Saturday, January 31, 2026

Um poema de Cécille Colon

  


Á VENDRE  
Cécille Collon

C´est un morceau de terre noire entre deux vallées
entretenues par des troupeaux de vaches,
de brebis et des orages furieux ;
c´est dans le poing fermé des falaises
un minuscule caillou en forme de maison
que les arbres et la montagne auront
bientôt avalé.
Un endroit comme un visage sans yeux
flanqué d´une pauvre route
où les hommes ont péri,
c´est peut-etre du feu de mon enfance
la dernière braise :
il n´y a plus de lumière blanche au plafond
ni de volets qui grincent aux fenêtres du salon,
c´est un carré d´argile irrégulier qui surplombe
un bras d´eau long comme une tige de coquelicot
vue du ciel.
Il faut marcher longtemps
pour atteindre la fontaine,
apporter à ta bouche séchée la source des rochers
et raviver la flamme
au cœur de ce morceau de terre tenu serré
dans la paume du soleil.
Nous sommes montés si haut pour, enfin, vivre hors du monde,
pour, enfin, s´approcher des oiseaux
et toucher les flocons
qu´il m´est impossible, à présent, de redescendre.
Les herbes ont tout dévoré,
la rambarde chancelante est couverte
de poussière et de toiles d´araignée ;
ils disent qu´il faudrait VENDRE
comme le reste
VENDRE
les bandes dessinées, la ferme, le lait, le terrain
le parc autour du petit manoir où nous enterré
le chien
VENDRE
mon corps, ma voix, la couleur de mes cheveux
tant qu´il est encore temps.
pendant qu´ils prennent de lourdes décisions
j´attends contre le vaisselier avec une cigarette
éteinte à la main
que je n´ose pas allumer
à cause de l´odeur, de la fumée ;
VENDRE
dehors le volcan voisin a mis ses laines d´hiver
il y a des taches noires dessus
et tandis qu´il s´agit, une fois encore,
de VENDRE,
je songe à ce morceau de terre entre deux vallées
où nous n´irons jamais ensemble.

À VENDA

É um pedaço de terra negra entre dois vales

habitado por rebanhos de vacas,

ovelhas e tempestades furiosas;

é no punho cerrado dos penhascos

um pequeno seixo em forma de casa

que as árvores e a montanha

em breve devorarão.

Um lugar como um rosto sem olhos

flanqueado por uma estrada precária

onde homens pereceram,

é, quem sabe, a última brasa do fogo da minha infância:

não há mais luz branca no teto

nem o rangido das venezianas nas janelas da sala de estar,

é um quadrado irregular de barro com vista para

um trecho de água tão comprido quanto o talo de uma papoula

visto do céu.

Tem que se caminhar muito tempo
até alcançar a fonte,
levar à tua boca seca o manancial das rochas
e reavivar a chama
no meu coração desse pedaço de terra sustentado,
apertado na mão do sol.
Subimos tão alto para, ao fim, viver fora do mundo,
para, ao fim, aproximar-se dos pássaros
e tocar os flocos,
que agora me é impossível descer.
A erva já devorou tudo,

a precária balaustrada está coberta
de pó e de teias de aranha.
Dizem que devemos VENDER

como tudo o mais

VENDER

as tirinhas de quadrinhos, a fazenda, o leite, a terra

o parque ao redor da pequena mansão onde enterramos

o cachorro

VENDER

meu corpo, minha voz, a cor do meu cabelo

enquanto ainda há tempo.

enquanto eles tomam decisões difíceis

espero junto ao aparador com um cigarro apagado na mão

que não me atrevo a acender

por causa do cheiro, da fumaça;

VENDER

lá fora o vulcão vizinho vestiu seu manto de inverno

há manchas pretas nele

e enquanto é uma questão, mais uma vez,

de VENDER,

penso naquele pedaço de terra entre dois vales

onde jamais iremos juntos.

Ilustração: A Arca.Com. 

No comments: