Sunday, December 25, 2011
Elsa Cristina Posada
ILUSORIAS (Fragmento)
Elsa Cristina Posada
I
alguien creyó por un instante
en la efímera y escurridiza felicidad
entonces su pasado y futuro se explicaban
confluían las fuerzas en el punto exacto
donde no existe dios ni el movimiento
porque el deseo arrasó con todo
Ilusórias (Fragmentos)
I
alguém acreditou por um instante
na efêmera e fugaz felicidade,
então, o seu passado e o futuro são explicados
pelas forças que convergiram para o ponto exato
onde não há deus, nem movimento,
porque o desejo arrassou com todos
Ilustração: Fernando Pacheco
Tuesday, December 20, 2011
Quando deixo o meu amor
O meu amor
Acabei de deixar o meu amor
E a saudade só é menor
Que o meu desejo de amar.
O meu amor é como peixe
Feito em tucupi ou frito
O meu amor é infinito
Tem gôsto de bolo moca
E me incendeia e sufoca,
Mas, é tão calmo
Que posso esperar por ele
Como quem reza um salmo
Sabendo que, na terra,
É a única forma
De ter as delícias do céu!
Monday, December 19, 2011
Três poesias de Aleyda Quevedo Rojas
HAI-KAI DE LOS PÁJAROS
Aleyda Quevedo Rojas
Cuidaré tus pájaros
pero me niego a hacer
el amor en la jaula.
PASIÓN
Que empiece a llover
para saber
de todo aquello
que me enciende
NATURALEZA
Y es de imaginar
que todo crece por dentro
como si una semilla volviera
a reventar en pleno desierto
y el sexo recuperara
su imagen de fruto luminoso
Hai-Kai dos Pássaros
Cuidarei dos teus pássaros,
Porém, me nego a fazer
amor na gaiola
Paixão
Que comece a chover
para saber
de tudo aquilo
o que me incendeia
Natureza
E é de imaginar
que tudo cresce por dentro
como se uma semente voltasse
a se reiventar em pleno deserto
e o sexo recuperasse
sua imagem de fruto luminoso
Saturday, December 17, 2011
Antonio Correa Losada
OSCURO RITUAL
Antonio Correa Losada
El sueño avanza
golpeado entre delirios
y el poema
su ala perdida e inasible
Insectos gritan
y ondulan las hojas ebrias de mayo
Hombres gordos como ganado
cargan en sus espaldas
la palabra emboscada
Incisiones profundas
oquedades
tumbas envueltas por el verdor
la niebla
ramos enrojecidos ramos marchitos
lleva y trae la muerte en su gran borrachera
Escuro ritual
O sonho avança
golpeado entre os delirios
eo poema
perdeu sua asa e inacessível
insetos gritam
e ondulam as folhas ebrias de maio
Homens gordos como gado
carregam em suas costas
a palavra emboscada
incisões profundas
cavidades
tumbs envoltas pelo verdor
da neblina
ramos vermelhos, ramos murchos
leva e traz a morte na sua grande farra
Ilustração: http://otaaugustus.blogspot.com/
Poemas mal comportados
Como manda a medicina
Ah!Chiquinha abre as perninhas
Como abre o coração!
Dar é um ato sagrado,
Se do agrado,
Não se deve negar amor, não.
Ah! Chiquinha, minha neguinha,
nada de discriminação.
Dar, e com gosto, rainha,
é uma forma de oração.
Mais depressa, minha filhinha,
siga a intuição,
vamos nesta toadinha
só gozar à prestação.
Toda boa medicina
recomenda ao coração!
Faz assim...
Faz assim não!
Faz do jeito que quiser...
Negócio bom é mulher!
Thursday, December 15, 2011
José Antonio Pérez-Montoro
AMOR PRIMERO
José Antonio Pérez-Montoro
Hicimos el amor por vez primera
y el amor se hizo luz e inundó todo,
anegando hasta el último recodo,
y la sensación fue tan verdadera
de que el amor creado una carne era,
amor tan vivo fue en aquel periodo,
que yo no supe hallar oculto modo
de trazar linde, la sutil trinchera
entre amada y amor o amor y amada.
Toqué un seno, cual perfecta esfera;
total amor palpé en mano estigmada.
Por eso, en otras veces cualesquiera,
pide aquella experiencia recordada:
-Hagamos el amor por vez primera.
Primeiro amor
Fizemos amor pela vez primeira,
e o amor se fez luz inundando tudo
até o último recanto alagando,
com a sensação que foi tão verdadeira
de que nós dois só uma carne era,
um amor tão vivo naquele período,
que não soube achar oculto modo
de traçar lindes, ou sutil trincheira,
entre a amada e o amor, o amor e a amada.
Toquei um seio, qual perfeita esfera;
total o amor palpei com a mão espalmada.
Por isto, em outras vezes, qualquer que queira,
peço aquela experiência agora recordada:
-Façamos o amor como da vez primeira.
Wednesday, December 14, 2011
Poemas mal comportados
Aprendizado
Meu amor não sei te beijar..
Ah! Sou tão desajeitado..
Que nunca beijo direito
Nem sei mesmo de qual lado
Consigo achar os teus lábios.
Tento achar a tua boca,
Mas, acabo nos teus seios....
Meu amor não sei amar..
Porém, eu te amo tanto
E por caminhos improváveis,
Que nem chegas a sentir,
Com os prazeres incontáveis,
Que brincando com teu ventre
Devem até te divertir...
Meu amor não sei mais nada...
Desaprendi se já soube,
Mas, no teu corpo vou lendo
Os livros mais que secretos
Dos segredos mais guardados
E os gozos que os que sabem
Desconhecem até que existem.
Meu amor não sei tocar...
Mas, no teu corpo, sem jeito,
Como por passe de mágica,
Sou um músico perfeito
Que o instrumento que toca
Antes mesmo de pensar
Flui em um milhão de notas
O que ainda sonho em tocar.
Meu amor não sei te beijar..
Ah! Sou tão desajeitado..
Que nunca beijo direito
Nem sei mesmo de qual lado
Consigo achar os teus lábios.
Tento achar a tua boca,
Mas, acabo nos teus seios....
Meu amor não sei amar..
Porém, eu te amo tanto
E por caminhos improváveis,
Que nem chegas a sentir,
Com os prazeres incontáveis,
Que brincando com teu ventre
Devem até te divertir...
Meu amor não sei mais nada...
Desaprendi se já soube,
Mas, no teu corpo vou lendo
Os livros mais que secretos
Dos segredos mais guardados
E os gozos que os que sabem
Desconhecem até que existem.
Meu amor não sei tocar...
Mas, no teu corpo, sem jeito,
Como por passe de mágica,
Sou um músico perfeito
Que o instrumento que toca
Antes mesmo de pensar
Flui em um milhão de notas
O que ainda sonho em tocar.
Tuesday, December 13, 2011
Jorge Cuesta
NO AQUEL QUE GOZA, FRÁGIL Y LIGERO
Jorge Cuesta
No aquel que goza, frágil y ligero,
ni el que contengo es acto que perdura,
y es en vano el amor rosa futura
que fascina a cultivo pasajero.
La vida cambia lo que fue primero
y lo que más tarde es no lo asegura,
y la memoria, que el rigor madura,
no defiende su fruto duradero.
Más consiente el sabor áspero y grueso,
el color que a la luz se desvanece,
la materia que al tacto se destroza.
