Tuesday, July 30, 2019

Outra poesia de Maurizio Cucchi


AGNESE                                              
Maurizio Cucchi

Il mio risveglio è stato nel tuo nome
sussurrato e un saluto un bianco sogno
Agnese che ritorni ombra che passi figuretta
bianca sottile che non mi ami.
Io ti seguo con l’occhio e con la penna
mentre scivoli e c’è la guerra
in Santa Maria Fulcorina. Sono poco
un adolescente un angelo una fantasia
sono un signore che ti pensa e inventa
mite e vile affettuoso e coltivo
la mia mania.

AGNES
(Mas, poderia ser Li ou Tânia)

Meu despertar estava em teu nome
sussurrado e uma saudação de um branco sonho
Agnes, que retorna à sombra de uma pequena figura
branca fina que não me ama.
Eu te sigo com o olhar e a caneta
enquanto desliza e há guerra
em Santa Maria Fulcorina. Sou pequeno
um adolescente um anjo uma fantasia
Sou um cavalheiro que pensa em ti e inventa
vil e covarde afetuoso e cultivo
a minha mania.

Ilustração: flickr.com.

Outra poesia de Katherine Mansfield


MALADE                        
Katherine Mansfield

The man in the room next to mine
has the same complaint as I.
When I wake in the night I hear him turning.
And then he coughs.
And I cough.
And after a silence I cough. And he coughs again.
This goes on for a long time.
Until I feel we are like two roosters
calling to each other at false dawn.
From far-away hidden farms.

DOENTE

O homem do quarto vizinho ao meu
tem a mesma doença que a minha.
Quando acordo de noite o escuto dando voltas e depois tosse.
E tusso eu.
E depois de um silêncio eu tusso. E ele tosse de novo.
Isto se passa por um longo tempo.
Até que sinto que somos como dois galhos
chamando-se em um falso amanhecer
desde fazendas grandes e escondidas.

Ilustração: Artmajeur.

Monday, July 29, 2019

Uma poesia de Katherine Mansfield


WHY LOVE IS BLIND                             

Katherine Mansfield

The Cupid child tired of the winter day
Wept and lamented for the skies of blue
Till, foolish child! He cried his eyes away-
And violets grew.


POR QUE O AMOR É CEGO 

O Cupido criança cansada dos dias de inverno
chorava lamentando-se pelo céu triste
Até que, menino tolo! Chorou até seus olhos doerem;
e as violetas cresceram.

Ilustração: Coisas Do Amor...

Uma poesia de Archibald MacLeish


ARS POETICA              
Archibald MacLeish

A poem should be palpable and mute
As a globed fruit

Dumb
As old medallions to the thumb

Silent as the sleeve-worn stone
Of casement ledges where the moss has grown -

A poem should be wordless
As the flight of birds

A poem should be motionless in time
As the moon climbs

Leaving, as the moon releases
Twig by twig the night-entangled trees,

Leaving, as the moon behind the winter leaves,
Memory by memory the mind -

A poem should be motionless in time
As the moon climbs

A poem should be equal to:
Not true

For all the history of grief
An empty doorway and a maple leaf

For love
The leaning grasses and two lights above the sea -

A poem should not mean
But be

ARS POETICA


Um poema deve ser palpável e mudo
como uma fruta redonda

Sem voz
Como os medalhões antigos para o polegar

Silenciosa como a pedra usada na manga
das bordas do batente onde o musgo cresceu -

Um poema deveria ser sem palavras
Como o vôo dos pássaros

Um poema deve estar imóvel no tempo
enquanto a lua sobe

Deixando, como a lua solta
ramo por ramo as árvores as árvores enredadas pela noite,

Deixando, como a lua por trás das folhas de inverno,
lembrança por lembrança a mente -

Um poema deve estar imóvel no tempo
enquanto a lua sobe

Um poema deve ser igual a:
não é certo

Por toda a história do luto
uma porta vazia e uma folha de bordo

Por amor
as gramas inclinadas e as luzes sobre o mar -

Um poema não deve significar
sim ser

Ilustração: Saatchi Art.

