Wednesday, May 09, 2012

Gioconda Belli


YO, LA QUE TE QUIERE
  
Gioconda Belli

Yo soy tu indómita gacela,
el trueno que rompe la luz sobre tu pecho
Yo soy el viento desatado en la montaña
y el fulgor concentrado del fuego del ocote.
Yo caliento tus noches,
encendiendo volcanes en mis manos,
mojándote los ojos con el humo de mis cráteres.
Yo he llegado hasta vos vestida de lluvia y de recuerdo,
riendo la risa inmutable de los años.
Yo soy el inexplorado camino,
la claridad que rompe la tiniebla.
Yo pongo estrellas entre tu piel y la mía
y te recorro entero,
sendero tras sendero,
descalzando mi amor,
desnudando mi miedo.
Yo soy un nombre que canta y te enamora
desde el otro lado de la luna,
soy la prolongación de tu sonrisa y tu cuerpo.
Yo soy algo que crece,
algo que ríe y llora.
Yo,
la que te quiere.

Eu, o que te quer

Eu sou a tua indômita gazela,
O trovão que rompe a luz sobre teu peito.
Eu sou o vento  desatado na montanha
e o brilho concentrado do fogo do pinheiro.
Eu esquento tuas noites,
acendendo vulcões em minhas mãos,
molhando-te os olhos com a fumaça de minhas crateras.
Eu cheguei até ti envolto em chuva e recordação,
Rindo o riso imutável dos anos.
Eu sou o caminho inexplorado,
a claridade que rompe a escuridão.
Eu coloquei estrelas entre tua pele e a minha
e te  percorro inteira,
trilha após trilha,
desamarrarando o meu amor,
expondo o meu medo.
Eu sou um nome que canta e te namora
desde o outro lado da lua.
Eu sou a extensão do teu sorriso e teu corpo.
Eu sou algo que cresce,
algo que ri e chora.
Eu,
o que te quer.

Tuesday, May 08, 2012

Outra vez Juan Manuel Roca


DIARIO DE LA NOCHE

Juan Manuel Roca

A la hora en que el sueño se desliza
Como un ladrón por senderos de fieltro
Los poetas beben aguas rumorosas
Mientras hablan de la oscuridad,
De la oscura edad que nos circunda.
A la hora en que el tren tizna la luna
Y el ángel del burdel se abandona a su suerte,
La orquesta toca un aire lastimero.
Una yegua del color de los espejos
Se hunde en la noche agitando su cola de cometa.
¿Qué invisible jinete la galopa?

Diário da noite

Na hora em que o sonho desliza
Como um ladrão por trilhas de feltro
Os poetas bebem  águas murmurantes
Enquanto falam da escuridão,
A idade das trevas que nos rodeia.
Na hora em que o trem escurece a lua
E o anjo do bordel é abandonado à própria sorte,
A orquestra toca um ar melancólico.
Uma égua da cor dos espelhos
Se funde na noite agitando sua cauda de cometa.
Que inivsível cavaleiro a galopa?

Juan Manuel Roca



PUERTAS ABIERTAS

Juan Manuel Roca

Una puerta
Abierta a la noche
Y se pueblan los ruidos
Las estancias.

Sus rumorosas bisagras
Anuncian
Alguien llegado de la lluvia
O los pasos de un lento animal
Que invade el sueño.

Una puerta, una grieta
Abierta en el asombro.


Portas abertas
Uma porta
Aberta à noite
E se povoam de  sons
os quartos.

Suas rumorosas dobradiças
anunciam
Alguem que chegou da chuva
Ou os passos de um lento animal
Que Invade o sono.

Uma porta, uma fresta
Aberta ao espanto.

Sunday, May 06, 2012

Gelman outra vez


Qué fiesta la de la alegría nueva...

Juan Gelman

Qué fiesta la de la alegría nueva
sobre el viejo color.
Dafne se hace pluma y vierte
luz y tiempo en la razón de piedra.
Le escriben versos en la ciudad
que pisotea a la justicia. Dafne huye
de los papeles que la ciñen.
Nadie la merece, pero
a veces se la encuentra en
humillaciones de la realidad.
No está escrita aún, como un caballo largo.
Se la ve tan claramente
en el árbol que fue, convertido en vanidad.
Ella ocupa la desolación y nada se le concederá.
Ni el asombro idéntico a ella misma.
Sólo busca un recuerdo donde pueda
ser suave y, en un momento, niña.
Cierra los ojos ante el viento
que agita su pollera y
sobre ella cae la vida continua.

Que festa a de uma alegria nova ...

 Que festa a de uma alegria nova
  sobre a velha cor.
  Dafne se faz pluma e se derrama
  feito luz e tempo na proporção de pedra.
  Lhe escrevem versos na cidade
  que pisoteia a justiça. Dafne foge
  dos papéis que a cingem.
  Ninguém a merece, porém,
  às vezes, se a encontra
  em humilhações da realidade.
  Não está escrito ainda, como um cavalo solto.
  Ela se vai tão claramente
  na árvore que foi convertida em vaidade.
  Ela ocupa a desolação e nada lhe será concedido.
  Nem o espanto idêntico a ela mesma.
  Só  busca uma recordação onde possa
  ser suave e, em algum momento, criança.
  Fecha os olhos ante o vento
  Acenando sua saia e
  sobre ela cai a vida que continua.

Ilustração: Di Cavalacnti 

Juan Gelman


Carta abierta – V

Juan Gelman

sueño grande de vos/¿quién me lo pone?/
¿hablás así contra la pena/como
arrancándote el alma?/¿me apretás
con tu amor?/¿escondido?/¿te subís

a cada sol?/¿cada luna?/¿pasando
alto en el aire?/¿solo?/¿desasido?/
¿diseminado por tu pajarito
de no llorar?/¿tu regalo de amor

viene por vía suave?/¿por fueguera?/
¿ardés contra la ciega de la muerte?/
¿me despadrás para despadecerme?/
¿pasás en burrito por la luz?

