Sunday, March 01, 2026

Outra poesia de Fernando Espejo Mendéz

 


LA LLUVIA 

Fernando Espejo Mendéz

Por el postigo, hacia el jardín de enfrente
te estoy mirando, hermano limonero.
Unos cuantos limones en tu frente
beben el agua azul del aguacero.

Desploma el cielo gris su monedero
sobre el tinglado, dispendiosamente
y escandaliza un árbol pajarero
que se ha vuelto una jaula de repente.

Y mientras salgo de mis vestiduras
y me visto de lluvia, con un traje
que me desviste el alma y las honduras,

giro y bailo de amor, vuelto ramaje
y a pie y desnudo, ya sin ataduras,
me voy, me doy, me soy… puro paisaje.

A CHUVA

Pela persiana até ao jardim em frente,

estou te olhando, irmão limoeiro.

Alguns limões em tua frente

bebem a água azul do aguaceiro.

Derrama o céu cinzento sua mochila

sobre o galpão dispendiosamente,

e uma árvore de pássaro escandaliza

que se faz uma jaula de repente.

E enquanto me despojo das minhas roupas

e me visto de chuva, com um traje

que desnuda minha alma e profundezas,

giro e danço com amor, feito em ramagem,

e a pé e nu, agora livre de todos os laços,

vou, me entrego, sou… pura paisagem.

Ilustração: Dreamstime.

De Emily Dickinson o 328

 


A BIRD CAME DOWN THE WALK (328)

Emily Dickinson

A Bird came down the Walk-
He did not know I saw-
He bit an Angleworm in halves
And ate the fellow, raw,

And then he drank a Dew
From a convenient Grass-
And then hopped sidewise to the Wall
To let a Beetle pass-

He glanced with rapid eyes
That hurried all Around-
They looked like frightened Beads, I thought-
He stirred his Velvet Head

Like one in danger, Cautious,
I offered him a Crumb
And he unrolled his feathers
And rowed him softer home-

Than Oars divide the Ocean,
Too silver for a seam-
Or Butterflies, off Banks of Noon
Leap, plashless as they swim.

UM PÁSSARO POUSOU NA CALÇADA (328)

Um pássaro pousou na calçada-

Ele não sabia que eu o via -

Ele mordeu uma minhoca ao meio

E a comeu crua,

E então bebeu um pouco de orvalho

De uma grama próxima -

E então pulou de lado até o muro

Para deixar um besouro passar -

Ele olhou com olhos rápidos

Que se moviam apressadamente ao redor -

Pareciam contas assustadas, pensei -

Ele mexeu sua cabeça aveludada

Como em perigo, cauteloso,

Eu lhe ofereci uma migalha

E ele desenrolou suas penas

E remou suavemente para casa -

Como remos que dividem o oceano,

Prateados demais para uma costura -

Ou borboletas, nas margens do meio-dia,

Saltam, sem respingos enquanto nadam.

Ilustração: Diário do Litoral.