Wednesday, February 22, 2012

Yeats


When You are Old

William Butler Yeats

When you are old and grey and full of sleep,
Ad nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;
And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.

Quando fores velha

Quando já fores velha, grisalha e com sono,
E, cabecear junto ao fogo, quando este livro pegar,
Lê com calma; e com as sombras no olhar profundo
Sonha, sonha com o teu antigo e suave olhar.

Muitos te amaram em momentos de alegre graça,
E amaram, com amor sincero ou falso, a tua beleza;
Mas, Só um homem te amou em ti a alma fugidia e lassa,
E até mesmo de teu rosto cada sombra de tristeza.

E curvando-te junto à grade incandescente,
Murmura com amargura como o amor fugiu
E caminhou a montanha, a subir sempre, crescente
E seu rosto na multidão de estrelas encobriu.

Monday, February 20, 2012

Flor Cecília Reyes


Propriedade privada

Flor Cecília Reyes

Como marca de fuego
ya para siempre
llevo en el bajo vientre
la propiedad privada
de tus besos ardientes.

Propriedade privada

Como uma marca de fogo
cravada para sempre
levo no baixo ventre
a propriedade privada
de teus beijos mais ardentes.

Sunday, February 12, 2012

Luiz Cernuda


De Luiz Cernuda

Gracias, compañero, gracias
Por el ejemplo. Gracias porque me dices
Que el hombre es noble.
Nada importa que tan pocos lo sean:
Uno, uno tan solo basta
Como testigo irrefutable
De toda la nobleza humana.

A NOBREZA HUMANA

Graças, companheiro, graças
Pelo exemplo. Graças porque me dizes
Que o homem é nobre.
Nada importa que tão poucos o sejam:
Um tão só um basta
Como testemunha irrefutável
De toda a nobreza humana.

Juan Gelman


Lo que pasa

Juan Gelman

Yo te entregué mi sangre, mis sonidos,
mis manos, mi cabeza,
y lo que es más, mi soledad, la gran señora,
como un día de mayo dulcísimo de otoño,
y lo que es más aún, todo mi olvido
para que lo deshagas y dures en la noche,
en la tormenta, en la desgracia,
y más aún, te di mi muerte,
veré subir tu rostro entre el oleaje de las sombras,
y aún no puedo abarcarte, sigues creciendo
como un fuego,
y me destruyes, me construyes, eres oscura como la luz.

O que se passa

Eu te dei meu sangue, meus sons,
minhas mãos, minha cabeça,
e o que é mais, a minha solidão, a grande dama,
como um dia de maio de dulcíssimo outono,
e o que é mais ainda, todo o meu esquecimento
para que te desfaças e dures na noite,
na tempestade, na desgraça,
e mais ainda, te dei a minha morte,
verás subir teu rosto entre as ondas das sombras
e ainda não posso abarcar-te, segues crescendo
como um incêndio,
a me destruir, me construir, és escura como a luz.

Ilustração: liviavanessa.blogspot.com

Thursday, February 09, 2012

Socrátes moderno


Eu, hoje, só sei que não sei de nada

E que esta ignorância que tenho acumulado

É que me tem salvado num país onde saber é pecado.

Renée Ferrer


PORFÍA

Renée Ferrer

Esta torpeza de jugarle a la vida
es mala pasada de no poder vencerme;
esta terca manera de quererte,
a punto de ingresar
o ya saliendo del último intento;
este modo obstinado
de reavivar la llama
donde encontrarme un día,
mendiga de tu cuerpo.

PORFIA

Esta torpeza de brincar com a vida
é o mau passo de não poder vencer-me,
esta teimosa maneira de querer-te,
a ponto de ingressar
ou já saindo do último intento;
este modo obstinado
de reavivar a chama
de me encontrar um dia,
mendiga de teu corpo.

Ilustração: http://desterritorio.blogspot.com/

Monday, February 06, 2012

Leonora Vicuña


TRAVESIA

Leonora Vicuña

a Armando Rubio, antes de su muerte.

De la nada a la nada, como barcos
que salen de los puertos a la suerte,
vamos de viaje en viaje con la muerte
por grises aguaceros y por charcos.

Después de navegar bajo los arcos
de la ciudad que ya no nos divierte,
sentimos que la ruta nos pervierte
y anclamos en los bares como barcos.

Allí nos transformamos en piratas
que encuentran sus tesoros en el vino
mientras la muerte entona serenatas

y el tiempo sigiloso va borrando
esta marea que nos dio el destino
y hacia la nada vamos navegando...

Travessia

Armando Rubio, antes de sua morte.

De nada para nada, como barcos
que saem dos portos ao sabor da sorte,
vamos de viagem em viagem com a Morte
pelas brumas, aguaceiros e charcos.

Depois de navegar sob os arcos
da cidade que já não nos diverte,
Nós sentimos que a rota nos perverte
e ancoramos nos bares como barcos.

Ali nos transformamos em piratas
que encontram os seus tesouros no vinho
enquanto a morte entoa serenatas

e o tempo sigiloso vai apagando
esta maré que nos deu o destino
e até o nada vamos navegando ...

Ilustração: mmaximo.musicblog.com.br

Rafael Farias Becerra


FRONTERA DE LAS DESPEDIDAS

Rafael Farias Becerra

Todos mis sueños han corrido como agua
Edith Södergran

He cruzado la frontera
alambrada de las despedidas
como se atraviesa el último
umbral hacia el paredón,
con el equipaje de mis sueños
yendo al encuentro de un boleto
para una bella plaza sembrada
de palomas. Me voy,
quizás me pierda
en el viejo laberinto de Creta
y demore en hallar
la puerta de salida.

He concluido la última hoja
de un calendario archivado
en mi pared y no tengo
otra lectura que me postre
al sillón apolillado,
me voy, quizás retorne
en una tarde violeta
cuando los pañuelos
enjuguen las aguas del olvido.

