Sunday, February 08, 2026

Um poema de Abdellatif Laâbi




REALITÉ

Abdellatif Laâbi 

Me voici de nouveau dans ma banlieue

Cette maison

que je changerai encore pour une autre

La pièce où je ne m’enferme plus pour écrire

(je ne suis pas à une contradiction près)

Ce que m’offre ma fenêtre

un bout de rue

où passent plus de voitures que de piétons

Un pan de ciel opaque

si bas

que les oiseaux s’y cognent les ailes

Sur mon bureau

les lettres se sont entassées

Sous mon coude

des poèmes inachevés

À côté

la machine à laver tourne

fait disparaître de mes habits

l’odeur du voyage

Voici que le téléphone sonne

Tel un automate

 

je tends la main

et me rends à la réalité

REALIDADE

Eis-me de novo aqui no meu bairro

Esta casa

que irei trocar por uma outra

O quarto onde já não me interno para escrever

(Não me importo com contradições)

O que me oferece minha janela

um trecho de rua

onde passam mais carros do que pedestres

Um pedaço de céu cerrado

tão baixo

que os pássaros batem as asas nele

Na minha mesa

cartas se amontoam

Sob o meu cotovelo

poemas inacabados

Ao lado

a máquina de lavar gira

fazendo desaparecer das minhas roupas

o odor das viagens

E agora o telefone está tocando

Como um autômato

Ilusttração: Editora Ultimato. 


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