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Não. A morte não escolhe ninguém.
Existe um dia em que vem
não importa quem
nem a idade.
Se comporta com equidade
seja de forma lenta
ou inesperada,
suave ou violenta
nos leva para o nada.
É só uma consequência
para quem vive
e não há como fugir
de sua inevitabilidade.
Um dia há de vir
e nos chamar.
Hoje não,
graças a Deus,
pois estou bem
e consigo respirar.
LONG
WEEK TALKING
Natalie
Shapero
I
am ashamed to keep thinking of death
as
a chute that connects to the garbage. I know
I
should picture it more like the pneumatic tubes
at
banks of the past: you put in your name
and
your paper and up you go. I know a bank
should
be the operative metaphor
for
every facet of existence, every time. I’m sorry
I
haven’t more regularly made reference
to
a bank. When I fail to liken something to a bank,
that’s
how I can tell I’m tired. That’s not me,
I
assure everybody. That’s the long week talking. Time
for
bed. Time for the window, the hectoring sky,
the
streetlight bright as the bright saved people
see
before they die, but I don’t die.
LONGA
SEMANA DE CONVERSA
Eu
estou envergonhado de ficar pensando na morte
como
uma rampa que se conecta ao lixo. Eu sei
Eu
deveria imaginar isto mais como tubos pneumáticos
nos
bancos do passado: você coloca seu nome
e
seu papel e você sobe. Eu sei como um banco
deveria
ser a metáfora operativa
de
cada faceta da existência, todo tempo. Desculpe
Não
tenho feito mais, regularmente, referência
a
um banco. Quando falho ao comparar algo a um banco,
é
como sinto que estou cansado. Este não sou eu,
Asseguro
a todos. Esta é a semana longa falando. É tempo
para
cama. Hora da janela, do ameaçador céu,
a
luz da rua brilhava como brilha para as pessoas salvas
ver
antes que morram, mas eu não morri.
Ilustração:
Spirit Fanfic e Outras Histórias.
XVIII
Adalber
Salas Hernández
El mar es, antes que cualquier otra cosa, una catástrofe. En su sentido original de vuelco súbito, de cambio inesperado, de final repentino.
Un cuerpo abrumador que se desploma. Imposibles de prever su rabia espumante, sus calmas espesas, su docilidad. Temible su quijada.
Es por ello que los mareantes han buscado siempre conjurarlo, aplacarlo, sobornarlo. Es por ello que la historia de la navegación puede ser contada a través de sus supersticiones, sus exorcismos, sus encantamientos.
Antes del radar o el sonar, antes de la navegación satelital, estaba la navegación sacrificial.
XVIII
O mar é,
antes de qualquer coisa, uma catástrofe. No seu sentido original de reviravolta
súbita, de mudança inesperada, de final repentino.
Um corpo avassalador que desaba. Impossível prever a sua raiva espumante, a sua calma densa, a sua docilidade. Temível sua mandíbula.
É por isto que os tontos sempre procuraram conjurá-lo, apaziguá-lo, suborná-lo. É por isto que a história da navegação pode ser contada através das suas superstições, dos seus exorcismos, dos seus encantamentos.
Antes do
radar ou do sonar, antes da navegação por satélite, existia a navegação
sacrificial.
Que não é seguro,
nem natural,
respirar
como um metal,
bem sei.
Metais não respiram
como seres vivos-
isto é taxativo-
Mas, em certas horas,
para não se ficar
como ferro em brasa
um remédio,
prescrito lá em casa,
é pensar que se deve ser
frio como aço,
para fugir de uma queda de braço,
contando até dez
e ser, ao máximo, delicado.
Este é o respirar
que, na raiva, é o indicado!
Ilustração: Youtube.
Os olhos de mel de Janaína
tem os mistérios
que a vida não ensina
sem o amor
e os sonhos
que só podem compreender
quem sabe o que é carinho e bem querer.
É impossível não gostar da mulher
que amadurece se tornando menina
e traz no seus lábios de rosa
o encanto das estrelas
que, com um sorriso,
tudo ilumina
e faz a vida ser
uma festa junina!