Carta aberta-V

O imenso sonho teu / Quem nele me põe? /
Falas assim contra a pena / como
arrancando-te a alma? / me apertas
com o teu amor? / escondido? / tu sobes

a cada sol? / cada lua? / passando
alto no ar? / só? / dessasistido? /
¿disseminado por teu passarinho
para não chorar? / Teu dom de amar

vem por suave via? / por fogueira? /
Ardes contra a cegueira da morte? /
me despedaças para despadecer-me? /
Passas num burrinho pela luz?

Ilustração: vitorfaria.bloguepessoal.com

Transmutação


Talvez as espinhas se confundam entre o
          desenho e a realidade.
Lallemand não.
Ele faz da carne e da fotografia
                            um jogo de poesia
E, quando menos se espera,
               a mulher que era carne
                   se transforma em sonho
                          e o que era sangue em escultura.
Só o desejo de beleza é o que perdura
nos olhares de quem se embriaga
como quem transforma o real em nuvens.

Ilustração: http://maquinariadelanube.wordpress.com/

Fotogenia


Uma menina entre as rosas.
Uma mulher entre as rosas.
Nem sei como o fotografo a captou assim
      maravilhosamente linda quase como outra rosa
                                nascida, milagrosamente,
                                                              de carne.
Diáfana, translúcida, quase irreal
         seu olhar é como o mistério de ali estar:
                      um enigma a se decifrar.

Ilustração: http://blog.parkerfitzgerald.com/

Thursday, May 03, 2012

Jorge Cuesta



Jorge Cuesta

El champagne de la tarde sedativa
embriagó la montaña y el abismo,
de una sedosidad de misticismo,
y de una opalescencia compasiva.

Hundiste el puñal zarco de tu altiva
mirada en mis adentros, y el lirismo
cundió mi alma de romanticismo:
rodó la gema de la estrofa viva.

Entonces gimió el cisne de mi ansia,
por el remanso lleno de arrogancia
de tus ojos nostálgicos y sabios;

y la dorada abeja del deseo,
en su errante y sutil revoloteo
buscó el clavel sangriento de tus labios.

O BEIJO

O champanhe da tarde sedativa
embriagou a montanha e o abismo,
de uma sedosidade de misticismo,
e de uma opalescência compassiva.

Fundiste o punhal zarco de tua altiva   
olhada em mim por dentro e o lirismo
cindiu a minha alma de romantismo:
rodou a gema da vida estrofe.

Então gemeu o cisne de minha ansia,
pelo remanso cheio de arrogância
de teus olhos nostálgicos e sábios;

e a dourada abelha do desejo,
no seu errante e sutil voleio  
buscou a cereja vermelha de teus lábios.

Ilustração: Expressões & Letras

Tuesday, May 01, 2012

Doravante


O antes e o depois
não estão no durante.
Certo? Não sei dos dois.
Sei que sigo adiante.

Não me confunda, pois,
que a ordem é doravante.
Se é antes ou depois?
Só sei que vou adiante.

Durante é importante.
O antes não pode ser depois.
Nem o depois vir antes.
Melhor esquecer, logo, os dois.

Concentre-se, por favor, um instante,
que faz o antes e o depois,
porém, também faz o durante.
A melhor parte, pois.

Mais uma vez Carlos Gargallo


Muerte del paraíso 

Carlos Gargallo

Todo se volvía lentamente claro, limpio,
ante esa imagen de paisaje recién amanecido.

El alma se escondía
como se esconden los niños asustados
junto a las faldas de una madre.

La luz, era el dios que daba vida
ante una miríada de ojos cerrados.

Jamás pensaron en el tiempo gris,
en la próxima tormenta
que les privaría de ese idílico mundo.

Entonces,
los ángeles, volvieron a los cielos
y el Hombre,
                 quedó inmensamente solo.


Morte do paraíso

Tudo lentamente tornou-se claro, limpo,
ante esta imagem  de paisagem recém amanhecida.

A alma se escondia
como se escondem crianças assustadas
junto as saias de uma mãe.

A luz, era o deus que dava vida
confrontada com uma miríade de olhos fechados.

Jamais pensaram  no tempo cinzento,
na próxima tempestade
que os privaria deste idílico mundo.

Então,
os anjos voltaram aos céus
e o homem,
                  ficou imensamente sozinho.

Ilustração:  arteshamanica.blogspot.com

O poeta Carlos Gargallo


Canción desesperada

Carlos Gargallo

Los pájaros invaden un cielo oculto a la luz
mientras los peregrinos no encuentran su camino.

estremece el viento
todas las notas musicales que salieron de su boca
en un pentagrama melancólico
por donde bailan los álamos desnudos.

Hay una espada que hiere al pecho
                                              del paisaje helado
-canción desesperada y huérfana-,
golondrina inútil sin alas de esperanza.

Solo queda un hombre indeciso
con la mirada perdida
                              al final de su destino.

Canção desesperada

Os pássaros invadem um céu ocultoda luz
como os peregrinos que não encontram o seu caminho.

estremece o vento
todas as notas musicais que saltaram da sua boca
num pentagrama melancólico
onde dançam as árvores nuas.

Há uma espada que as feriu o peito
                                               da paisagem congelada
-canção desesperada e órfão-
andorinha inútil sem as asas da esperança.

Sobra apenas um homem indeciso
com o olhar perdido
no final do seu destino.

Ilustração: Nadja