Friday, February 20, 2026

Rock da Falsa Mãe

 



ROCK DA FALSA MAMÃE 

https://drive.google.com/file/d/1dYlP0kdlfDgInjfhkpdVcf5xcB8jZH9K/view?usp=drive_link

Silvio Persivo

Nem vem.

Nada do que me disser, meu bem,

vai mudar as coisas como são.

Sei das suas convicções,

do tamanho do seu coração,

porém não, mamãe de cão

não é mãe não.

Criança é criança.

Cachorro é cachorro.

Sua grande afeição

a razão não balança.

Nem você

que está sempre certa

vai mudar a situação

com essa conversa.

Até porque quem entende

de cachorro sou eu,

que sou meio cachorro também.

Ilustração: Gerasom.  


Outra vez Ángel Gastelu

 


PAISAJE

Ángel Gastelu

Ventana, a la luz lanzas
tus brazos, abres tus hojas,
como un pájaro sus alas
y haces la estancia sonora.

Traes las voces de la calle,
los ruidos de los pasos,
los perfumes vegetales:

 

ese cotidiano río
de los cabeceantes carros
y los salomónicos gritos
de los pregones frutales.

 

Te entregas también ventana
a las verónicas del aire,
con las familiares telas
tendidas en las solanas,
-oh polícromo oleaje-.

 

Allá, a lo lejos, un árbol
derrama su alzada copa
sobre los rojos tejados:
flechando su fresca fronda
llegan azorados pájaros.

 

Allá una aérea espadaña
fija su aguja de piedra,
donde tenue luz morada
quiebra el perfil de la tarde.
Desde la esquila lejana
llueve -sombra y sueño- el ángel.

 

PAISAGEM

Janela, para a luz lanças

teus braços para a luz, abre suas folhas,

como um pássaro abre as asas,

e enche o quarto de som.

 

Você traz as vozes da rua,

os sons dos passos,

os aromas das plantas:

 

Esse cotidiano rio

de carroças balançando

e os gritos de Salomão

dos vendedores de frutas.

 

Tu também te rendes, janela

às verônicas do ar,

com os tecidos familiares

estendidos nos terraços ensolarados,

-oh ondas policromáticas-.

 

Lá, ao longe, uma árvore

despeja sua copa altiva

sobre os telhados vermelhos:

flechando sua folhagem fresca,

chegam pássaros assustados.

 

Lá, uma torre sineira arejada

fixa sua agulha de pedra,

 

onde uma tênue luz púrpura

rompe o perfil da tarde.

Do sino distante,

sombra e sonho-derrama o anjo.

Ilustração: Reddit. 


A poesia de Sabine Dewulf

 


HABITANT LE QUI-VIVE

Sabine Dewulf

En bataille
contre moins que le vent,
tu supportes ce monde.

D'une rumination ta mémoire est enflée,
tu pleus du gris sans larmes.

Nuage, étouffement,
laisse rage rugir.

D'un geste lent
j'ai refermé la cicatrice

mais tu ne le sais pas, habitant le qui-vive.

Simple,
ce qui brûle.

VIVENDO EM ESTADO DE ALERTA

Na batalha contra menos que o vento,

tu suportas este mundo.

 

De uma ruminação da memória inchada,

tu choras a cinza sem lágrimas.

 

Nuvem, sufocamento,

deixe a raiva rugir.

 

Com um gesto lento,

fechas a cicatriz,

 

mas tu não sabes disso, vivendo em estado de alerta.

 

Simples,

como o que queima.

Ilustração: Forte Filmes.

 


Wednesday, February 18, 2026

Cachorro Bandido

 


CACHORRO BANDIDO

Silvio Persivo

Volta o cachorro arrependido

lambendo o dono

depois de o ter mordido. 

Volta todo mansinho, obediente

como se fosse o cão de antigamente. 

Mas, é um cachorro bandido,

que não pode contrariar sua natureza,

e, logo, com feroz presteza

volta a morder o dono novamente!

Ilustração: Veectzy. 

