Saturday, January 31, 2026

Outra poesia de Cécille Collon

 



LES VOLCANS 

 Cécille Collon

Il faut qu´on parle des volcans.
Ce fut sublime de grandir au milieu des géants
aux gueules grandes ouvertes.
Enfant, chaque jour, je m´enfonçais
avec cette vitesse de fille gâtée
dans les profondeurs de la terre.
Il me suffisait de poser une oreille
contre la pierre noire que la forêt avalait
pour sentir le cœur battre ;
ils disent que le feu ne reviendra
probablement jamais.
Ce n´est pas vrai.
C´est une erreur de penser que mille années
suffisent à éteindre
le brasier des géants.
Simplement, ils se taisent ;
de temps en temps ils murmurent,
personne ne les entend.
Leurs paupières sont froissées :
quand l´été les surprend ils se couvrent
d´herbes sèches pour étouffer
le ronronnement de la vallée.
On ne m´a rien dit, rien expliqué.
Je le sais. Dedans ma poitrine
j´ai le même cratère abîmé
d´un volcan endormi dans vingt-six ans
de cendres renversées,
cerclé de prairies sombres, nourri d´une colère
chargée de tempêtes anciennes.
Il faut qu´on parle de mon volcan.
De cette robe légère que ta voix
lui a taillée, pour lui et pour lui seul,
dans la lumière.
de ce geste si simple,
quand tu glisses, en silence, sur son flanc,
quand tu poses ton oreille contre sa peau
d´écorce, de fumée et de sang
et qu´enfin se rejoignent,
dans cette heure si particuliere
où les arbres s´éteignent,
la main de la fureur mise dans celle du volcan.

OS VULCÕES

É necessário falar dos vulcões.

Foi sublime crescer meio aos gigantes

Com a boca escancarada.

Quando criança, todos os dias eu mergulhava

com a velocidade de uma menina mimada

nas profundezas da terra.

Bastava encostar um ouvido

na pedra negra que a floresta tragava

para sentir as batidas do coração;

Dizem que o fogo não voltará

provavelmente nunca.

Não é certo.

É um erro pensar que mil anos bastam

para apagar a brasa dos gigantes.

Eles simplesmente se calam,

De tempos em tempos murmuram,

Ninguém os escuta.

Suas pálpebras estão enrugadas:

quando o verão os surpreende se cobrem

de ervas secas para afogar

o ronronar do vale.

Não me disseram nem explicaram nada.

Eu o sei. Dentro de meu peito

tenho o mesmo caráter estropiado

de um vulcão adormecido em vinte e seis anos

de cinzas espalhadas,

cercado de prados obscuros, alimentado

de uma cólera de antigas tempestades.

É necessário falar de meu vulcão.

Sobre este manto leve que a tua voz

talhou para ele, para ele e só para ele,

na luz.

Sobre este gesto simples,

quando deslizas, silenciosamente, pelo seu flanco,

quando encostas o teu ouvido à sua pele

de casca, fumo e de sangue

e quando, até que enfim, nesta hora tão particular

quando as árvores escurecem,

juntando-se a mão da fúria se une à do vulcão.

Ilustração: Freepik. 

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