A fronteira das despedidas

Todos os meus sonhos hão corrido como a água
Edith Södergran

Eu cruzei a fronteira
cercada de despedidas
como quem atravessa o último
umbral até o paredão,
com a bagagem dos meus sonhos
indo ao encontro de um bilhete
para uma bela praça repleta
de pombos. Eu vou,
quem sabe me perca
no velho labirinto de Creta
e demore em encontrar
a saída.

Eu terminei a última página
de um calendário arquivado
na minha parede eu não tenho
outra leitura como sobremesa
da cadeira comida pelas traças,
me vou, talvez, retorne
em uma tarde violeta
quando os lenços de bolso
enxuguem as águas do esquecimento.

Oscar Sarmiento

DE LOS CABALLOS

Oscar Sarmiento

Cuando resbalan los caballos en la calle
en su vientre rojo
brillan los focos de los autos.

Ni sonidos ni chispas conservan los cascos
y los carreteros
lloran en sus carretas.

Esas ancas no recibirán un látigo más
ni una sola luz de semáforo
esas pupilas.

Nada esas crines
esas herraduras.
En la calle
acaba el cuerpo de los caballos
con marcas de correas
en el cuello.

Dos cavalos

Quando escorregam os cavalos pela rua
nos seus ventres vermelhos
brilham os faróis dos carros.

Nem sons nem faíscas conservam os cascos
e os caminhões
choram em suas estradas.

Estas ancas não receberão um chicote mais
nem uma só luz de semáforo
estas pupilas.

Nada estas crinas
estas ferraduras.
Na rua
acaba o corpo dos cavalos
com marcas de cintos
no pescoço.

Ilustração: davincigallery.net

Saturday, January 28, 2012

Juan Gelman


La puerta

Juan Gelman

abrí la puerta/amor mío
levantá/abrí la puerta
tengo el alma pegada al paladar
temblando de terror

el jabalí del monte me pisoteó
el asno salvaje me persiguió
en esta media noche del exilio
soy yo mismo una bestia

A porta

Abre a porta/meu amor
levanta/abre a porta
que tenho a alma presa ao paladar
tremendo de terror

o javali do monte me pisoteou
o asno selvagem me perseguiu
nesta meia-noite do exílio
eu sou mesmo é uma besta.

Ilustração: http://avante7.com.br/o-desafio-da-cumplicidade/

Claribel Alegira refeita


Amor

Claribel Alegria

Todos lo que amo
están en ti
y tú
en todo lo que amo.

Amor

Todos os que amo
estão em ti
e tu
estais em tudo que amo.

Ilustração: http://compondonojardim.blogspot.com/2010_12_01_archive.html

Thursday, January 26, 2012

Outra poesia de Jorge Carrera Andrade


Vendrá un día más puro que los otros...

Jorge Carrera Andrade

Vendrá un día más puro que los otros:
estallará la paz sobre la tierra
como un sol de cristal. Un fulgor nuevo
envolverá las cosas.
Los hombres cantarán en los caminos,
libres ya de la muerte solapada.
El trigo crecerá sobre los restos
de las armas destruidas
y nadie verterá
la sangre de su hermano,
El mundo será entonces de las fuentes
y las espigas, que impondrán su imperio
de abundancia y frescura sin fronteras.
Los ancianos tan sólo, en el domingo
de su vida apacible,
esperarán la muerte,
la muerte natural, fin de jornada,
paisaje más hermoso que el poniente.

Virá um dia mais puro que os outros ...

Virá um dia mais puro que os outros:
que instalará a paz por sobre a terra
como um sol de cristal. Um fulgor novo
que envolverá as coisas.
Os homens cantarão pelos caminhos
livres, já, da morte disfarçada.
O trigo crescerá sobre os restos
das armas destruídas
e ninguém derramará
o sangue de seu irmão.
O mundo será, então, das fontes
e espigas, que imporão o seu domínio
de abundância e frescura sem fronteiras.
Só os idosos , nos domingos
de suas vidas pacíficas,
esperarão a morte,
morte natural, o fim da jornada,
paisagem mais bonita que o poente.

Ilustração: http://denyse-melo.blogspot.com

Wednesday, January 25, 2012

Jorge Carrera Andrade


Golondrinas

Jorge Carrera Andrade

Que me busquen mañana.
Hoy tengo cita con las golondrinas.
En las plumas mojadas por la primera lluvia
llega el mensaje fresco de los nidos celestes.
La luz anda buscando un escondite.
Las ventanas voltean páginas fulgurantes
que se apagan de pronto en vagas profecías.
Mi conciencia fue ayer un país fértil.
Hoy es campo de rocas.
Me resigno al silencio
pero comprendo el grito de los pájaros
el grito gris de angustia
ante la luz ahogada por la primera lluvia.

Andorinhas

Que me procurem amanhã.
Hoje eu tenho um encontro com as andorinhas.
Nas penas molhadas pela primeira chuva
chega a mensagem fresca dos ninhos celestes.
A luz anda buscando um esconderijo.
As janelas folheiam páginas fulgurantes
que se apagam em vagas profecias.
Minha consciência foi ontem um país fértil.
Hoje é campo de rochas.
Resigno-me ao silêncio,
porém, compreendo o grito das aves
o grito cinzento de angústia
ante a luz afogada pela primeira chuva.

Tuesday, January 24, 2012

CRISTIAN AVECILLAS


HOMO DELIRANS

CRISTIAN AVECILLAS

I
Y en tu piel preparas el vocablo porque la paciencia te traerá la entraña:
Ser artista es inventar la carne donde no hay persona
Y mirar el hueso donde todos ven futuro.