É a hora de Quraysh Ali Lansana

 


BIBLE BELTED: HISTORY

Quraysh Ali Lansana

okie white men

are a curious herd

never sure if cowboy

or cracker skin coated

in dust from 1830 or 1921 

hard to tell  they grow

whiter with age

CINTURÃO BÍBLICO: HISTÓRIA

Homens brancos matutos

são um grupo curioso

nunca se sabe se são caubóis

ou brancos matutos

de pele coberta de poeira

de 1830 ou 1921

difícil dizer, eles ficam

mais brancos com a idade


A poesia de Ramon Dachs

 


Ramon Dachs

inerte orilla

sobre la arena
el mar respira
porosamente

escarcha

sollozo
de sauce
en el césped

vacío
purpúreo
la noche

cascada
de luz
el alba

adagio

vive hoy
el día
fugitivo

inerte costa

na areia

o mar respira

porosamente

geada

soluço

do salgueiro

na grama

vazio

roxo

da noite

cascata

de luz

o amanhecer

adágio

vive hoje

o dia

fugitivo

Ilustração: Facebook.


Tuesday, February 17, 2026

É Louis Calaferte

 


Et ta théière emmaillotée...
Louis Calaferte
Et ta théière emmaillotée
et tes deux grandes tasses roses
le temps autour de nous se pose
dans une chambre qu'ankylose
la pâleur d'une fin d'été

Rien peut-être n'a existé
que pour cette minute close
de fragile sérénité
moi qui suis ta métamorphose
et toi ma Charlotte Brontë

One for you
one for me
and one for the tea-pot

C'est l'heure du thé

 

E SEU BULE ENVOLTO EM PANOS...

E seu bule envolto em panos

e suas duas grandes xícaras rosas

o tempo ao nosso redor pousa

num quarto que se anquilosa

na palidez  do fim do estio

 

Nada nunca existiu talvez

Senão para este momento imóvel

De tão frágil placidez

Eu, que sou tua metamorfose

e tu, minha Charlotte Brontë

 

Uma para ti

outra para mim

e uma para o bule

 

É hora do chá

Ilustração: Pinterest. 


Nós e os Números

 


Silvio Persivo, de número desconhecido

Os números regem os nossos dias

sejam trazendo a sorte 

ou a alegria,

sejam nos lembrando o tempo que passa

ou no peso que medimos da massa. 

Números somos nós

em carteiras, filas, placas,

no singular ou no plural.

Na vida cotidiana, em geral. 

De números são feitas

as inúmeras

batidas, palpitações 

dos nossos corações,

até quando

chegaremos um momento

também numerado

com o número fatal 

que nos conduz 

à viagem final

no desconhecido dia

número tal. 

Ilustração: Jovem Pan. 

Um poema de Ramon Dachs

 



Ramon Dachs

Ebrio de ti, te huelo, palpo, tomo,
tendida así, te lamo, siento, veo,
contigua a mí, te estrecho, beso, tengo,
que sin atino vago noche y día.

 

Ébrio de ti, te cheiro, apalpo, tomo,

estendida assim, te lambo, sinto, vejo,

contígua a mim, te abraço, beijo, tenho,

que sem rumo vagueio noite e dia.

Ilustração: Unsplash. 

Monday, February 16, 2026

Uma poesia de Cintio Vitier

 


DE MI PROVINCIA

Cintio Vitier

Vuelve la tarde
cuando el niño polvoriento se echa al río
y suena su peso en las nubes
como un fresco morado distinto
que abre suavemente los ojos de la mujerzuela
sentada huesuda y eterna en el parque.

Dónde estará mi sombrero, pregunta
con el único zapato interrogante que tiene,
y se pone a crear de otro modo su verde sombrero,
mientras el niño patalea dulce
perdido en un extraño, en un sordo silencio
que no puede penetrar ni la música del último crimen.

Sonando hacia el mar el domingo
desprende su pasión cristalina
en aciagos danzones de angustiosa patria,
y la imagen del mundo como el nombre
guardado en la oscura garganta de un ciego
empieza a buscar su tamaño, su olor, sus colores.