Y en vano guarda su variable peso
el árbol y su forma se endurece,
y el mismo instante se revive y goza.
Não aquele que goza, frágil e ligeiro
Não aquele que goza, frágil e ligeiro,
nem o que contendo o ato que perdura
e é em vão o amor rosa futura,
que fascina o cultivo passageiro.
A vida muda o que foi primeiro
e o que mais tarde é não assegura,
e a memória, que a rigor madura
não defende seu fruto derradeiro.
Mas, consciente é o sabor aspero e grosso,
a cor que à luz desvanece,
a matéria que ao tato se destroça.
E em vão guarda seu variável peso
a árvore e sua forma se endurece,
e no mesmo instante se revive e goza.
Monday, December 12, 2011
Antonio Cisneiros
POEMA PARA HACER EL AMOR
Antonio Cisneiros
Para hacer el amor debe evitarse un sol muy fuerte
sobre los ojos de la muchacha, tampoco es buena la sombra
si el lomo del amante se achicharra
para hacer el amor.
Los pastos húmedos son mejores que los pastos amarillos
pero la arena gruesa es mejor todavía.
Ni junto a las colinas porque el suelo es rocoso
ni cerca de las aguas.
Poco reino es la cama para este buen amor.
Limpios los cuerpos han de ser como una gran pradera:
que ningún valle o monte quede oculto y los amantes
podrán holgarse en todos sus caminos.
La oscuridad no guarda el buen amor.
El cielo debe ser azul y amable,
limpio y redondo como un techo
y entonces la muchacha no verá el dedo de Dios.
Los cuerpos discretos pero nunca en reposo,
los pulmones abiertos,las frases cortas.
Es difícil hacer el amor pero se aprende.
(De Agua que no has de beber).
Poema para fazer amor
Para fazer amor deve evitar-se um sol muito forte
sobre os olhos da amada, tampouco é boa aa sombra
se as costas do amante se queima
para fazer amor.
Os gramados molhados são melhores do que os gramados amarelos,
porém, a areia grossa é melhor, todavia.
Nem entre os morros porque o solo é rochoso
ou perto das águas.
Pouco reino é a cama para este bom amor.
Limpos os corpos devem ser como uma grande pradaria:
que nenhum vale ou montanha quede oculto dos amantes
que poderão alegrar-se em todos os seus caminhos.
A escuridão não protege o bom amor.
O céu deve ser azul e amável,
limpo e redondo como um telhado
e então a amada não verá o dedo de Deus.
Os corpos discretos, porém, nunca em repouso,
o pulmão aberto, as frases curtas.
É difícil fazer amor, porém, se aprende.
Mariano Melgar
AY AMOR DULCE VENENO
Mariano Melgar
¡Ay, amor!, dulce veneno,
ay, tema de mi delirio,
solicitado martirio
y de todos males lleno.
¡Ay, amor! lleno de insultos,
centro de angustias mortales,
donde los bienes son males
y los placeres tumultos.
¡Ay, amor! ladrón casero
de la quietud más estable.
¡Ay, amor, falso y mudable!
¡Ay, que por causa muero!
¡Ay, amor! glorioso infierno
y de infernales injurias,
león de celosas furias,
disfrazado de cordero.
¡Ay, amor!, pero ¿qué digo,
que conociendo quién eres,
abandonando placeres.
soy yo quien a ti te sigo?
Aí, amor doce veneno
Aí, o amor!, doce veneno,
aí, tema do meu delírio,
solicitado martírio
e de todos os males pleno.
Aí, o amor! Pleno de insultos,
centro de angústias mortais,
onde os bens são males
e os prazeres, tumultos.
Aí, o amor! Ladrão caseiro
da quietude mais estável.
Aí, amor, falso e mutável!
Aí!, que por sua causa morro!
Aí, o amor! Glorioso inferno
e de infernais injúrias,
leão de ciumentas fúrias,
disfarçado de cordeiro.
Aí!, o amor!, Porém, o que digo,
se conhecendo quem és,
abandonando os prazeres,
sou quem a ti te sigo?
Ilustração: estiloalternacena.blogspot.com
Saturday, December 10, 2011
Uma forma de ver
Como o fogo que irrompeu no metal,
sem sentido, sem música e inexplicável,
assim é o meu amor.
E, se como o instrumento, queimo,
sem possibilidade de emitir uma nota,
este sofrer silencioso
qualquer olhar nota
é, mesmo deste jeito, uma forma de beleza.
Ilustração: René Magritte
Vadik Barrón outra vez
POETAS DEL FIN DEL MUNDO
“I’m the one who has to die when it’s time for me to die”
Jimi Hendrix
Vadik Barrón
Hoy, que el fin del mundo está cerca
déjenme decirlo de la manera
más cursi posible:
poetas del fin del mundo, uníos.
Fundemos la Sociedad de Poetas Pobres
recorramos el planeta con plata prestada
pintemos bigotes en los posters de los dioses.
Yo, qué he fracasado en todos los menesteres
del entendimiento humano,
que le debo tanta plata a tanta gente
que he mirado el Parnaso con delectación babosa
declaro: que esta vida es todo lo que mis ojos verán
denuncio el hambre de las calles,
la senectud de las ideologías
la inoperancia de las religiones
la soledad de la hora pico.
Ayúdenme a gritar con las manos alzadas
y drogadas como en un concierto de rock:
que esta vida es todo lo que sus ojos verán
que nos mamaron compadres,
que esta vida es todo lo que tus ojos verán,
que rompieron la alcancía y no nos enteramos.
Que esto es lo que hay, y punto.
POETAS DO FIM DO MUNDO
"Eu sou o único que tem que morrer quando for a hora de morrer"
Jimi Hendrix
Hoje, como o fim do mundo está próximo
deixe-me dizer de maneira
o mais curta possível:
poetas do fim do mundo uni-vos.
Fundemos a Sociedade dos Poetas Pobres
percorramos o planeta com dinheiro emprestado
pintemos um bigode nos cartazes dos deuses.
Eu, que tenho fracassado em todos os campos
do entendimento humano,
que devo dinheiro a tantas pessoas
que olhei Parnaso com um deleite baboso
declaro: que esta vida é tudo o que os meus olhos verão,
denuncio a fome das ruas,
a senilidade das ideologias,
a inoperância das religiões
a solidão da hora do pico.
Ajudem-me a gritar com as mãos erguidas
e drogadas como num concerto de rock:
que esta vida é tudo o que seus olhos verão,
que mamarão compadres,
que esta vida é tudo o que teus olhos verão,
que o banco quebrará e nós não saberemos.
Que isto é o que há e ponto.
Ilustração: http://blogtown.zip.net/
Vadik Barrón
SATISFACTION
“I can’t get no satisfaction”
Mick Jagger
Vadik Barrón
Despertar no es suficiente
hay que salir a caminar
chocarse con los peatones distraídos
joderles la canción del walkman.
Querer no es suficiente
hay que cortarse las uñas
conocer a los suegros
respirar el alquitrán ajeno
aprender a cambiar focos.
Vivir no es suficiente
hay que hacer de cada día una escultura exigua
de cada minuto la posibilidad de un beso
de cada segundo una canción acechante.
