Thursday, April 07, 2011

Um Van Gogh do amor


Nada do que fizermos há de mudar o que houve.
Sei que, hoje, talvez, te arrependas do amor passado,
Mas, a vida só vale à pena
Quando se olha para trás e há mais do que os ramos secos dos dias,
Quando existe a certeza de que existiu a alegria, o sentimento, a emoção!

Sei que dizes por aí que fui uma ilusão infeliz
Como se quisesses apagar a ternura que ainda me transmite
o teu olhar.
Deve ser pelo fato de que não consigas chorar
E porquê não vivemos todo o grande amor que deveríamos viver.
Sinto te dizer
Que não há tempo nem espaço para mudar
o roteiro que a vida nos deu.
O que se perdeu, se perdeu.
O que se ganhou foi a ternura, o amor
Que construímos com as palavras e os encontros
Que, mesmo não sendo tantos,
Foi palco de um gozo tão grande e infinito
Que permanece na galeria de nossas vidas
Como o quadro mais bonito
E não posso fazer nada
Se, hoje, me diz
Que o escondeu voltado para a parede.

O nosso amor foi uma obra de arte
E cada qual faz o que quer com sua parte.
A minha sempre vou expor
Como se fosse um Van Gogh do amor.

1 comment:

Raíz said...

Que lindo, Silvio!

É tão raro se falar de amor, em poemas. E se este é verdadeiro, mais lindo ainda!

Beijos

Mirze