Ilustração: Agência Brasil.
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AL FINAL
Olga Jimenéz
Al final nos vamos a morir sin saber
nada,
mira que te lo tengo dicho.
Que te pierdes en las inmundicias de la
cotidianidad
y se te olvidan el amor, la virtud
y todos los gestos simples que
transmiten ambas cosas.
Al final nos morimos sin saber vivir,
te lo advierto.
Tú me miras y te ríes.
Te descojonas de mí y de la vida
porque se ha apoderado de ti la
sensación de inmortalidad
que otorga la juventud plena.
Pero yo ya soy una anciana,
nací con la consciencia de la muerte
grabada en las pupilas
y miro con ellas a todas las cosas.
Pongo a la muerte entre el mundo y yo.
Mido con esta vara, fin último de
nuestra existencia.
Sé que no me entiendes y que te parezco
una mujer triste.
Lo que no sabes
es que puedo aprender a vivir hoy
porque ya aprendí a morir hace mucho
tiempo.
AO FINAL
Ao final nós vamos morrer
sem saber nada,
Veja o que tendo dito.
Que te perdes na imundície
da vida cotidiana
e se te esquece o amor, a
virtude
e todos os gestos simples
que transmitem ambas as coisas.
Ao final nós morremos sem
saber viver,
Eu te advirto.
Tu me olhas e ris.
Te desencorajas de mim e da
vida
porque há se apoderado de
ti a sensação de imortalidade
que outorga a juventude
plena.
Porém eu já sou um anciã,
Nasci com a consciência
da morte gravada nas pupilas
e olha com ela para todas
as coisas.
Ponho a morte entre o
mundo e eu.
Meço com esta vara, fim
último da nossa existência.
Sei que não me entendes e
pareço uma mulher triste.
O que você não sabe
é que posso aprender a
viver hoje
porque já aprendi a
morrer faz muito tempo.
Ilustração: Fatos Desconhecidos.
No entanto do teu corpo é meu temor
Ao vê-lo suado voluptuoso na dança
E ao pensar que, na cama, tuas tranças
Hão de se molhar na febre do amor.
Olhos fechados já o vejo doce, inteiro
Na mansidão de um mar tão perigoso
Naufragarei tão forte, tão fogoso
Sexo afoito por pernas, pelos, cheiros.Sonho já com ardentes beijos úmidos
Com as mãos perdidas nos achados seios
na procura de um prazer na qual os meios
fará dos vencedores, os vencidos.
E se o pecado for azul ou cor de rosa,
A luz do desejo, a energia da ação
Hão de fazer da carne a tentação,
refúgio certo do prazer que se goza.
Podes fingir que não és tão manhosa
Sabendo que só procuro os braços teus
para ter o prazer supremo que um deus
No cálice de um mortal em gotas dosa.
E bebo, do teu momento, o auge
Como a bebida mais doce e preciosa
Sorvendo com a língua o doce leite.
Rei, dentro de mim, puro deleite.
O que sempre é
sempre foi.
Não da forma como pensamos
que devia ser
(nosso pensamento é temporal, minúsculo).
O que há de mais notável
no imensurável
é impercebível para o nosso perceber
que distingue entre o velho e o novo Eón,
quando são os mesmos,
quando o indeterminado não tem limites.
É impossível ao besouro
quantificar o tempo da tartaruga.
Sei que isto não ajuda,
mas nada irá ajudar
o que não se pode explicar.
O tempo é,
foi,
será
para sempre
quanto mais tempo passe
daqui para frente.
Sendo o mesmo
sem nunca voltar.
Ilustração; Conceitos.com.
