Friday, May 19, 2017

E LA NAVE VA....

QUE A FELICIDADE SEJA UM VÍCIO                                     
Levanta esta bebida, comemora,
brindemos, pois, a este dia tão feliz,
este dia do teu aniversário.
Que as taças que tilintam sejam a música
que inundem de alegria a caminhada
onde os tempos maravilhosos se renovem
como amanheceres brilhantes e formosos.
Que a chuva, ou a névoa, se algum tempo,
na tua vida te surpreender
que seja, se possível, por momentos
que jamais tirem a beleza do viver.
Que a luz dos olhos teus iluminados
afastem a escuridão dos dissabores
e tua forma de ser, tua bondade
faça do cotidiano um exercício
de bem viver, de amar, de ser contente
para tornar a felicidade, em ti, um vício,
contra a lógica, quem sabe, eternamente!


Outra poesia de Laura Campmany

SONETO                  
                                                                                                            


En un soneto cabe cualquier cosa:
la tarde del revés, la golondrina
que asoló con sus alas mi oficina,
y el humo, convertido en mariposa.

Le cabe la certeza luminosa
del rayo que ni cesa ni fulmina.
Le cabe la soberbia gongorina
que urdió en la noche el nombre de la rosa.

Si abarcara universos literales,
campos, espigas, lunas, mares, montes,
que, por caber, le caben catedrales
y lirios que resumen horizontes.

¿Y dices que no cabe el amor nuestro?
Si me das un papel, te lo demuestro.

SONETO

Em um soneto cabe qualquer coisa:
a tarde de revés, a andorinha
que assolou com suas asas a escrivaninha
e o fumo, convertido em mariposa.

Bem cabe a certeza luminosa
do raio que nem cessa nem fulmina.
Bem cabe a escrita gongorina
Que urdiu, na noite, o nome da rosa.

Se abarcasse os universos literais,
campos, espigas, luas, mares, montes,
que, por caber, lhe cabem catedrais
e lírios que resumem horizontes.

E dizes que não cabe o amor nosso?
Se me dás um papel, te mostro que posso.


Ilustração: http://poesiapaixaoeamor.blogspot.com.br/

Uma poesia de Laura Campmany




Mi vida tiene...

Laura Campmany

Mi vida tiene forma de camino,
y un fondo de verdad en la maleta,
y una ilusión, ridícula y secreta,
donde confluyen Dios y mi destino.

Mi vida tiene ya sabor a vino,
y a noches de relente y escopeta,
y a pan desmenuzado en la cuneta,
y a humilde vocación de peregrino.

Mi vida es algo tonto que dormita
bajo la higuera azul de la esperanza
mientras el tiempo, inexorable, avanza.

Mi vida es un clamor que resucita
cuando siente que existe, cuando alcanza
un poco del amor que necesita.


MINHA VIDA TEM...

Minha vida tem o modo de um caminho,
e um fundo de verdade na maleta,
e uma ilusão ridícula e secreta,
onde vão Deus e meu destino juntinhos.

Minha vida tem já sabor de vinho
e de noites de orvalho e de escopeta
e de pão esfarelado na sarjeta,
e de humilde vocação de peregrino.

Minha vida é algo tonto que adormece
sob a figueira azul da esperança,
enquanto o tempo, inexorável, avança.

Minha vida é um clamor que já renasce
Quando sente que existe, quando alcança
Um pouco do amor pelo qual padece.

Ilustração: Obvious Lounge.

Thursday, May 18, 2017

Mais uma poesia de Excilia Saldaña

El fondo del mar                                             

Excilia Saldaña

Vive en el centro 
del 
agua 
y nadie 
la 
puede 
habitar.

Se envuelve en redes
de 
algas 
y sale 
de 
noche 
a cantar.

Tiene un secreto. 
Lo 
calla. 
Olokun 
es 
lo hondo 
de la mar.


O FUNDO DO MAR

Vive no centro
da
água
e ninguém
a
pode
habitar.

Se envolve nas redes
de
algas
e sai
de
noite
a cantar.

Tem um segredo.
O
cala.
Olokún
é
o fundo
do mar.

Tuesday, May 09, 2017

EXPLICAÇÃO

Por seres infantil na tua doçura Conquistada pelas graças do pecado
É que, na mulher, vejo a menina pura
Como águas de um lago indevassado.

Por seres de uma inocência tão patente
Leve, que se danças até flutuas,
Não explica porque navegas mansamente
Ainda quando brilham as carnes nuas.

E porque não há razão no sentimento,
Embora no sentimento haja razão,
Me embrulho na paixão e no momento.

Sei que explicar, às vezes, é tão vão
Como captar em palavras o movimento:
Melhor deixar falar toda a emoção.


(De "Águas Passadas", Editora Per Se, 2013). 
Ilustração: Ideias de Marketing. 

Uma poesia de Arthur Rimbaud

Bonne pensée du matin                                  
Arthur Rimbaud

A quatre heures du matin, l'été,
Le sommeil d'amour dure encore.
Sous les bosquets l'aube évapore
L'odeur du soir fêté.