Morir no es suficiente
hay que dejar esquirlas de ardor en el aire
la frase “se hace lo que se puede” escrita
a dedo en los automóviles polvorientos parqueados,
la fascinación de haber vivido
como aliento fresco en los espejos.
SATISFAÇÃO
"Eu não posso ter nenhuma satisfação"
Mick Jagger
Despertar não é suficiente
há que sair a caminhar
chocar-se com os pedestres distraídos
interromper-lhes a música do walkman.
Querer não é suficiente
há que cortar as unhas
conhecer as leis
respirar a respiração estranha
aprender a mudar os focos.
Viver não é suficiente
há que fazer de todos os dias uma escultura exígua
de cada minuto a possibilidade de um beijo
em cada um segundo perseguir uma canção.
Morrer não é o suficiente
há que deixar batatas fritas queimando no ar
a frase "fiz o que pude" escrita
a dedo nos automóveis empoeirados estacionados no parque,
o fascínio de ter vivido
como um hálito fresco nos espelhos.
Ilustração: enforsat.com
E ainda Fabián Casas
HACE ALGÚN TIEMPO
Fabián Casas
Hace algún tiempo
fuimos todas las películas de amor mundiales
todos los árboles del infierno.
Viajábamos en trenes que unían nuestros cuerpos
a la velocidad del deseo.
Como siempre, la lluvia caía en todas partes.
Hoy nos encontramos en la calle.
Ella estaba con su marido y su hijo;
éramos el gran anacronismo del amor,
la parte pendiente de un montaje absurdo.
Parece una ley: todo lo que se pudre forma una familia.
Faz algum tempo
Faz algum tempo
fomos todos os filmes de amor do mundo
todas as árvores do inferno.
Viajamos em trens que uniam nossos corpos
na velocidade do desejo.
Como sempre, a chuva caia em todas as partes.
Hoje nos encontramos na rua.
Ela estava com o marido e o seu filho;
eramos o grande anacronismo do amor,
a parte pendente de uma montagem absurda.
Parece uma lei: tudo que apodrece forma uma família.
Wednesday, December 07, 2011
E de novo Fabián Casas
A MITAD DE LA NOCHE
Fabián Casas
Me levanto a mitad de la noche con mucha sed.
Mi viejo duerme, mis hermanos duermen.
Estoy desnudo en el medio del patio
y tengo la sensación de que las cosas no me reconocen.
Parece que detrás de mí nada hubiese concluido.
Pero estoy otra vez en el lugar donde nací.
El viaje del Salmón
en una época dura.
Pienso esto y abro la heladera:
un poco de luz desde las cosas
que se mantienen frías.
No meio da noite
Me levanto na metade da noite com muita sede.
Meu velho dorme, meus irmãos dormem.
Estou nu no meio do pátio
e tenho a sensação de que as coisas não me reconhecem.
Parece que atrás de mim nada foi concluído.
Porém estou outra vez no lugar onde nasci.
A viagem do salmão
durante uma época dura.
Penso isto e abro a geladeira:
um pouco de luz a partir de coisas
que se mantém frias.
Fabián Casas
SIN LLAVES Y A OSCURAS
Fabián Casas
Era uno de esos días en que todo sale bien.
Había limpiado la casa y escrito
dos o tres poemas que me gustaban.
No pedía más.
Entonces salí al pasillo para tirar la basura
y detrás de mí, por una correntada,
la puerta se cerró.
Quedé sin llaves y a oscuras
sintiendo las voces de mis vecinos
a través de sus puertas.
Es transitorio, me dije;
pero así también podría ser la muerte:
un pasillo oscuro,
una puerta cerrada con la llave adentro
la basura en la mano.
Sem chaves e às escuras
Foi um desses dias em que tudo vai bem.
Havia limpado a casa e escrito
dois ou três poemas que eu gostava.
Não pedia mais.
Então saí ao pátio para jogar fora o lixo
e atrás de mim, por uma corrente de ar,
a porta se fechou.
Fiquei sem chaves e às escuras
sentindo as vozes dos meus vizinhos
através das suas portas.
É passageiro, eu disse;
mas, assim também podia ser a morte:
um corredor escuro,
uma porta fechada com a chave dentro
e a cesta de lixo na mão.
Arturo Carrera
OTRA MONEDA
Arturo Carrera
Y el dialecto de ellos, moneda de la infancia,
aunque la infancia fuera nuestra sombra
que pesa sobre la levedad de otro paladar ínfimo
—el diapasón,
diapasón para todos,
de la primera moneda —aguda en cada orden.
Entre la orfandad y el colmo de las madres,
las tías y las primas y las abuelas,
y abuelos padres,
tíos y primos últimos,
granizo de verano sobre cada imagen;
vago error en cada compás del caos.
Debiste de ir al fondo,
contar cada detalle, cada pelito, y
cómo se hacía el dinero en el metal,
cómo se dibujaba su poderosa métrica
infantil cuando al comienzo
ellas también tenían
bellezas del balbuceo: tin-tin-eo.
Pero no tienen estilo,
y aunque tengan repeticiones, sílabas,
se llaman monedas;
susurros parecidos, altos agudos pistilos
como en las flores;
no tendrán el asidero de tus sueños,
ni tu verdad, ni tu sigilo de la forma
en esa trama en zig-zag parecida al toma y daca.
¿Quién puso de relieve la regularidad oculta
de ciertos afectos tan vivos
que parecían desordenados?
Outra moeda
E o dialeto deles, a moeda da infância
ainda que a infância fosse nossa sombra
que pesa sobre a leveza de outro infimo paladar
-o diapasão,
diapassão para todos,
da primeira moeda afiada em cada ordem.
Entre os órfãos e a altura das mães,
tias e primos e avós,
pais e avós,
tios e primos últimos,
granizo de verão sobre cada imagem;
vago erro em cada compasso do caos.
Deves ir ao fundo,
contar cada detalhe, cada bigode, e
como fazer dinheiro do metal,
como se desenhava sua poderosa métrica
infantil, quando, no início,
elas também tinham
belezas de balbucio: tin-tin-e.
Porém, elas não têm estilo,
e mesmo que tenham repetições, sílabas,
moedas são chamadas;
sussurros como de altos pistilos agudos
como nas flores;
não tem as alças de seus sonhos,
e a tua verdade, nem a tua discrição, a forma
desta trama em zig-zag, do toma lá, dá cá.
Quem destacou a regularidade oculta
de certas emoções tão vivas
que pareciam tão desordenadas?
Juan Antonio Massone
Viendo crecer el dia
Juan Antonio Massone
Un álamo pequeño
a nadie da que hablar,
apenas sobresale entre la hierba,
pero algún día será más alta sombra.
De pie, esperando
aquel día y creciendo,
aunque escaso de hojas aún
mostrar sabe al invisible viento
y no se inquieta por más
que de seguir alzando el cuerpo.
Sólo espera y crece ahora
en su apenas de hojas
batidas por el aire verde.
A nadie da que hablar,
pero erguido y silencioso,
confía la promesa de sus hojas
al invisible viento que lo mece.
Vendo crescer o dia
Um pequeno álamo
a ninguém dá o que falar,
apenas se destaca sobre a grama,
mas, algum dia será uma sombra.
De pé, esperando
aquele dia crescendo,
apesar de folhas pequenas
mostra saber do vento invisível
e não se inquieta por mais
que continuar a aumentar o corpo.
Só espera e cresce agora
apenas nas parcas folhas
batidas pelo verde ar.