II
Y preparas la armonía de tu sangre con la herida del deseo eliminado,
La feroz fidelidad ante lo acústico,
La feroz epanortosis de lo acústico:
Y preparas la cordura de tus miembros en la elipsis de la ajena suculencia,
La retórica es un grito en la distancia
Al que no darás socorro para no romper el ritmo.

III
Y preparas la elocuencia de tu sombra
Cuando arrojas tu linaje en el desierto:
Poblarás la nada
Hasta inventar la desnudez.

HOMO DELIRANS

I
E na tua pele preparas a palavra porque a paciência lhe trairá as entranhas:
Ser artista é inventar a carne onde não há pessoa
E olhar o osso onde todo mundo vê o futuro.

II
E preparars a harmonia de teu sangue com a ferida do desejo eliminado,
A feroz fidelidade ao acústico,
A feroz ressureição do acústico
E preparas a mansidão de teus membros na elipse de alheia suculência,
A retórica é um grito na distância
A que não darás socorro para não quebrar o ritmo.

III
E prepararas a eloqüência de tua sombra
Quando arrojas tua linhagem no deserto:
Povoarás o nada
Atér inventar es a nudez.

CRISTIAN AVECILLAS


HOMO RIDENS

Cristian Avecillas

Y te dices:
Que el poema encienda lo que ayer la llama
Para que arda una mujer en el verano.

Homo Ridens

E tu dizes:
O poema incendeia o que ontem era chama
Para que arda uma mulher no verão.

Ilustração: cristina.com.br

Simón Zavala Guzmán


RECONSTRUCCION DE LA VERDAD

Simón Zavala Guzmán

Espejo de lodo la mentira
todo lo que ella arguye
inventa
escupe
sirve para tapar el sol con el dedo
meñique.
La verdad
la pobre y huérfana verdad
siempre tendrá la estatura de
una desconocida
pero no será un cadáver de mármol
velàndose entre gusanos.
Por eso uno piensa que en la claridad
de los sábios
hay un sol más hondo
donde los seres aparecen realmente
como son.
La verdad es un rostro de cristal
cuerpo tíbio de mujer.
La verdad tiene un sitio
por donde se puede respirar aire libre
llega como inconmovible fruta
llena de olas
y ahoga en su momento a tanto
mercader
a tanto mono de organillero
a tanto político de subasta.


A RECONSTRUÇÃO DA VERDADE

Espelho de toda a mentira
tudo o que ela argúi
inventa
cospe
serve para tapar o sol com o dedo
mindinho.
A verdade,
a pobre e órfã verdade,
sempre terá o tamanho de
uma desconhecida,
porém, não será um cadáver de mármore
velando-se entre os vermes.
Por isto se pensa que na claridade
dos sábios
há um sol mais profundo
onde os seres realmente aparecem
como são.
A verdade é um rosto de cristal,
como um corpo frágil de mulher
A verdade vive num local
onde é possível respirar ar livre
chega como inamovível fruta
plena de ondas
e afoga em seu momento tanto
o empresário,
tanto macaco tocador de realejo
como o político venal

Ilustração: http://fabiopestanaramos.blogspot.com/2011/09/concepcao-filosofica-da-verdade.html

Sunday, January 22, 2012

Concha García outra vez



Alegoría del tiempo


Concha García

Somos moderadamente felices,
los dos vivíamos en una afinidad
absoluta: las palabras
no pueden expresar la experiencia.
Yo tampoco.


Alegoria do tempo

Somos moderadamente felizes,
nós dois viviamos numa afinidade
absoluta: as palavras
não podem expressar a experiência.
Nem eu, tampouco.

Concha García


Bajo los auspícios

Concha García

La cosa más profunda que he vivido
ya la he olvidado. Ahora sólo me importa
arreglar la ventana si se rompiera, o
limpiar los cristales. Todas las verdades
han sido un largo pronunciamiento sin fecha,
de pronto no recuerdo ninguna. Se confunden
encaramadas bajo los auspicios de mi necedad
que tampoco se precia. A mí me gusta
el encantamiento de ciertas tardes, cuando
lo evidente no es real.


Sob os auspícios

A coisa mais profunda que já vivi
eu já esqueci. Agora só me importa
fechar a janela, se quebradas, ou
limpar as janelas. Todas as verdades
tem sido um enorme discurso sem data,
de repente não me lembro de nenhuma. Se confudem
empoleiradas sob os auspícios da minha loucura
que tampouco se aprecia. Eu gosto
do feitiço de certas tardes, quando
o evidente não é real.

Mario Benedetti


El soneto de rigor

Las rosas están insoportables en el florero
JAIME SABINES

Tal vez haya un rigor para encontrarte
el corazón de rosa rigurosa
ya que hablando en rigor no es poca cosa
que tu rigor de rosa no te harte.

Rosa que estás aquí o en cualquier parte
con tu rigor de pétalos, qué sosa
es tu fórmula intacta, tan hermosa
que ya es de rigor desprestigiarte.

Así que abandonándote en tus ramos
o dejándote al borde del camino
aplicarte el rigor es lo mejor.

Y el rigor no permite que te hagamos
liras ni odas cual floreros, sino
apenas el soneto de rigor.

O soneto do rigor


Talvez haja um rigor para encontrar-te
o coração de rosa rigorosa
porque a rigor não é pouca coisa
que teu rigor de rosa não te falte.

Rosa que estas aqui ou em qualquer parte
con teu rigor de suas pétalas, que coisa
é tua fórmula intacta, tão formosa
que já é de rigor desprestigiar-te.

Assim, abandonar-te em teus ramos
ou deixando-te à beira da estrada
Aplicar-te o rigor é o melhor.

E o rigor não permite que te façamos
liras nem odes qual vasos, nem mais nada
apenas o soneto do rigor.