[AEONS QUEST EYE ON]
Julie Ezelle-Patton
Aeons quest eye on
prob limp
race
Eeeee burrow @ a tomb
well arm’d glossy head Head limp
hearT Never met a
muscle couldn’t raptivate
H inside y/our dark neat holdshout
R O if ever words would
B Free me
From your open book
Writing in
Soil
Heartheartheartearthearth glad to bee
a live wing
[EÓNS A BUSCA DO OLHAR SOBRE]
A busca de Eóns do olhar
problema de cabeça mole
Eeeee toca @ uma tumba
bem armada brilhante cabeça Cabeça mole
coraçãoT Nunca encontrei um
músculo que não pudesse arrebatar
H dentro eu/seu grito escuro e limpo
R O se alguma vez as palavras fossem
B Liberte-me
Do seu livro aberto
Escrevendo no
solo
Coraçãocoraçãocoração feliz por
ser uma abelha
uma asa viva
Ilustração: http://www.sobreestoyaquello.com/.
Rosana Acquaroni
ERAS UNA MUJER DEJADA A
PLAZO FIJO
un cuerpo sin pespuntes
que se entierra en satén
bajo la lluvia.
Soledad amortizándose
en un piso de lujo
muebles
fiestas
vajillas
(y aquellos
indigentes
con dinero).
ERAS UMA MULHER DEIXADA A
PRAZO FIXO
um corpo sem costura
que se enterra em cetim
debaixo de chuva
solidariedade
amortizando-se
em um apartamento de luxo
móveis
festas
louças
(e aqueles
indigentes
com dinheiro).
Ilustração: Intangível e
Imutável.
É preciso destruir
para poder criar,
Por isto a dor ao
homem não pode faltar.
Assim como o
desejo que o motiva
A crer, ou dar um
sentido ao mistério
Da vida, dos
brinquedos que o cativa,
Criança eterna que
brinca de ser sério,
Fugindo de
expressar os seus receios
Mesmo se sabe ser
a lógica o único meio
Da mente controlar
o inapreensível
E pensar que o absurdo
é compreensível
Ainda que a
compreensão nada melhore
E a dor ou o
prazer nem sequer traga
Um lenitivo à
guerra da existência
Que segue sendo o
preço de existir.
Só os conscientes
desanimam cedo,
De vez que
conseguem superar o medo,
E estancam o
pensar e o fluir num golpe.
Estes sabem que só
há um caminho: a morte.
Ilustração:
Psicológos.com.
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OLD AGE
Maxwell Bodenheim
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Rosana Acquaroni
UNA MUJER QUE SIENTE QUE
ESTÁ SOLA
tiene muchas maneras de
morir
a manos de ella misma.
Basta con extraer de su
mirada
aquel brillo incendiario
de la niña que fue.
Una mujer que siente que
está sola
tiene muchas maneras de
caer.
Basta con tatuar en su
centro:
estás hecha de nadie
y no sirves de nada sin
un hombre.
Una mujer que siente que
está sola
tiene muchas maneras de
inmolarse por dentro
sin que nadie lo note.
Basta con amarrarse
un corazón de hielo
alrededor del cuerpo
y esperar.
UMA MULHER QUE SENTE QUE
ESTÁ SÓ
tem muitas maneiras de
morrer
pelas próprias mãos.
Basta extrair do seu
olhar
aquele brilho incendiário
da menina que ela foi.
Uma mulher que sente que
está só
tem muitas maneiras de
cair.
Basta tatuar no seu centro:
és feita de ninguém
e não serves de nada sem
um homem.
Uma mulher que sente que
está só
Tem muitas maneiras de
imolar-se por dentro
sem que ninguém o note.
Bast amarrar-se
a um coração de gelo em
redor do corpo
e esperar.
Ilustração: Spirit
Fanfics e Histórias.
Não, meus amigos,
nenhuma pobreza
é fonte de
direitos ou digna de afetos.
Tudo bem que se
ofereça uma sopa,
para acabar com a
fome física,
ou um livro para
por fim à fome mental.
Mas, a pobreza em
si somente é digna de pena
e só fica bem, num
quadro, numa cena.
Não pode ser, como
muitos pensam,
pobremente é
verdade,
motivo para mover
a humanidade
ou que justifique
a revolta ou a uniformidade.
A igualdade é uma
mera forma de retórica
que num bom
pensamento não fica
e só os sofistas
podem levar a sério.
No mundo, o mais
doce mistério,
É que, apesar de
sermos todos chineses,
Somos muito
diferentes!
Ilustração:
Almrsal.com.