A ninguém dá o que falar,
mas, altaneiro e em silêncio
confia a promessa de suas folhas
ao invisível vento que o mede.
Monday, December 05, 2011
Poemas mal comportados
O meu amor é uma lata de doce
Eu te direi, amor,
Sem nenhum pudor
Que és, para mim, uma lata de biscoitos.
Biscoitos? Não. É muito industrial.
És uma lata de doce artesanal
Das que se come já tendo saudade.
És, na verdade, mais que doce; és mel.
E, no entanto, tens tantos sabores
Que, em certos momentos, até penso
Que o nosso amor seja uma marmelada do destino.
Não importa, amor, não importa.
Nem mesmo que não tenho muito jeito para abrir latas
(nem fechos, nem portas, nem garrafas)
Ao contrário, porém, de outras tarefas em que sou tão displicente,
Anote, que serei determinado, mesmo que inconstante,
Mas, ainda assim seguirei adiante,e, acredite em mim,
Te comerei até o fim.
Luiz Muñoz
PARA CELEBRAR TU SEXO
Luiz Muñoz
Para celebrar
tu sexo
una copa de champán.
Para besarte el aire que
te corre entre las piernas
(abismos indefinidos
sacrificios consumados)
unos labios vírgenes
que nunca antes
tocaran
piernas blancas
suaves
piernas perfumadas
con una rebelde perfección.
En el silencio
de tu pubis
en la humildad
de tu vulva
(pecado inmortal)
me gozo tranquila.
Para celebrar teu sexo
Para celebrar
o teu sexo
uma taça de champanhe.
Para beijar o ar
que corre entre tuas pernas
(abismos indefinidos
sacrifícios consumados)
uns lábios virgens
que antes nunca
tocaram
pernas brancas
suaves
pernas perfumadas
com uma rebelde perfeição.
No silêncio
teu pubis
na humildade
de tua vulva
(pecdo imortal)
Gozo tranquilamente.
Manuel Moya
Pájaros furtivos
Manuel Moya
Se hielan los postigos
en esta noche densa.
Los árboles, distantes,
ofician su espesura.
La lluvia que te sigue,
el calor que has injertado,
recorren esta noche
de pájaros furtivos.
Se hielan los cristales
y es nada cuanto amaste,
nada la pátria que te acoge,
la voz con que recuerdas.
Pássaros furtivos
Gelam-se as portinholas
nesta noite densa.
As árvores, distantes,
celebram sua espessura.
A chuva que te segue,
o calor que te enxertastes,
provém esta noite
de pássaros furtivos.
Gelam-se os cristais;
e é nada o quanto amastes,
nada a pátria que te acolhe,
a voz com que recordas.
Sunday, December 04, 2011
De volta Buesa
Poema del olvido
José Angel Buesa
Viendo pasar las nubes fue pasando la vida,
y tú, como una nube, pasaste por mi hastío.
Y se unieron entonces tu corazón y el mío,
como se van uniendo los bordes de una herida.
Los últimos ensueños y las primeras canas
entristecen de sombra todas las cosas bellas;
y hoy tu vida y mi vida son como las estrellas,
pues pueden verse juntas, estando tan lejanas…
Yo bien sé que el olvido, como un agua maldita,
nos da una sed más honda que la sed que nos quita,
pero estoy tan seguro de poder olvidar…
Y miraré las nubes sin pensar que te quiero,
con el hábito sordo de un viejo marinero
que aún siente, en tierra firme, la ondulación del mar.
Poema do esquecimento
Vendo passar as nuvens fui passando a vida,
e tu, passastes por meu tédio, como uma nuvem.
Enquanto teu coração e o meu se unem
como se vão unindo as bordas de uma ferida.
Os últimos sonhos e os primeiros cabelos brilhantes
entristecem de sombra todas as coisas belas;
e hoje tua vida e minha vida são como as estrelas,
pois, podem se ver juntas, estando tão distantes…
Eu bem sei que o esquecimento, como uma água maldita,
nos dá uma sede maior que a sede que nos quita,
porém, estou tão seguro de poder não lembrar…
E olharei as nuvens sem pensar que te quero,
com o hábito surdo de um velho marinheiro
que ainda sente, em terra firme, o balanço do mar.
José Angel Buesa
Viendo pasar las nubes fue pasando la vida,
y tú, como una nube, pasaste por mi hastío.
Y se unieron entonces tu corazón y el mío,
como se van uniendo los bordes de una herida.
Los últimos ensueños y las primeras canas
entristecen de sombra todas las cosas bellas;
y hoy tu vida y mi vida son como las estrellas,
pues pueden verse juntas, estando tan lejanas…
Yo bien sé que el olvido, como un agua maldita,
nos da una sed más honda que la sed que nos quita,
pero estoy tan seguro de poder olvidar…
Y miraré las nubes sin pensar que te quiero,
con el hábito sordo de un viejo marinero
que aún siente, en tierra firme, la ondulación del mar.
Poema do esquecimento
Vendo passar as nuvens fui passando a vida,
e tu, passastes por meu tédio, como uma nuvem.
Enquanto teu coração e o meu se unem
como se vão unindo as bordas de uma ferida.
Os últimos sonhos e os primeiros cabelos brilhantes
entristecem de sombra todas as coisas belas;
e hoje tua vida e minha vida são como as estrelas,
pois, podem se ver juntas, estando tão distantes…
Eu bem sei que o esquecimento, como uma água maldita,
nos dá uma sede maior que a sede que nos quita,
porém, estou tão seguro de poder não lembrar…
E olharei as nuvens sem pensar que te quero,
com o hábito surdo de um velho marinheiro
que ainda sente, em terra firme, o balanço do mar.
Wednesday, November 30, 2011
Ainda Leo Zelada
Koan de la iluminación
Leo Zelada
-Maestro ¿qué es la sabiduría?
-La no pregunta
-Maestro ¿qué es la renuncia?
-Contemplar las estrellas sin ojos
-Maestro ¿qué es la iluminación?
-Quedarte sin brazos y tocar la noche
-Maestro ¿cómo alcanzar la sabiduría?
-Quema el papel, la pluma y el báculo
-¿Por qué he de hacerlo?
-Siente en tu rostro el invierno.
Koan da iluminação
-Mestre, o que é sabedoria?
-É não perguntar.
Mestre-O que é a renúncia?
-Contemplar as estrelas sem os olhos
-Mestre, o que é a iluminação?
-Ficar sem braços e tocar a noite
-Mestre, como alcançar a sabedoria?
-Queima o papel, caneta e o báculo
- Por que hei de fazer isto?
-Sente em teu rosto o inverno.
Leo Zelada
Haikus de la noche
Leo Zelada
I
Ciervo azul.
La danza de la noche
Rozó el cielo
II
Cabellos blancos
Despides al invierno
Danza la luna
III
Cae el dragón
Anuncias los otoños
Flor del durazno
IV
Rugen los dioses
La lira del poeta
Acalla el hielo.
Haikais da noite
I
Cervo azul.
A dança da noite
Roçou o céu
II
Cabelos brancos
Despede-te do inverno
Dança a lua
III
Cai o dragão
Anuncias os outonos
Flor de pessegueiro
IV
Rugem os deuses
A lira do poeta
Silencia o gelo.
