Thursday, October 17, 2019

Uma poesia de Giovanni Giudici


A UNA GIOVANE SINDACALISTA            
Giovanni Giudici

Parleranno di Beatrice, di Laura, di Eleonora
D’Este e Juliette Récamier,
Di Jeanne e Madame Sabatier
E molte altre ancora.

Ma io solo qui scrivo di te,
Mia charmeuse, mia encantadora:

Secoli di trattati sull’erotismo
Non valgono la tua risata di gola.

A UMA JOVEM SINDICALISTA

Falarão de Beatriz, de Laura, de Eleonora
D’Este e Juliette Récamier,
De Jeanne e Madame Sabatier
E de muitas outras, ora.

Mas, eu só, aqui, escrevo de ti,
minha charmosa, minha encantadora:

Séculos de tratado sobre o erotismo
não valem a tua risada sonora.

Outra poesia de Oriol Alonso Cano


FELICIDAD                                      
Oriol Alonso Cano

Feliz cumpleaños,
te lo desea
el desaparecido,
el ausente que se esfumó
de tu impaciencia.

Tiempo ha pasado,
siglos se han encadenado
sin ver el fin
para borrar
un sinsentido divino.

Gozas de tu vida,
yo de la mía,
mientras nuestros fantasmas
se unen
en la desdicha.

FELICIDADE

Feliz aniversário,
te deseja
o desaparecido
o ausente que desapareceu
da tua impaciência

O tempo passou,
séculos foram acorrentados
sem ver o fim
apagar
um absurdo divino.

Aproveitas a tua vida,
Eu, a minha,
enquanto nossos fantasmas
se unem
na desdita.



Uma poesia de Carmen Sánchez Álvarez




Carmen Sánchez Álvarez

Amanece luz pasión
en los atardeceres del mundo.
Es la hora de silencios gemidos,
es la hora de triunfar lechos,
estandartes y miradas,
es la hora de los guiños.
Aunque cárdenas espadas y un bisturí
afilado, adornados en terciopelo,
esperan la despedida.
Un interrogante, una respuesta,
una salida, siempre la vida.
Y vuelves a empezar.


Amanhece luz paixão
nos entardeceres do mundo.
É a hora de silêncios gemidos,
é a hora de triunfar os leitos,
estandartes e olhares,
Está na hora dos piscadelas.
ainda que cadeias espadas e um bisturi
afiado, adornado em veludo,
esperem a despedida.
Uma interrogação, uma resposta,
uma saída, sempre a vida.
E voltas a começar.




Wednesday, October 16, 2019

Uma poesia de León de Greiff revisada




Pues si el amor huyó, pues si el amor se fue

León de Greiff

Pues si el amor huyó, pues si el amor se fue…
dejemos al amor y vamos con la pena,
y abracemos la vida con ansiedad serena,
y lloremos un poco por lo que tanto fue…

Pues si el amor huyó, pues si el amor se fue…

Dejemos al amor y vamos con la pena..
Vayamos a Nirvana o al reino de Thulé,
entre brumas de opio y aromas de café,
y abracemos la vida con ansiedad serena!

Y lloremos un poco por lo que tanto fue…
por el amor sencillo, por la amada tan buena,
por la amada tan buena, de manos de azucena…

Corazón mentiroso! si siempre la amaré!


BEM, SE O AMOR FUGIU, SE O AMOR SE FOI 

Pois, se o amor fugiu, pois, se o amor se foi ...
deixemos o amor e vamos com a tristeza,
e abraçemos a vida com a ansiedade serena,
e choremos um pouco pelo que tanto foi ...

Pois, se o amor fugiu, pois, se o amor se foi ...

Deixemos o amor e vamos com a dor ..
Viajemos para o Nirvana ou o reino de Thulé,
entre névoas de ópio e aromas de café,
e abraçemos a vida com a ansiedade serena!

E choremos um pouco pelo tanto que foi ...
pelo amor simples, pela amada tão boa,
pela amada tão boa, de mãos de lírios ...

Coração mentiroso! sim, sempre a amarei!