VISLUMBRE


Eu sei que, quando se lê o tarot,
nada se sabe,
mas, também começamos na vida,
na verdade, sem nada saber.

Tiro um arcano
na esperança que me mostre o caminho
e o que me ensina
tem os fumos do embaraço,
de modo que venho, vou e passo
na busca de uma interpretação
que não ultrapassa jamais
meu nível de consciência.

E me afundo em estudos
para ter ciência
de que conhecer
é sempre só um prisma do diamante.

E só o que vejo passo adiante
e, mesmo assim, é ajuda e luz,
de forma que me saúdam como sábio
sendo tão ignorante.

Wednesday, January 18, 2012

Ronald Rivas


AMINTA

Ronald Rivas

Aminta la hija inmortal del viento
Dejó su secreto disperso
En la hierba de las horas
Cuando soy, a penas,
Un escarabajo
Que recoge su tedio en las líneas más densas de la grama,
Planta su sonrisa mientras acaricia mi huesudo corazón
Y desearía ser el gatito en medio de sus piernas.

Aminta

Aminta, a filha imortal do vento,
Deixou seu segredo disperso
Na grama das horas.
Quando sou, apenas,
Um escaravelho
Que recolhe o seu tédio nas linhas mais densas da grama,
Planta o seu sorriso enquanto acaricia meu coração de osso
E desejaria ser o gatinho no meio de suas pernas.

Ilustração: pautandosemprepm3.blogspot.com

Sunday, January 15, 2012

Uma poetisa bissexta


A MOMENT OF BLISS

February 1, 2010
Lilita do Acre

Finished the chores of the day
I wearily reached for my favorite window .
And Lo! What a pleasure,
Finding the rain coming down again,
Bringing together the adorable scent
Of newly wet grass!

People complain against the rain
When it should be seen as divine bliss
For nature is preparing the forthcoming season,
Of fruit and fish in the Amazon.

Instead of complaints we should salute nature
In its wise change of seasons
Each one favoring men and creatures
With nurturing abundance of every sort.

I can only complain against fate
For not allowing me
The wonder of sharing this moment with you.


Um momento de felicidade

Concluída as tarefas do dia
Eu cansada alcanço minha janela favorita.
E eis! Que prazer,
Encontrar a chuva caindo novamente,
Trazendo junto o perfume adorável
Da grama recém molhada!

As pessoas reclamam da chuva
Quando deveria ser vista como uma benção divina
Para a natureza que prepara a próxima estação,
De frutas e de peixes na Amazônia.

Em vez de queixas, devemos louvar a natureza
Na sua sábia mudança das estações
Cada uma favorecendo os homens e as criaturas
Com o carinho abundante de cada espécie.

Só posso reclamar do meu destino
Que não me permite
Compartilhar este maravilhoso momento com você.

Cristóbal Zapata

EL GUSANITO

Cristóbal Zapata

Como una polilla inmune a mis venenos y mis trampas
el amor me corroe pacientemente.

Mi corazón está sucio
como el revés de una mesa
donde los comensales han ido guardando
los residuos que estorban la masticación.

Pongo una mano debajo de mi corazón
y la mano salta espantada, llena de mugre y dolor.
Pongo otra mano sobre mi corazón
y el gusanito empieza a roer
sin prisa, sin culpa, sin temor.

Verme

Como uma borboleta imune ao meu veneno e as minhas armadilhas
o amor me corrói pacientemente.

Meu coração está sujo
como embaixo de uma mesa
onde os comensais estão jogando
os restos da comida difícil de mastigar.

Ponho uma mão debaixo do meu coração
e a mão salta assustada, cheia de sujeira e dor.
Ponho outra mão sobre o meu coração
e o verme começa a roer
sem pressa, sem culpa, sem medo.

Friday, January 13, 2012

Walter Cruz


Tarde

Walter Cruz

El tiempo se alimenta de belleza...
es evidente en las mujeres y en las cosas
y es tan voraz y tan sutil su paso lento
que engañados por su suave persistencia
siempre tarde comprendemos que la esencia
del dolor y la amargura esta en aquello
que pudimos y no hicimos...la belleza
que era nuestra y no supimos.

Tarde

O tempo se alimenta de beleza ...
é evidente nas mulheres e nas coisas
e é tão voraz e tão sutil seu passo lento
que enganados por sua suave persistência
sempre tarde compreendemos sua essência
da dor e da amargura que está naquilo
que podemos e não fizemos ...a beleza
que era nossa e não sabíamos.

Ilustração: corinepasso.blogspot.com

Thursday, January 12, 2012

Poeminha da única importância


No fim hás de ver que o que importa,
Por mais que o tempo não seja nosso aliado,
É o que nada vai conseguir apagar.

Um encontro inesperado no avião,
O carinho no momentos preciso.
Algumas poesias, as músicas, os risos,
O fato de que nós sentimos bem perto e distante
E que, apesar de tudo, vamos adiante
E, por muito que o tempo possa nos levar,
Nos deixa sempre a capacidade de amar.

Wednesday, January 11, 2012

Traição inglesa


Blue Wings

George Eliot (Mary Ann Evans)

Warm whisp'ring through the slender olive leaves
Came to me a gentle sound,
Whis'pring of a secret found
In the clear sunshine 'mid the golden sheaves:

Said it was sleeping for me in the morn,
Called it gladness, called it joy,
Drew me on 'Come hither, boy.'
To where the blue wings rested on the corn.

I thought the gentle sound had whispered true
Thought the little heaven mine,
Leaned to clutch the thing divine,
And saw the blue wings melt within the blue!

Asas azuis

Sussurrando quente do meio das folhas de oliveira
Veio a mim o suave som,
Como um segredo de primavera encontrado
Em meados do sol claro como "os feixes de ouro:

Disse que estava dormindo, para mim, na manhã,
Chamou-a alegria, chamou-a prazer,
Me atraiu com 'Vem cá, rapaz. "
Para lá onde as asas azul descansavam no milho.