Tuesday, November 29, 2011
José Ángel Buesa ainda
CANCIÓN A LA MUJER LEJANA
José Ángel Buesa
En ti recuerdo una mujer lejana,
lejana de mi amor y de mi vida.
A la vez diferente y parecida,
como el atardecer y la mañana.
En ti despierta esa mujer que duerme
con tantas semejanzas misteriosas,
que muchas veces te pregunto cosas,
que sólo ella podría responderme.
Y te digo que es bella, porque es bella,
pero no sé decir, cuando lo digo,
si pienso en ella porque estoy contigo,
o estoy contigo por pensar en ella.
Y sin embargo si el azar mañana
me enfrenta con ella de repente,
no seguiría a la mujer ausente
por retener a la mujer cercana.
Y sin amarte más, pero tampoco
sin separar tu mano de la mía,
al verla simplemente te diría:
«Esa mujer se te parece un poco».
Canção da mulher distante
Em ti recordo uma mulher distante
longe de meu amor e da minha vida.
Por sua vez, diferente e parecida
como o entardecer e a manhã.
Em ti desperta esta mulher que dorme
com tantas semelhanças misteriosas
que, muitas vezes, te pergunto coisas
que só ela poderia responder-me.
E eu te digo que és bela, porque és bela,
porém, não sei dizer, quando o digo,
se penso nela por estar contigo,
ou se estou contigo porque penso nela.
E, sem embargo, se o destino amanhã
me confrontasse com ela, de repente,
não seguiria a mulher ausente
por me reter esta mulher tão próxima
E sem amar-te mais, nem tampouco
e sem separar tua mão da minha,
ao vê-la simplesmente te diria:
"Esta mulher parece contigo um pouco."
Ilustração: http://jbpires.blogspot.com/
Ángel Buesa de volta
INESPERADAMENTE
José Ángel Buesa
Inesperadamente tu amor llega a mi vida,
mujer de besos hondos y plenitud creciente,
como brota un retoño de una rama caída,
como en un río seco renace la corriente.
Llegas como las nubes, inesperadamente;
inesperadamente llegas como el verano,
para dejarme el peso de una sombra en la frente
y un dolor de raíces profundas en las manos.
Y es que tu boca alegre me inspira un beso triste,
y en tus ojos cercanos veo un mirar ausente,
porque sé que algún día, lo mismo que viniste,
te me irás de los brazos, inesperadamente...
Inesperadamente
Inesperadamente teu amor chega em minha vida,
mulher de beijos profundos e plenitude crescente,
como brota uma muda de um galho caído,
como de um rio seco renasce uma corrente.
Chegas como as nuvens, inesperadamente;
inesperadamente chegas como o verão,
para deixar-me o peso de uma sombra na testa
e uma dor de raízes profundas nas mãos.
É que tua boca alegre me inspira um beijo triste,
e nos teus olhos próximos vejo um olhar ausente,
porque sei que algum dia, como tu vinhestes,
te irás de meus braços, inesperadamente ...
José Ángel Buesa
Ah, sí, ya abrí mi casa
José Ángel Buesa
Ah, sí, ya abrí mi casa
para todo el que llega, para todo el que pasa.
Sobran salud y pan, y, sin embargo,
hay algo en esta miel con sabor amargo.
Y desdeño mis bienes,
estos bienes ganados con sangre y con lamentos,
y envidio el hombre sucio que despide los trenes
viendo crecer sus hijos alegremente hambrientos.
Ah, sim, eu abri a minha casa
Ah, sim, eu abri a minha casa
para todos que chegam, para todos os que passam.
Sobram saúde e pão, e sem embargo,
há algo neste mel com um gosto amargo.
E desdenho meus bens,
estes bens ganhos com sangue e com lamentos,
e invejo o homem sujo que despacha os trens
vendo seus filhos crescerem alegremente famintos.
Ilustração: http://8tracks.com/leavealinealone/a-minha-casa-vive-aberta-abri-todas-as-portas-do-coracao.
Sunday, November 27, 2011
Viver é doer
Eu te amo ainda quando não te vejo.
Eu te amo mais porque aqui não estais.
Eu te amo por esta solidão em que vivemos,
por sermos assim no espaço separados,
porque este longo tempo que perdemos
ainda assim nos faz parecer mais vida ter.
Te amo porque te perdi sem ter,
no inexistente tempo em que não te pude amar,
e não te tendo ainda assim não te perdi...
Eu te amo porque mesmo distante
penso em ti como se não estivesses longe
e sei que basta te chamar para todo amor voltar...
Eu te amo por ser este nosso amor,
um amor bandido, que nos rouba mais que dá,
porém, não saberia viver sem ti, sem ele,
por mais que este amor conjugue o verbo torturar
e tenha, nas carícias que não fazemos, tanta dor
que, muitas vezes, chamo sofrer de amor
e, ainda assim, só esta dor poderia desejar.
Ainda Francisco Pino
Y la vida
Y la vida, la vida es un instante
mas cual millones de mayos perdura,
cae pronto y se levanta
pronto. No es un olvido.
Quien ve amanecer ve lo bastante;
una luz, el rocío,
ese Dios que ahora calla
dentro. No es un olvido.
Un instante lo es todo si oscurece.
Quien ve oscurecer contempla como
la muerte de una rosa que no muere
nunca. No es un olvido,
es un rostro que ciego ve una flor.
De "Cuaderno salvaje" 1983
E a vida
E a vida, a vida é um instante,
mas, que milhões de maios permanece
cai logo e se levanta
em breve. Não é um esquecimento.
Quem vê o amanhecer vê o bastante;
uma luz, o orvalho,
este Deus que agora cala
dentro. Não é um esquecimento.
Um momento em que tudo se escurece.
Quem vê o escurecer o contempla como
a morte de uma rosa que não morre
nunca. Não é um esquecimento,
é um rosto que cego vê uma flor.
Ilustração: De Frida Kahlo "O sol e a vida"
Francisco Pino
Ausência
Francisco Pino
Solitario campo.
Me encuentro conmigo.
Soy mi descampado.
Solitario cielo.
Me encuentro conmigo.
Soy mi desanhelo.
Solitario alud.
Me encuentro conmigo.
Soy mi multitud.
De "Versos para distraerme" 1982
Ausência
Solitário campo.
Me encontro comigo.
Sou meu descampado.
Solitário céu.
Me encontro comigo.
Sou meu desencanto.
Solitária avalanche.
Me encontro comigo.
Sou minha multidão.
Ilustração: http://jorgebichuetti.blogspot.com/2011/09/poesia-para-alem-do-ego-uma-multidao-de.html
Gibrán Jalil Gibrán
Que o melhor de ti
Gibrán Jalil Gibrán
Que lo mejor de ti sea para tu amigo.
puesto que él conoce tu bajamar
deja que también conozca tu pleamar.
Y no lo busques para matar las horas
sino para vivir las horas.
Porque su papel es llenar tus necesidades
pero no tu vacío.
Y que en la dulzura de la amistad haya
risas y placeres compartidos.
Porque en el rocío de las pequeñeces
el corazón encuentra su mañana y se refresca".
Que o melhor de ti seja para teu amigo.
posto ele conhece tuas marés
deixa que também conheça a preamar.
E não o queiras para matar as horas,
mas, para viver as horas.
Porque seu papel é o de atender às tuas necessidades,
mas, não o teu vazio.