Outra poesia de Michael Palmer





WHO IS TO SAY

Michael Palmer

Who is to say
that the House of Tongues is not that place
where rats swarm around your feet
under blooming sofas

is not that place
of poisoned snows, pens run dry
and secrets now too late to know
and certainly the murmuring there below

was a mur-was a mur-was a
murmuring almost to be heard
a bubbling like water
invisible, underneath

And look the shadow of a wing
does fall here as blood
does drink deeply of itself
and does whisper yes for no

Once these faces behind glass
might have returned your glance
might even have gathered up
their limbs, in order to stand

Who is to say
that certain of their words did not spill out
as far as the eyes of cats could see
across the river in the dark


QUEM DEVE DIZER

Quem deve dizer
que a Casa das Línguas não é aqule lugar
onde os ratos enxameiam em torno de seus pés
sob sofás florescendo

não é aquele lugar
de neve envenenada, canetas que secam
e segredos agora tarde demais para saber
e, certamente, o murmúrio lá embaixo

era um mur-era um mur-era um
murmurando quase para ser ouvido
um borbulhando como água
invisível, por baixo

E olhe a sombra de uma asa
cai aqui como sangue
bebe profundamente de si mesmo
e sussurra sim por não

Uma vez que aqueles rostos por trás do vidro
podem ter retornado seu olhar
podem até ter se reunido
a seus membros, a fim de ficar

Quem deve dizer
que certas palavras não se espalharam
tanto quanto os olhos dos gatos podiam ver
do outro lado do rio no escuro


Tuesday, October 15, 2019

UMA CANÇÃO PARA VOCÊ


Eu queria fazer uma canção para você                                  Que soasse como um canto de alegria
Como se fosse uma manhã de sol
De um dia muito azul, bem mais azul, 
Num outubro qualquer
Em que estivéssemos felizes de estar vivo.
Eu queria fazer uma canção
Para te dizer que meu coração
Não soube nunca que é teu,
Mas, bate na cadência dos teus passos
E, como um relógio vivo,
Quer que as horas passem contigo
Tão lentamente
Que se tenha a impressão,
A notável ilusão,
De que a vida será eterna.


Outra poesia de Yemira Maguiña




OSTINAZIONE

Yemira Maguiña

La necesidad extrema de fraguar tus manos hacia mí
sentir tu delicioso delirio buscando mi cuello
imaginarte con los ojos cerrados debatiendo en tus sesos
si todo esto tendrá una repercusión fatal
te maldices conmigo en tu empolvada austeridad,
porque le das oportunidad al amor cada vez que puedes
con la esperanza de ser ese feliz loco enamorado
pero sigues en mis agitaciones, apretado a mis pechos
y a mi voz, que te invade siempre
y yo me regocijo en cada segundo,
me apresuro a poseer tu latido,
acomodarlo al mío para que olvides tu lasitud
no te amo, es cierto, no sé amar, pero te pretendo cerca,
sin piel, asegurando un final enloquecido ansioso burbujeante.

OBSTINAÇÃO

A extrema necessidade de forçar tuas mãos em minha direção
sentir teu delicioso delírio procurando meu pescoço
imaginar-te com os olhos fechados debatendo em teus neurônios
se tudo isto terá um impacto fatal
te amaldiçoas comigo em tua empoeirada austeridade,
porque te dá uma oportunidade ao amor cada vez que podes
na esperança de ser esse feliz louco enamorado,
porém, segues nas minhas agitações, apertado a meus seios
e a minha voz, que te invade sempre
e me regojizo em cada segundo,
me apresso a possuir teus batimentos
acomodá-los aos meus para esquecer tua lassidão
não te amo, é certo, não sei amar, porém, te pretendo perto,
sem pele, assegurando um final enlouquecido ansioso borbulhante.


Monday, October 14, 2019

Uma poesia de Pierre Jean Jouve



Ah! Le poète

Pierre Jean Jouve

Ah! le poète écrit pour le vide des cieux
Pour bleu que l´hiver ne parvient plus à voir! il écrit dans la conjuration des silences de neige
Des étouffements de fêtes fallacieuses! et dans le manque, et dans la matité, chacune de ses lignes est comme s´il n´était pas (et son fin personnage, habillé aux lumières, est comme s´il n´était pas),
Et seul dans la conjuration secrète et admirable, regardez-le plaider pour ses amours bizarres
Quand nul n´osa pour lui le courage d´amour:
Alors sur la rive noir des vents fabuleux et des sommeils d´algues, et sous le poids très doux des tempêtes de brume,
Il enferme le mot dans la bouteille verte,
Cloches de désespoir et d´horribles engrumes!
Il jette à la vague supérieure une bouteille sans action, sans force et sans direction qui atteindra le plan d´amour
Un jour, hors de beauté, hors de gloire, hors de jour.


