Saturday, February 26, 2011

O mestre Octavio Paz


Todos los días descubro…

Octavio Paz

Según un poema de Fernando Pessoa

Todos los días descubro
La espantosa realidad de las cosas:
Cada cosa es lo que es.
Que difícil es decir esto y decir
Cuánto me alegra y como me basta.
Para ser completo existir es suficiente.

He escrito muchos poemas.
Claro, he de escribir otros más.
Cada poema mío dice lo mismo,
Cada poema mío es diferente,
Cada cosa es una manera distinta de decir lo mismo.

A veces miro una piedra.
No pienso que ella siente,
No me empeño en llamarla hermana.
Me gusta por ser piedra,
Me gusta porque no siente,
Me gusta porque no tiene parentesco conmigo.
Otras veces oigo pasar el viento:
Vale la pena haber nacido
Sólo por oír pasar el viento.

No sé qué pensarán los otros al leer esto
Creo que ha de ser bueno porque lo pienso sin esfuerzo;
Lo pienso sin pensar que otros me oyen pensar,
Lo pienso sin pensamientos,
Lo digo como lo dicen mis palabras.

Una vez me llamaron poeta materialista.
Y yo me sorprendí: nunca había pensado
Que pudiesen darme este o aquel nombre.
Ni siquiera soy poeta: veo.
Si vale lo que escribo, no es valer mío.
El valer está ahí, en mis versos.
Todo esto es absolutamente independiente de mi voluntad.

Todos os dias descubro

Segundo um poema de Fernando Pessoa

Todos os dias descubro
A espantosa realidade das coisas:
Cada coisa é o que é.
Que difícil é dizer isto e dizer
Quanto me alegra e como me basta
Para ser completo existir é suficiente.

Tenho escrito muitos poemas.
Claro, que hei de escrever muitos outros mais.
Cada poema meu diz o mesmo,
Cada poema meu é diferente,
Cada coisa é uma maneira distinta de dizer o mesmo.

Às vezes olho uma pedra.
Não penso que ela sente
Não me empenho em chamá-la de irmã.
Gosto por ser pedra
Gosto porque não sente
Gosto porque não tem nenhum parentesco comigo.
Outras vezes ouço passar o vento:
Vale a pena haver nascido
Somente para ouvir passar o vento.

Não sei que pensarão os outros ao lerem isto
Creio que há de ser bom porque o penso sem esforço;
O penso sem pensar que outros me ouvem pensar,
O penso sem pensamentos,
O digo como o dizem minhas palavras.

Uma vez me chamaram de poeta materialista.
E eu me surpreendi: nunca havia pensado
Que pudessem me dar este ou aquele nome.
Nem sequer sou poeta: só vejo.
Se vale o que escrevo, não é valor meu.
O valor está aí, em meus versos.
Tudo isto é absolutamente independente de minha vontade.

2 comments:

Mirze Souza said...

Maravilhoso poema!

Adoro a simplicidade nas palavras com um conteúdo profundo como o desse poema.

Não é o que vejo agora. Agora vejo "istas", concretistas, realistas, etc... e quanto mais palavras me fazem recorrer ao dicionário, mais cedo abandono o poema e o poeta.

Já li muito e o que li me basta, embora continue sempre me atualizando.

Belíssima escolha!

Parabéns!

Beijos

Mirze

Jefferson Bessa said...

Lindo poema, Silvio! A presença de Caeiro é forte nas palavras de Paz. Lindo encontro.
Abraços.
Jefferson.