E que, na doçura da amizade, haja
risos e prazeres compartilhados.
Porque no orvalho das pequenas coisas
o coração encontra sua manhã e se refresca.
Saturday, November 19, 2011
Maya Angelou
A Conceit
Maya Angelou
Give me your hand
Make room for me
to lead and follow
you
beyond this rage of poetry.
Let others have
the privacy of
touching words
and love of loss
of love.
For me
Give me your hand.
Uma opinião
Me dê sua mão
Faça o quarto para me
liderar que vou seguir
você
além desta fúria da poesia.
Deixe que os outros tenham
a privacidade das
palavras sensíveis
e o amor à perda
do amor.
Me dê sua mão
para mim.
Ilustração: gothamist.com
Vício virtuoso
Teu corpo foi feito para os meus beijos
e tem o sabor de frutas, de doces, de iguarias.
Teu beijo é uma doce selvageria
que detona adrenalina no meu coração
e faz de cada momento de amor uma vitória.
E se tremo, estremeço, e me perco em emoção,
como se um sopro de Deus convulsionasse a terra,
é que o prazer despertado jamais em si mesmo se encerra.
És muito mais do que uma bandeja de frutas,
um banquete, uma orgia ou um carnaval.
És um manjar que meus lábios nem mereciam
posto, como um milagre, todo dia ao meu dispor
como um manancial inesgotável de amor,
um remédio milagroso,uma poderosa magia
que me enche de vida e de alegria.
Ilustração: http://amorbandidu.blogspot.com/2011/08/que-loucura.html
Tuesday, November 15, 2011
Antonio Martínez Sarrión mais uma vez
Riquezas
Antonio Martínez Sarrión
Unos sostienen sus huertos oreados,
sus panales, sus eras y sus viñas,
mas no conocen las fases del mosto.
Yo no te tengo más que a ti.
Otros tienen sus flotas y arsenales
y capean temporales en la Bolsa
durmiendo entre unos brazos mercenarios.
Yo no te tengo más que a ti.
Los demás tienen prisas y negocios
y tratan de llegar pronto a una cita
para que esta demencia continúe.
Yo no te tengo más que a ti.
"El centro inaccesible" 1975 – 1980
Riquezas
Uns sustentam suas hortas adubadas,
seus pentes, suas heras e as suas vinhas,
a maioria não conhece as etapas do vinho.
Eu não tenho mais do que a ti.
Outros têm suas frotas e arsenais
e investigam temporais na Bolsa
dormindo entre uns braços mercenários.
Eu não tenho mais do que a ti.
Os outros têm pressa e negócios
e tentam chegar rápido a um encontro
para que esta loucura continue.
Eu não tenho mais do que a ti.
Ilustração: http://sonhosdeareia.blogs.sapo.pt
Antonio Martínez Sarrión
Carpe Diem
Antonio Martínez Sarrión
Qué dispendioso pulular de nombres,
de ateridas esperas mientras la madrugada
difuminaba taxis en una sucia niebla.
Qué lástima de tiempo barajando
naipes ya de textura ala de mosca
cuando el sol meridiano, más de un punto granado,
no sabe de demoras, admite alistamientos
sin requisito alguno,
por ahogado de sombra que llegue el aspirante,
para entregar a cambio manos como paneles,
ríos de campanillas, zureos de palomas,
terco mundo presente,
que fulgura y se esfuma tan tranquilo,
negándose de plano -y con cuánto derecho-
al deshonesto oficio de pañuelo de lágrimas.
"Horizontes desde la rada" 1983
Carpe Diem
Que dispendioso pulular de nomes,
de temerosas esperas pelo amanhecer
turvando os táxis na névoa suja.
Que lástima de tempo embaralhando
naipes já de textura das asas de mosca
quando o sol ao meio-dia, além de um punhado de romãs,
não sabe de demoras, admite inscrições
sem requisito algum,
afogado na sombra que chega ao candidato,
para entregar em troca as mãos como painéis,
rios de sinos, arrulhar dos pombos,
o teimoso mundo presente,
que brilha e desaparece tão tranquilo,
negando-se de pronto- e com todo o direito-
ao desonesto ofício de lenço de lágrimas.
Ilustração: http://diocesedeuruacu.com.br
Sunday, November 13, 2011
Louquinhos de amor
Eu bem sei que o nosso amor é uma loucura.
Porém, ela me diz, num e-mail, que me ama.
E,se me acaricia, jura
Que, cada vez mais, é melhor.
E a verdade é que, com ela, me sinto tão bem
Que, se for ser louco, for ser assim
Melhor para ela,
Melhor para mim.
E, até onde sei,
O mal que faz é nos dar prazer,
Prazer demais!
Ilusttração: http://alcoolgel.wordpress.com
Luis Perez
De todos los dioses
Luis Perez
De todos los dioses
con los que me enfrento
en esclavo me convierto
cegado de sonrisas piadosas
sin piedade me pagan com desprecios
De favor les debo la vida
confundiendo castigo com caricias
tan lleno de dudas y desconcierto
como falto de luces a nada me atrevo
porque quien suplica nada promete
Lejos ando de beneficiarme
de mi miserias e ensueños
tratando de hallar
las claves de la vida eterna
descrído y sin fuerzas
ya no querré pagarme
ni un buen enterro.
De todos os deuses
De todos os deuses
com os quais lido
em escravo me converto
cego de sorrisos piedosos
sem piedade me pagam com desprezo
De favor lhes devo a vida
confundindo castigo com carícias
tão cheio de dúvidas e desconcertos
como falto de luzes a nada me atrevo
porque quem suplica nada promete
Longe ando de me beneficiar
de minhas misérias e sonhos
tratando de encontrar
as chaves da vida eterna
descrente e sem forças
já não querem me pagar
nem um bom enterro.
Ilustração: http://www.fotolog.com.br/seiyart/4305255
Jack Kerouac
149th Chorus
Jack Kerouac
I keep falling in love
with my mother,
I dont want to hurt her
-Of all people to hurt.
Every time I see her
she's grown older
But her uniform always
amazes me
For its Dutch simplicity
And the Doll she is,
The doll-like way
she stands
Bowlegged in my dreams,
Waiting to serve me.
And I am only an Apache
Smoking Hashi
In old Cabashy
By the Lamp.
Choro 149
Eu continuo apaixonado
pela minha mãe,
Eu não quero magoá-la
-Entre todos é a que menos desejo ferir.
Toda vez que eu a vejo
ela parece mais velha.
Mas, seu uniforme sempre
me espanta
por sua simplicidade holandesa
e a boneca que ela é,
a boneca-como forma
ideal-
pernas arqueadas em meus sonhos,
esperando para me servir.
E eu sou apenas um apache
fumando haxixe
numa velha cabana
sob a lâmpada.