Eu pensei que o som suave sussurrado era verdade
Pensei que o pequeno céu era meu,
Inclinei-me para embrenhar-me na coisa divina,
E só pude ver se derreter as asas azuis dentro do azul!

Tuesday, January 10, 2012

Rodolfo Naró


Deitada és um violoncelo em repouso

Rodolfo Naró

Acostada eres un cello en reposo,
tu sonido es de cuerdas,
en tus párpados hay notas,
risas de piano se asoman por tus ojos.
Sonata de pájaros en fuga.
No necesitas decirlo
pulsas música al moverte.
Si te distraes el mundo se silencia todo,
vuelve a afinarse. Lo sabes,
pero sigues en tu andar
como si nada.

Deitada és um violoncelo em repouso

Deitada és um violoncelo em repouso,
teu som é de cordas,
em tuas pálpebras há notas,
risos de piano se despejam de teus olhos.
Sonata de pássaros em fuga.
Não necessito dizê-lo
pulsas música ao mover-te.
Se te distrais o mundo se silencia todo,
voltas a se afinar. Tu sabes,
porém, segues em teu andar
como de costume.





Ilustração: cabarepsicodelico.blogspot.com

Monday, January 09, 2012

Javier Martínez


SEGUNDOS

Javier Martínez

La araña hizo su casa
en el segundero de mi reloj.
¡Astuta!
¡Ambiciosa!
Con su red da vueltas al círculo,
atrapa mis sueños,
desprecia el tiempo,
en movimiento trabaja.
¿Por qué en el segundero de mi reloj?

(El Amor Vestido de Asfalto)

Segundos

A aranha fez sua casa
no ponteiro de segundos do meu relógio.
Inteligente!
Ambiciosa!
Com sua rede dá voltas ao círculo,
atrapalha os meus sonhos,
deprecia o tempo,
no movimento trabalha.
Por que no ponteiro de segundos do meu relógio?

Sunday, January 08, 2012

René Char


LE CARREAU

René Char

Pures pluies, femmes attendues,
La face que vous essuyez,
De verre voué aux tourments,
Est la face du révolté;
L’autre, la vitre de l’heureux,
Frissone devant le feu de bois.

Je vous aime mystères jumeaux,
Je touche à chacun de vous;
J’ai mal et je suis léger.

A Telha


Chuvas puras, as mulheres esperando,
O rosto que lavais,
De vidro condenado aos sofrimentos,
É o rosto do revoltado;
O outro, a janela do feliz,
Tremendo diante do fogo na madeira.

Eu te amo, ó dúplice mistério,
Eu toco a cada um de vocês;
Dói-me e eu sou luz.

Saturday, January 07, 2012

Alan Mills


feedback,

Alan Mills

con mis pechos te alimenté
y hasta dejaba hambrientos a mis hijos
por vos mientras todos te vieron
por los bares paseándote con tus amigas
más lindas les hacías poemas y ellas
reían se reían de mí pero después siempre
otra se reía de la que antes rió y así era
una risotada toda esa mierda siendo felices
a nuestro modo pero sólo yo con mis pechos
te alimenté y con eso te fuiste haciendo
heladitos de crema para tus amiguitas
más lindas que se chupaban los dedos
frente a estos críos estallando de sed
y pegados a mis dulces pechos
con los que te alimenté hasta dejarlos
desinflados como vejigas muertas
como paraísos vacíos como enjambres
de luz apagados

feedback

Com os meus peitos te alimentei
e até deixava meus filhos com fome
por ti enquanto todos te viam
pelos bares passeando com tuas amigas
mais lindas e lhes fazia poemas e elas
riam se riam de mim, mas, depois sempre
outra se ria dela que antes riu e assim era
uma risadaria toda essa merda de serem felizes
a nosso modo, porém, só eu, com meus peitos
te alimentei e com isto te fostes fazendo
sorvetes de creme para tuas amiguinhas
mais lindas que chupavam os dedos
frente a estas crianças estalando de sede
e pegados ao meu doce peito
com os que te alimentei até deixá-los
murchos como bexigas mortas
como paraísos vazios, como enxames
de luzes apagadas.

Ilustração: humorcombobagem.com

Friday, January 06, 2012

Euler Granda


EL RETRATO

Euler Granda


Yo le llamaba linda
y el nombre le quedaba
como vestido flojo.
Sus ojos
no tenían importancia,
su boca
no era más que una boca
y acostumbraba recopilar retratos
como todos.
Empero
el dolor le dolía de otro modo;
frente a la soledad
era su soledad más sola
y sus palabras entraban al oído
como avispas quemantes.
Puesta junto al océano
tenía algo de nave;
por coincidencia extraña,
como a mí,
le gustaban los viajes,
por eso aquella tarde
terminó envenenándose.

O retrato

Eu a chamava de linda
e o nome lhe ficava bem
como um vestido folgado.
Seus olhos
não tinham importância,
sua boca
não era mais do que uma boca
e se acostumara a coletar retratos
como todos.
Entretanto,
a dor lhe doía de outro modo;
frente à solidão
era sua solidão mais só
e suas palavras entravam no ouvido
queimando como vespas.
Posta junto ao oceano
tinha algo de navio;
por uma estranha coincidência,
como eu,
gostava de viajar,
por isto naquela tarde
terminou se envenenando.

Ilustração:coriscos.blogspot.com

Thursday, January 05, 2012

Cristóbal Zapata


ARTE RUPESTRE

Cristóbal Zapata

Para Isabel Dávalos

En la oscuridad primordial
un hombre y una mujer
chocan y raspan
como dos piedras ásperas
sus cuerpos.
Iluminados por el deseo
hacen la luz, la claridad.