Uma poesia de Pierre Rosin





Pierre Rosin

Le voyage tu le fais
Sur une mer intérieure
Aux vents légers
Inconsistance incomplétude

Sur la carte passée
Ne restent que ton regard
La trace d’un naufrage
Des nombres pour marquer chaque absence
Chaque départ

Les chiffres ne protègent de rien


A viagem que você faz
sobre um mar interior
com ventos fracos
inconsistência incompletude

Sobre o cartão passado
não restou mais que seu olhar
o traço de um naufrágio
números para marcar cada ausência
cada partida

Os números não protegem nada.

Ilustração: Quinta Capa.

Uma poesia de Maurizio Cucchi



MI MUOVO VERSO STRATI                   

Maurizio Cucchi |

Mi muovo verso strati
sempre più occulti, come
un archeologo, o un operaio
che manovra, nell’ignoranza
senza fine delle tenebre,
verso residui fossili, e rivoli
nascosti, mentre trabocca
la sua realtà geografica
di intrecci collettivi, emblemi
o approssimazioni di altri
molteplici intrecci sconosciuti.

ME MOVO POR CAMADAS

Me movo por camadas
cada vez mais ocultas, como
um arqueólogo ou um trabalhador
que manobra, na ignorância
sem fim da escuridão,
em direção a resíduos fósseis e fluxos
escondidos enquanto transborda
sua realidade geográfica
de lotes coletivos, emblemas
ou aproximações de outros
múltiplos lotes desconhecidos.
Ilustração: revistaenfoque.com.co.

Outra poesia de Giovanna Frene





Giovanna Frene

Le parole mi ricordano i luoghi
i luoghi                     le condizioni
è tutta qui la mia vita
raggrumata   rappresa su fogli
tendenti al bianco? Il nero a cui
mi appresso         è più chiaro
ma scendendo ho visto l’abbraccio di natura e
dissipazione         proprio ai miei piedi, e il vagito
spento del bambino senza fallo mi ha indicato
un’eternità immemore di pietra, un infinito
spegnersi della luce.


A palavra me recorda lugares
os lugares as condições
é toda minha vida aqui
coagulada, represada em folhas
tendendo a branco? O preto ao qual
me aproximo é mais claro
mas, descendo eu vi o abraço da natureza e
a dissipação bem aos meus pés, e o choro
extinto do menino sem falta me indicou
uma eternidade imemorial de pedra, um infinito
para apagar a luz.

Ilustração: Apenas Uma Historiadora - WordPress.com.

Mais uma poesia de Goliarda Sapienza


Goliarda Sapienza                                                                      

Separare congiungere
spargere all’aria
racchiudere nel pugno
trattenere
fra le labbra il sapore
dividere
i secondi dai minuti
discernere nel cadere
della sera
questa sera da ieri
da domani

Juntar o separado
espalhar no ar
encaixotar no punho
reter
entre os lábios o gosto
dividir
os segundos dos minutos
discernir no cair
da noite
como será esta noite desde ontem
a partir de amanha

Ilustração: O Município.

Uma poesia de Freddy Jiménez


SERIOS PROBLEMAS                                            
Freddy Jiménez

Debo admitir que tengo
serios problemas con su sonrisa,
es como magia que me atrapa,
que me provoca las ganas de
lhenar de besos todo su rostro,
y terminar con un beso,
justo ahí,
en médio de su sonrisa.

SÉRIOS PROBLEMAS

Devo admitir que tenho
sérios problemas com seu sorriso,
é como uma magia que me atrapalha,
que me provoca desejos
de encher de beijos seu rosto,
e terminar com um beijo,
bem aí,
no meio de seu sorriso.

Ilustração: jetanimes.com.

Saturday, July 27, 2019

Ainda a poesia de Manuel Gutiérrez Nájera


Última necat                

Manuel Gutiérrez Nájera

¡Huyen los años como raudas naves!
¡Rápidos huyen! Infecunda Parca
pálida espera. La salobre Estygia
calla dormida.

