce, sourcil contre métal glacé, fouille sans succès, l’œil à la limite de sa perception ne pourra s’en remettre qu’à l’action. Peut-être.
La main gauche est posée, à plat contre le bois de la porte qui est un bois lisse.
Le mur du couloir regarde la scène.
L’odeur savante des cheveux a séduit et bruisse du mouvement de la tête ne sachant trop si et quoi et que faire.
Avec un je-ne-sais-quoi de sauvage et perdu.
Avec un je-ne-sais-quoi de déjà mort.
La robe est froissée de toucher le sol, portant le poids du personnage léger au cœur lourd.
La robe crisse de la respiration haletante de la curiosité et de la peur.
Le mur du couloir en est ému.

Il a des carrosses et des meubles, des broderies et des miroirs.
Des maisons, des sofas, des serviteurs, de la vaisselle d’or et d’argent et de vermeil.
Il m’a voulue, moi, entre toutes, après plusieurs.
Je savais que c’était la gueule du loup. Loup bleu. Et je m’y suis jetée.
Je savais que c’était la peur bleue dont je mourrai. Et je m’y suis jetée.

Mais cela, seul le mur du couloir l’a entendu. Sa tapisserie en a tremblé. Un courant d’air de souvenirs et les motifs se sont dédoublés. Ils entourent les portes. Ils courent de chambranle en chambranle à la recherche de la sortie. Mais le conte n’en a pas puisque le méchant meurt et que les femmes se succèdent. Puisque les femmes meurent et que les méchants se succèdent. Tandis que les soeurs matent  l’horizon d’un oeil distrait.

Elle, en robe et coiffure, elle s’appele Héloïse ou Éléonore ou Isaure ou Rosalinde ou Blanche ou Judith. Mais la soeur s’appele toujours Anne. L’herbe
est verte. Et la barbe est toujours bleue.


O AZUL DA INFLEXÃO

O joelho está flexionado a fim de dispor o corpo na vertical da fechadura.
O corpo carrega a chave, mas, não deseja abrir, ainda.
A mão contém a chave acariciando-a enquanto o olho se abandona à tristeza. Tanto que o olho claro perfura, a sobrancelha contra o metal gelado, examina sem sucesso, o olho no limite de sua percepção só poderá voltar à ação. Talvez.
A mão esquerda está aberta, contra a madeira da porta que é uma madeira lisa.
A parede do corredor olha a cena.
O odor conhecido dos cabelos  a seduz, e murmura com o movimento da cabeça sem saber muito bem se e o quê e o que fazer.
Com um não-sei-quê de selvagem e perdido.
Com um não-sei-quê de já morto.
O vestido está amarrotado de tocar o solo, portando o peso da personagem leve de coração pesado.
O vestido treme a respiração ofegante da curiosidade e do medo.
A parede do corredor se emociona.

Há carroças e móveis, bordados e os espelhos.
As casas, os sofás, os criados, a louça de ouro e de prata e de vermelho.
Ele me desejou, eu, entre todas, depois de muitas.
Eu sabia que era a boca do lobo. Lobo azul. E me lancei ali.
Eu sabia que era o medo azul do qual eu morreria. E me lancei ali.

Mas, aquilo, só a parede do corredor ouviu. Sua tapeçaria tremeu. Uma corrente de ar de lembranças e motivos se desdobraram. Cercaram as portas. Correram de portal em portal em busca da saída. Mas, o conto não existe mais, pois, o malvado morre enquanto as mulheres se sucedem. Tanto que as mulheres morrem enquanto os malvados se sucedem. Enquanto que as irmãs conquistam o horizonte com um olhar distraído.

Ela, vestida e penteada, se chama Heloisa ou Eleonora ou Isaura ou Rosalinda ou Branca ou Judite. Mas, a irmã se chama sempre Ana. A grama é verde. E a barba é sempre azul.






Friday, July 06, 2018

FAZ ISTO NÃO!


Se precisar voar                          eu voo
para te beijar
como se fosse um beija-flor.
Se precisar parar no ar
eu paro
como se fosse um colibri.
Faço de tudo pelo teu amor.
Porém, se não me beijar,
se não me sorrir,
eu caio
como se fosse um pássaro abatido
e meu coração há de sangrar,
sem mesmo ser ferido,
até que fique sem vida,
se tu, minha querida,
me negares o teu amor.
Faz isto não!
Mente, minha linda,
para que, ao menos, ainda
possa conservar a ilusão.

Ilustração: birds-breed.net. 

Outtra poesia de Andrée Chedid


AFFRONTEMENT                    
Andrée Chedid

  

L’utopie
Mise au monde
Déserte son image
Et se trahit

Le rêve
S’étant fait chair
Ébrèche ses illusions
Et s’achève.

ENFRENTAMENTO

A utopia
Que se ilumina
Abandona sua imagem
E se atraiçoa.

O sono
Feito carne
Quebra as ilusões
E se acaba.

Ilustração: https://24hdeamor.wordpress.com/tag/sonhos-desfeitos/.




Uma poesia de Andrée Chedid


TOUJOURS                                                                                
 Andrée Chedid

Surannée
Actuelle
La mort gouverne
Magnifiant nos vies

Actuel
Suranné
L’amour règne
Ravivant l’existence.

