Saturday, January 31, 2026

A poesia de Patrizia Cavalli

 

 


Patrizia Cavalli 

E chi potrà più dire

che non ho coraggio, che non vado

fra gli altri e che non mi appassiono?

Ho fatto una fila di quasi

mezz’ora oggi alla posta;

ho percorso tutta la fila passetto

per passetto, ho annusato

gli odori atroci di maschi

di vecchi e anche di donne, ho sentito

mani toccarmi il culo spingermi

il fianco. Ho riconosciuto

la nausea e l’ho lasciata là

dov’era, il mio corpo

si è riempito di sudore, ho sfiorato

una polmonite. Non d’amor di me

si tratta, ma orrore degli altri

dove io mi riconosco.

 

E quem poderá dizer

que eu não tenho coragem, que eu não ando

entre os outros, e que não apaixono?

Esperei na fila por quase

meia hora hoje no correio;

percorri por toda a fila passo a passo

passo a passo, senti

os odores atrozes de machos

velhos, e até mesmo mulheres, senti

mãos tocando minha bunda, empurrando

meu quadril. Reconheci

a náusea e a deixei ali

onde estava; meu corpo

se encheu de suor, quase peguei

pneumonia. Não se trata de amor próprio

mas de horror aos outros

onde me reconheço.

Ilustração: Fábrica de Artes. 




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