¡Voladores años!

¡Dado me fuera detener convulso,
horas fugaces, vuestra blanca veste!
Pasan las dichas y temblando llegan
mudos inviernos...

Las fragantes rosas
mustias se vuelven, y el enhiesto cáliz
cae de la mano. Pensativa el alba
baja del monte. Los placeres todos
duermen rendidos...

En mis brazos flojos
Cintia descansa.

A ÚLTIMA MATA

Os anos fogem como rápidos navios!
Fugir rapidamente! Ceifadora infecunda
Pálida espera. O Estygia salgado
Cala a boca adormecida.

Voadores anos!

Dado que me fora deter a convulso,
horas fugazes, o seu vestido branco!
Passam os bons tempos e tremendo chegam
mudos invernos...

As rosas perfumadas
murchas se tornam e o cálice
ereto cai da mão. Pensativo o amanhecer
baixa sobre o monte. Todos os prazeres
dormem rendidos ...

Nos meus braços frouxos
Cintia descansa.

Wednesday, July 24, 2019

Poeminha contra os homens ocos!



Há sim! Existem muitos homens ocos.
Alguns fingem ser intelectuais,
enquanto repetem bordões banais.
Muitos citam Marx, Foucault, Rousseau, Marcuse, Gramsci,
depois de ter lido uma página.
E se sentem, falam, apontam os dedos sujos
contra os demais, que só querem paz,
e ter uma vida decente,
como cúmplices, como indiferentes
ao destino humano.
Os homens ocos se acham o supra-sumo humano,
parecem sempre conhecer o futuro,
serem seres iluminados,
que, nunca, estão errados,
e sempre seguem, como uma boa manada,
um líder qualquer, que não entende nada,
mas, tem a solução para tudo.
É fácil de reconhecer um homem oco:
falam sempre em nome da sociedade,
dos grupos minoritários,
são defensores, sem mandato, da igualdade
e pregam que acabarão com a fome,
as diferenças, a desumanidade,
que, claro, está nos outros.
O discurso dos homens loucos
( e das mulheres-há mulheres, muitas, ocas também)
é repleto de boas intenções, exige ação,
falam sempre em nome dos mais pobres,
da nação, do bem-estar internacional,
porém, abaixo da cobertura doce,
podem crer,
existe sempre um ditador em potencial,
um homem obcecado por poder.
Eles se vestem, e empunham, a bandeira da vanguarda,
da esquerda,
como se a Natureza exigisse a igualdade
e repetem, com enfase, palavras antigas, antiquíssimas,
para poder dividir e reinar.
Algumas vezes, até chega a dar certo,
por algum tempo,
porém, chega o momento
em que a realidade se impõe.
E o homem oco
não aceita, nem um pouco,
que o mundo não se curve aos seus desejos
procurando impedir que a vida avance em vão.
Pobres homens ocos!!!
O tempo, por mais que fale em história,
se esvai 
com o progresso,
que caminha, por mais lento que seja,
e nos leva, inevitavelmente,
para a maior diversidade.
Por isto, meus amigos, se protejam.
E repitam comigo:
-Abaixo os homens ocos!
-Abaixo os vendedores de ilusão!
Não basta empunhar livros,
ter livros nas mãos.
É preciso, acima de tudo, compreendê-los!
Não basta falar em humanidade.
É preciso ser humano.
E tantos os santos, quanto os sábios, sabem
que não se muda o mundo por revolução,
que é, na verdade,
o meio do tirano
impor sua vontade.
É apenas a violência
que silencia, engana, ilude, mata,
como fazem sempre os homens ocos,
em nome da verdade!

Tuesday, July 23, 2019

Uma poesia de Jackie Rhone



MY MOTHER

Jackie Rhone

She dresses simply in clothes she adores
Her hair is always in a bun
But don't expect any flair
Her beauty comes from within

Her world is made of stories of others
Her favorite star is the sun
Her laughter is rare
To speak of her, How can i begin?
Me mother is so dear and yet so far
I hold her dear to my heart.