Yo dije que vuelve el deseo,
pero la tarde es inmóvil como todo transeúnte
o melancólico bufón de sí mismo,
y al expresar un banco, un laurel o una tela soñada
que hasta entonces no tuvo concreto frenesí,
es idéntica y sigue brotando, esencial, de mi provincia.

DA MINHA PROVÍNCIA

Volta a tarde

quando o menino empoeirado se lança no rio

e ressoa o seu peso nas nuvens

como uma púrpura diferente, fresca

que abre suavemente os olhos da meretriz

sentada, ossuda e eterna, no parque.

 

"Onde estará meu chapéu?", pergunta

com o único sapato questionador que possui,

e começa a criar seu chapéu verde de outra modo,

enquanto o menino chuta docemente

perdido em um estranho e surdo silêncio

que não pode penetrar nem mesmo a música do último crime.

 

Soando até o mar o domingo,

desprende sua paixão cristalina

em melancólicas danças de uma pátria angustiada,

e a imagem do mundo, como o nome

guardado na garganta escura de um cego,

começa a buscar seu tamanho, seu cheiro, suas cores.

 

Eu disse que o desejo retorna,

porém a tarde está imóvel como todo transeunte

ou melancólico bobo de si mesmo,

e ao expressar um banco, um louro ou uma tela sonhada

que até então não teve concreto frenesi,

é idêntica e continua a brotar, essencial, da minha província.

Ilustração: Freepik. 


Sunday, February 15, 2026

Uma poesia de Djuna Barnes

 



 

I’D HAVE YOU THINK OF ME

Djuna Barnes

As one who, leaning on the wall, once drew 
Thick blossoms down, and hearkened to the hum 
Of heavy bees slow rounding the wet plum, 
And heard across the fields the patient coo
Of restless birds bewildered with the dew.

As one whose thoughts were mad in painful May,
With melancholy eyes turned toward her love,
And toward the troubled earth whereunder throve
The chilly rye and coming hawthorn spray-
With one lean, pacing hound, for company.

EU GOSTARIA QUE VOCÊ PENSASSE EM MIM

Como alguém que, encostada na parede, certa vez colheu

as flores densas e escutou o zumbido

das abelhas pesadas que circulavam lentamente a ameixeira úmida,

e ouviu, através dos campos, o arrulhar paciente

dos pássaros inquietos, atordoados pelo orvalho.

Como alguém cujos pensamentos estavam perturbados em um maio doloroso,

com olhos melancólicos voltados para seu amor,

e para a terra atribulada onde prosperavam

o centeio frio e os ramos do espinheiro-alvar que se aproximavam-

com um cão magro e para um lado e para o outro como companhia.

Ilustração: Pensador. 

Saturday, February 14, 2026

DECISÃO



Este carnaval me pede, 

me exige uma máscara

para esconder meus desejos. 

No entanto, no cotidiano,

são tantos já os mascarados

que nada mais é possível esconder. 

Largo a fantasia no guarda-roupa. 

Da bebida e da ressaca a decisão me poupa. 

Decido: não vou brincar. 

E tomo uma decisão para valer:

não vou passar nenhum carnaval mais 

longe de você!

Ilustração: Visão. 

 

Outra poesia de Michel Houellebecq

 


L EST VRAI

Michel Houellebecq

Il est vrai que ce monde où nous respirons mal

N'inspire plus en nous qu'un dégoût manifeste,

Une envie de s'enfuir sans demander son reste,

Et nous ne lisons plus les titres du journal.

 

Nous voulons retourner dans l'ancienne demeure

Où nos pères ont vécu sous l'aile d'un archange,

Nous voulons retrouver cette morale étrange

Qui sanctifiait la vie jusqu'à la dernière heure.

 

Nous voulons quelque chose comme une fidélité,

Comme un enlacement de douces dépendances,

Quelque chose qui dépasse et contienne l'existence ;

Nous ne pouvons plus vivre loin de l'éternité.

É VERDADE

É verdade que este mundo onde respiramos mal

Só inspira em nós um desgosto manifesto,

Um desejo de fugir sem esperar pelo resto,

E já não lemos as manchetes dos jornais.