Mais là-bas dans l'immense chantier
Vers le soleil des Hespérides,
En bras de chemise, les charpentiers
Déjà s'agitent.

Dans leur désert de mousse, tranquilles,
Ils préparent les lambris précieux
Où la richesse de la ville
Rira sous de faux cieux.

Ah ! pour ces Ouvriers charmants
Sujets d'un roi de Babylone,
Vénus ! laisse un peu les Amants,
Dont l'âme est en couronne.

Ô Reine des Bergers !
Porte aux travailleurs l'eau-de-vie,
Pour que leurs forces soient en paix
En attendant le bain dans la mer, à midi.

Bom pensamento ao amanhecer

Às quatro da manhã, no verão,
O sonho de amor ainda perdura.
Sob os pequenos bosques a alba evapora
O perfume da noite de celebração.

Mais além do imenso quintal
Em direção ao sol das Hespérides,
em mangas de camisa, os carpinteiros
já se agitam.

Em seu deserto de musgo, tranquilos
preparam os painéis valiosos
onde a riqueza da cidade
rirá sob os falsos céus.

¡Ah! por estes trabalhadores encantadores,
súditos de um rei da Babilônia,
¡Vênus! Deixa um pouco aos amantes
cuja alma está em amores.

Ó Rainha dos Pastores!
Leva aos trabalhadores aguardente,
Para que as suas forças estejam em paz
Enquanto esperam o banho de mar, ao meio-dia.


Ilustração: YouTube. 

Monday, May 08, 2017

SENSAÇÃO

Na manhã ela molhou os pés nas primeiras ondas
Como o sol veio brincar com o mar
Abrindo os braços na alegria de se entregar
 Ao dia que brilhava como seu olhar.
O sol, ela, o vento, o mar num casamento
Cuja perfeição iluminava a vida
E ali senti, minha querida,
A separar nossas idades
Que as quatro dezenas de anos
Eram apenas uma ilusão.
De repente, menina, menino fiquei
E só Deus sabe o quanto abençoei
Os barcos que podiam dizer adeus,
Mas, apenas saudavam este novo amor
Que me tornava tão jovem!

(De "Águas Passadas", Editora Per Se, 2013).
Ilustração: Portal dos Mitos.

Friday, May 05, 2017

Dois poemas de Mónica Caputo

       2
Mónica Caputo

Nada es viento.
Puedo subir a una nube
pero el agua es la
sequía interminable
de un día cualqueria.
La grieta
es la boca de
sedienta palavra.

       2
Nada é vento.
Posso subir a uma nuvem,
porém, a água é a
seca interminável
de um dia qualquer.
A greta
é a boca da
palavra sedenta.

      7
Mónica Caputo

Um momento,
solo eso,
el instante que
pasa
ante los ojos,
la respiración serena,
del desaliento
que no cruzan el límite
de la última
palavra.

       7

Um momento,
só isso,
o instante que
passa
ante os olhos,
a respiração serena,
do desalento
que não cruzam o limite
da última
palavra.


Ilustração: equilíbrio – blogger. 

Uma poesia de Javier Galarza




GESTUALIDAD

Javier Galarza

necesito algo del orden de tu mímica:
esos gestos que te viesten y desvisten.
tus juegos, tus mentiras.
si, creio que necessito eso:
deslumbrarme en la ostentación de
tus carencias.
algo del orden de los ademanes
y palabrerías que te velan.
buscar la verdade allí: donde no estás.
para aprender a no saberte intuyendo
que permanecerás por siempre en
lo no dicho
en la dimensión inasible de las insinuaciones
así: como apenas sussurrado.
bella evasiva immaculada confusa y
resguardado en tu secreto.

GESTUALIDADE

necessito de algo da ordem de tua mímica:
esses gestos que te vestem e desvestem.
teus jogos, tuas mentiras.
Sim, creio que necessito disso:
deslumbrar-me na ostentação de
tuas carências.
algo da ordem dos gestos
e falatórios que te cercam.
buscar a verdade lá: onde não estás.
para aprender a não saber-te intuindo
que permanecerás para sempre no
não dito
na dimensão inacessível das insinuações
assim: como apenas sussurrado.
bela evasiva imaculada confusa e
escondida no teu segredo.


Ilustração: Fashion Bubbles. 

Thursday, May 04, 2017

Duas poesias de Omar Cao

COLORES QUERIDOS                                
Omar Cao

Me voy a morir pardo, amarronado,
vestido de reciura imperturbable:

te vas a morir blanca, silenciosa,
traspassada de mitos transparentes.

CORES QUERIDAS

Vou morrer pardo, amarronzado,
vestido com um rigor imperturbável:

tu vás morrer branca, silenciosa,
transpassada de mitos transparentes.


[ DEL AMOR]

Omar Cao

Me he sentado a ler y pronto
Fastidiado
Alce los ojos y empecé
a imaginar formas de
acariciarte
después sonó la medianoche.
Mis manos trazaban en el aire
exactamente
lo delicado C de tu cintura.

[ DO AMOR]

Me sentei para ler e logo
me irritei
Levantei os olhos e comecei
a imaginar formas de
te acariciar
depois soou a meia-noite.
Minhas mãos traçavam no ar
exatamente
o delicado C de tua cintura.