Así, en la penumbra del mundo
un hombre y una mujer
reinventan el fuego,
y sus cuerpos encienden
como luces de Bengala
la noche.

Porque no es la Tierra
lo que el deseo alumbra
sino la bóveda del Cielo.

Arte rupestre

Na escuridão primordial
um homem e uma mulher
se chocam e rasgam
como duas pedras brutas,
seus corpos.
Iluminado pelo desejo
fazem a luz, a claridade.

Assim, na penumbra do mundo
um homem e uma mulher
reinventar o fogo,
e os seus corpos incendeiam
como luzes de Bengala,

a noite.

Porque não é a Terra
que o desejo ilumina,
mas, a abóbada do céu.

Ilustração: sombradaoiticica.wordpress.com

Wednesday, January 04, 2012

Poemas mal comportados


Carmen, você estragou meu coração

Carmen, Carminha,
eu pensei que você fosse minha,
mas, não.
Bastou virar a esquina
Para você estragar meu coração,
fazer dele um picadinho
passando sal e limão.
Carmen,
o que me aconteceu
que eu perdi você
como o anel que me deu!
Carmen,
tem coisas que não pode ser...
o que me dizem de você
é que virou um furacão
passou pelo sabre de todo o batalhão.
Não! Não! Não!
Logo você que era tão pudica
dizem que não pode ver ...
uma garrafa
que o primeiro que vier garfa!
Ah! Carmen,
nem venha me falar
que, depois, basta lavar.
Não é assim não!
Você dilacerou meu pobre coração
e ando até com medo
de arranjar uma mulher
com jeito infantil.
Carmen,
minha vontade é de sumir do Brasil...
atrás de inglesas
que, segundo De Laurentis,
são símbolo da pureza,
pois, nem lavam a genitália!
Se não der certo
bebo vinho até morrer
na Itália!

Tuesday, January 03, 2012

Sylvia Plath


Stasis in Darkness

Sylvia Plath

Stasis in darkness.
Then the substanceless blue
Pour of tor and distances.
God's lioness,
How one we grow,
Pivot of heels and knees! – The furrow
Splits and passes, sister to
The brown arc
Of the neck I cannot catch,

Nigger-eye
Berries cast dark
Hooks –

Black sweet blood mouthfuls,
Shadows.
Something else

Hauls me through air –
Thighs, hair;
Flakes from my heels.

White
Godiva, I unpeel –
Dead hands, dead stringencies.

And now I
Foam to wheat, a glitter of seas.
The child's cry

Melts in the wall.
And I
Am the arrow,

The dew that flies
Suicidal, at one with the drive
Into the red

Eye, the cauldron of morning.

Êxtase na escuridão.

Êxtase na escuridão.
Então, o azul sem substância
Despejo de tortura e distâncias.
Leoa de Deus,
Como uma medida que crescemos,
Pivot de calcanhares e joelhos! - O sulco
Divide e passa, irmã
do arco marrom
do pescoço que não posso pegar.

Olhar negro
Bagos de castanho escuro
ganchos -

Doce pretos bocados de sangue,
sombras.
Alguma outra coisa

Golpes através do ar -
Coxas, pêlos;
Flocos de meus calcanhares.

Branco
Godiva, eu a me descolar -
Mãos mortas, rigores mortos.

E agora eu
Espuma para o trigo, um brilho de mares.
Choro de criança

Derrete-se na parede.
e eu
sou a flecha,

O orvalho que voa
Suicida, com a direção
para o vermelho

Olho, o caldeirão da manhã.

Ilustração: http://emiliano-rasgandooverbo.blogspot.com/

Francisco Granizo Ribadeneira


De ti, exacta, la cifra

Francisco Granizo Ribadeneira

De ti, exacta, la cifra
del principio y el término,
la plenitud del cero,
la frecuencia infinita.

La total armonía
de tu cuerpo en mi cuerpo,
tu sonido y tu tiempo
y tu peso de vida

Traspasada del nombre
ningún nombre te acoge
más, audible, inefable,

y la mano te sabe
por tu olor y tu porte
de dulcísimo alfanje

Este es mi amor y nada más, acodo
recurriéndote, así, terriblemente,
nacido, desnacido, adolescente
en las albas dulcísimas del lodo.

Sólo de esta mi suerte, de tu modo,
talud de sangre, cántaro cayente,
ordenarás dolor, asiduamente,
zafado peso, acaecer de todo.

Abierto a mi hambre de tus hambres. Duro
pájaro, por la piel, enfurecidos
acúdenme tu olor y ligereza.

¡Tacto! Desde la carne del conjuro,
atacado de todos tus sonidos,
vuélame el corazón, alto, tu presa.

De ti, exata, a cifra

De ti, exata, a cifra
do princípio e do fim,
a plenitude do zero,
a freqüência infinita.

A total harmonia
de teu corpo no meu corpo,
teu som e teu tempo
e teu peso de vida

Trespassado de teu nome
nenhum nome me acode
mais audível, inefável,

e a mão te sabe
por teu odor e teu porte
de dulcíssimo alfanje

Este é o meu amor e nada mais, acudo
recorrendo-te assim, terrivelmente,
nascido, desnacido, adolescente
amanhecendo docemente no lodo.

Só este meu destino, do teu modo
massa de sangue, cantâro caindo,
ordenarás a dor assiduamente,
deslocado peso, a acontecer de todo.

Aberta a minha fome às tuas fomes. Duro
pássaro, pela pele, enfurecidos
acodem-me teu cheiro e ligeireza.

Tato! Desde que a carne do feitiço,
atacado de todos os teus sons,
levou-me o coração, para o alto, a tua presa.

Ilustração: http://veruska-ladybuterfly.blogspot.com/

Monday, January 02, 2012

TALVEZ


Talvez viver seja um sonho,
uma fantasia
que um deus secreto
no seu sono cria.

