Sunday, February 08, 2026

Soneto XXX de Pablo Neruda

 


SONETO XXX

Pablo Neruda

Tienes del archipiélago las hebras del alerce,

la carne trabajada por los siglos del tiempo,

venas que conocieron el mar de las maderas,

sangre verde caída de cielo a la memoria.

 

Nadie recogerá mi corazón perdido

entre tantas raíces, en la amarga frescura

del sol multiplicado por la furia del agua,

allí vive la sombra que no viaja conmigo.

 

Por eso tú saliste del Sur como una isla

poblada y coronada por plumas y maderas

y yo sentí el aroma de los bosques errantes,

 

hallé la miel oscura que conocí en la selva,

y toqué en tus caderas los pétalos sombríos

que nacieron conmigo y construyeron mi alma.

SONETO XXX

Tens do arquipélago os ramos do lariço

a carne trabalhada pelos séculos do tempo,

veias que conheceram o mar das madeiras,

sangue verde caído do céu na memória.

 

Ninguém recolherá meu coração perdido

entre tantas raízes, na amarga frescura

do sol multiplicado pela fúria da água,

vive a sombra que não viaja comigo.

 

Por isso tu saíste do Sul como uma ilha

povoada e coroada de plumas e madeiras

e eu senti o aroma das florestas errantes,

 

achei o mel escuro que conheci na selva,

e toquei em teus quadris as pétalas sombrias

que nasceram comigo e construíram minha alma.

Ilustração: CONTI outra.


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