 

Queremos regressar à antiga morada

Onde nossos pais viveram sob a proteção de um arcanjo,

Queremos recobrar essa moral estranha

Que até o último instante santifique a vida

 

Queremos qualquer coisa como uma fidelidade,

Como um abraço de doces dependências,

Qualquer coisa que supere e contenha a existência;

Não podemos mais viver longe da eternidade.

Ilustração: Mentes Bereanas. 


Um poema de Olivier Herrera Marín

 



ERAS TÚ  

Olivier Herrera Marín

No eres el sol,
ni eres la luna,
eres TÚ y me basta.

Para soñarte,
para amarte
más que a mi vida.

ERAS TU

Não eras o sol,

nem eras a llua,

Eras TU e me basta.

Para sonhar contigo,

para te amar

mais do que a minha vida.

Ilustração: O Globo.

 

 

 

Thursday, February 12, 2026

De volta Rita Indiana

 



LA VOLA UNTÁ DE PODER

Rita Indiana

yo admiro a la gente shoppenauer

que caen parao

como la gatúbela

con uñas de acero a lo maco

son prototipos de DIVAs

con un podólogo de guardaespaldas

uno sólo les ve el celaje

cuando pasan jugando "chicken" a 200

de riversa

para escuchar la voz de zaratustra.

A MOSCA UNTADA DE PODER

Eu admiro as pessoas consumidoras

Que caem de pé

como a mulher-gato

com pregos de aço de cadeia

são protótipos de DIVAs

com um podólogo de guarda-costas

que só veem as nuvens

quando passam jogando "galinha" a 200

caindo de costas

para ouvir a voz de Zaratustra

Ilustração: Ei Nerd. 

Wednesday, February 11, 2026

Eis Michel Houellebecq

 


EXISTER, PERCEVOIR

Michel Houellebecq

Exister, percevoir,

Être une sorte de résidu perceptif (si l’on peut dire)

Dans la salle d’embarquement du terminal Roissy 2D,

Attendant le vol à destination d’Alicante

Où ma vie se poursuivra

Pendant quelques années encore

En compagnie de mon petit chien

Et des joies (de plus en plus brèves)

Et de l’augmentation régulière des souffrances

En ces années qui précèdent immédiatement la mort.

EXISTIR, PERCEBER

Existir, perceber

Ser assim uma espécie de resíduo perceptivo (se assim podemos dizer)

Na sala de embarque do terminal Roissy 2D,

Esperando um voo com destinação à Alicante

Onde minha vida continuará

Uns poucos anos ainda

Na companhia de meu cachorrinho

E alegrias (cada vez mais breves)

E do aumento regular de meus sofrimentos

Nos anos que precedem imediatamente à morte

Ilustração: Instituto Life Fullness.

Tuesday, February 10, 2026

Blues Del Cementerio de Antonio Gamoneda

 


BLUES DEL CEMENTERIO

Antonio Gamoneda

Conozco un pueblo -no lo olvidaré-
que tiene un cementerio demasiado grande.
Hay en mi tierra un pueblo sin ventura
porque el cementerio es demasiado grande.
Sólo hay cuarenta almas en el pueblo.
No sé para qué tanto cementerio.

Cierto año la gente empezó a irse
y en muchas casas no quedaba nadie.
El año que la gente empezó a irse
en muchas casas no quedaba nadie.
Se llevaban los hijos y las camas.
Tenían que matar los animales.

El cementerio ya no tiene puertas
y allí entran y salen las gallinas.
El cementerio ya no tiene puertas
y salen al camino las ortigas.
Parece que saliera el cementerio
a los huertos y a las calles vacías.

Conozco un pueblo. No lo olvidaré.
Ay, en mi tierra sin ventura,
no olvidaré a mi pueblo.

¡Qué mala cosa es haber hecho
un cementerio demasiado grande!

BLUES DO CEMITÉRIO

Conheço uma cidade- não a esquecerei-

Que tem um cemitério demasiadamente grande.

Há na minha terra uma cidade sem ventura

Porque o cemitério é demasiadamente grande.

Só há quarenta almas na cidade.