Talvez viver seja somente
a leve chama da vela
produzindo a luz que revela
a eterna escuridão.

Talvez viver só seja
algo que nos proteja
momentaneamente
do longo esquecimento,
nossa única certeza.

Sunday, January 01, 2012

Começar de novo


Be Kind

Charles Bukowski

we are always asked
to understand the other person's
viewpoint
no matter how
out-dated
foolish or
obnoxious.
one is asked
to view
their total error
their life-waste
with
kindliness,
especially if they are
aged.
but age is the total of
our doing.
they have aged
badly
because they have
lived
out of focus,
they have refused to
see.
not their fault?
whose fault?
mine?
I am asked to hide
my viewpoint
from them
for fear of their
fear.
age is no crime
but the shame
of a deliberately
wasted
life
among so many
deliberately
wasted
lives
is.


Ser generoso


Nós estamos sempre tentando
compreender a outra pessoa
seu ponto de vista
não importa o quão
deslocado
tolo ou
detestável.
É convidado
para ver
como está errado
como sua vida é um lixo
com
bondade,
especialmente se forem
de idade.
Mas, a idade é o total de
nosso fazer.
Eles têm a idade
ruim
porque eles têm
vivido
fora de foco,
eles se recusaram a
ver.
Não é culpa deles?
Quem tem culpa?
Eu?
Me induziram a esconder
meu ponto de vista
sobre eles
por medo de seus
medos.
Idade não é crime,
mas, a vergonha
de deliberadamente
desperdiçar
a vida,
entre tantos
que deliberadamente
desperdiçam
vidas,
é.

Saturday, December 31, 2011

Abre alas 2012!


Vem, ano novo, vem
com o teu primeiro dia de porta bandeira
me trazer alegria para a vida inteira.
Vem, ano novo, vem
malemolente mesmo, sem muita pretensão
cheio de surpresas boas para meu velho coração.
Vem, ano novo, vem
arrastando teus prazerosos dias
sob o som de atabaques, tamborins, reco-recos e pandeiros
compondo o enredo anônimo e glorioso dos brasileiros.
Vem, ano novo, vem
com a mais bela fantasia
mostrando que o mundo pode ser real
e que a vida é mesmo um perene carnaval!

Friday, December 30, 2011

Aninho novo


Aninho novo
não sei como virás...
Que venha manso,
que venha doce,
que venha em paz,
com gosto de amor e quero mais.

Aninho novo
não te peço muito:
um pouco de amor, vez por outra;
muita cerveja, boa mesa, vinho, alguma roupa
e felicidade, nunca pouca,
até pode ter excesso de carinho
que não reclamarei nem um pouquinho.

Aninho novo
que fiques velho devagarinho.
Espero mesmo que te arrastes
em manhãs doces, em tardes preguiçosas
e, se possível, em longas noites de amor.

Aninho novo, por favor,
me olhe com carinho
como olha para a mulher que gosto
e, quando me deixar,
arranje outro aninho
capaz de tudo melhorar!

Ilustração: oindizivel.com

Ano vai...ano vem...


Vai, ano velho, vai...
Já fizestes o que tinha de fazer
e o jeito, agora, é te esquecer
deixar o novo ano chegar
com risos, fogos e foguetes
para nos alegrar.

Vem, ano novo, vem...
Preciso saber e sentir o que você tem..
Mas,devagar, que vida boa
não tem porque se apressar.

Vem, ano novo, vem...
Com amor, dinheiro, saúde
e tudo que fizer bem
e, surpresas, boas, aceito também.

Vem, ano novo, vem..
Com o melhor de tudo que você tem.

Longo caminho



Os novos dias
como flores da vida
brotam
e vão, tristes ou alegres,
compondo o jardim da vida.
Eu sei, querida,
que não te amei como devia
nem com a intensidade que queria,
porém, o meu desejo infinito permanece
e, se aquece, mesmo, na distância, em saber
que longo é o caminho
do nosso louco querer.

Ilustração: docecomoachuva.blogspot.com

Thursday, December 29, 2011

Rery Maldonado


Ibuprofeno

Rery Maldonado

nostalgias que
se descuelgan del clítoris
hasta ondear la huella
de tus ojos
espiando en mi desnudo

este es un acto
en el que apuntas
y mis dedos
jalan el gatillo

este es un acto
inequívoco
y mi coño
se mueve libremente

tu apuntas
y yo aprieto el gatillo

el futuro es
también el recuerdo
de estas muertes

breves

venciéndonos,
rompiéndonos
en pedacitos.

Analgésico


anseios
que se despregam do clitóris
ate desviar da trilha
de teus olhos
me espionando nu

este é um ato
em que me miras
e os meus dedos
apertam o gatilho

este é um ato
inequívoco
e meu colo
se move livremente

tu miras
e eu aperto o gatilho

o futuro é
também as lembranças
destas mortes

breves

superando-nos,
rompendo-nos
em pedaçinhos.

Canção da esperança inútil


Eis que, de novo, um tempo novo,
como uma estrada de esperanças,
abre as asas e canta a doce canção de viver.
Não há, virtualmente, nada de novo,
exceto, o desejo de que as coisas sejam diferentes...
No entanto, a magia dos marcos
nos deixa contentes
e induz a pensar que todas as dores passarão,
quando só nós passamos,
em busca do amanhã conhecido:
os braços da mulher indesejada
que só nos promete tirar
o sentimento de viver.

Ilustração: A jovem e a morte de Hans Baldung Grien (1510.

Tuesday, December 27, 2011

Ano novo, tão novinho


Ano, tão novinho,
vais chegando de mansinho
tão sem pressa de chegar.
Ano novo, tão novinho,
passa bem devagarzinho
nos dê tempo de brincar,
de amar, se for possível,
muito mais de querer bem.
Ano novo, bem novinho
que surpresas você tem?
Traga-me só o potinho
de ouro do arco-íris,
um amor, duas viagens,
vinho, desejo, ternura
e dias de boa ventura.