AH! O POETA

Ah! o poeta escreve para o vazio do céu
Para o azul que o inverno não pode mais ver! Ele escreve nos silêncios de conjuração de neve
No choque de festas falaciosas! e na falta e no embotamento, cada uma de suas falas é como se ele estivesse (e seu bom caráter, vestido com as luzes, é como se não estivesse),
E sozinho na conjuração secreta e admirável, observe-o defender seus amores bizarros
Quando em seu lugar ninguém teve a coragem de amar:
Então, na costa negra dos fabulosos ventos e no sono das algas, e sob o peso muito suave das tempestades de neblina,
Ele encerra a palavra na garrafa verde,
Sinos de desespero e vegetais horríveis!
Ele lança ao topo da onda uma garrafa sem ação, sem força e sem direção que alcançará o plano do amor
Um dia, fora de toda beleza, fora de toda a glória, fora de todo dia.


Outra poesia de Roberto Bolaño




POETA CHINO EN BARCELONA

Roberto Bolaño

Un poeta chino piensa alrededor
de una palabra sin llegar a tocarla,
sin llegar a mirarla, sin
llegar a representarla.
Detrás del poeta hay montañas
amarillas y secas barridas por
el viento,
ocasionales lluvias,
restaurantes baratos,
nubes blancas que se fragmentan.

UM POETA CHINÊS EM BARCELONA

Um poeta chinês pensa em volta
de uma palavra sem chegar à tocá-la,
sem chegar a olhá-la, sem
chegar a representá-la.
Por detrás do poeta há montanhas
amarelas e secas varridas
pelo vento,
chuvas ocasionais,
restaurantes baratos,
nuvens brancas que se fragmentam.

Ilustração: https://www.viajarpelomundo.com/.

Friday, October 11, 2019

Uma poesia de Oriol Alonso Cano


ANCLA                           
Oriol Alonso Cano

¿Qué se supone
que hay que hacer,
cuando los gestos exigen cercanías
pero la mirada anuncia
la destrucción?

¿Qué hay que hacer
cuando el cuerpo
te ancla en la miseria
pero el alma te empuja
a la redención?

ÂNCORA

O que se supõe
que há de fazer
quando os gestos exigem proximidade,
porém, o visual anuncia
à destruição?

O que há de fazer
quando o corpo
te prende na miséria,
porém, a alma te empurra
para a redenção?



Uma poesia de Roberto Bolaño




LLUVIA

Roberto Bolaño

Llueve y tú dices es como si las nubes
lloraran. Luego te cubres la boca y apresuras
el paso. ¿Como si esas nubes escuálidas lloraran?
Imposible. Pero entonces, ¿de dónde esa rabia,
esa desesperación que nos ha de llevar a todos al diablo?
La Naturaleza oculta algunos de sus procedimientos
en el Misterio, su hermanastro. Así esta tarde
que consideras similar a una tarde del fin del mundo
más pronto de lo que crees te parecerá tan sólo
una tarde melancólica, una tarde de soledad perdida
en la memoria: el espejo de la Naturaleza. O bien
la olvidarás. Ni la lluvia, ni el llanto, ni tus pasos
que resuenan en el camino del acantilado importan;
Ahora puedes llorar y dejar que tu imagen se diluya
en los parabrisas de los coches estacionados a lo largo
del Paseo Marítimo. Pero no puedes perderte.


CHUVA         

Chove e tu dizes que é como se as nuvens
Chorassem. Logo te cobre a boca e apressas
o passo. Como se essas nuvens esquálidas chorarão?
Impossível. Porém, então, de onde essa raiva,
Esse desesperança que nos há de levar a todos para o inferno?
A natureza oculta alguns de seus procedimentos
no Mistério, seu meio-irmão. Assim esta tarde
que consideras similar a uma tarde do fim do mundo
mais cedo do que pensas te parecerá tão só
Uma tarde melancólica, uma tarde de solidão perdida
na memória: o espelho da natureza. Ou bem
a esquecerás. Nem a chuva, nem o pranto, nem os teus passos
que ressoam no caminho do penhasco importam;
Agora podes chorar e deixar tua imagem se dilua
nos para-brisas dos carros estacionados junto ao largo
do passeio marítimo. Porém, não podes perder-te.

Ilustração: pixels.com.

Thursday, October 10, 2019

Outra poesia de Boris Vian


La vie, c'est comme une dent...                          
Boris Vian

La vie, c'est comme une dent
D'abord on y a pas pensé
On s'est contenté de mâcher
Ça vous fait mal, et on y tient
Et on la soigne et les soucis
Et pour qu'on soit vraiment guéri
Il faut vous l'arracher, la vie.


A VIDA É COMO UM DENTE ...

A vida é como um dente
De início, não pensamos nela
Nos contentamos apenas em mastigar
Com isto machuca, e nós a mantemos
E nós a tratamos e nos preocupamos
E para ser verdadeiramente curado
Há de  se arrancar, a  vida.