Ilustração: http://prensada.blogspot.com
Charles Bukowski
A Smile To Remember
Charles Bukowski
we had goldfish and they circled around and around
in the bowl on the table near the heavy drapes
covering the picture window and
my mother, always smiling, wanting us all
to be happy, told me, 'be happy Henry!'
and she was right: it's better to be happy if you
can
but my father continued to beat her and me several times a week while
raging inside his 6-foot-two frame because he couldn't
understand what was attacking him from within.
my mother, poor fish,
wanting to be happy, beaten two or three times a
week, telling me to be happy: 'Henry, smile!
why don't you ever smile?'
and then she would smile, to show me how, and it was the
saddest smile I ever saw
one day the goldfish died, all five of them,
they floated on the water, on their sides, their
eyes still open,
and when my father got home he threw them to the cat
there on the kitchen floor and we watched as my mother
smiled
Um sorriso para relembrar
Nós tinhamos peixinhos dourados que circulavam ao redor e ao redor
da bacia em cima da mesa perto das cortinas pesadas
tapava as pinturas da janela e
minha mãe, sempre sorrindo, querendo que todos nós
fossemos felizes, me dizia: 'seja feliz Henry! "
e ela estava certa: é melhor ser feliz se você
pode,
mas, meu pai continuou a bater nela por várias vezes por semana, enquanto
corria dentro de seu quarto de seis metros e dois sem poder
entender o porque estava a atacá-la ali dentro.
minha mãe, pobre peixe,
querendo ser feliz, apanhando duas ou três vezes por
semana, me dizendo para ser feliz: "Henry, sorria!
por que você não nunca sorri? "
e, em seguida, ela sorria, para me mostrar como, e foi o
mais triste sorriso que eu já vi
um dia o peixinho dourado morreu, todos os cinco deles,
flutuavam sobre a água, em seus lados, seus
os olhos ainda abertos,
e quando meu pai chegou em casa atirou-os para o gato,
lá no chão da cozinha, e nós assisitmos como a minha mãe
sorriu.
Ilustração: olhares.aeiou.pt
Thursday, November 10, 2011
Rafael Duyos
SONETO
Rafael Duyos
Ese perfume de tu piel que inunda
los poros de la mía si te abrazo,
deja en mi sueño el venturoso trazo
del rosal que, a mi mano se fecunda....
Otra cosa no soy, si no profunda
semilla, polen sobre tu regazo,
estambre de clavel que aprieta el lazo
que te injerta a mi carne vagabunda...
Hueles, Amor, igual que los jardines
de mi Levante moro de azahares....
Hueles, Amor, a algas de mis mares
revolcada en la arena entre jazmines...
Y a nardo, a muerta, a estío en los pinares
¡y a la espuma que anuncia a los delfines!
Soneto
Este perfume de tua pele que inunda
os poros da minha se eu te abraço,
deixa no meu sonho o venturoso traço
da rosa que, na minha mão se fecunda
Outra coisa não sou, se não a profunda
semente, pólen em teu regaço,
estame de cravo que aperta o laço
que te injeta a minha carne vagabunda...
Cheiras, amor, igual aos jardins
de laranjeiras aos montes, de suas flores ....
Cheiras, amor, a algas de meus mares
revolta na areia entre os jasmins....
E a nardo, a murta, ao verão entres os pinheiros
E a espuma que anuncia os delfins!
Wednesday, November 09, 2011
José Carlos Becerra
Ritmo de viaje
José Carlos Becerra
Este cuerpo que yo acaricio lentamente extendiendo la noche,
este cuerpo donde yo he penetrado en mi propia distancia,
en mi sofocamiento de sombra.
Este vientre donde el amor abarca a la noche,
estos senos donde la luz altera los signos,
este cuerpo al que ahora me entrelazo, este cuerpo al que ahora me solicito.
Este cuerpo conmigo se traspone, se vence,
se lleva consigo a la noche y sus altares,
sus caminos ardiendo por su propia señal,
su oleaje, sus costas encendidas...
Esta mujer donde la noche descifra sus juegos ocultos,
este amor al que no debemos llamar amor sino adentro de sus aguas.
Este amor, este amor,
este instante donde el infinito es la obra de los que se aman,
de aquellos que llegan al estanque de cada caricia como buzos sagrados.
Este ritmo, este ritmo de viaje,
esta navegación entre la bruma,
todo lleva consigo su bandera extraviada,
su aurora boreal...
Ritmo de viagem
Este corpo que acaricio lentamente estendendo a noite,
este corpo onde eu hei penetrado na minha própria distância,
no meu sufocamento de sombra.
Este ventre onde o amor abarca a noite,
estes seios onde a luz altera os signos,
este corpo ao qual agora me entrelaço, este corpo ao qual agora me solicito.
Este corpo que comigo se transpõe, se vence,
se leva consigo à noite e seus altares,
seus caminhos ardendo por seu próprio sinal,
sua oleagem, suas costas acendidas....
Esta mulher onde a noite decifra seus jogos ocultos,
este amor ao qual não devemos chamar de amor senão dentro de suas águas.
Este amor, este amor,
este instante onde o infinito é a obra dos que se amam,
daqueles que chegam ao compartimento de cada carícia como búzios sagrados.
Este ritmo, este ritmo de viagem,
esta navegação entre a bruma,
tudo leva consigo sua bandeira extraviada
sua aurora boreal....
Ilustração: feriasetemposlivres.com
Juan Gelman
Las maravillas y miserias del amor
Juan Gelman
Las maravillas y miserias del amor.
Sus oscuros fulgores, sus catástrofes.
Caminar por el filo de la pérdida.
Dar lo que no se tiene.
Recibir lo que no se da.
El amor a la poesía,
a la madre, a la mujer,
a los hijos, a los compañeros
que cayeron por una esperanza,
a la belleza todavía de este mundo.
Como cualquier hombre,
amé y amo todo eso.
Algo de todo eso tal vez
tiemble en los poemas que siguen,
escritos a lo largo de 50 años.
La muerte me enseñó
que no se muere de amor.
Se vive de amor.
De: En el hoy y mañana y ayer
As maravilhas e as misérias do amor
As maravilhas e as misérias do amor.
Seus brilhos escuros, suas catástrofes.
Caminham pelo fio da perda.
Dar o que não se tem.
Receber o que não se dá.
O amor à poesia,
à mãe, à mulher,
aos filhos, aos companheiros
que caíram por uma esperança,
pela beleza, todavia, deste mundo.
Como qualquer homem,
Eu amei e amo tudo isto.
Algo de tudo isto talvez
treme nos poemas que foram
escritos por mais de 50 anos.
A morte me ensinou
que não se morre de amor.
Se vive de amor.
Ilustração: http://weheartit.com/entry/14557780
Tuesday, November 08, 2011
Ser feliz é viver louco de paixão..
Traçado
O destino, caminho
de pedras e flores,
me faz e desfaz
sonhos e amores.
Brinca como uma criança
com o que desejei, ou não,
e me dá a humana condição
de ter sempre, ainda, esperança.
Há sempre uma voz
que as desilusões releva
e de desistir de seguir
me leva, mesmo, se não entendi.
E se, falhei no que fiz,
conquistei ou perdi,
não importa, nem conta
-sigo até às tontas-
em busca de ser feliz.
Monday, November 07, 2011
Elizabeth Bishop
One Art
Elizabeth Bishop
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.
Uma arte
Na arte de perder não é difícil ser mestre;
Tantas coisas parecem cheias de intenção
de perdê-las que perder não é um desastre,
Perca alguma coisa todo dia. Aceite o tinir
das chaves das porta perdidas, a hora mal gasta.
Na arte de perder não é difícil ser mestre.
Então pratique perder mais, perder mais rápido:
lugares, e nomes, e a escala subsequente
para viajar. Nada disto irá trazer o desastre.
Perdi o relógio de minha mãe. E olhe! Nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
Na arte de perder não é difícil ser mestre.
