Thursday, February 03, 2011

Uma poesia de Oliverio Girondo



VISITA

No estoy.
No la conozco.
No quiero conocerla.
Me repugna lo hueco,
La afición al misterio,
El culto a la ceniza,
A cuanto se disgrega.
Jamás he mantenido contacto con lo inerte.
Si de algo he renegado es de la indiferencia.
No aspiro a transmutarme,
Ni me tienta el reposo.
Todavía me intrigan el absurdo, la gracia.
No estoy para lo inmóvil,
Para lo inhabitado.

Cuando venga a buscarme,
Díganle:
"se ha mudado".

Visita

Não estou.
Não a conheço.
Não quero conhecê-la
Eu odiava aquele buraco,
O amor ao mistério,
O culto às cinzas,
Enquanto se desintegra.
Jamais mantive contato com o inerte.
Se há algo que reneguei é a indiferença.
Não aspiro a ser transmutar-me,
Nem me tenta o repouso.
Todavia me intrigam o absurdo, a graça.
Não estou para o imóvel,
Para o desabitado.

Quando vier buscar-me,
Diga:
"mudou-se".

1 comment:

Mirze Souza said...

UM POEMA ESPETACULAR!


Oliverio Girondo! Gravarei esse nome.

Totalmente diferente, firme e inusitado!

Adorei!

Abraços

Mirze