MINHA MÃE

Ela se veste simplesmente com as roupas que adora
Seu cabelo é sempre feito um coque
Porém, não espere nenhum dom extraordinário,
Que sua beleza vem de dentro

Seu mundo é feito de histórias de outros
Sua estrela favorita é o sol
Sua risada é rara
Para falar dela, como posso começar?
Minha mãe é tão querida e ainda tão longe
Que a guardo tão adorada no coração.

Monday, July 22, 2019

E, mais uma vez de volta, Yves Bonnefoy



L’inachevable

Yves Bonnefoy

Quand il eut vingt ans il leva les yeux, regard le ciel, regarda la terre à nouveau, -avec attention. C’était donc vrai! Dieu n’avait fait qu’ebaucher le monde. Il n’y avait laissé que des ruines.
Ruines ce chêne, si beau pourtant. Ruines cette eau, qui vient se briser si doucement sur la rive. Ruines le soleil même. Ruines tous ces signes de la beauté comme le prouvent bien les nuages, plus beaux encore.
Seule la lumière a eu vie pleine peut-être, se dit-il. Et c’est pour cela qu’elle semble simple, et incréée. -Depuis, il n’aime plus, dans l’œvre des peintres, que les ébauches. Le trait qui se ferme sur soi lui semble trahir la cause de ce dieu qui a préféré l’angoisse de la recherche à la joie de l’œvre accomplie.

O INACABADO
Quando ele teve vinte anos levantou o olhar para o céu, viu novamente a terra, com atenção. Era certo então. Deus não fez mais do que um esboço do mundo. Não deixou nada senão ruinas.
Ruinas este carvalho, ainda sendo tão belo. Ruinas a água que vem, suavemente, quebrar na praia. Ruinas o sol mesmo. Ruinas todos estes sinais de beleza, como bem provam as nuvens, ainda mais belas.
Só a luz possui vida plena, se diz. E por isto pareceria simples e não criada. Desde então os esboços são os únicos que ele gosta das obras dos pintores. O traço que se encerra sobre si mesmo parece-lhe trair a causa desse deus que preferiu a angústia da busca da alegria à obra concluída.
Ilustração: Ruiz-Healy Times.

Outra poesia de Manuel Gutiérrez Nájera


EN UN ABANICO                    

Manuel Gutiérrez Nájera

Pobre verso condenado
a mirar tus labios rojos
y en la lumbre de tus ojos
quererse siempre abrasar.

Colibrí del que se aleja
el mirto que lo provoca
y ve de cerca tu boca
y no la puede besar.

SOB UM LEQUE

Pobre verso condenado
a olhar teus lábios vermelhos
e na luz de teus olhos
querer sempre se acender.

Beija-flor do que se afasta
a murta que o provoca
e se vê perto da tua boca
e não a pode beijar.

Ilustração: maria aparecida torneiros.

Uma poesia de Ada Inés Lerner


 La pasión en el tiempo

 Ada Inés Lerner

Antiguo quedo el amor en el tiempo
la sed ajena se equivoca
es mirar de afuera la mesa puesta
carne antigua que se incendia.

En la edad perdida del amor
la pasión evocada se retoba
los ojos se nublan detrás del silencio
silencio que duele y ahora sí importa
el color rojo sangre de la pasión perdida

Y atrás el tiempo antiguo lacera
la ternura que la piel imagina
hasta que queda yerta en la cama
en pasiva actitud de inútil espera



A PAIXÃO DO TEMPO

Antigo permanecer do amor no tempo
a sede alheia se equivoca
é olhar de fora a mesa posta
carne antiga que se incendeia.

Na idade perdida do amor
a paixão evocada se retoma
os olhos estão nublados detrás do silêncio
silêncio que dói e agora se importa
a cor vermelha do sangue da paixão perdida

E atrás o tempo antigo lacera
a ternura que a pele imagina
até que ela caia inerte na cama
em passiva atitude de inútil espera