Ilustração: glaulegal.blogspot.com

Fa Claes


Año nuevo

Fa Claes

Bailarinita, Año Nuevo,
tan dulce, tan alegre, agachada todavía,
y ella misma una lazadilla
para que con una lazadilla
sus zapatillas
pueda atar.

Un momentito todavía,
y me yergo
y empiezo a bailar
lazadilla tras lazadilla
para que a todos, el uno al otro
y a todos a mí, pueda atar.

Ano novo

Bailarininho, Ano Novo,
tão doce, tão alegre, agachado todavia,
e se ele mesmo um laçinho
para que com um laçinho
suas sapatilhas
possa atar.

Um momentinho, todavia,
e eu me vergo
e começo a dançar
laçinho após laçinho
para que a todos, uns aos outros
e a todos a mim, possa atar.

Ilustração: video.agaclip.com

Duas poesias de Eduardo Garcia


CUANDO LA PIEL

Eduardo Garcia

Soy frágil en tus manos, soy papel,
y cuando el mar se arroja y se retira
siento el furor callado de las constelaciones,
la huida de las fieras en el jardín en llamas,
el clamor de las aves si amanece.
Entonces somos más que dos figuras
que el combate conduce hacia el olvido.
Somos el mar, la tierra que perdura,
su latido animal, un estertor
dichoso que nos trae a estas paredes.
Los humildes objetos nos sonríen.

QUANDO PELE

Sou frágil nas tuas mãos, sou papel,
e quando o mar se arremessa e se retira
sinto a fúria calada das constelações,
o voo das feras no jardim em chamas,
o clamor das aves, se amanhece.
Então, somos mais que duas figuras
que o combate conduz até o esquecimento.
Somos o mar, a terra que perdura,
seu pulsar animal, um estertor
ditoso que nos traz a estas paredes.
Os humildes objetos nos sorriem.

PARADOJA DEL TAHÚR

Yo deseaba ser aquel que soy.
Ahora quisiera ser quien me soñaba.
Daría estos renglones sin dudarlo
por recobrar las vidas que perdí.

PARADOXO DO TAHÚR

Eu desejava ser aquele que sou.
Agora quisera ser quem me sonhava.
Daria estas linhas sem duvidar
para viver as vidas que perdi.

Ilustração: zerohora.clicrbs.com.br

Monday, December 26, 2011

Leon de Greiff


MAS BREVE

LEON DE GREIFF


No te me vas que apenas te me llegas,
leve ilusión de ensueño, densa, intensa flor viva.

Mi ardido corazón, para las siegas
duro es y audaz...; para el dominio, blando...

Mi ardido corazón a la deriva...
No te me vas, apenas en llegando.

Si te me vas, si te me fuiste...: cuando
regreses, volverás aún más lasciva
y me hallarás, lascivo, te esperando...

Mais breve

Não te vais agora que apenas tu me chegas,
leve ilusão de sonho, densa, intensa flor viva.

Meu inflamado coração, para o corte
duro é e audaz ... , para o domínio, brando ...

Meu inflamado coração à deriva ...
Não te vais, apenas já chegando.

Se tu se vais, se de mim fostes...: quando
regresses, voltarás ainda mais lasciva
e me acharás, lascivo, te esperando ...

Ilistração: talitakamache.blogspot.com

Raúl Heraud Alcázar



EL EVANGELIO SEGÚN EL DIABLO

Raúl Heraud Alcázar

Pequeño Dios
cuando abandones tu sagrada indiferencia
y dejes la cerradura abierta
para que camellos y locos
sean tan libres como el asesino
de niños
cuando no reclames
tristes almas en las puertas del infierno
y tus ángeles afeminados
vengan a vivir a este enorme panteón
donde ya nadie te nombra
cuando recorras cada pozo de huesos
cada mierdero con sus despojos humanos
comprenderás que no se trata de amor
ni de juicio final
sólo que aquí
huele a muerte
permanentemente.

Evangelho segundo o diabo

Pequeno Deus
quando abandonares tua sagrada indiferença
e deixares a fechadura aberta
para que camelos e loucos
sejam tão livres como o assassino
de crianças
quando não há reclames
tristes almas nas portas do inferno
e teus anjos efeminados
venham a viver neste enorme panteão
onde ninguém te nomeia
quando recorras a cada poço de ossos
cada merdeiro com seus restos humanos
compreenderás que não se trata de amor
nem de juízo final
só que aqui
cheira a morte
permanentemente.

Sunday, December 25, 2011

Ainda Dannibal Reyes


Rito 23

Dannibal Reyes

No me reveles quién eres
no hay máscara de fuga
ni bosque sombrío
ni animal que pueda hipnotizarme
persuadirme
no sé la distancia que te separa
ni los pasos que te alejen
si encuentro tu rastro
devoraré tu asustado aliento

Rito 23

Não me reveles quem és

não há máscara de fuga

nem bosque sombrio

nem animal que possa hipnotizar-me

persuadir-me.

não sei a distância que te separa

nem os passos que te distanciam

se encontro o teu rastro

devorarei tua assustada respiração

Ilustração: Rafael Cruz

Dannibal Reyes


RITO 21

Dannibal Reyes

a Yanuva León

Es la palabra y no el hombre
la que está hecha de barro
somos todos
amasijo de voz e imagen
obra de piedra amalgamada
que culmina con el primer susurro de una mujer

RITO 21

É a palavra e não o homem

o que é feito de barro

somos todos

bolas de massa de voz e imagem

obra de pedra amalgamada

que culmina com o primeiro sussurro de uma mulher