Tento fugir dos teus olhos de gata
que fingem não me ver
(tento também fingir
não saber
do teu interesse tão claro).
Zombeteira me ignoras
brincando com o celular
até que, cansada, caminhas pelo salão,
como se abrindo espaços pela amplidão,
soberana da tua beleza,
passas por mim.
Não me viro.
Sei que voltarás para o mesmo lugar
e ficarás quieta, feiticeira,
tecendo uma magia desnecessária
para me encantar.
Ilustração: Marie Claire.
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