Perdi duas cidades, lindas mesmo. E, o mais vasto
império que era meu, dois rios, e mais um continente.
Sinto falta deles, mas não foi um desastre.
- Mesmo perder você (a voz brincalhona , um gesto
que amo) não muda nada. É evidente
na arte de perder não é difícil de ser mestre
embora possa parecer (Escreve!) um desastre.
Elizabeth Bishop
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.
Uma arte
Na arte de perder não é difícil ser mestre;
Tantas coisas parecem cheias de intenção
de perdê-las que perder não é um desastre,
Perca alguma coisa todo dia. Aceite o tinir
das chaves das porta perdidas, a hora mal gasta.
Na arte de perder não é difícil ser mestre.
Então pratique perder mais, perder mais rápido:
lugares, e nomes, e a escala subsequente
para viajar. Nada disto irá trazer o desastre.
Perdi o relógio de minha mãe. E olhe! Nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
Na arte de perder não é difícil ser mestre.
Perdi duas cidades, lindas mesmo. E, o mais vasto
império que era meu, dois rios, e mais um continente.
Sinto falta deles, mas não foi um desastre.
- Mesmo perder você (a voz brincalhona , um gesto
que amo) não muda nada. É evidente
na arte de perder não é difícil de ser mestre
embora possa parecer (Escreve!) um desastre.
Tomas Tranströmer ...traindo o traidor
After a Death
by Tomas Tranströmer
(translated by Robert Bly)
Once there was a shock
that left behind a long, shimmering comet tail.
It keeps us inside. It makes the TV pictures snowy.
It settles in cold drops on the telephone wires.
One can still go slowly on skis in the winter sun
through brush where a few leaves hang on.
They resemble pages torn from old telephone directories.
Names swallowed by the cold.
It is still beautiful to hear the heart beat
but often the shadow seems more real than the body.
The samurai looks insignificant
beside his armor of black dragon scales.
Depois da morte
Uma vez foi como um choque
que deixou atrás uma longa e brilhante cauda de cometa.
Que nos mantém inseridos. Faz os quadros da TV gélidos.
Instalou-se em gotas frias nos cabos telefônicos.
Ainda se pode ir devagar em esquis no sol de inverno
através do pincel, onde algumas folhas penduravam-se.
Elas assemelhavam-se a páginas arrancadas de antigas listas telefônicas.
Nomes engolidos pelo frio.
Ele permanecia belo ao ouvir o coração bater,
mas, muitas vezes, a sombra parece mais real que o corpo.
O samurai parece insignificante
ao lado de sua armadura de escamas negras de dragão.
Saturday, November 05, 2011
Cristina Peri Rossi
Bitácora
Cristina Peri Rossi
No conoce el arte de la navegación
quien no ha bogado en el vientre
de una mujer, remado en ella,
naufragado
y sobrevivido en una de sus playas.
"Linguística general" 1979
Armário da bússola
Não conhece a arte da navegação
quem não há navegado no útero
de uma mulher, remado nela,
naufragado
e sobrevivido em uma das suas praias.
Ilustração: http://www.igorpaskual.com
Idea Vilarino
LO QUE SIENTO POR TI
Idea Vilarino
Lo que siento por ti es tan difícil.
No es de rosas abriéndose en el aire,
es de rosas abriéndose en el agua.
Lo que siento por ti. Esto que rueda
o se quiebra con tantos gestos tuyos
o que con tus palabras despedazas
y que luego incorporas en un gesto
y me invade en las horas amarillas
y me deja una dulce sed doblada.
Lo que siento por ti, tan doloroso
como pobre luz de las estrellas
que llega dolorida y fatigada.
Lo que siento por ti, y que sin embargo
anda tanto que a veces no te llega.
O que eu sinto por ti
O que eu sinto por você é tão difícil.
Não é de rosas abrindo-se no ar,
é de rosas abrindo-se na água.
O que eu sinto por ti. Isto que rola
ou se quebra com tantos gestos teus
ou com palavras despedaçadas
e que, logo, incorporas num gesto
e me invade nas horas amarelas
e me deixa uma doce sede dobrada.
O que eu sinto por ti, é tão doloroso
como a pobre luz das estrelas
que chegam doloridas e fatigadas.
O que eu sinto por ti, e que, sem embargo,
anda tanto, que, às vezes, não te chega.
Thursday, November 03, 2011
Jack Prelutsky
Be Glad Your Nose is on Your Face
by Jack Prelutsky
Be glad your nose is on your face,
not pasted on some other place,
for if it were where it is not,
you might dislike your nose a lot.
Imagine if your precious nose
were sandwiched in between your toes,
that clearly would not be a treat,
for you'd be forced to smell your feet.
Your nose would be a source of dread
were it attached atop your head,
it soon would drive you to despair,
forever tickled by your hair.
Within your ear, your nose would be
an absolute catastrophe,
for when you were obliged to sneeze,
your brain would rattle from the breeze.
Your nose, instead, through thick and thin,
remains between your eyes and chin,
not pasted on some other place--
be glad your nose is on your face!
Ser feliz é ter seu nariz no rosto
Ser feliz é ter o seu nariz no rosto,
Não colocado em algum outro lugar,
pois, ficaria onde não deveria estar,
e você desgostaria de seu nariz muito.
Imagine se o seu precioso nariz
fosse imprensado nos seus pés, nos dedos,
quão claramente não teríamos medo,
de ser forçado a cheirar o odor infeliz.
Seu nariz seria uma fonte de temor
se fosse no topo da cabeça, que horror!
Seria um desespero em meio a tanto pelo;
sempre agarrado a um monte de cabelo.
Se dentro de sua orelha, seu nariz seria
uma catástrofe absoluta, e iria,
quando fosse obrigado a espirrar,
tornar seu cérebro um chocalho de ar.
Seu nariz, em vez disto, para o bem ou mal,
entre os seus olhos e o queixo, segue igual.
Onde deveria e não em algum outro lugar -
ser feliz é ter o seu nariz onde deve estar!
Ilustração: http://meucazzzulo.blogspot.com
Wednesday, November 02, 2011
Carlos Canã
Amada
Carlos Canã
Yo te escribo en secreto
mi ángel, mi flor amada.
y tener
de tu amor o boceto
en mi alma ilusionada.
y quisiera poner
una luna en tu piel,
y del cielo traer
un gran beso de miel.
y en tu pecho nacer
mi flor de alborada.
Amada
Eu te escrevo em segredo
meu anjo, minha flor amada.
e ter
de teu amor o esboço
anima toda minha alma.
e quisera por
uma lua na tua pele,
e do céu trazer
um grande beijo de mel.
e no teu peito nascer
a minha flor do amanhecer.
Ilustração: http://mayluescalada.blogspot.com
Dois poemas de Carlos Gagliardo
puede ser
Carlos Gagliardo
que en ese coma feroz
pase el resto de los días,
obnubilado
por tu cuerpo que respiro.
Pode ser
Que neste coma feroz
passe o resto dos dias,
encoberto
por teu corpo que respiro.
De una vez
Carlos Gagliardo
las nubes,
se alcanzaron en el cielo
y algo dejó
de ser como era.
Las huellas del dolor
están siempre.
De uma vez
As nuvens,
foram alcançadas no céu
e algo deixou
de ser como era.
As trilhas da dor
permanecem.
Ilustração: http://elmundosara.blogspot.com
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