SEMPRE

Antiquado
Atual
A morte governa
Embelezando nossas vidas

Atual
Antiquado
O amor reina
Revivendo a existência.



Ilustração: Revista Pesquisa Fapesp.

Thursday, July 05, 2018

Outro poema de Anna Andreevna Achmatova



Anna Andreevna Achmatova
La porta accostata,
il lieve ondeggio degli alberi di tiglio…
Sul tavolo, chissà dimenticati,
un frustino e un guanto.
L’alone giallo della lampada…
Sento un fruscio.
Perché sei andato via?
Io non capisco…
Domani sarà un mattino
di serenità.
La vita è splendida,
sii saggio, cuore.
Sei così stanco,
rallenta, batti piano…
Pensa, ho letto
che l’anima è immortale.

A porta entreaberta,
o leve ondular dos limoeiros ...
Na mesa, quem sabe esquecido,
um chicote e uma luva.

O brilho amarelo da lâmpada ...
Eu ouço um crepitar.
Por que você saiu?
Eu não entendo ...

Amanhã será uma manhã
de serenidade.
A vida é esplêndida
seja sábio, coração.

Você está tão cansado
devagar, bata devagar ...
Penso que li
que a alma é imortal.




Uma poesia de Hinojosa


La rosa de los vientos    
José María Hinojosa

Para picotear sobre mi fría palma
bajan aleteando las estrellas
y la Osa Mayor no será nunca blanca
porque ha olvidado su pasión mimética.

Han puesto colgaduras encaladas
para borrar los huecos de mis huellas,
mujeres negras que habitan mi casa.
Sólo han brotado de mi barco velas.

Mientras oteo curvos horizontes
en el balcón de escarcha tempranera,
veo llegar el humo desde Londres,
que amarillo nació en las chimeneas
y, cano ya, me llama a grandes voces
y pregunta con gesto anacoreta
por la senda que lleva al Polo Norte.

Encogiendo mis hombros hechos niebla
yo le regalo un alfabeto Morse.

A rosa dos ventos

Para beijar minha palmeira fria
baixam agitando as estrelas
e a Ursa Maior não será nunca branca
porque se esqueceu de sua paixão mimética.

Hão posto tapeçarias caiadas
para apagar os buracos em minhas trilhas,
mulheres negras que moram na minha casa.
Só hão brotado velas do meu barco.

Enquanto outros curvos horizontes
na varanda da geada precoce,
vejo chegar a fumaça de Londres
aquele amarelo nasceu nas chaminés
e, já, me chama com grandes vozes
e pergunta com um gesto de anacrônico
pelo caminho que leva ao Pólo Norte.

Encolhendo meus ombros feito nevoeiro
Eu lhe presenteio um alfabeto Morse.

Ilustração: Greenme.

Tuesday, July 03, 2018

ODE AOS AMIGOS



Ó meus amigos,
que bom poder tê-los aqui.
Esta é a hora: de brindar, de sorrir, de cantar,
que a vida é só um canto
onde a alegria, por um momento, pousa o manto.

A hora é esta, o momento agora.
a tristeza, por favor, deixa lá fora,
ouçamos só a música que rola,
a poesia, que é só uma fantasia
da vida como devia ser...
Mas, não importa! É hora de viver!

Que a vida é apenas isto:
só vale pelos abraços, beijos,
pela satisfação incompleta dos desejos,
pelos momentos em que somos felizes
e esquecemos as crises.

Por favor, o instante é agora:
tira os problemas como se fosse um sobretudo,
deixa lá fora, as mágoas, as queixas, tudo
e vamos sorrir e cantar.

Levantem a taça. Vamos todos brindar.
Que sermos amigos é o melhor que há.
A hora é esta, o instante é este, a vida é agora.
Vamos sorrir, vamos cantar, vamos amar sem medo.
Que o amor é o nosso melhor brinquedo! 

Ilustração: Blog Vida de Casada. 

Outra poesia de Chiara Moimas


Le sei le sette…             
Chiara Moimas

Le sei le sette le otto le nove
le ore passano e fuori piove
io qui distesa sul mio divano
ti aspetto e scivola lenta la mano
che in preda al gioco di tentazioni
smuove l’ostacolo dei pantaloni
e trova un lembo di pizzo nero
difesa debole scudo leggero.
L’umida preda la mano cattura
la lotta sarà lunga sarà dura
oramai è passata quasi un’ora
ma non è stanca ne vuole ancora.
La chiave nella toppa si rigira
entri mi vedi e un pensiero ti attira…
Seis horas ...

As seis horas, as oito, as nove
as horas passam e chove lá fora
eu aqui deitada no meu sofá
te espero deslizar lenta a mão

que presa ao jogo da tentação
move os obstáculos das calças
e acha uma aba de renda preta
defesa débil do escudo de luz

A presa molhada a mão captura
a luta será longa será dura
agora já quase passou uma hora

mas, não se cansa, e quer mais, vai.
A chave nela vira e por cima passa
entra me vê e um pensamento te atrai...

Ilustração: wikiHow.