LES VOLCANS
Cécille Collon
Il faut qu´on parle des volcans.
Ce fut sublime de grandir au milieu des géants
aux gueules grandes ouvertes.
Enfant, chaque jour, je m´enfonçais
avec cette vitesse de fille gâtée
dans les profondeurs de la terre.
Il me suffisait de poser une oreille
contre la pierre noire que la forêt avalait
pour sentir le cœur battre ;
ils disent que le feu ne reviendra
probablement jamais.
Ce n´est pas vrai.
C´est une erreur de penser que mille années
suffisent à éteindre
le brasier des géants.
Simplement, ils se taisent ;
de temps en temps ils murmurent,
personne ne les entend.
Leurs paupières sont froissées :
quand l´été les surprend ils se couvrent
d´herbes sèches pour étouffer
le ronronnement de la vallée.
On ne m´a rien dit, rien expliqué.
Je le sais. Dedans ma poitrine
j´ai le même cratère abîmé
d´un volcan endormi dans vingt-six ans
de cendres renversées,
cerclé de prairies sombres, nourri d´une colère
chargée de tempêtes anciennes.
Il faut qu´on parle de mon volcan.
De cette robe légère que ta voix
lui a taillée, pour lui et pour lui seul,
dans la lumière.
de ce geste si simple,
quand tu glisses, en silence, sur son flanc,
quand tu poses ton oreille contre sa peau
d´écorce, de fumée et de sang
et qu´enfin se rejoignent,
dans cette heure si particuliere
où les arbres s´éteignent,
la main de la fureur mise dans celle du volcan.
OS VULCÕES
É necessário falar dos
vulcões.
Foi sublime crescer meio
aos gigantes
Com a boca escancarada.
Quando criança, todos os
dias eu mergulhava
com a velocidade de uma
menina mimada
nas profundezas da terra.
Bastava encostar um
ouvido
na pedra negra que a
floresta tragava
para sentir as batidas do
coração;
Dizem que o fogo não
voltará
provavelmente nunca.
Não é certo.
É um erro pensar que mil
anos bastam
para apagar a brasa dos
gigantes.
Eles simplesmente se
calam,
De tempos em tempos
murmuram,
Ninguém os escuta.
Suas pálpebras estão
enrugadas:
quando o verão os
surpreende se cobrem
de ervas secas para
afogar
o ronronar do vale.
Não me disseram nem
explicaram nada.
Eu o sei. Dentro de meu
peito
tenho o mesmo caráter
estropiado
de um vulcão adormecido
em vinte e seis anos
de cinzas espalhadas,
cercado de prados
obscuros, alimentado
de uma cólera de antigas
tempestades.
É necessário falar de meu
vulcão.
Sobre este manto leve que
a tua voz
talhou para ele, para ele
e só para ele,
na luz.
Sobre este gesto simples,
quando deslizas,
silenciosamente, pelo seu flanco,
quando encostas o teu
ouvido à sua pele
de casca, fumo e de
sangue
e quando, até que enfim,
nesta hora tão particular
quando as árvores escurecem,
juntando-se a mão da
fúria se une à do vulcão.
Ilustração: Freepik.
No comments:
Post a Comment