Ilustração: Diarios do Retiro – blogger. 

Wednesday, May 03, 2017

NATUREZA



Se acaso algum dia eu te fizer mal,
e, no amor, por amor, se faz deselegâncias,
tome isto como um padrão anormal
não me julgue pelas inconstâncias .

Posso até mesmo não aparentar,
mas, meus sentimentos são instáveis
e há horas em que desejo apenas te namorar;
em outras, as distâncias são saudáveis.

Sou, talvez, tão puro quanto posso ser
e mais espontâneo e menos preparado
como um potro que, para ser domado,
exige que seus instintos sejam preservados.

Com certeza não sou um animal social.
Não por temer a luta ou os rivais.
É que me afasto de forma natural
para querer e desejar, aí, muito mais!  

Uma poesia de León Félix Batista




NO ES NECESARIO QUE, CUANDO TÚ PASES, ME DIGAS ADIÓS

 León Félix Batista

Quando ela passava aromática y normal
Cesario Verde

Un nublado (y no en plomo: plenamente carmesí) (y vuelto vecindad) en ese tronco de mujer. El ojo lo divisa: al amparo de un molusco la supereminencia, en el torno de la mente. Soy daltón (qué datar: lo insondable viene en rojo, integrado con el delta y el diagrama accidentado). Se cruzan los tejados -como si fueran zarzas- hilvanando la ciudad, en tanto que ella urde, hacia la pulpería, mi pasmo y regocijo; y ceso en ser persona. Boca en Babia (y anatema de las formas) anunciándose a alumbrar su negación.

NÃO É NECESSÁRIO QUE, QUANDO TU PASSES, ME DIGAS ADEUS
Um dia nublado (e não chumbo: plenamente carmesim) (e volto aos arredores) nesse tronco de mulher. O olho o divisa: ao amparo de um molusco a supereminência  em torno da mente. Eu sou Dalton (que datar: o insondável vem em vermelho, integrado com o delta e o diagrama acidentado). Eles atravessam os telhados, como se fossem arbustos- regando a cidade, enquanto ela urde, até no supermercado, meu espanto e prazer; e deixo de ser uma pessoa. Boca babando (e anátema das formas) anunciando-se para iluminar a sua negação.


Ilustração: Mi Reabilite – blogger. 

OBSESSÃO

Eu sou este   
que te procura
na escuridão
sabendo
que tanto esforço
para te encontrar
é vão,
mas, ainda assim,
persisto
com o otimismo incoerente
de que há salvação em frente
ainda que as topadas e os buracos
me façam pensar
que jamais vou me equilibrar
e meu destino é cair.
Porém, por mais ferido
que possa estar, 
que possa me sentir,
não tenho opção
senão seguir
e não conseguirei parar
de sempre te amar.

Tuesday, May 02, 2017

TENTAÇÃO

E quando na noite o amor acontece   Selvagem, sempre cego de paixão,
Acredito que o amor é uma ilusão,
No entanto o existir permanece.

E quando a manhã tudo esclarece
Sob o brilho do sol e da floresta
A vida toda até parece uma festa
E me junto aos mais fiéis em uma prece

E mal a tarde morre lentamente
De volta toda dúvida me assalta
Por ter tanto desejo tão latente

E bem embriagado logo almejo
Parar o coração que já me salta
Na sensação deliciosa de outro beijo.

(De "Águas Passadas", Editora Per Se, 2013). 

Novamente Blaise Cendrars


Réveiller                                       

Blaise Cendrars

Ce matin je me penche par la fenêtre
Je vois
Le ciel
La mer
La gare maritime par laquelle j'arrivais de New York en 1911
La baraque de pilotage
Et a gauche
Des fumées des cheminées des grues des lampes à arc à contre-jour
Le premier tram grelotte dans l'aube glaciale
Moi j'ai trop chaud
Adieu Paris
Bonjour soleil

DESPERTAR

Esta manhã pela fresta da janela
vejo
o céu
o mar
a estação marítima pela qual
eu parti de Nova Yorque em 1911
a cabine do piloto
e tenho à esquerda
as fumaças de umas chaminés umas gruas
umas lâmpadas de um arco a contraluz
o primeiro bonde
estremece na madrugada glacial
só tenho demasiado calor
Adeus Paris
Bons dias de sol.

Ilustração: Ventos de paz. 

Uma poesia de Aimé Césaire

Bleus de la pluie                           
Aimé Césaire

Aguacero
beau musicien
au pied d’un arbre dévêtu
parmi les harmonies perdues
près de nos mémoires défaites
parmi nos mains de défaite
et des peuples de force étrange
nous laissions pendre nos yeux
et natale
dénourant la longe d’une douleur
nous pleurions.

Blues da chuva

Aguaceiro
belo músico
ao pé de uma árvore desfolhada
entre as harmonias perdidas
perto de nossas desenquadradas memórias
entre nossas mãos de derrota
e povos de estranha força
deixamos de pendurar nossos olhos
e nascentes
desenrolando o cordão de uma dor
soluçamos.


Ilustração: http://quenomaracujaz.blogspot.com.br