Não sei para que tanto cemitério.

 

Certo ano as pessoas começaram a ir-se

E, em muitas casas, não restou ninguém.

O ano em que as pessoas começavam a ir-se

em muitas casas, não restou ninguém.

Levaram os seus filhos e as camas.

Tinham que matar os animais.

 

O cemitério já não tem portas

e ali entram e saem as galinhas.

O cemitério já não tem portas

e saem no caminho as urtigas.

Parece que sairá o cemitério

para as hortas e ruas vazias.

 

Conheço uma cidade. Não a esquecerei.

Aí! Em minha terra sem ventura,

não esquecerei minha cidade.

Que coisa ruim é haver feito

um cemitério demasiado grande!

Ilustração: Coroa de Flores Brasil.

Monday, February 09, 2026

Uma poesia de Pierre Alferi

 


Pierre Alferi

3. une image moins nette
que le fond : un visage qui se tourne
le mouvement du visage, son image arrêtée
prélevée, pour faire face
le regard qui se pose mais non
le regard posé, la traînee du regard balayant
une portion de disque, on ne sait pas encore
s’il se pose. L’image prise
de la circulation la relance
a besoin de reprises et comme elle
elle exige que plusieurs mouvements, droite et
courbe décrites d’un jet, se composent pour la
décrire. Cette image
est l’image retenue.

3. Uma imagem menos nítida

do que o fundo: um rosto virando

o movimento do rosto, sua imagem congelada

capturada, para encarar

o olhar que se fixa, mas não

o olhar fixo, o rastro do olhar varrendo

uma porção do disco, ainda não sabemos

se ele se fixa. A imagem capturada

da circulação, do relançamento

precisa de repetições e, como tal,

requer que vários movimentos, retos e

curvos, descritos de uma só vez, se componham para

descrevê-la. Esta imagem

é a imagem retida.

Ilustração: Olhar Digital.

Sunday, February 08, 2026

Soneto XXX de Pablo Neruda

 


SONETO XXX

Pablo Neruda

Tienes del archipiélago las hebras del alerce,

la carne trabajada por los siglos del tiempo,

venas que conocieron el mar de las maderas,

sangre verde caída de cielo a la memoria.

 

Nadie recogerá mi corazón perdido

entre tantas raíces, en la amarga frescura

del sol multiplicado por la furia del agua,

allí vive la sombra que no viaja conmigo.

 

Por eso tú saliste del Sur como una isla

poblada y coronada por plumas y maderas

y yo sentí el aroma de los bosques errantes,

 

hallé la miel oscura que conocí en la selva,

y toqué en tus caderas los pétalos sombríos

que nacieron conmigo y construyeron mi alma.

SONETO XXX

Tens do arquipélago os ramos do lariço

a carne trabalhada pelos séculos do tempo,

veias que conheceram o mar das madeiras,

sangue verde caído do céu na memória.

 

Ninguém recolherá meu coração perdido

entre tantas raízes, na amarga frescura

do sol multiplicado pela fúria da água,

vive a sombra que não viaja comigo.

 

Por isso tu saíste do Sul como uma ilha

povoada e coroada de plumas e madeiras

e eu senti o aroma das florestas errantes,

 

achei o mel escuro que conheci na selva,

e toquei em teus quadris as pétalas sombrias

que nasceram comigo e construíram minha alma.

Ilustração: CONTI outra.


Outra poesia de Svetlana Cârstean

 



Svetlana Cârstean

a quién temerías más
al que sabe con exactitud a quién matar
al que elige aleatoriamente
o al que mata a cualquiera
que se ponga delante de su objetivo

me pregunto si se puede entender un país mirando solo
a través
de una ventana
si se puede conocer a una familia amando solo a uno
de sus hijos.

A quem temerás mais?

Ao que sabe exatidão a quem matar

Ao que elege aleatoriamente?

Ou ao que mata a qualquer um

que se ponha diante do seu objetivo?

me pergunto se é possível entender um país olhando só

através

de uma janela

se se pode conhecer a uma família amando só um

a um de seus filhos?

Ilustração: Reddit.